Desse triste episódio, lembrar-se-ia o ilustre criminalista muitos anos depois: “Aquele imenso cenário de estrondo atirava-me à popularidade. Era o fim do pau-de-sebo. E veja, veja a suprema bizarria do destino. Aquele mesmo pai que nunca se incomodou comigo, que foi a causa da morte de minha mãe, que desprezou a todos nós, acusado, réu, vinha ser o veículo para que eu conseguisse alguma coisa na vida. Deve haver uma força imponderável governando o mundo!”
Há alguns anos, dois renomados advogados maranhenses passaram por semelhante provação. Serra de Aquino foi ao Tribunal do Júri para defender a sua mulher, enquanto Helena Heluy, em outra oportunidade, sustentou no mesmo plenário a defesa do marido. Ambos acusados de homicídio, ambos absolvidos após comoventes defesas, às quais não faltaram os ornamentos de uma brilhante oratória e da emoção que tomou conta do plenário.
Foram, sem sombra de dúvida, defesas apaixonadas, cada qual com sua carga de argumentos e de sentimentos. Estávamos diante de dois grandes tribunos no auge da sua glória e da sua força, arrostando com galhardia o que o destino, essa força imponderável que governa o mundo, lhes reservara não para a mocidade, como no caso de Evaristo, mas para uma idade que já não suporta o inferno das emoções arrebatadoras.
Quem pôde assistir a ambos os julgamentos, foi capaz de testemunhar duas magníficas aulas de Direito Penal e Processo Penal, de oratória e – por que não dizê-lo – de vida. Até hoje, lembro-me perfeitamente desses dois episódios que deixaram uma impressão profunda no meu espírito e na minha formação como advogado criminal.
Helena Barros Heluy e Joaquim Inácio Serra de Aquino, já falecido, são
verdadeiros mestres da profissão, com os quais procurei aprender algo do seu
grande conhecimento e da indiscutível postura ética com que sempre conduziram
suas vidas reservadas e admiráveis. Com a primeira, minha professora de Direito
Penal, iniciei a vida profissional; com o segundo, aprendi muito sobre crime e
processo em longas e inesquecíveis conversas sobre o Tribunal do Júri.
Ainda guardo na memória o julgamento do douto magistrado, mestre e amigo José Ribamar Heluy, marido de Helena. Um processo estrondoso, uma defesa primorosa, que sacudiu o foro criminal de São Luís. E guardo como modelo a ser seguido de defesa criminal desta que considero a grande dama da advocacia criminal maranhense.
Defendidos, cada um a seu tempo, por esses consagrados criminalistas, os
acusados puderam sentir, como todos os presentes ao plenário em ambas as
ocasiões, a verdade do preceito cristão segundo o qual marido e mulher
salvam-se juntos.
(*) ALAN PAIVA, é maranhense, Advogado Escritor, filho do jornalista e radialista sobralense Aloisio Paiva,

.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário