A Palavra de Deus tem 365 vezes: “NÃO TENHAIS MEDO”
Desde os meus 11 anos -
iniciando os estudos no Seminário de Sobral - comecei a ter um entendimento
mais aprofundado sobre o que era ser Padre ao tomar contato com D. José Tupinambá,
com sua competente equipe de Formadores e com o clima ou ambiente fraternal que
nos era ensinado, não só no conteúdo curricular de disciplinas, como na
abertura da mente para a vida.
Éramos uns cem seminaristas, vindos das mais
variadas paróquias e distancias, das mais diversas origens familiares, que
convivíamos como irmãos e companheiros por mais tempo do que com os próprios
irmãos em casa.
No
seminário, estávamos para estudar, viver em comunidade, rezar e, é claro,
aprender muito: tudo o que fosse de proveito para a nossa missão futura.
Mantínhamos
os princípios familiares e religiosos que trazíamos de casa, embora fôssemos
orientados para os irmos aperfeiçoando e dando um novo enfoque para a prática a
que nos propúnhamos. Estávamos em formação.
Éramos
divididos em dois grupos: a “divisão dos menores”: de 10/11 anos aos 14 e a
“divisão dos maiores”: dos 15 anos em diante. Mais ou menos nesses limites, nos
mantínhamos separados, dentro da mesma casa, embora com alguns momentos juntos:
nas celebrações, no refeitório, no Salão de Atos para comemorações, grêmios
literários, leituras de notas e nas filas – dois a dois – em nossas locomoções
gerais, em silencio.
O
silencio só era cortado, na hora da recreação, das práticas esportivas e, raras
vezes, na hora da refeição, em dia de festa ou de um feriado extra. Nos dias
comuns, ouvia-se uma leitura bíblica no café, outra mais informativa no almoço
e mais uma de espiritualidade referente à vida dos santos, no jantar.
Os
padres, nossos professores, nos diziam que a Bíblia declara em 365 ocasiões,
que a gente não deve ter medo. Ter medo era uma das heranças que trazíamos de
casa: ter medo de injeção, do escuro ou ter medo da morte.
Nosso
Reitor do Seminário, Padre Austregésilo, dizia em alto e bom som, que ‘medo
é uma palavra que não existe em meu dicionário’ que eu pude comprovar
mais tarde, trabalhando por 36 anos em sua Diocese.
A Palavra de Deus tem 365 vezes – dá para ler em 365
ocasiões, uma vez cada dia – “não tenhais medo”. E nós
tínhamos medo, por exemplo, da morte. A mesma Bíblia nos ensinou que Jesus morreu
e ressuscitou. Foi o que mais ouvimos estes dias, em que celebramos a Páscoa,
isto é, a passagem da morte para a vida, do pecado para a graça ou do mal para
o bem.
O “nosso Júnior” - que estamos lembrando hoje -
nos deixou no dia 05/03 - 33 dias antes de completar seus 25 anos - no Sábado
de Aleluia: 08 de abril. Na véspera ou Vigília Pascal. Na noite da Ressurreição.
Nós não o deixamos, nós não o esquecemos, nós sempre o teremos como “nosso
Júnior”.
Seu
carinho, sua bondade, delicadeza e solidariedade, seu jeito único de ser,
jamais serão esquecidos. Por isso, quisemo-nos encontrar na Festa da Páscoa: é
a alegria que não acaba nunca. Vale por toda a eternidade. Saudade, sim! Faz parte da nossa vida. Como Meu Júnior, faz parte do seu avô
Pedro Rocha, do seu pai Zé Francisco e do Paizão-Deus, que o receberam na vida
eterna. Como “Nosso Júnior”,
ele agora ‘faz parte da vida de Deus, que enxugará de seus olhos, todas as
lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Tais coisas
velhas já passaram... Agora Deus faz novas todas as coisas. Tudo está feito!’
(Apoc.21,4-6).
Quero
dar um exemplo de quem está aqui conosco, acreditando nessas palavras e até
querendo depor pra todos nós: Pedro
Juvêncio.
Primo
legítimo do Meu Júnior, amigos
inseparáveis, solidários nas horas mais difíceis, cúmplices nas aventuras,
enfim uma parceria tão íntima, possível somente, entre irmãos que muito se
amam. Não suportando o sufoco procurou-me aqui em casa para conversar. Queria
entender a partida do primo querido.
Estava
meio temeroso em nos acolher hoje por ser seu aniversário e não poder festejar,
condignamente, devido o sentimento que invade a todos nós, parentes dos dois,
nos mesmos graus de consanguinidade. Eu disse ao Pedro Juvêncio, o que acabei
de dizer a todos vocês, citando o Livro do Apocalipse: o Nosso Júnior, agora, “faz
parte da vida de Deus. O mesmo Deus que enxugará de seus olhos todas as
lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor... Agora faço
novas todas as coisas”.
Se
é esta a felicidade de quem está com Deus, o nosso Júnior vai ficar mais
contente com a nossa alegria. Em Deus tudo se renova. Nós, os que ainda estamos
aqui, é que devemos mudar os nossos conceitos, converter-nos e tornar
novas todas as coisas. A hora de mudar é agora. Uma coisa é a vida
terrena em que precisamos de hospital, de remédios, de médico, de nos alimentar,
e sentirmos dores por todo o corpo. Outra coisa é estarmos com Deus, em nosso
modo mais perfeito, sem mancar, sem cegueira, sem precisar de alimentação, de
salário, sem preocupações maiores. Isto é o céu. Acredita?
No
Segundo Domingo Pascal - 16 de Abril - celebramos pelo 23º ano consecutivo, o Domingo
da Divina Misericórdia, recordando a Aparição de Jesus aos seus discípulos
no Cenáculo, após a Ressurreição, dando-lhes o poder de perdoar ou reter os
pecados (Jo 20,19-31). Essa passagem abrange a
aparição de Jesus Ressuscitado ao Apóstolo São Tomé, quando Jesus o convida a
tocar em Suas chagas no 8º dia depois da Ressurreição (Jo 20,6).
Num
1º momento, os discípulos estavam reunidos, a portas fechadas, movidos pelo
medo e pelo lamento. Jesus lhes aparece. O luto se transforma em alegria. Jesus
comunica a sua paz, o que cura a tristeza e o luto e oferece-lhes o dom do
Espírito Santo, como um novo sopro criacional e reconciliador.
Nessa
ocasião, Tomé não estava com eles. Os colegas lhe disseram da alegria de terem
visto o Ressuscitado. Tomé não acreditou. Os discípulos não tiveram argumentos
para convencê-lo e criou-se uma 1ª crise na Missão.
Oito
dias depois, Jesus reaparece. Tomé está presente, mas as portas continuam
fechadas. O medo não havia sido vencido. Tomé não acreditara nos irmãos. O
diálogo entre Jesus e Tomé é profundo e belo. Tomé toca as marcas do
Crucificado, nas mãos e no lado e faz a mais bela profissão de fé: “meu
Senhor e meu Deus”. Esta bem-aventurança final é um compromisso aberto
aos seguidores de Jesus que devem continuar sua missão.
Jesus diz, então, explicitamente: “a paz esteja convosco; como o Pai me enviou
eu também vos envio... Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados
eles lhe serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Estava instituído o sacramento do Perdão, a quem sempre devemos recorrer,
diante das nossas dúvidas ou mesmo dos erros praticados.
Não devemos ter
preconceitos com relação ao poder do sacerdote. É o recurso que nós temos, ainda
nesta vida terrena, se quisermos reatar nossa amizade com Deus. Sigam o exemplo
do P. Juvêncio: “nem é preciso ver para
acreditar... Acreditem sem ver”.
A máxima de Jesus vale
pra todos nós. Não vimos o ressuscitado, mas acreditamos em sua Divina
Misericórdia. Peçamos ao Nosso Júnior que, na Glória de Deus,
interceda por nosso aumento de fé até nos reencontrarmos.
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