SANTO ANTÔNIO inspira a Pastoral voltada para a verdade e para a denúncia do pecado.
Está acontecendo em muitas comunidades
eclesiais, encerrando-se esta segunda feira, 13, o novenário ou trezenário, em
honra de Santo Antônio, “insigne
pregador” – como diz a oração de sua Missa -, viandante do Evangelho,
comunicador da Palavra, caminhante incansável ou missionário itinerante, só
comparável a São Paulo, a São Francisco Xavier ou, aqui entre
nós, ao Padre Ibiapina, pelas centenas de milhares de km. percorridos. É
o 1º dos Santos Folclóricos Juninos, que festejamos neste dia 13,
seguindo-se-lhe São João e São Pedro, sobre quem falaremos em seus festejos.
Já comentamos, em pronunciamentos anteriores, que, nos últimos 03 anos, estamos meio impedidos de ter celebrações e festejos – quer religiosos, quer folclóricos – devido o momento de pandemia que estamos atravessando e nos está atrapalhando de vivenciar o calendário tradicional como vivíamos, anteriormente. Esta Covid 19 veio para arrebentar toda a sociedade e a própria vida eclesial nas solenidades festivas a que tínhamos direito de celebrar. Há pessoas que, mesmo sem se terem imunizado, pensam que a peste já se foi. É um engano. Ela continua a atingir os descuidados.
Temos
dito também que nos estamos adaptando a uma nova realidade mundial e que a
criatividade de todos nós está levando a viver de maneira diferente os nossos
encontros sociais, os nossos cultos, as nossas relações familiares, escolares e
de pessoa a pessoa. Os que estavam habituados a viajar para “as famosas capitais do forró” durante
todo o mês de junho, fazendo turismo e divertindo-se em diferentes cidades, à
procura de lazer, agora têm que permanecer em casa, assistindo às “lives” que lhes são oferecidas pelas
Redes Sociais, isto é, shows ao vivo
com artistas sozinhos ou em parceria com colegas que levam às famílias
reunidas, aquela diversão virtual ou à distância, que alivia um pouco o
isolamento em que se encontram. Alívio limitado, é claro.
A Igreja tem-se adaptado a essa situação em suas celebrações religiosas e, a começar do Papa, Bispos e Sacerdotes têm usado seus Meios de Comunicação e aqueles particulares que se oferecem, de boa vontade, para colaborar/, e vão também transmitindo sua mensagem evangelizadora, enquanto se volta á vida normal. De minha parte – idoso, aposentado, sem “provisão” ou nomeação para qualquer função na Diocese – vou usando este espaço, que me é cedido, gentilmente, pelo Leunam – para dar o meu recado.
Não quero pecar por omissão, perdendo esta oportunidade de dirigir-me a vocês. Atendo, de alguma maneira, a quem gostaria de me ouvir falar de alguma solenidade litúrgica como o faço agora: falo sobre o grande Santo da Igreja que tem uma bela história para servir-nos de exemplo.
Santo Antônio comunicava, com tanta veemência, a Palavra de Deus, e se destacava tanto pela denúncia do erro e do pecado, que era chamado de “martelo dos hereges” como cantamos na Ladainha em sua homenagem. Nada melhor do que um Santo desses, para dar fundamentação e base para quem quer fazer uma Pastoral voltada para a verdade e para a denúncia do pecado. Santo Antônio nos serve de guia e modelo para realizar também a nossa missão, sem nenhum medo de anunciar a verdade e denunciar a injustiça, como já nos mandava o Senhor Jesus.
Nasceu em Lisboa aos 15 de Agosto de 1.195 e foi registrado e batizado com o nome de Fernando Martini Bulhões. Pai rico, poderoso, chefe político – fora até Governador de Lisboa – criou o filho no luxo, nas regalias e mordomias que os melhores colégios portugueses podiam oferecer aos ‘filhinhos de papai’.
Para completar sua requintada formação, foi interno no Convento dos Frades Agostinianos que, àquela época, era o que havia de melhor para quem pudesse pagar os estudos, concluindo tudo na famosa Universidade de Coimbra em 1219, com 24 anos de idade. Entrou na ordem de Sto. Agostinho, da qual participavam os nobres, os ricos ou os maiorais da época e se tornou sacerdote, recebendo o nome de Cônego Fernando, como são tratados até hoje, os frades e freiras Agostinianos. Como outras ordens religiosas similares são chamados de “frades maiores”.
Contemporaneamente, na Itália, Francisco de Assis, que tinha tudo para ser um “frade maior”, porque era de família nobre e rica, funda uma ordem religiosa, voltada para os plebeus, os pobres ou os Menores, para dar exemplo de simplicidade e de pobreza no meio dos irmãos mais necessitados. Eram os “frades menores”. Viviam de esmolas e de muito sacrifício, usavam roupas surradas e velhas e se espalharam pela Europa, chegando também a Portugal.
Pediam ajuda no rico Convento dos Padres Agostinianos, em Lisboa e impressionavam o porteiro, que era o Cônego Fernando, pelo testemunho de pobreza e de fé que davam aqueles “fradinhos”. Cônego Fernando começou a pensar na possibilidade de abandonar seu rico Convento e deixar de ser um Frade Maior, para viver o espírito de pobreza de São Francisco, tornando-se um Frade Menor. E assim o fez.
Em 1220, deixou tudo e passou a ser um “irmãozinho” pobre franciscano, recebendo o nome de Frei Antônio de Lisboa. Apesar de querer catequizar a África, para onde foi enviado por primeiro, adoeceu e voltou para se curar e ficando na própria Europa, especialmente para a França e Itália, onde converteu inúmeros hereges e infiéis.
Frei Antônio ficou tão famoso em Pádua, onde morreu aos 13 de Junho de 1231 que, além de ser chamado Santo Antônio de Lisboa, chama-se também Santo Antônio de Pádua, onde é venerado e invocado por todos.
Para nós do Brasil, a Festa de Santo Antônio teria que se revestir da “roupagem” que dávamos a outras “festividades” que usávamos para lucrar: páscoa, dia das mães, mês das noivas, dia dos pais, natal... Porque não “um dia dos namorados”? Que teríamos nós com o Dia de São Valentim a 14 de fevereiro, lá pela Europa ou nos EEUU? Santo Antônio, não é para nós o Santo Casamenteiro? Por que não, no dia 12 de junho, véspera de sua Festa Litúrgica, não trocarmos uns “presentinhos” com nossas namoradas? Quem sabe, até os casais mais antigos se rejuvenesceriam e presenteavam-se?!
Com esse clima e com as motivações que somos levados a aceitar, com o jeitinho brasileiro e a nossa ‘expertise’ (estrangeirismo tão em voga = perícia) ou por comparação a outras criatividades, por que não dar ao Mês de Junho um sentido melhor para nossas alegrias? Se não valorizarmos pelo sentido cristão ou religioso, ao menos, vamos ver nas Festas Juninas aquilo a que elas se propõem: de 1949 para cá, são uma oportunidade de trocar e dar presentes, mas não deixam de ser uma diversão folclórica com fogueira e fogos, com quadrilha, milho assado, canjica, pamonha, muito forró e muita alegria que nos levam a externar uma grande expressão de amor pela passagem do Dia dos Namorados para casais de todas as idades.
Que este Dia dos Namorados, a ser celebrado amanhã, seja cheio de “lives”, telefonemas, lembrancinhas e muito amor entre todos, sobretudo com as bênçãos de Santo Antônio; afinal, ele é a causa de tanta alegria.
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