Até nossas urnas, historicamente, confiáveis, estão sob suspeita?.
Nesse último dia 16 - a quinta feira logo após
o Domingo da Santíssima Trindade – a Igreja Católica celebrou 758 anos de
instituição da Solenidade do Corpus Christi, motivando todos a adorarem,
publicamente, o Corpo e o Sangue de Cristo, em homenagem ao Milagre da
Transubstanciação.
O acontecimento mesmo,
já se dera no ano 33, celebrado por Jesus com seus 12 apóstolos, durante a
última ceia, dando poder a eles e a seus sucessores, de realizá-lo até a consumação dos séculos: “tomai e comei.
Isto é o meu corpo. Tomai e bebei. Este é o cálice do meu sangue. Fazei isso em
memória de mim”. Ali estava instituído “o
milagre da Transubstanciação”, isto é, o pão e o vinho perderiam a própria
substancia ou a própria força, para receber em si, a “substancia de Jesus”. Isso é impossível aos homens? A Deus não o é.
Estava fechada a questão.
Como eu disse, isto se
deu no ano 33 da era cristã: depois dos 03 anos da vida pública de Jesus, da
pregação da sua palavra, da realização dos seus milagres, da sua morte e ressurreição,
ascensão ao céu e envio do Espírito Santo para dar sustentação à Igreja. Faz
1989 anos que tudo isso aconteceu e liturgicamente acabamos de celebrar. Não se
pode duvidar. É uma simples conta de matemática: somadas as datas dá o ano em
que nos encontramos. Por certo, a nossa pouca fé nos impede de entender tudo
isso.
Até o século XIII a
Igreja celebrava a Eucaristia, fazia essa memória
de Jesus, levava ao povo o convite à comunhão, ou à vida comunitária, mantinha
Jesus, preso ao Sacrário, o povo O via na celebração da santa missa, nas
exposições do Santíssimo, ou por ocasião do “viático” nas confissões e unções
de enfermos ou idosos, mas não O encontrava em vias públicas, não expunha sua
alegria em vê-Lo, não enfeitava suas ruas ou casas para Ele passar. Jesus havia
ficado conosco pela instituição da Eucaristia, mas era conservado tão “oculto”
quanto lá longe, junto ao Pai e ao Espírito Santo, antes da Encarnação e depois
de sua Ascensão ao Céu.
No entanto, Ele se
manifestava em inúmeras ocasiões, em diferentes locais do mundo, pelos
constantes, famosos e históricos ‘milagres
eucarísticos’,
tão divulgados e reconhecidos como verdadeiros,
que levaram o Papa Urbano IV a criar a Solenidade do Corpo de Deus, a ser
celebrada na 5ª Feira após a Festa da SS. Trindade, todos os anos, a fim de “testemunhar, publicamente, a adoração e
veneração da SS. Eucaristia”.
Isto
se deu através da Bula “Transiturus de
hoc mundo” de 11 de agosto de 1264. Neste mês de agosto estaremos comemorando
758 anos do festejo público do “tão
sublime sacramento” de um modo mais próximo do povo que O recebe, passando
por suas casas, ruas, avenidas, logradouros, parando e abençoando a todos.
É tão bonito ver
cidades grandes e pequenas, divulgando pela televisão, pelas redes sociais, os
tapetes de flores, serragem de madeira, cortinas e plantas ornamentais que
tornam a festividade mais bela e mais cheia de fé como Jesus merece. Foi assim
que vimos agora e sempre acompanhamos, tradicionalmente, e continuamos preparando-nos
para vivenciar a cada ano.
Em todo o mundo, as
sedes diocesanas e paroquiais acabaram de pôr em prática aquilo que recomenda o
Código de Direito Canônico no Artº 395: “o
Bispo não se ausente da Diocese neste dia, dada a extraordinária solenidade em
honra do Corpo do Senhor” e o Concílio de Trento, no século XVI oficializou
“as
procissões eucarísticas como Ação de Graças pelo dom supremo de culto”.
O
Concílio de Trento é sempre uma referencia para a doutrina e a prática na vida
da Igreja, acrescentando que a Eucaristia,
além de dom supremo de culto é a manifestação pública da fé na presença real de
Cristo na Hóstia Consagrada. Isto é tão importante que torna a Solenidade
do Corpus Christi, um dia santo de guarda.
Ouvi
e presenciei em dias anteriores à celebração da Festa do Corpo de Deus, ‘a maravilha’ pela passagem do feriadão:
16, 5ª feira; 17, imprensado; 18 e 19, final de semana, “dançando” o dia santo
e o dia do senhor. A inversão de valores ou a reviravolta no mundo, o
negacionismo das pessoas, o desrespeito às instituições, à democracia estão
destruindo qualquer moralidade possível ou qualquer procedimento favorável à
natureza ou ao cuidado com a casa comum.
Ai
de quem se opuser a essa reinante ideologia! O uso indevido do nome de Deus, as
citações bíblicas para justificarem mentiras, a vida errada de desrespeito à
família, tudo pode ser usado para ludibriar o povo, passando-lhe uma mensagem
enganosa ou umas “fake news” tão em
voga, atualmente.
Há quase um mês, no meu
comentário de 21 de Maio sobre a mensagem da CNBB, após a sua 59ª Assembleia
Geral, realizada em Abril deste ano, eu reforçava sua chamada de atenção para dois pontos especiais: a manipulação religiosa, protagonizada tanto
por alguns políticos, como por alguns religiosos... e a disseminação das ‘fake news’ que, através
da mentira e do ódio, falseia a realidade. E os Srs. Bispos acrescentam: “estes dois pontos carregam em si, o perigoso potencial de manipular consciências,
modificar a vontade popular, afrontar a democracia e viabilizar, fraudulentamente,
projetos orquestrados de poder”.
Será que quem pensa assim,
divulga tal modo de pensar, faz campanha política antecipada, baseada na enganação,
fala na instituição familiar como se a vivesse dando verdadeiro exemplo e ainda
usa o nome de Deus em vão, respeitou a passagem do dia santo de guarda, ou este dia
do Senhor que se aproxima, como cristão que se diz ser, ou ungido para bem
governar?
Será que o exemplo que
dá – de pouco trabalho e muita diversão - não está favorecendo e incentivando mais
àqueles que “acham uma maravilha o
feriadão”, levando o povo a dançar em vez de participar com
responsabilidade, de seus compromissos?
Por isso é que a CNBB
afirma ainda, categoricamente, em sua recente mensagem ao povo de Deus: “o quadro atual é gravíssimo. O Brasil não
vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o país, segundo
maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de
desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, aos
criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum... É fundamental um
compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições e
a democracia brasileira não pode ser colocada em risco”.
A democracia está
arriscada, sim. Como esperar que estes homens, que ocupam os 03 poderes da
República, em fim de mandato, ainda se entendam e promovam grandes e urgentes
mudanças, respeitando o que está garantido pela Constituição de 1988? É exigir
demais. Só por milagre isto se daria, e o “messias” que está aí não é capaz de
fazê-lo. Até nossas urnas, historicamente confiáveis,
estão sob suspeita e o único caminho que nos resta trilhar para mudar, é o
voto. Se o demos, erradamente no último pleito, corrijamo-lo agora. Afinal de
contas, para resumir este Comentário, Jesus deixou a orientação correta: “dêem a César o que é de César e a Deus o que
é de Deus” (Mt.22,21)
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