sexta-feira, 17 de junho de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

Até nossas urnas, historicamente, confiáveis, estão sob suspeita?.

Nesse último dia 16 - a quinta feira logo após o Domingo da Santíssima Trindade – a Igreja Católica celebrou 758 anos de instituição da Solenidade do Corpus Christi, motivando todos a adorarem, publicamente, o Corpo e o Sangue de Cristo, em homenagem ao Milagre da Transubstanciação.

O acontecimento mesmo, já se dera no ano 33, celebrado por Jesus com seus 12 apóstolos, durante a última ceia, dando poder a eles e a seus sucessores, de realizá-lo até a consumação dos séculos: “tomai e comei. Isto é o meu corpo. Tomai e bebei. Este é o cálice do meu sangue. Fazei isso em memória de mim”. Ali estava instituído “o milagre da Transubstanciação”, isto é, o pão e o vinho perderiam a própria substancia ou a própria força, para receber em si, a “substancia de Jesus”. Isso é impossível aos homens? A Deus não o é. Estava fechada a questão.

Como eu disse, isto se deu no ano 33 da era cristã: depois dos 03 anos da vida pública de Jesus, da pregação da sua palavra, da realização dos  seus milagres, da sua morte e ressurreição, ascensão ao céu e envio do Espírito Santo para dar sustentação à Igreja. Faz 1989 anos que tudo isso aconteceu e liturgicamente acabamos de celebrar. Não se pode duvidar. É uma simples conta de matemática: somadas as datas dá o ano em que nos encontramos. Por certo, a nossa pouca fé nos impede de entender tudo isso.

Até o século XIII a Igreja celebrava a Eucaristia, fazia essa memória de Jesus, levava ao povo o convite à comunhão, ou à vida comunitária, mantinha Jesus, preso ao Sacrário, o povo O via na celebração da santa missa, nas exposições do Santíssimo, ou por ocasião do “viático” nas confissões e unções de enfermos ou idosos, mas não O encontrava em vias públicas, não expunha sua alegria em vê-Lo, não enfeitava suas ruas ou casas para Ele passar. Jesus havia ficado conosco pela instituição da Eucaristia, mas era conservado tão “oculto” quanto lá longe, junto ao Pai e ao Espírito Santo, antes da Encarnação e depois de sua Ascensão ao Céu.

No entanto, Ele se manifestava em inúmeras ocasiões, em diferentes locais do mundo, pelos constantes, famosos e históricos ‘milagres eucarísticos’,

tão divulgados e reconhecidos como verdadeiros, que levaram o Papa Urbano IV a criar a Solenidade do Corpo de Deus, a ser celebrada na 5ª Feira após a Festa da SS. Trindade, todos os anos, a fim de “testemunhar, publicamente, a adoração e veneração da SS. Eucaristia”.

            Isto se deu através da Bula “Transiturus de hoc mundo” de 11 de agosto de 1264. Neste mês de agosto estaremos comemorando 758 anos do festejo público do “tão sublime sacramento” de um modo mais próximo do povo que O recebe, passando por suas casas, ruas, avenidas, logradouros, parando e abençoando a todos.

É tão bonito ver cidades grandes e pequenas, divulgando pela televisão, pelas redes sociais, os tapetes de flores, serragem de madeira, cortinas e plantas ornamentais que tornam a festividade mais bela e mais cheia de fé como Jesus merece. Foi assim que vimos agora e sempre acompanhamos, tradicionalmente, e continuamos preparando-nos para vivenciar a cada ano.

Em todo o mundo, as sedes diocesanas e paroquiais acabaram de pôr em prática aquilo que recomenda o Código de Direito Canônico no Artº 395: “o Bispo não se ausente da Diocese neste dia, dada a extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor” e o Concílio de Trento, no século XVI oficializou

“as procissões eucarísticas como Ação de Graças pelo dom supremo de culto”.

            O Concílio de Trento é sempre uma referencia para a doutrina e a prática na vida da Igreja, acrescentando que a Eucaristia, além de dom supremo de culto é a manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Hóstia Consagrada. Isto é tão importante que torna a Solenidade do Corpus Christi, um dia santo de guarda.

            Ouvi e presenciei em dias anteriores à celebração da Festa do Corpo de Deus, ‘a maravilha’ pela passagem do feriadão: 16, 5ª feira; 17, imprensado; 18 e 19, final de semana, “dançando” o dia santo e o dia do senhor. A inversão de valores ou a reviravolta no mundo, o negacionismo das pessoas, o desrespeito às instituições, à democracia estão destruindo qualquer moralidade possível ou qualquer procedimento favorável à natureza ou ao cuidado com a casa comum.

            Ai de quem se opuser a essa reinante ideologia! O uso indevido do nome de Deus, as citações bíblicas para justificarem mentiras, a vida errada de desrespeito à família, tudo pode ser usado para ludibriar o povo, passando-lhe uma mensagem enganosa ou umas “fake news” tão em voga, atualmente.

Há quase um mês, no meu comentário de 21 de Maio sobre a mensagem da CNBB, após a sua 59ª Assembleia Geral, realizada em Abril deste ano, eu reforçava sua chamada de atenção para dois pontos especiais: a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos, como por alguns religiosos...  e a disseminação das ‘fake news’ que, através da mentira e do ódio, falseia a realidade. E os Srs. Bispos acrescentam: “estes dois pontos carregam em si, o perigoso potencial de manipular consciências, modificar a vontade popular, afrontar a democracia e viabilizar, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder”.

Será que quem pensa assim, divulga tal modo de pensar, faz campanha política antecipada, baseada na enganação, fala na instituição familiar como se a vivesse dando verdadeiro exemplo e ainda usa o nome de Deus em vão, respeitou a passagem do dia santo de guarda, ou este dia do Senhor que se aproxima, como cristão que se diz ser, ou ungido para bem governar?

Será que o exemplo que dá – de pouco trabalho e muita diversão - não está favorecendo e incentivando mais àqueles que “acham uma maravilha o feriadão”, levando o povo a dançar em vez de participar com responsabilidade, de seus compromissos?

Por isso é que a CNBB afirma ainda, categoricamente, em sua recente mensagem ao povo de Deus: “o quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o país, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, aos criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum... É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições e a democracia brasileira não pode ser colocada em risco”.

A democracia está arriscada, sim. Como esperar que estes homens, que ocupam os 03 poderes da República, em fim de mandato, ainda se entendam e promovam grandes e urgentes mudanças, respeitando o que está garantido pela Constituição de 1988? É exigir demais. Só por milagre isto se daria, e o “messias” que está aí não é capaz de fazê-lo. Até nossas urnas, historicamente confiáveis, estão sob suspeita e o único caminho que nos resta trilhar para mudar, é o voto. Se o demos, erradamente no último pleito, corrijamo-lo agora. Afinal de contas, para resumir este Comentário, Jesus deixou a orientação correta: “dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt.22,21)











Nenhum comentário:

Postar um comentário

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...