O ECC, CRIADO EM 1970:
UMA EXPERIÊNCIA FORMADORA
Tenho acompanhado o Papa Francisco e
tudo o que ele faz, divulga, prega, transmite em suas viagens e, ultimamente,
agradecendo a participação das comunidades diocesanas do mundo inteiro no XI
Encontro Mundial das Famílias e já as estimulando a participarem do II Dia Mundial dos Avós, celebrado
nesse 26/07 p.p., Festa de Santana e São Joaquim, os avós de Jesus. Acompanhei
também as celebrações e comentários feitos na Diocese de Afogados da Ingazeira,
em Pernambuco, tudo promovido e conduzido pela Cinquentenária Pastoral Familiar
Nacional do ECC, há 36 anos no Pajeú.
O XI Encontro Mundial das Famílias, o
I Dia Mundial dos Avós e o XVIII Congresso do Regional NE II do ECC, realizado
no ano passado, mexeram um pouco comigo. Quinze anos depois da sua fundação
pelo Padre Alfonso Pastore, na Paróquia de N. Sra. do Rosário, no bairro da
Pompéia, em São Paulo, eu era Pároco de Nossa
Senhora do Rosário, em Serra Talhada - Zonal Baixo Pajeú - Diocese de Af.da
Ingazeira. Em sua mensagem final e anunciando o desenrolar da peregrinação,
para além do Zonal Centro, D. Egídio citou meu nome como alguém que, por
primeiro na Diocese, se tinha dedicado à Pastoral Familiar, iniciando-a por
S.Talhada. Isso mexeu mais ainda comigo e pensei em dividir meu sentimento com
vocês que me leem neste site.
Como acabei de dizer, o E. C. C. nasceu
em 1970 no bairro da Pompéia em São Paulo, graças à criatividade e ao amor à
própria família, do Pe. Alfonso Pastore,
Não é a única pastoral familiar
existente. Há outras modalidades que nós muito respeitamos, todas com a mesma
finalidade: agrupar casais cristãos que queiram viver, corretamente e dar
testemunho com sua vida conjugal. É o caso das Equipes de Nossa Senhora, das
Bodas de Caná, do Movimento Familiar Cristão e de outros congêneres, também em
funcionamento. Não os critico.
No
entanto, o ECC obedece a um esquema, pedagogicamente, correto, seguindo
sucessivas etapas que se vão desenvolvendo na vida do casal, de tal modo que,
quando alguém ingressa no ECC é como se entrasse em uma escola: segue um
sistema graduado de estudos, que não pode mais parar. Por isso mesmo, é que
alguns casais desistem de continuar no grupo, pois ele é muito exigente, cheio
de normas a que nem todo mundo se submete. Uma delas é que o casal deve participar. Não se trata de uma pastoral para viúvo de
cônjuge vivo. É para ser acompanhada, vivida e praticada pelos dois.
Começam numa 1ª etapa em que o casal
é chamado a viver o seu compromisso matrimonial, a sua união familiar,
respeitosa até para com os domésticos, havendo uma verdadeira integração com a
própria casa. Para a conscientização disso, o casal é convidado pela Paróquia,
a encontrar-se num fim de semana com outros casais, já experientes, para participarem
do seu 1º Encontro de Casais com Cristo. É muito bom. Só participando para
entender. A partir daí, começa a frequência à escola. Um ano de círculos
de estudos semanais na casa de cada um dos componentes da equipe, sob a
coordenação de um casal mais antigo, além de um “encontrão” mensal, com o
Diretor Espiritual, que é sempre o Pároco, para tirar as dúvidas que foram
ficando nos encontros com o coordenador. Por isso é que eu digo ser o ECC uma
escola. Nisso é que muitos se abusam e vão deixando. Não permanecem todos
os que iniciam. É um tempo excelente do casal consigo mesmo e com a própria
família. É uma grande reaproximação doméstica.
Só depois da 1ª etapa ou do tirocínio inicial,
é que o casal estará apto para ser convidado a participar da 2ª etapa, isto é,
a ingressar num trabalho paroquial ou a participar de uma ação pastoral que a
1ª etapa, simplesmente, não lhe dá.
Para entrar na 2ª etapa, o casal
deverá participar de um novo encontro de fim de semana, receber a orientação
que a Igreja tem a lhe oferecer, estudar seus documentos, conscientizar-se de
sua pertença à Paróquia e do seu compromisso para com ela e, a partir daí,
começar a prestar um serviço missionário e catequético na comunidade eclesial.
Pena é que muitos casais não gostam desse esquema de estudos e de trabalho, e
ficam criticando, querendo saber por que tanta exigência etc. sem querer seguir
as normas do Documento Nacional que o Brasil inteiro obedece.
Só quando a gente consegue que as
duas etapas do ECC sejam bem vividas e realizadas de maneira adulta e
comprometida com a missão, é que a gente parte para uma 3ª etapa de estudos e
de atividades voltados para o social, o político, transformadores da sociedade.
Só então o ECC funcionará trabalhando intensamente e de acordo com a orientação
de Jesus, da Igreja, da CNBB, da ação pastoral da Diocese e do compromisso
catequético paroquial. Sem dúvida, esta é a etapa mais difícil do trabalho, mas
temos que chegar lá.
Alcançando
este estágio, o casal não pode fazer parte das politicagens locais, defender
bandeiras políticas negacionistas, reacionárias, achar que tudo o que é aberto
para o social é coisa de comunista, usar o nome de Deus em vão, concordar com
doutrinas anticristãs, apoiar pessoas que não respeitem o sacramento do matrimônio
ou que mudem de parceiro ou parceira como se muda de roupa, ter filhos,
indistintamente, de várias mulheres, desconhecer e falar, contrariamente, à
Doutrina Social da Igreja, enfim, ser um casal cristão no sentido pleno da
palavra: dentro de casa, da sua Igreja e na sociedade.
Foram
estes os motivos que me encantaram com a Pastoral da Família sob a ótica do
Encontro de Casais com Cristo e que me fizeram andar por toda a Diocese para
implantá-lo. Pena é que não estou mais ligado, nem acompanhando seu
desenvolvimento nesses últimos anos. Nos meus 05 a 10 anos aqui em Sobral ainda
ajudei um pouco, fiz alguma palestra, estive na Diocese de Afogados em alguns
aniversários de grupos, mas me desliguei. A idade deve ter pesado.
Espero que o espírito renovador do
Padre Alfonso Pastore, o amor pela sua família que também pesou na minha opção,
possam dar um estímulo ou impulso, e garanta muitos bons frutos nessa Pastoral
tão necessária. A família continua a ser
a célula mãe da sociedade. Foi na minha casa, na minha família, que nos
últimos 75 anos se reuniu, todos os anos, em julho, no aniversário do nosso pai,
para manter-nos unidos, como uma comunidade de amor o merece.
Nossos pais já se foram, mas seus descendentes aprenderam o embalo da união e todos os anos nos encontramos para pormos em prática, aquilo que nos foi repassado com tanto amor. Hoje à noite, teremos a Santa Missa da saudade, do amor e da confraternização familiar: filhos, irmãos, genros, noras, netos, bisnetos, trinetos, vizinhos e demais familiares, seguindo-se o jantar daquilo que a Fazenda produz, e que é muito bom. Vale a pena tal reencontro. O Domingo será pouco para retornar, cheios de saudades.
Até o próximo ano!
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