sexta-feira, 23 de setembro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A IGREJA EM ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO

Nestes dois dias – 25 e 30 – (domingo e sexta feira) celebramos duas datas importantíssimas, relacionadas à Palavra de Deus: o DIA DA BÍBLIA (25, amanhã) e o Dia do Tradutor: São Jerônimo (30 - 6ª feira). Ele traduziu a Palavra de Deus dos originais: hebraico, aramaico e grego para o Latim, a língua mais “vulgar” falada no Império Romano. Daí, chamar-se Bíblia Vulgata.

Todo o Mês de Setembro é dedicado à Bíblia, e neste último Domingo (25) ainda temos um Dia inteiro, dedicado a Ela. Uma oportunidade a mais que a Igreja nos oferece, cada ano, para uma atualização maior de todos os cristãos, com a Palavra de Deus, com o conhecimento dela e com a sua aplicação em nossas vidas.

Eu, pessoalmente, sempre que falei do Mês da Bíblia e de São Jerônimo, tive o cuidado de ligar com uma grande figura da Igreja Diocesana de Sobral que, para mim, tem uma importância enorme: Dom José Tupinambá da Frota, filho de Sobral e 1º Bispo da Diocese, que nasceu aos 10 de Setembro de 1882, e morreu aos 25 de Setembro de 1959, como comentamos sábado passado. Devido celebrarmos as duas datas, em Setembro, por uns 18 anos, comemoramos em Sobral, através da UVA, da Diocese e do Município, o SETEMBRO DOM JOSÉ, vendo nele um exemplo concreto da vivência da Palavra de Deus ao unir oração e ação, teoria e prática, fé e obra, sempre colocando seus “bens pessoais”, a serviço do “bem comum”. É o que todos queremos com a evangelização.

Com este Dia da Bíblia que estaremos comemorando amanhã, 25, e com a Festa Litúrgica de São Jerônimo - que celebraremos dia 30 - encerramos também o Mês da Bíblia, embora continuemos a fazer o verdadeiro paralelo entre Dom José e São Jerônimo que souberam unir teoria e prática na Missão que realizaram, com cerca de 15 séculos de distancia entre um e outro.

            São Jerônimo – presbítero e doutor - nasceu na Dalmácia, na 1ª metade do século 4º (em 342) e morreu na 1ª metade do século 5º (em 420). Por ser muito inteligente e preparado, recebeu do Papa Dâmaso, a missão de traduzir a Bíblia dos originais: hebraico, aramaico e grego, para o Latim, a língua mais vulgar ou popular da época, falada no Império Romano. Daí o nome: Bíblia Vulgata. Ele dedicou os últimos 35 anos de sua vida à oração, à penitência e ao estudo da Bíblia, já que ele era um homem dinâmico e profundamente piedoso. Nada melhor do que encerrar o Mês da Bíblia com uma festividade litúrgica em homenagem a esse Homem. Pelo seu imenso, demorado, profundo e sério trabalho de tradução da Bíblia, o seu dia litúrgico é também reconhecido, civilmente, como o Dia do Tradutor.

            Dom José, Presbítero; academicamente – mais de uma vez – Doutor, Bispo, Conde da Santa Sé, poliglota, humanisticamente bem preparado, tentou unir sabedoria e ação, ensinando-nos a Palavra de Deus e construindo uma estrutura material que a levasse à prática, através da educação, da saúde, dos meios de comunicação e do bem estar social, que era a sua opção preferencial. Logo após sua chegada aqui, procedente de Roma, em 1906, estimulava os jovens a se agregarem numa organização belíssima: a dos Escoteiros, que ele havia conhecido na Europa, fundada por Baden Powell. Até nós, seus seminaristas, éramos aconselhados a nos agruparmos, buscando aquilo que ensinava o fundador, desde 1876, na Inglaterra: a ter “uma mente sã num corpo são” ou “uma mente sadia num corpo sadio”.

Dom José deu sua vida por Sobral e 63 anos após a sua morte, ainda nos dá lições de vida, como lembramos no Comentário de sábado passado, recordando ainda seu nascimento há 140 anos e sua morte há 63.

Já dissemos, anteriormente, também, que desde 1971, a Igreja do Brasil vem celebrando o Mês da Bíblia, sugerindo temas para a reflexão e atividades para a divulgação da Palavra a todo o povo de Deus. No ano passado, 2021, celebramos 50 anos de existência, entre nós, do Mês da Bíblia, com um Tema para cada ano, sempre referente a um dos Livros da Palavra de Deus e um Lema, tirado de um versículo dessa mesma Palavra proposta.

Neste ano de 2022, por exemplo - já dissemos em nosso 1º Comentário do dia 03 - o Tema é baseado no Livro de Josué, sob o Lema que está no Capítulo 1º, vers. 9: “o Senhor teu Deus está contigo por onde quer que andes”. A estas alturas, todos devemos ter refletido em cada Paróquia e em todas as Dioceses, o tema e lema propostos para este mês da Bíblia, iluminados por Josué, 1, 9.

Quando a Comissão Episcopal Pastoral para a animação Bíblico-catequética da CNBB sugeriu o estudo do Livro de Josué, enfocando no versículo 9, do capítulo 1º, tinha em vista refletir, à luz da Palavra de Deus, sobre os 200 anos da Independência Histórica, do Brasil, como já comentamos no dia 10, próximo passado.

Mas, porque esta colocação do Livro de Josué, em mossa história, exatamente nas comemorações do bicentenário da Independência? Porque este paralelo?

Porque Josué, com 29 anos, logo após a morte de Moisés, o sucedeu no ano 1406 a.C. pra ocupar a terra de Canaã e permanecer nela como guia do povo de Deus. Ele era o principal ajudante de Moisés a quem Deus disse: “o meu servo Moisés está morto. Agora você e todo o povo de Israel se preparem para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que vou dar a vocês... Esta é a minha ordem: seja forte a corajoso. Não fique desanimado, nem tenha medo, porque eu, o Senhor seu Deus, estarei com você em qualquer lugar para onde você for”. Sem dúvida, esta mesma orientação deveria ter sido dada aos nossos “invasores” à época e durante os acontecimentos aqui ocorridos.

Como praticar esta Palavra de Deus se homens do poder estão usando-a em vão, pondo-se acima de tudo, brincando de serem “deuses”? É engraçado: na hora de respeitar a religião dos outros, o Brasil é laico. Não tem religião. Mas na hora em que a religião pode ajudar nas manobras políticas, se apregoa: quanto mais, terrivelmente evangélico, melhor. Não é uma contradição? Aliás, no tocante à contradição, os pronunciamentos, os maus exemplos, o desrespeito às normas internacionais, a minimização que se faz à Organização Mundial da Saúde, enfim, tudo o que o bom senso aconselha a fazer é desrespeitado a cada instante. O desconhecimento da Palavra de Deus e o seu uso indevido, em proveito próprio estão na boca de qualquer autoridade inconsciente da função que ocupa. É uma tristeza!

Esperamos que o Mês da Bíblia com o incentivo que deu a todos nós e o conteúdo que nos foi passado pelo Livro de Josué, incentivando-nos a permanecer com Deus onde quer que estejamos, tenha sido uma preparação próxima, um armazenamento espiritual e intelectual para a prática missionária que o Mês de Outubro vai exigir de nós, afinal, é o Mês das Missões que se aproxima. É o mesmo esquema que lembrávamos ali acima, ao falar sobre D. José: “ensinava a Palavra de Deus, construindo, paralelamente, uma estrutura material que a levasse à prática”. É o que tentaremos fazer neste mês que se aproxima: o mês de outubro de 2022, que propõe o Tema: a Igreja em estado permanente de missão, em conjunto com o Lema: sereis minhas testemunhas, tirado de Atos, 1,8, como aprofundaremos depois.

Como acontece todos os anos, o Papa se inspira no Tema e Lema do Mês Missionário para dar a sua mensagem para o Dia Mundial das Missões – 23 de Outubro – penúltimo Domingo do Mês. Tanto durante o mês missionário, como no seu 4º Domingo, aprofundaremos o Tema, o Lema e a Mensagem Pontifícia, para o conhecimento de todos.

Francisco já nos adianta que, “mesmo reconhecendo as tribulações e desafios, não podemos ignorar o caminho missionário de toda a Igreja que continua à luz de sua palavra, fundamentando a vocação de Isaías: eis-me aqui, envia-me. Nós também devemo-nos dar conta que estamos no mesmo barco. Somos fracos e desorientados mas, ao mesmo tempo, temos de nos sentir importantes e necessários e ainda chamados a remar juntos. É a nossa Missão.













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