sábado, 1 de outubro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

OUTUBRO - MÊS DAS MISSÕES: “não podemos ficar calados pelo que temos visto e ouvidoAtos, 4,20.

Encerramos nossos Comentários de Setembro, recordando o Dia da Bíblia, o Setembro D. José, a Festa Litúrgica de S. Jerônimo, tudo referendado pelo Mês da Bíblia e acrescentávamos o início do Mês Missionário, a partir de hoje, em que iríamos aprofundar o tema: a Igreja em estado permanente de missão, em conjunto com o lema, tirado do Livro dos Atos,1,18: sereis minhas testemunhas e ainda garantíamos aprofundar depois. Aqui estamos.

Posso não ser o professor com prazer, como o é o Mestre Leunam, mas mantenho o bom costume dos velhos professores de não dar um novo conteúdo de aula, sem recordar, resumidamente, o que dera na aula anterior.

A própria Igreja do Brasil, ao propor o Tema para o Mês Missionário deste ano – a Igreja é missão – toma como base, os temas dos dois últimos anos – 2020, a vida é missão – e 2021, Jesus Cristo é missão – em que o mundo todo está comemorando 3 motivações especiais relacionadas à missão: -

- os 400 anos de criação da Congregação para a Evangelização dos povos;

- os 100 anos da Concessão de Caráter Pontifício às Obras Missionárias, pelo Papa Pio XI, as conhecidas POMs;

- os 200 anos de fundação da Pontifícia Obra de Propagação da Fé pela Beata Pauline Marie Jaricot.

Tais acontecimentos - tantas vezes centenários, somados aos festejados em âmbito nacional - dão identidade, visibilidade e justificativa maiores para as celebrações deste Ano Jubilar Missionário. As datas nacionais são:

- 50 anos das Campanhas Missionárias;

- 50 anos dos Projetos Igrejas Irmãs;

- 50 anos da criação do Conselho Missionário Nacional (COMINA); sempre em consonância com o COMIDI (Diocesano) e o COMIPA (Paroquial);

- 50 anos do Conselho Indigenista Missionário (CIMI);

- 50 anos do Documento de Santarém;

- 60 anos do CCM (Centro Cultural Missionário) e os

- 70 anos de criação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Aquelas 03 motivações internacionais, com estas 07 outras, daqui, Nacionais, unidas a tantas outras ou semelhantes, desenvolvidas pelas demais Conferências Nacionais, no mundo todo, vão movimentar este Mês Missionário, dentro deste Ano Jubilar, conclamado pelo Papa Francisco . Sua Mensagem, para o Dia Mundial das Missões, 23 de Outubro, lembrará o acontecimento com uma fundamentação bíblica, tirada do Livro dos Atos 1,8: sereis minhas testemunhas. Comentaremos daqui a 03 semanas.

Por enquanto, para demonstrar que a preocupação missionária da Igreja faz sentido, relembramos alguns dados - talvez não muito precisos - que nos deveriam incomodar bastante, como têm incomodado ao Papa. Daí, a sua convocação para celebrar um Ano Jubilar.

O mundo está chegando à casa dos 08 bilhões de habitantes. Destes, cerca de 36% são cristãos; em torno de 2 bilhões e meio, divididos em: metade de cristãos católicos e a outra metade de cristãos ortodoxos e protestantes. Os católicos somos 18% da população mundial, o que significa dizer que 82% da população da terra não são católicos. Estes números, é claro, nos assustam. Os pregadores, os comunicadores da Palavra, os missionários, os catequistas e evangelizadores somos reduzidos. O próprio Jesus havia dito: “a messe é grande, mas os operários são poucos”.

Para falar, pregar e ensinar o Monoteísmo no Mundo, somos três grupos bem definidos, embora muito diferentes:

- os Islamitas ou Muçulmanos, descendentes de Ismael, filho de Abraão com Agar, serva de sua esposa Sara, há 5.000 anos, em Ur, na Caldéia;

- os Judeus, descendentes de Isaac, filho de Abraão c/ Sara, à mesma época;

- os Cristãos: Católicos, Ortodoxos e Protestantes, originados do Cristo Jesus, o Salvador da humanidade, respectivamente há 2.022, 968 e 505 anos D.C.

Todos têm a mesma origem: Abraão, a mesma fé: num único Deus e caminham por diferentes estradas; e haja dificuldades para nos entendermos.

Dos 03 grupos Monoteístas, um tem-se destacado no seu crescimento: o Islamismo. Ismael foi o 1º descendente de Abraão com sua serva, AGAR. Só 13 anos depois do seu nascimento, foi que SARA, a esposa concebeu, mas a promessa que Deus fizera a Abraão era de que “a descendência das duas seria tão numerosa quanto os grãos de areia da praia, ou o número de estrelas do firmamento” (Gn. 22, 16-18).

Se os cristãos somos 36%, divididos em 03 grupos, os Muçulmanos são 25%, sozinhos. Formam ¼ da população, sem divisão e crescem todos os dias. Seguramente, já são mais do que os Católicos. Seguindo nas proporções em que caminham, estima-se que, dentro de 100 anos superarão todos os cristãos.

Há outros grupos menores, embora significativos, que também crescem: o Hinduísmo, com 01 bilhão. O Budismo e o Confucionismo com 500 milhões cada um. O Judaísmo com cerca de 6,5 milhões de adeptos. O Espiritismo, com seu Karma. O Sikhismo, com seus 10 Gurus. A Umbanda com suas várias denominações: branca, candomblé, omoloko, esotérica, quimbanda e tantas outras que será impossível qualificá-las.

Muitas vezes somos mal-entendidos por qualificarmos assim as religiões e perguntam-nos pelo respeito à liberdade religiosa, afinal, somos um “país laico”. É verdade. Mas será que um cristão pode ficar parado, calado diante dessa balbúrdia toda, sem se posicionar? Será que Jesus estava errado, quando apresentou seu esquema: “ide e pregai. Os que crerem e forem batizados serão salvos”? Aqui cabe bem o que disseram Pedro e os Apóstolos ao se sentirem perseguidos e incompreendidos pelas autoridades em Jerusalém: ‘nós devemos obedecer a Deus e não aos homens’, como está no Livro dos Atos, 5, 29.

Hoje em dia, somos assediados, constantemente, por exotéricos, cartas enigmáticas, espíritas, macumbeiros, adivinhos, correntes inquebrantáveis, astrólogos, correspondências secretas, ativistas da ‘nova era’, até pela internet, a abraçar ideologias, seitas e ‘maluquices’ que nos deixam atordoados. Até crianças inocentes são instrumentalizadas para “servirem” a aproveitadores físicos, sexuais, morais ou espirituais da inocência delas.

Os apóstolos Pedro e João, diante das críticas que lhes faziam os judeus e pagãos por estarem pregando Jesus, morto e ressuscitado, diziam: ‘não podemos ficar calados pelo que temos visto e ouvido’ Atos, 4,20.

Conosco não poderá ser diferente. Mãos à obra.














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