sexta-feira, 7 de outubro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA


DIA DE N. S. APARECIDA E DIA DA CRIANÇA - SERÁ, SIMPLESMENTE, UMA COINCIDÊNCIA?

Celebraremos nesta 4ª feira, 12/10, com muita alegria, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, com sua bela história que recordamos com muito carinho. Em Outubro de 1717, três pescadores: Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, depois de muito lançarem suas redes para pescar nas águas do Rio Paraíba, sem encontrar peixe algum, colheram uma estatueta de argila, de 0,40cm, da Imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça, pesando menos de 03 kg, no lugar denominado Porto do Itaguassu. Ficaram surpresos e admirados com a estranha pesca e, mais ainda se admiraram e se surpreenderam quando, ao relançarem a rede, encontraram a “cabecinha” que estava faltando, seguindo-se uma abundante e surpreendente pescaria, como a do Evangelho: “que as redes se rompiam”.

            Filipe Pedroso levou-a para sua casa, conservando-a consigo por cerca de 15 anos, quando a entregou a seu filho, Atanásio Pedroso, que construiu um pequeno oratório para a “aparecida imagem”, a que foram chamando de Nossa Senhora, a “Aparecida”. Daí o nome: Nossa Senhora Aparecida. Durante mais 11 anos ficou nessa casa e oratório, com a presença de curiosos, devotos e romeiros que não paravam de visitá-la e já, de alcançar graças. Entre os curiosos, alguns estudiosos, pesquisadores e esteticistas descobriram na “imagenzinha”, o estilo seiscentista, característico do século 17.

            Com o aumento sempre crescente de devotos, a estrutura dos Pedrosos já era pequena para acolher tanta gente. Foi quando o Padre de Guaratinguetá construiu uma Capela maior no Morro dos Coqueiros e aos 26.07.1745 abriu-a ao público de uma maneira mais oficiosa, sem aquela dependência da família. A coisa foi melhorando, a propaganda crescendo e a população afluindo para lá, a tal ponto que, os Padres Redentoristas, afeitos à Missão, construíram a 1ª Basílica, a chamada “Basílica Velha”, inaugurada em 1894, quando o Papa Pio XI a declarou Rainha do Brasil, tornando-se mais tarde, em 1929, a 1ª Padroeira Oficial do Brasil, segundo o Papa, “para promover o bem espiritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada Mãe de Deus”.

            Tem evoluído bastante, tanto materialmente, quanto espiritualmente, ao receber, por ex., do Papa Paulo VI, a condecoração “Rosa de Ouro”, aos 05 de março de 1967 e a “Dedicação da Nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida” por João Paulo II, aos 04 de Julho de 1980, além da recente visita, em Julho de 2013, do Papa Francisco, com a promessa de voltar nos 300 anos da Aparição dela em 1717. Em Outubro de 2017 faria os 300 anos e o Papa se faria presente se não tivessem acontecido problemas de ordem política e social no Brasil que fizeram o Santo Padre desistir de comemorar conosco. Por certo, nos lembramos do caos, advindo do ‘golpe’.        

A título de informação e para aguçar a curiosidade dos nossos leitores, a Basílica mede 173m de comprimento por 168 de largura. Sua Torre, com 18 andares, tem 100 metros de altura. A cúpula central tem 70 metros de altura com 78 metros de diâmetro. As naves ou corredores laterais medem 40 metros de altura. A área construída é de 23.000 metros quadrados. A área coberta é de 18.000. Foram utilizados 25 milhões de tijolos para a construção do templo, que acolhe na sua parte interna, 45.000 pessoas. A área de estacionamento tem 272.000 metros quadrados. É algo, realmente, grandioso, como a Mãe de Deus bem o merece.

            O Santuário de Aparecida recebe cerca de 700.000 peregrinos por mês e mais de 07 milhões de romeiros por ano. Lá também acontece a Assembleia Anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em torno de 400 bispos, além de assessores e peritos, técnicos e servidores do Conclave.

            Já se vão 305 anos da “Aparição” de Nossa Senhora no Brasil, que se tornou a Padroeira de todos os Brasileiros com o nome de Nossa Senhora Aparecida. Mas gostaríamos de aprofundar mais esta reflexão, unindo-a a outra motivação.

Mais recentemente, começamos a festejar nessa mesma data, o Dia da Criança. Apesar de fazer muito menos tempo de sua invenção (decreto 4867 de 05.11.1924, do Presidente Arthur Bernardes), já ocupa muito mais espaço na “mídia” do que a Padroeira do Brasil. Pela mesma época do Decreto Brasileiro, fora proclamado o “Dia Internacional da Criança” na Conferência Mundial de Bem-estar da Criança em Genebra, mas só se oficializou no Brasil, de 1960 para cá, por motivação econômica e para aumentar vendas, por interesses das fábricas de brinquedos “Estrela” e de produtos “Johnson & Johnson” com finalidade lucrativa. Não se pode negar que é sucesso até hoje, embora seja à custa da espontaneidade, inocência e simplicidade da Criança, já ressaltadas por Jesus, chamando-a a Si: “deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas” (Lc. 18, 16).

            Será que comemorando o Dia da Criança como estamos fazendo, está conforme o desejo de Jesus? Será que o Tráfico de Crianças e Adolescentes – para o trabalho forçado, para a exploração sexual, para a extração de órgãos, para a prostituição, interna ou externamente – não nos deve incomodar? Perguntávamos no nosso Comentário da Semana passada: ‘será que um cristão pode ficar parado, calado diante dessa balbúrdia toda, sem se posicionar’?

            Porque, em vez de celebrarmos o Dia da Criança no dia 12 de Outubro para explorar a sua inocência, para lucrar à custa de sua simplicidade e ganhar, mais facilmente, se aproveitando de sua espontaneidade, não se celebra por causa da Mãe Maria, a Aparecida, ou por causa da chegada de Cristóvão Colombo, às Américas, no final do século XV, e que, por isso mesmo se chamava de “Continente Criança”?

            O fato é que, apesar de interesses outros, diferentes desses mais positivos que acabamos de apresentar, a estratégia deu certo. No início se chamava de “Semana do Bebê Robusto” que passou a ser chamada de “Semana da Criança”, como se comemora até hoje.

            Mãe Aparecida! Será, simplesmente, uma coincidência, essas duas celebrações num mesmo dia? Vamos uni-las numa grande festa e tirar dessa união, um proveito bem maior e melhor. Como a Senhora cuidou tanto do “Menino Jesus” dê uma olhadinha especial pelas nossas Crianças, seus filhos tão inocentes, para que continuem bem-vindos e prediletos do Coração de seu Divino Filho.








 

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