Nós queremos a salvação? Ela
está em nossas mãos.
Iniciamos no dia 1º de Novembro, o Mês das Almas,
assim chamado porque, no dia 1º se celebrava, fixamente, a Festa de Todos os
Santos e, em seguida, no dia 02, rememorávamos os Fiéis Defuntos. Duas
motivações fortes para nos prepararmos para alcançar a Vida Eterna. Eram dois
feriados seguidos.
A Igreja reconheceu que estas
motivações feriais, somadas a outras datas também celebrativas, comemoradas
pelo Calendário Litúrgico, poderiam ser revisadas, diminuídas ou alteradas para
um melhor aproveitamento da parte do povo; assim o fez nesta sequência: quando
1º de Novembro cair em dia de Domingo, celebra-se logo, como antigamente, a
Festa de Todos os Santos e o dia 02 de Novembro permaneceria fixa: Memória
de Finados.
São duas
celebrações juntas, devido à relação comemorativa que têm, mutuamente. Foi
feita uma revisão no Calendário da Igreja para organizar melhor os “feriados”
ou “dias santificados”, de modo que, quando o dia 1º de Novembro, for Domingo,
celebra-se o Dia de Todos os Santos, como antigamente, no próprio dia 1º,
mantendo-se sempre o Dia de Finados no dia 02. Esta data continua sendo fixa,
mas o Dia de Todos os Santos – que era um feriado - passou a ser celebrado no
Domingo, se for o 1º de Novembro, ou no 1º Domingo após o Dia de Finados.
Portanto, amanhã, 06 de Novembro, Domingo, é o Dia de Todos os Santos e 4ª
feira, dia 02, foi o Dia dos Fiéis Defuntos; permaneceu uma data fixa, dedicada
aos mortos. Rezamos pela vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o
Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca.
Celebramos a
vida eterna que não vai terminar nunca, pois, a vida cristã é viver em comunhão
íntima com Deus, agora e para sempre.
Desde o século
1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos
mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio.
No século 4º,
já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Desde o século 5º,
a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais
ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava.
Desde o século
XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) motivavam
as comunidades a dedicarem um dia por ano aos mortos.
A partir do
século XIII, aquele dia anual por todos os mortos é comemorado no dia 2 de
novembro, porque no dia 1º de novembro era a festa de "Todos os Santos".
O Dia de Todos
os Santos – que celebraremos, neste Domingo, amanhã, dia 06 /11 - recorda todos
os que morreram em estado de graça e não foram canonizados.
O Dia de Todos
os Mortos, celebrado nesta 4ª-feira, recordou todos os que morreram, mesmo que
não tenham sido lembrados na oração. O Pe. Claudio celebrou às 06 da manhã, no
Cemitério de Bela Cruz, por todos os nossos mortos e EU celebrei às 17 horas na
Matriz, indistintamente, por todos os falecidos. Amanhã inverteremos os
horários.
O que nós queremos
dizer é que todos os que morrerem terão uma situação bem diferente desta que
estamos vivendo aqui: ressuscitaremos para ficar, eternamente, juntos de Deus,
ou para ficarmos, também eternamente, afastados d’Ele. É a essas duas situações
eternas que chamamos, respectivamente: prêmio ou castigo; céu ou inferno. Não
se trata de um lugar chamado céu ou um lugar chamado inferno. Como já disse na
Missa que presidi na Matriz às 05 horas da tarde do dia 02, repito agora: é uma “situação”, uma atmosfera, um “ar de
felicidade” por ficar, para sempre, com Deus, ou de “infelicidade”, por
permanecer, também para sempre, afastado d’Ele.
Afirmamos
isto, baseado na leitura do texto evangélico das Missas de Finados: “vinde, benditos de meu Pai! Recebei como
herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo”... ou “afastai-vos
de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus
anjos”. Ou ainda: “Todos os que o Pai
me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei”.
Segundo a
Palavra de Deus, para a Salvação não há meio termo: é prêmio ou é castigo.
“Sim” é sim e “não” é não. Não se pode servir a dois senhores. Ou se é “frio”
ou se é “quente”. Não existe “mais ou menos” na Palavra de Deus. Não existe
“meio céu” ou “meio inferno”. Ou “tudo” ou “nada”. Vamos buscar a intelecção
dessas verdades. Nós é que gostamos de viver “na corda bamba”, no “meio termo”.
Daí porque, enquanto estamos vivos, vamos tomar consciência dessas verdades
para as vivenciarmos desde agora. Nossa vida presente é que nos vai garantir a
nossa “situação” futura. De antemão, já podemos imaginar para onde vamos: ou
eternamente ficaremos juntos de Deus, ou eternamente afastados d’Ele. Deus é
muito bom. Ele nos quer salvar. Nós queremos a salvação? Ela está em nossas
mãos. Não temos pregado isso para os mortos. Sua situação já está resolvida.
Pregamos e repetimos para os vivos, a fim de que eles se convertam enquanto é
tempo. Não podemos deixar pra depois. Pode ser tarde demais. O que foi que
Jesus disse? “Estai preparados; não
sabeis nem o dia nem a hora”.
Há
pouco tempo – 2015 - tivemos o Ano Santo da Misericórdia com direito à Porta
Santa, à Indulgência Plenária e ao perdão completo dos pecados. Passou a
oportunidade. Agora só no próximo Jubileu. Tivemos outra chance: por ocasião do
Ano Mariano- 2017 - que recordou os 100 anos das Aparições de Nossa Senhora, em
Fátima – Portugal – e pela passagem dos 300 anos da Aparição de Nossa Senhora
da Conceição a 03 pescadores, no Rio Paraíba, no interior de São Paulo, em
Aparecida. Tais chances não podem ser perdidas.
Vamo-nos
valer de mais esta oportunidade que a Igreja nos oferece: dia de todos os
santos, dia de finados, mês das almas/ para lembrar o que Jesus já nos dissera:
“estai preparados... não sabeis nem o
dia, nem a hora”.
Neste
Domingo, 06 de Novembro, Festa de todos os Santos e Santas, o Evangelho de
Mateus nos apresenta as Bem-aventuranças como o primeiro Sermão de Jesus
chamando de “felizes”, de “santas” as pessoas que alcançam o Reino de
Deus. O caminho da felicidade proposto
por Jesus é bem diferente daquele que o mundo percorre e propõe.
As
bem-aventuranças não são um anuncio de acomodação. Convocam-nos, muito mais
para o não conformismo e para a busca dos valores do Reino. A presença de
tantos pobres, aflitos e perseguidos é sinal de que a plenitude do reinado de
Jesus está longe de se concretizar. A vivência das bem-aventuranças é o melhor
caminho para alcançar a santidade e que, certamente, foi trilhado por todos os
santos e santas que comemoramos neste Domingo. O Papa Francisco nos presenteou ultimamente
com uma Exortação Apostólica sobre a Santidade: Alegrai-vos e Exultai em
que ele fala da Santidade “ao pé da
porta”. Ela não é uma “fuga do mundo”. É a vivência dos valores do reino de
Deus por parte daqueles que caminham ao nosso lado, sendo reflexo da presença
divina ao desempenharem suas tarefas quotidianas.
Na Liturgia de
amanhã, alegremo-nos no Senhor, celebrando a Solenidade de Todos os Santos de
Deus. Em comunhão com a multidão dos que já vivem em plenitude as
bem-aventuranças, rezemos uns pelos outros, pois somos todos vocacionados à
Santidade.
Rezemos também
para que saibamos aproveitar até o dia 20, Festa de Cristo Rei, último Domingo
do ano litúrgico, para fazer uma avaliação geral de nossas vidas, cuidando bem
de nossa salvação ainda neste Mês das Almas para entrarmos, de cheio, no novo
ano, dia 27, 1º Domingo do Tempo do Advento, para mais um reinício de uma vida
nova na graça de Deus. Aqui, já cabe bem o canto: “adeus ano velho, feliz ano novo”.
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