sexta-feira, 4 de novembro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Nós queremos a salvação?      Ela está em nossas mãos.

Iniciamos no dia 1º de Novembro, o Mês das Almas, assim chamado porque, no dia 1º se celebrava, fixamente, a Festa de Todos os Santos e, em seguida, no dia 02, rememorávamos os Fiéis Defuntos. Duas motivações fortes para nos prepararmos para alcançar a Vida Eterna. Eram dois feriados seguidos.

                  A Igreja reconheceu que estas motivações feriais, somadas a outras datas também celebrativas, comemoradas pelo Calendário Litúrgico, poderiam ser revisadas, diminuídas ou alteradas para um melhor aproveitamento da parte do povo; assim o fez nesta sequência: quando 1º de Novembro cair em dia de Domingo, celebra-se logo, como antigamente, a Festa de Todos os Santos e o dia 02 de Novembro permaneceria fixa: Memória de Finados

São duas celebrações juntas, devido à relação comemorativa que têm, mutuamente. Foi feita uma revisão no Calendário da Igreja para organizar melhor os “feriados” ou “dias santificados”, de modo que, quando o dia 1º de Novembro, for Domingo, celebra-se o Dia de Todos os Santos, como antigamente, no próprio dia 1º, mantendo-se sempre o Dia de Finados no dia 02. Esta data continua sendo fixa, mas o Dia de Todos os Santos – que era um feriado - passou a ser celebrado no Domingo, se for o 1º de Novembro, ou no 1º Domingo após o Dia de Finados. Portanto, amanhã, 06 de Novembro, Domingo, é o Dia de Todos os Santos e 4ª feira, dia 02, foi o Dia dos Fiéis Defuntos; permaneceu uma data fixa, dedicada aos mortos. Rezamos pela vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca.

Celebramos a vida eterna que não vai terminar nunca, pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre.

Desde o século 1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio.

No século 4º, já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Desde o século 5º, a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava.

Desde o século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) motivavam as comunidades a dedicarem um dia por ano aos mortos.

A partir do século XIII, aquele dia anual por todos os mortos é comemorado no dia 2 de novembro, porque no dia 1º de novembro era a festa de "Todos os Santos".

O Dia de Todos os Santos – que celebraremos, neste Domingo, amanhã, dia 06 /11 - recorda todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados.

O Dia de Todos os Mortos, celebrado nesta 4ª-feira, recordou todos os que morreram, mesmo que não tenham sido lembrados na oração. O Pe. Claudio celebrou às 06 da manhã, no Cemitério de Bela Cruz, por todos os nossos mortos e EU celebrei às 17 horas na Matriz, indistintamente, por todos os falecidos. Amanhã inverteremos os horários.

O que nós queremos dizer é que todos os que morrerem terão uma situação bem diferente desta que estamos vivendo aqui: ressuscitaremos para ficar, eternamente, juntos de Deus, ou para ficarmos, também eternamente, afastados d’Ele. É a essas duas situações eternas que chamamos, respectivamente: prêmio ou castigo; céu ou inferno. Não se trata de um lugar chamado céu ou um lugar chamado inferno. Como já disse na Missa que presidi na Matriz às 05 horas da tarde do dia 02, repito agora: é uma “situação”, uma atmosfera, um “ar de felicidade” por ficar, para sempre, com Deus, ou de “infelicidade”, por permanecer, também para sempre, afastado d’Ele.

Afirmamos isto, baseado na leitura do texto evangélico das Missas de Finados: “vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo”... ou “afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos”. Ou ainda: “Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei”.

Segundo a Palavra de Deus, para a Salvação não há meio termo: é prêmio ou é castigo. “Sim” é sim e “não” é não. Não se pode servir a dois senhores. Ou se é “frio” ou se é “quente”. Não existe “mais ou menos” na Palavra de Deus. Não existe “meio céu” ou “meio inferno”. Ou “tudo” ou “nada”. Vamos buscar a intelecção dessas verdades. Nós é que gostamos de viver “na corda bamba”, no “meio termo”. Daí porque, enquanto estamos vivos, vamos tomar consciência dessas verdades para as vivenciarmos desde agora. Nossa vida presente é que nos vai garantir a nossa “situação” futura. De antemão, já podemos imaginar para onde vamos: ou eternamente ficaremos juntos de Deus, ou eternamente afastados d’Ele. Deus é muito bom. Ele nos quer salvar. Nós queremos a salvação? Ela está em nossas mãos. Não temos pregado isso para os mortos. Sua situação já está resolvida. Pregamos e repetimos para os vivos, a fim de que eles se convertam enquanto é tempo. Não podemos deixar pra depois. Pode ser tarde demais. O que foi que Jesus disse? “Estai preparados; não sabeis nem o dia nem a hora”.

                Há pouco tempo – 2015 - tivemos o Ano Santo da Misericórdia com direito à Porta Santa, à Indulgência Plenária e ao perdão completo dos pecados. Passou a oportunidade. Agora só no próximo Jubileu. Tivemos outra chance: por ocasião do Ano Mariano- 2017 - que recordou os 100 anos das Aparições de Nossa Senhora, em Fátima – Portugal – e pela passagem dos 300 anos da Aparição de Nossa Senhora da Conceição a 03 pescadores, no Rio Paraíba, no interior de São Paulo, em Aparecida. Tais chances não podem ser perdidas.

                Vamo-nos valer de mais esta oportunidade que a Igreja nos oferece: dia de todos os santos, dia de finados, mês das almas/ para lembrar o que Jesus já nos dissera: “estai preparados... não sabeis nem o dia, nem a hora”.

                Neste Domingo, 06 de Novembro, Festa de todos os Santos e Santas, o Evangelho de Mateus nos apresenta as Bem-aventuranças como o primeiro Sermão de Jesus chamando de “felizes”, de “santas” as pessoas que alcançam o Reino de Deus.  O caminho da felicidade proposto por Jesus é bem diferente daquele que o mundo percorre e propõe.

As bem-aventuranças não são um anuncio de acomodação. Convocam-nos, muito mais para o não conformismo e para a busca dos valores do Reino. A presença de tantos pobres, aflitos e perseguidos é sinal de que a plenitude do reinado de Jesus está longe de se concretizar. A vivência das bem-aventuranças é o melhor caminho para alcançar a santidade e que, certamente, foi trilhado por todos os santos e santas que comemoramos neste Domingo. O Papa Francisco nos presenteou ultimamente com uma Exortação Apostólica sobre a Santidade: Alegrai-vos e Exultai em que ele fala da Santidade “ao pé da porta”. Ela não é uma “fuga do mundo”. É a vivência dos valores do reino de Deus por parte daqueles que caminham ao nosso lado, sendo reflexo da presença divina ao desempenharem suas tarefas quotidianas. 

Na Liturgia de amanhã, alegremo-nos no Senhor, celebrando a Solenidade de Todos os Santos de Deus. Em comunhão com a multidão dos que já vivem em plenitude as bem-aventuranças, rezemos uns pelos outros, pois somos todos vocacionados à Santidade.

Rezemos também para que saibamos aproveitar até o dia 20, Festa de Cristo Rei, último Domingo do ano litúrgico, para fazer uma avaliação geral de nossas vidas, cuidando bem de nossa salvação ainda neste Mês das Almas para entrarmos, de cheio, no novo ano, dia 27, 1º Domingo do Tempo do Advento, para mais um reinício de uma vida nova na graça de Deus. Aqui, já cabe bem o canto: “adeus ano velho, feliz ano novo”.

              COMENTÁRIOS PARA:  leunamgomes@hotmail.com




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