A Igreja não precisa de orientação
político-partidária para exercer sua Missão.
No dia 20 de Novembro de 2016, ao encerrar aquele
Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco instituiu o Dia
Mundial dos Pobres, a ser celebrado, dali em diante, em todos os 33ºs
Domingos do Tempo Comum. No ano seguinte, 2017, já se começaria a celebrar o
novo dia mundial dos pobres, com a justificativa de que “estimulasse, em 1º lugar, os crentes, para reagirem à cultura do
descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o
convite era dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para
que se abrissem à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade,
como sinal concreto de fraternidade”.
A
CNBB aderiu logo à ideia e foi designando quem a assumisse de imediato: a Caritas
Brasileira, que já existia desde 1956. Já realizava um trabalho prático – a
Semana da Solidariedade – para pensar e
agir por um país justo, fraterno, igualitário, solidário e amoroso. Não
deixa de ter sido um acúmulo de tarefas, mas com a experiência que já
praticavam, não perderam tempo. Foi até um estímulo para realizarem melhor o
que já faziam.
Assemelhando-nos,
outras Conferências Episcopais foram formadas e amanhã, nesta 6ª Celebração do
Dia Mundial dos Pobres, já temos uma boa caminhada: na Índia, na Polônia, no
Canadá com Missas especiais, refeições gratuitas pra pobres, também serviços
médicos especializados e outras ações.
O
Papa instituiu o Dia Mundial dos Pobres, a ser assumido pelas Conferências
Episcopais, mas ele mesmo dá o exemplo: além da Missa especial na Basílica de
São Pedro, oferece almoço grátis, precedido de banho, corte de cabelo e barba
no Salão de Audiência Paulo VI, em várias Faculdades ou Ateneus Católicos e em
outros locais do Estado do Vaticano, bem como exames médicos, dentista e outros
serviços de saúde móvel estatais Vaticanos.
Francisco
e seus Bispos em todo o mundo têm em mente o próprio exemplo dado por Jesus de
impressionante simplicidade e pobreza em sua vida. O fato é que, Jesus mesmo
ensinou seus discípulos a valorizar a pobreza.
Na
sua Mensagem para este 6º Dia Mundial dos Pobres, o Papa Francisco a intitula
como São Paulo em 2Cor 8,9: “Jesus Cristo fez-se pobre por vós”
para fundamentar o seu compromisso de solidariedade para com os irmãos
necessitados. E acrescenta: “este Dia
Mundial dos Pobres torna este ano como uma sadia provocação para nos ajudar a
refletir sobre o nosso estilo de vida”. Enquanto nos recorda a tempestade
da pandemia e seus desastres econômicos, mal resolvidos, ainda nos chega a
Guerra Russo-ucraniana subdividida em conflitos regionais, produzindo morte e destruição
do mais forte contra o mais fraco, impondo-se a qualquer princípio de
autodeterminação dos povos. Estamos vendo repetirem-se cenas de trágica memória
e, mais uma vez, as ameaças recíprocas de alguns poderosos, tentando abafar a
voz da humanidade que implora a paz.
É
uma pena que nessa situação assim, tão confusa, tenhamos sobrevivido a um
quadro político tão desolador, calcado em “fake News”, com vozes tão destoantes
entre o bem e o mal, polarizadas entre mentira/verdade que a gente conseguiu
sair fora, mas com grandes “hematomas” às vistas. Lembram-se das “menininhas
venezuelanas” tão vulgarmente desrespeitadas por quem deveria dar o bom exemplo
e ajudá-las na sua vulnerabilidade?
E de como aquele
ex-deputado, com prisão domiciliar, recebeu a Polícia Federal com munição
pesada, fuzis de alto calibre, bombas, granadas, até entregar-se à Justiça? E o
que dizer das invasões a Igrejas e Santuários? Será que o Supremo Chefe da
Igreja Católica, seus Bispos e Padres poderiam ser desrespeitados, nominados
com tantos “palavrões” e outras ofensas, exatamente quando presidiam
celebrações nos locais apropriados para exercerem suas funções? E chamarem de
Comunista a um Cardeal da Igreja por usar vestimentas vermelhas – escarlate ou
purpúrea – tradicional distintivo de suas Eminências, no exercício de suas
funções? Chamar a isso de comunismo é desconhecer a bimilenar história da
Igreja e a pouco mais que centenária história do comunismo. A ignorância dos
fatos os leva a agir assim.
Voltando à reflexão do
Papa, referente ao 6º Dia Mundial dos Pobres, Jesus Cristo é o nosso modelo.
Ele foi quem deixou as bases para o nosso trabalho evangelizador: ser
solidários com os nossos irmãos necessitados. A Igreja não precisa de
orientação político-partidária para exercer sua Missão. Nosso Fundador já
deixou os fundamentos, a doutrina e o seguimento d’Ele, para realizar nosso
trabalho. Não precisamos de ideologia humana ou partidária, de homem nenhum,
para evangelizarmos. Eles mentem para o povo. Apresentam-se como ‘salvadores da pátria’. Não têm moral
para servirem de “modelo”. Defendem a “tradicional família monogâmica cristã”,
mas para os outros, não pra si mesmos. Reproduzem-se à vontade, com várias
mulheres. Em qualquer Igreja que chegam, pouco lhes importa a doutrina ou a
moral. Oferecem-se para fazer leitura, comungam, contestam o pregador, desafiam
o presidente da celebração, ingerem bebidas alcoólicas diante do povo e do
altar. E para completar, ainda citam o Nome de Deus em vão e contestam a
Igreja. Por isso eu dizia acima que ‘não
precisamos de orientação político-partidária para exercermos nossa missão’.
Quando políticos
conservadores, fascistas, negacionistas não aceitam a orientação da Igreja por
acharem que Ela é subversiva, eles é que estão subvertendo o povo, querendo
levá-lo à ignorância da doutrina e da verdade original que Jesus nos mandou
ensinar. Querem ser deuses, transmitindo um recado que não corresponde à
verdade. Eles só defendem o patrimônio e o lucro de quem já é rico. Quem vai
defender e acreditar em pobre? Isso só pode ser “coisa de comunista”. Afirmam
assim para se livrarem mais facilmente.
Francisco diz em sua
mensagem para este 6º Dia Mundial dos Pobres, que não servem retóricas,
discursos bonitos de homens engravatados, longe do povo. “Tem-se que arregaçar as mangas e pôr em prática, a fé através dum envolvimento
direto, que não pode ser delegado a ninguém. Às vezes, pode sobreviver uma
forma de relaxamento que leva a assumir comportamentos incoerentes, como no
caso da indiferença em relação aos pobres. Além disso, acontece que alguns
cristãos, devido a um apego excessivo ao dinheiro, fiquem empantanados num mau
uso dos bens e do patrimônio. São situações que manifestam uma fé frágil e uma
esperança fraca e míope”. É este o ensinamento que a Igreja sempre deu através
de sua Doutrina Social, e que Papas, Cardeais, Bispos, Padres e Catequistas
comprometidos, sempre repassaram como provenientes de Jesus Cristo.
Perguntar-me-ão: por
que fascistas e políticos reacionários ou cristãos conservadores se opõem, tão tenazmente,
ao sermão, ou à orientação que é dada do altar pelos pregadores? E eu repondo:
por desconhecerem a origem, a história e o desenvolvimento do Cristianismo no
mundo e o confundirem com uma ideologia pessoal e partidária. Não, política e
cristã.
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