sexta-feira, 11 de novembro de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A Igreja não precisa de orientação político-partidária para exercer sua Missão.

No dia 20 de Novembro de 2016, ao encerrar aquele Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado, dali em diante, em todos os 33ºs Domingos do Tempo Comum. No ano seguinte, 2017, já se começaria a celebrar o novo dia mundial dos pobres, com a justificativa de que “estimulasse, em 1º lugar, os crentes, para reagirem à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite era dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abrissem à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade”.

            A CNBB aderiu logo à ideia e foi designando quem a assumisse de imediato: a Caritas Brasileira, que já existia desde 1956. Já realizava um trabalho prático – a Semana da Solidariedade – para pensar e agir por um país justo, fraterno, igualitário, solidário e amoroso. Não deixa de ter sido um acúmulo de tarefas, mas com a experiência que já praticavam, não perderam tempo. Foi até um estímulo para realizarem melhor o que já faziam.

            Assemelhando-nos, outras Conferências Episcopais foram formadas e amanhã, nesta 6ª Celebração do Dia Mundial dos Pobres, já temos uma boa caminhada: na Índia, na Polônia, no Canadá com Missas especiais, refeições gratuitas pra pobres, também serviços médicos especializados e outras ações.

            O Papa instituiu o Dia Mundial dos Pobres, a ser assumido pelas Conferências Episcopais, mas ele mesmo dá o exemplo: além da Missa especial na Basílica de São Pedro, oferece almoço grátis, precedido de banho, corte de cabelo e barba no Salão de Audiência Paulo VI, em várias Faculdades ou Ateneus Católicos e em outros locais do Estado do Vaticano, bem como exames médicos, dentista e outros serviços de saúde móvel estatais Vaticanos.

            Francisco e seus Bispos em todo o mundo têm em mente o próprio exemplo dado por Jesus de impressionante simplicidade e pobreza em sua vida. O fato é que, Jesus mesmo ensinou seus discípulos a valorizar a pobreza.

            Na sua Mensagem para este 6º Dia Mundial dos Pobres, o Papa Francisco a intitula como São Paulo em 2Cor 8,9: “Jesus Cristo fez-se pobre por vós” para fundamentar o seu compromisso de solidariedade para com os irmãos necessitados. E acrescenta: “este Dia Mundial dos Pobres torna este ano como uma sadia provocação para nos ajudar a refletir sobre o nosso estilo de vida”. Enquanto nos recorda a tempestade da pandemia e seus desastres econômicos, mal resolvidos, ainda nos chega a Guerra Russo-ucraniana subdividida em conflitos regionais, produzindo morte e destruição do mais forte contra o mais fraco, impondo-se a qualquer princípio de autodeterminação dos povos. Estamos vendo repetirem-se cenas de trágica memória e, mais uma vez, as ameaças recíprocas de alguns poderosos, tentando abafar a voz da humanidade que implora a paz.

            É uma pena que nessa situação assim, tão confusa, tenhamos sobrevivido a um quadro político tão desolador, calcado em “fake News”, com vozes tão destoantes entre o bem e o mal, polarizadas entre mentira/verdade que a gente conseguiu sair fora, mas com grandes “hematomas” às vistas. Lembram-se das “menininhas venezuelanas” tão vulgarmente desrespeitadas por quem deveria dar o bom exemplo e ajudá-las na sua vulnerabilidade?

E de como aquele ex-deputado, com prisão domiciliar, recebeu a Polícia Federal com munição pesada, fuzis de alto calibre, bombas, granadas, até entregar-se à Justiça? E o que dizer das invasões a Igrejas e Santuários? Será que o Supremo Chefe da Igreja Católica, seus Bispos e Padres poderiam ser desrespeitados, nominados com tantos “palavrões” e outras ofensas, exatamente quando presidiam celebrações nos locais apropriados para exercerem suas funções? E chamarem de Comunista a um Cardeal da Igreja por usar vestimentas vermelhas – escarlate ou purpúrea – tradicional distintivo de suas Eminências, no exercício de suas funções? Chamar a isso de comunismo é desconhecer a bimilenar história da Igreja e a pouco mais que centenária história do comunismo. A ignorância dos fatos os leva a agir assim.

Voltando à reflexão do Papa, referente ao 6º Dia Mundial dos Pobres, Jesus Cristo é o nosso modelo. Ele foi quem deixou as bases para o nosso trabalho evangelizador: ser solidários com os nossos irmãos necessitados. A Igreja não precisa de orientação político-partidária para exercer sua Missão. Nosso Fundador já deixou os fundamentos, a doutrina e o seguimento d’Ele, para realizar nosso trabalho. Não precisamos de ideologia humana ou partidária, de homem nenhum, para evangelizarmos. Eles mentem para o povo. Apresentam-se como ‘salvadores da pátria’. Não têm moral para servirem de “modelo”. Defendem a “tradicional família monogâmica cristã”, mas para os outros, não pra si mesmos. Reproduzem-se à vontade, com várias mulheres. Em qualquer Igreja que chegam, pouco lhes importa a doutrina ou a moral. Oferecem-se para fazer leitura, comungam, contestam o pregador, desafiam o presidente da celebração, ingerem bebidas alcoólicas diante do povo e do altar. E para completar, ainda citam o Nome de Deus em vão e contestam a Igreja. Por isso eu dizia acima que ‘não precisamos de orientação político-partidária para exercermos nossa missão’.

Quando políticos conservadores, fascistas, negacionistas não aceitam a orientação da Igreja por acharem que Ela é subversiva, eles é que estão subvertendo o povo, querendo levá-lo à ignorância da doutrina e da verdade original que Jesus nos mandou ensinar. Querem ser deuses, transmitindo um recado que não corresponde à verdade. Eles só defendem o patrimônio e o lucro de quem já é rico. Quem vai defender e acreditar em pobre? Isso só pode ser “coisa de comunista”. Afirmam assim para se livrarem mais facilmente.

Francisco diz em sua mensagem para este 6º Dia Mundial dos Pobres, que não servem retóricas, discursos bonitos de homens engravatados, longe do povo. “Tem-se que arregaçar as mangas e pôr em prática, a fé através dum envolvimento direto, que não pode ser delegado a ninguém. Às vezes, pode sobreviver uma forma de relaxamento que leva a assumir comportamentos incoerentes, como no caso da indiferença em relação aos pobres. Além disso, acontece que alguns cristãos, devido a um apego excessivo ao dinheiro, fiquem empantanados num mau uso dos bens e do patrimônio. São situações que manifestam uma fé frágil e uma esperança fraca e míope”. É este o ensinamento que a Igreja sempre deu através de sua Doutrina Social, e que Papas, Cardeais, Bispos, Padres e Catequistas comprometidos, sempre repassaram como provenientes de Jesus Cristo.

             Perguntar-me-ão: por que fascistas e políticos reacionários ou cristãos conservadores se opõem, tão tenazmente, ao sermão, ou à orientação que é dada do altar pelos pregadores? E eu repondo: por desconhecerem a origem, a história e o desenvolvimento do Cristianismo no mundo e o confundirem com uma ideologia pessoal e partidária. Não, política e cristã









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