CULTURA NEGRA
EUDES DE SOUSA
Não apenas de pão, política e economia vivem as pessoas. Não
nos esquecemos de abordar as manifestações artísticas, extraordinariamente
criativas, que representa a cultura
negra, das quais devemos muitos nos orgulhar.
Mas infelizmente, a cultura negra enfrenta preconceito
enraizado ao quadro histórico do país, a
exemplo disso, a intolerância religiosa, por seu reflexo de um pensamento
ignorante, como aconteceu o incêndio da estátua da baiana de carajé, na Bahia.
Isso está além da guerra ideológica que quer problematizar tudo e atear fogo na
cultura.
A cultura é a voz de um povo. O povo negro tem uma trajetória que começou
muito antes da escravização, sendo alicerçada em território africano e formada
por reis, rainhas, guerreiros e guerreiras de tribos que ali viviam. No Brasil,
antes da chegada dos portugueses, estudos arqueológicos mostram que os
primeiros habitantes eram indígenas; A chegada dos negros em solo brasileiro se
confunde com a escravidão, uma vez que eles eram traficados da África para
trabalharem, de forma forçada e desumana, para o império e os poderosos coloniais.
Uma forma de preservar a cultura africana foi associando os
Santos Católicos aos Orixás. Porque os europeus eram cristãos e não admitiam o
culto aos deuses pagãos. Os afrodescendentes passaram a cultuar os Orixás de
forma escondida, fingindo que estavam cultuando os Santos. Todo o sacrifício
para preservar a cultura, está se perdendo. Pois muitas pessoas utilizam os
objetos, danças e afins, por serem exóticos e não sabem seu significado.
Como se sabe, a Rita Baiana, personagem de O Cortiço, de
Aluísio de Azevedo, retrata a figura da problematização da questão étnica no
Brasil, enquanto representa uma mulher mestiça preferindo um homem branco.
Segundo Durkheim, o fato social é a
forma coletiva de agir e de pensar. Ao ter em mente esse pensamento, nota-se
que essas identificações coletivas podem entrar em choque. Porque houve uma
apropriação cultural indevida, pois a
cantora Anitta apenas se fantasia de negra, enquanto é embranquecida em outro
contexto social.
Apropriação cultural e o preconceito andam de mãos dadas. Um
exemplo é com os praticantes do Candomblé ou da Umbanda pois, a grande maioria
da população relaciona essas práticas a bruxaria e a possessão por demônios. O
antropólogo Patrício Carneiro diz que ser um candomblé é assumir o risco de ser
discriminado o tempo todo.
No Brasil, nada é puro, tudo é fruto de miscigenações. Tal
afirmativa remete a um país formado,
principalmente, por indígenas, portugueses e afrodescendentes, e a cada cultura
a gene, está no DNA de cada brasileiro,
todos são mestiços. Dessa forma, coibir o uso de objetos do determinada cultura
à outros de diferentes, é algo radical e até contraditório às origens de cada indivíduo
brasileiro.
Como se sabe, tais
símbolos e acessórios usados de forma errada, gera o não reconhecimento da
real história desse povo. Nesse sentido,
muitas vezes se vê pessoas usando turbantes ou cabelos com
dreads. Símbolos da cultura afrodescendentes, onde viram objetos de
consumo ou modinhas pela indústria cultural. E são esquecidos os valores reais, a história por trás. Por
exemplo o turbante é símbolo de resistência da religião umbanda-religião afrodescendente
que só foi permitida em 1930 no Brasil.
Portanto, o comportamento vindo do período colonial, ainda
reflete na sociedade contemporânea, costumes, religiões. Hábitos e vestimentas
trazidos por inúmeros imigrantes, transpassaram o tempo e integram-se a outras
formas de vidas já existentes no país. Simbolismos de diversos lugares
desembarcaram no Brasil e como forma da adaptação, muitos deles incorporam na
cultura local, um exemplo é a capoeira, que trazida pelos escravos, foi
incluída como conteúdo das escolas pelo presidente Getúlio Vargas e hoje é
considerada patrimônio imaterial do Brasil.
Como sabemos, o mundo moderno passou por diversas
revoluções, as quais ocasionam mudanças políticas, econômicas e sociais. O modo
de vida própria do século XXI gera problemas no que se refere as diversas
culturas. Cabe ressaltar ainda que a apropriação cultural a carreta em
consequências para a sociedade, a qual é formada por alta diversidade.
Afinal, gerando assim, uma desvalorização da cultura e uma
maior falta de compreensão,. Observa-se também que toda prática, símbolo e
ideias de uma cultura surgiram num determinado momento, por alguma razão, esta
que deve ser respeitada. Por exemplo nos tempos de escravidão as mulheres
negras usavam o turbantes como forma de esconder seus cabelos, já que por ser
escrava não conseguiam cuidar dele. Hoje em dia as mulheres negras fazem uso do
turbante como forma de protesto aos tempos de escravidão e ao preconceitos
gerado por ele, presente até atualmente na sociedade.
Em virtude dos argumentos apresentados. Pode-se concluir que
a apropriação cultural é muito
decorrente no Brasil, e deve ser combatida. Somente deste modo seremos capaz
respeitar todas as diferentes culturas do povo brasileiro.

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