Pelo meu Curriculum - teórico e prático -
tantas vezes apresentado, e pelas inúmeras atividades em sala de aula, no uso
dos Meios de Comunicação – falados e escritos – e por me ter arriscado em
pronunciamentos catequéticos, políticos e, socialmente, comprometedores, quero
- nesta encruzilhada histórica de um final de governo de tipo conservador e
fascista e no limiar de um novo ano que também se abre à democracia - opinar
sobre minhas esperanças. Nestes
últimos 6 anos, sobretudo no findante mandato, vimos e ouvimos mentiras,
calúnias, desrespeitos à Constituição e a outras leis, em especial, com o
aparecimento de uma linguagem estranha ‘fake
news’, comum na Mídia.
O
governo que se vai instalar, a partir de amanhã, tem experiência de sobra, para
acertar o passo. Pela 3ª vez assume o comando da Nação, com vitórias
alcançadas, em meio a derrotas, dificuldades e incompreensões, até prisões, que
lhe favoreceram, muito mais de amadurecimento no serviço que presta ao povo, em
sua ascendência social e em políticas públicas que atinjam a maioria, do que
ficar do lado de uma elite, reduzida em número, mas que só visa o seu bem-estar
pessoal, o lucro e o acúmulo de riquezas.
Sua
prisão de quase 600 dias, antes desta vitória, o fizeram rever seus conceitos:
muito mais para “cuidar do povo”, do que para “governar o povo”. As leituras
que fez na prisão, as visitas que recebeu de líderes internacionais, até de
“alguns prêmios Nobel”, a reflexão sobre a realidade ou a crise brasileira, o
fizeram aprofundar melhor o que seria “bem comum” ou o “cuidado maior com os
seres vivos”, especialmente, com os “seres humanos”.
O
novo presidente, escolhido pela 3ª vez para dirigir os destinos do Brasil,
está, suficientemente preparado contra as mentiras, as calunias, as fake news, as desobediências às leis
Constitucionais tão bem entendidas, pensadas e repensadas durante o exílio que
lhe foi, injustamente, imposto, de onde saiu mais sábio, mais humano e,
espiritualmente, mais bem preparado e fortificado.
Os
que acompanhamos os debates políticos, os programas eleitorais ou ouvimos as
propostas, sobretudo as polarizadas entre os dois principais candidatos,
percebemos a diferença entre a igualdade proposta pelo candidato
vitorioso da esquerda, e a liberdade proposta pela direita fascista
perdedora. Em vez de proporem uma “liberdade respeitosa”, propunham uma
libertinagem.
Ambos
os valores fazem parte da Democracia, embora suas visões sejam
diferentes: pela igualdade se respeita todas as diferenças e se lhes
reconhece o direito de existir e pela liberdade se pode expressar tudo o
que lhes passa pela cabeça, como: mentir, ofender pessoas e utilizar fake news.
Para
se viver, mais harmonicamente, eu acrescentaria o que sugere o Papa Francisco,
em seu grande sonho proposto na Fratelli
Tutti: a Fraternidade com todos os seres da criação por virem todos
do mesmo barro, do mesmo ato amoroso de Deus e por, cientificamente, todos
possuírem o mesmo código genético de base. Ela nos coloca, todos juntos, no
mesmo chão e com relações ternas e respeitosas.
Não
misturamos Estado com religião alguma, nem fé com ideologia política, porque
fazem parte de esferas diferentes. Quem é democrata, respeita as opções
religiosas do povo. Não lhe impõe uma religiosidade e não o encurrala como se
animais fossem. Talvez tenha sido o maior erro do nazifascismo que imperou até
hoje no Brasil, em detrimento da ideologia republicana, popular e democrática
que nos deveria tratar a todos com equilíbrio e com respeito.
Sou
Padre há 54 anos. Tenho 82 de idade. Nunca obriguei ninguém a aceitar a fé que
eu tenho ou a pensar à minha maneira de pensar.
Como
afirmei antes, faz parte da democracia, a igualdade no respeito às diferenças,
reconhecendo-lhes o direito de existir, e a liberdade de expressar tudo
o que me passa pela cabeça sem mentir ou impor nada a ninguém.
Nem
sempre me tenho dado bem por agir assim. Muitos me criticam até, ao quererem
que eu diga o que eles querem ouvir, que eu defenda as ideias reacionárias que
seus “gurus” defendem e a pregar um evangelho de conveniência ou diferente
daquele que Jesus pregou. Tenho dito que não prego para agradar alguém. Prego
para agradar a Deus. Isto tem feito com que, muitos que antes me consultavam,
ouviam minhas opiniões, de repente se foram afastando. É claro. Eu não me
colocava numa atitude que os agradava.
A
maneira mais cômoda que alguns acharam para não me ouvirem ou darem valor ao
que prego, foi espalhando que minhas reflexões são comunistas ou estão em
desacordo com o que Jesus pregou. Às vezes tenho interpelado: o que é o
comunismo? Você conhece alguém que é comunista? Diga-me quem é para eu ir falar
com ela. Vou desmascará-la. É claro que os políticos fascistas tiram um grande
proveito desses inocentes desconhecedores da verdade. E o Padre é quem paga,
coitado!
Antes,
ao falar de Democracia, eu falava de igualdade e liberdade, como seus
componentes. Acrescentei mais um, sugerido pelo Papa Francisco: a Fraternidade.
Para se viver este conceito de Fraternidade, cabe ao Estado criar as condições
sociais, políticas, culturais e espirituais para que a Fraternidade seja vivida
na prática e não seja mera retórica. E eu pergunto: como aceitar este papel do
Estado se muitos estão sentindo-se enlutados pelo resultado das eleições? Os
sequazes do governo que finda amanhã, ainda estão sem aceitar a derrota e
promovem escaramuças, arruaças e todo tipo de movimento antidemocrático para
revelarem sua insatisfação. Por acaso, a sua democracia não inclui alternância
no poder?
Será
que o governo que estava se conduzindo, ultimamente, estava tudo certinho, com
as vistas voltadas para os mais necessitados, merecendo ser reeleito para dar
continuidade às políticas públicas, às reformas iniciadas e ao bem comum que se
processava a contento de todos? Se era assim, por que não conseguiu a
reeleição?
O que foi eleito pela 3ª vez, já era nosso conhecido, já experimentara um trabalho, tendo em vista os mais necessitados, gerando empregos, políticas públicas, encaminhando alunos para as escolas e universidades, visando sempre o bem comum, por que não retornar ao que já dera certo? Não terá sido a causa de sua escolha, mais uma vez? Será que não se renovaram as esperanças
E o que mais desejamos ao Presidente Lula? Que ele realize o que sonhou na prisão em quase 600 dias: não apenas “governar o povo”, mas “cuidar do povo”, isto é, ter sempre um gesto generoso para com o povo e seu bem comum. O cuidado é da essência de todos os seres vivos, máxime dos seres humanos. Com estes, não se faz experiência. Eles não são números.
O próprio Jesus nos deu o exemplo. Sempre cultivou e cuidou dos pobres, dos famintos, dos doentes, dos injustiçados e de todos os que se sentiam marginalizados. Que o nosso novo governante contribua, positivamente com a humanização, as boas relações e a civilização entre as pessoas e as instituições. Vamos torcer e colaborar para que isso aconteça.

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