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Campanha
da Fraternidade: QUAIS AS SOLUÇÕES PARA O PROBLEMA
DA FOME ENTRE NÓS? |
Chegamos ao sábado da 4ª Semana
da Quaresma que, por ser o dia 25 de março, celebramos o Anúncio do Nascimento
de Jesus, exatamente, 09 meses, antes do seu natalício, aos 25 de Dezembro. Amanhã,
atingiremos o 5º Domingo da Quaresma, início da última semana quaresmal, que
vai até o próximo sábado, 1º de Abril. No Domingo, dia 02, já se celebra o
Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e daremos início à Semana Santa.
Tivemos nestes últimos 40 dias, a realização da Quaresma, um tempo de penitência, de arrependimento dos pecados, para festejar, alegremente, a Páscoa. Nestes últimos 60 anos, realizamos durante a Quaresma, a Campanha da Fraternidade, refletindo, pela 3ª vez, o problema da fome, no Brasil.
Muitos
quiseram negar essa realidade, opuseram-se ao trabalho de conscientização,
encabeçado pela Igreja e - negacionistas como são - não facilitaram a
compreensão da realidade da fome. Até a negaram.
De
nossa parte, encontramos todo o apoio possível, no Prof. Leunam e nos mantivemos
solidários e unidos em toda a Campanha Quaresmal. Grato!
No entanto, ainda temos tempo para um arremate final nesta C.F./2023, que tratou da FOME e que só terá sentido, se tivermos aberto caminhos para uma ação concreta de direcionamentos para soluções.
Aliás,
o esquema seguido, foi o mesmo das Campanhas anteriores: vimos a realidade (como em todos os temas, tratados em 60
anos). Julgamos o seu conteúdo
(sob os lemas, à luz da Palavra de Deus) e tomamos um propósito de agir ou de realizar uma ação concreta ao longo
do ano em que se deu a Campanha da Fraternidade. É o que queremos agora: um agir concreto para ir em frente, na busca de soluções para
o problema da Fome entre nós.
Ao
realizarmos a 60ª Campanha da Fraternidade, sobre a Fome, nesta Quaresma,
entendemos como a Fome nos desafia e desinstala. Não é possível ficar parados
diante do grito da realidade brasileira e do mandamento de Jesus.
É
a dimensão social da fé que exige de nós engajamento na busca de soluções
eficazes para o drama da fome. Foi esta realidade que chegou ao sentimento de
Jesus para que tomasse uma atitude pontual, que resolvesse aquele problema, não
na lógica do dinheiro ou da indiferença, mas na lógica do próprio Jesus: “dai-lhes, vós mesmos, de comer” (Mt
14,16).
Em
seguida, “mandou que as multidões se
sentassem na relva, partiu os pães e deu aos discípulos, e os discípulos os
distribuíram às multidões”. Foi rápida a solução de Jesus, que Betinho
entendeu tão bem, ao afirmar: “quem tem
fome, tem pressa” e que o Pontifício Conselho “Cor Unum”, sobre a Fome no
Mundo completa: “a caridade não é um
luxo, é uma condição de sobrevivência para um elevadíssimo número de seres
humanos”.
Achamos
claro demais ser preciso alimentar o faminto hoje, no momento da fome, sem
deixar de indagar a respeito das causas da fome, trabalhando pelas garantias de
alimentação para o faminto e para sua família. O faminto precisa, sobretudo,
recuperar a dignidade, o que só lhe acontece quando lhe é devolvida a
capacidade de ganhar o pão com o suor de seu rosto.
Faz
muito tempo que a fome nos persegue. A Igreja não deverá ser a única no enfrentamento
da fome. São necessárias políticas públicas, sobretudo de Estado, e
investimentos a partir da responsabilidade social das empresas. Mais ainda, é
preciso que as ações mudem a realidade social, trazendo para o centro, a pessoa
humana e a sua dignidade, buscando a superação de uma sociedade de famintos.

João Paulo II, em Teresina - Piauí
Quando S. João Paulo II visitou o Brasil em 1980, chegando a Teresina viu, em meio à multidão, um cartaz que dizia: “Santo Padre, o Povo passa fome”. Ele não se conteve e exclamou: “Fome de Deus, sim; fome de pão, não. Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome?” E já se vão 43 anos e continuamos a falar de fome, cada vez pior.
A
Liturgia deste 5º Domingo da Quaresma, cujo tempo ainda celebramos até sábado,
nos narra uma mensagem de esperança. Fala da Ressurreição de Lázaro. Mostra que
a vida é dom que nos vem de Deus. Não morre jamais. O chamado de Lázaro para a
vida e a Ressurreição de Cristo são a prova máxima da vida como dom divino. No
Cristo Jesus a vida irrompe sempre. É vida plena, eterna, mesmo que vivamos
ainda numa condição mortal. O mal não pode jamais ter o poder sobre o ser
humano, pois é a vida que vence a morte. Infelizmente, nós somos muito imediatistas.
Não temos a paciência de Deus. Queremos vencer logo no primeiro embate.
Veja
o texto do Evangelho de amanhã, no capítulo 11 de São João. As irmãs de Lázaro
– Maria e Marta – mandaram dizer a Jesus: “senhor,
aquele que amas está doente”. Como nós, elas achavam que Jesus fosse de
imediato. Mas ele disse: “esta doença não
leva à morte. Ela serve para a glória de Deus; para que o Filho de Deus seja
glorificado por ela”.
Apesar da
amizade que Jesus tinha aos 03 irmãos, ele ficou ainda dois dias no lugar onde
se encontrava. Foi a Betânia e encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias.
Marta foi-lhe logo dizendo: “senhor, se
tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas, mesmo assim, eu sei que
o que pedires a Deus, ele te concederá”. Ao que Jesus respondeu: “teu irmão ressuscitará... Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele
que vive e crê em mim, não morrerá jamais... Crês isto”?
Marta
respondeu: “Senhor, já cheira mal. Está
morto há quatro dias”. Ao que Jesus exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora... Desatai-o e deixai-o caminhar”. Muitos dos que lá se
encontravam, creram n’Ele.
É claro,
a fé transporta montanhas. Todas as dificuldades serão zeradas para quem tem
fé, esperança, pertinácia. Isto sim, destrói “qualquer montanha”, daí a indagação de São João Paulo Segundo em
Teresina: “como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome”?
Continua
sendo nossa realidade, São João Paulo II. A Igreja persiste insistindo. Seu
sucessor, o Papa Francisco, teve sua Mensagem de lançamento da C.F. 2023,
mantendo a tradição dos antecessores, chamando a atenção para o lema desta
Campanha: “dai-lhes vós mesmos de comer”,
lembrando que nós, seus discípulos devemos partilhar – do muito ou do
pouco que temos – com os nossos irmãos que nem sequer tem com que saciar sua
própria fome. No entanto, sabemos que ao saciar a própria fome ou à fome dos
irmãos, estaremos saciando o próprio Senhor Jesus que se identifica com os mais
pobres e famintos: “eu estava com fome e
me destes de comer... todas as vezes que fizeste isso a um destes mais
pequeninos, que são meus irmãos, foi a mim que fizeste” (Mt.25,35).
Para
completar as nossas reflexões sobre Tema e Lema desta C.F. 2023, lembramos o
que D. Helder dizia: “se eu tenho fome, o problema é meu. Se meu
irmão tem fome, o problema é nosso”.
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