EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA NO CURSO DE DIREITO DA F5, EM SOBRAL
CONTEXTUALIZAÇÃO
No dia 06 de maio de 2022, promovemos, dentro da disciplina de Introdução ao Estudo do Direito, na turma do 1° período (manhã), a realização de atividade resultante das formações pedagógicas do Programa Ensino Jurídico e Formação do Curso de Direito da Faculdade 05 de Julho -F5, bem como de sugestões de práticas metodológicas do Projeto Imersão em Direito – práticas exitosas que fazem parte do referido Programa. A ideia do método da aprendizagem jurídica em círculo envolve a promoção de conhecimento, por meio de experiências ativas, em que a atividade é vivenciada de forma cíclica, com a formação de círculos, em que cada etapa da atividade exige que os alunos formem novos grupos com colegas que ainda não tenham trabalhado em grupos anteriores. Algo como uma engrenagem sempre em movimento na sala de aula.
Nesta perspectiva, o presente
trabalho apresenta um relato de experiência de Círculos de Aprendizagem
Jurídica Vivencial em Sala de Aula com o intuito de construir uma nova educação
jurídica. A proposta considera que a construção do conhecimento em círculos
vivenciais gera uma interação dinâmica do saber, respeitando, para isso, as
diferentes respostas para uma mesma pergunta sobre o conteúdo ou tema em
debate. A atividade didático-pedagógica veio promover a reflexão, interação,
inclusão e conexões de todo o sistema vivente de uma sala de aula a partir de
uma perspectiva sociocultural. Os métodos utilizados envolveram a prática dos
Círculos de Aprendizagem Jurídica em Sala de Aula, como uma das estratégicas
pedagógica do campo da Educação Biocêntrica, que é norteada por valores
universais de natureza antropocêntrica como participação, diálogo, socialização,
igualdade, respeito ao modo de cada um pensar, sentir e agir necessários no
mundo da vida. A atividade em sala de aula resultou em um momento de partilhar
significativa de experiências e na reflexão sobre as possibilidades de cada
aluno participar de diversos grupos, discutindo questões diferentes, bem como
socializando as discussões de forma descontraídas e em movimento (CAVALCANTE,
1999).
OBJETIVOS
O principal objetivo da experiência
é levar os alunos a aprenderem, uns com os outros, nos círculos, passando de um
círculo para outro, construindo novas discussões e saberes. Assim, os Círculos
de Aprendizagem Jurídica Vivencial em Sala de Aula têm o objetivo de integrar o
aprendizado jurídico à experiência dialógica, para uma convivência em sala de
aula a serviço da vida, corroborando com a inovação pedagógica, utilizando o
diálogo entre grupos como instrumento de interação, inclusão social,
aprendizagem significativa, promovendo a comunicação entre os alunos, de
maneira a fortalecer a aprendizagem teórica e prática.
METODOLOGIA
A
metodologia da atividade se define e ganha contornos durante a aula de vivência
e convivência, com diferentes etapas, que visam tornar o egresso do Curso de
Direito da F5 em um futuro profissional bem sucedido, por meio do desenvolvimento
dialógico e respeito pelos outros colegas como pessoas e flexibilidade na
compreensão das respostas, dentro de cada grupo, em relação aos posicionamentos
diferentes de outros grupos de que já fizeram parte; capacidade de demonstrar
compreensão do conhecimento jurídico, caminhando por diferentes grupos e a
simpatia gerada a partir da troca de experiência; e, acima de tudo, disposição
para ficar de pé nos grupos, ora fazendo escuta qualificada das respostas dos
colegas, ora como agente das discussões. A atividade teve a capacidade
metodológica de criar um ambiente cheio atitudes dialógicas, com produção de
vida, de construção e reconstrução de respostas sobre sete questões (4
objetivas e 3 subjetivas).
A experiência envolveu os seguintes procedimentos:
>Estudo do conteúdo da Avaliação Parcial 1 (AP1) trabalhado em sala;
>Recebimentos das provas da AP1 com a nota, mas sem feedback do professor porque o intuito foi levar os próprios alunos a construírem feedbacks entre si;
· > Os
alunos receberam orientações da professora, que aplicou princípios da Educação
Biocêntrica e pediu que eles formassem grupos com três membros para discussão
de uma questão temática da prova;
· > Cada
grupo ficou responsável por uma pergunta e discutir entre os seus membros as
possíveis respostas.
· >Em
seguida, os alunos foram mudando de grupos e aumentando a quantidade de
membros, sempre tentando entrar em um grupo diferente do anterior de modo que
todos pudessem debater entre si todo o conteúdo aplicado na AP1 e
sucessivamente os alunos foram mudando de grupo;
· >Ao
final a turma foi dívida em dois grandes grupos, um grupo assumiu o papel de
entrevistadores e outro entrevistados, de modo que todos tivessem a
oportunidade de falar em sala;
· >A
correção da AP1 rompeu com a sistemática do ensino tradicional, em que os
próprios alunos assumiram o protagonismo de construírem feedbacks inéditos
sobre a avaliação parcial. Uma atividade em que os alunos ficaram sempre em
ação e movimento dentro da sala de aula, sob a mediação docente.
MARCO TEÓRICO
Com base na obra “Introdução à
ciência pós-moderna” de Boaventura Sousa Santos (1983), acreditamos que “todo
conhecimento científico-natural é científico-social ... a física das partículas
nos fale do jogo entre partículas, ou a biologia nos fale do teatro molecular
ou a astrofísica do texto celestial, ou ainda a química da biologia das
relações químicas” (p. 64).
Nesta perspectiva, a proposta
pedagógica de aplicar os Círculos de Aprendizagem Jurídica Vivencial em Sala de
Aula, possibilitou gerar novos posicionamentos discursivos dos discentes sobre
os instrumentos de avaliação como um caminho alternativo para a superação de
possíveis limitações na compreensão do conteúdo. O feedback da avaliação
parcial não veio pela voz do professor, o que possibilitou gerar de novos
espaços e inéditas veredas na sala de aula.
Esta atividade surgiu a partir da
formação docente do “II Encontro de Educação Biocêntrica: vivência e
convivência em sala de aula”, promovido pelo Programa Ensino Jurídico e
Formação Continuada do Curso de Direito da F5, com o professor Leunam Gomes.
Durante a formação, os professores tiveram acesso, pela manhã, à base teórica
de uma educação dialógica e no turno da tarde a parte prática da Educação
Biocêntrica. Assim, a professora Vânia Pontes adaptou os métodos didáticos com
os alunos da turma do 1° período do turno da manhã.
Educação Biocêntrica nos remete à
ideia de Bio =Vida; Cêntrica =Centro. Os Círculos de
Aprendizagem Jurídica Vivencial em Sala de Aula segue a orientação de uma educação pautada na
preservação da vida no centro de toda atividade educacional a partir da
interação e do diálogo, cuja vida do outro e de todo ser vivente numa
vinculação com a totalidade de modo que os conteúdos gere sentido no mundo da
vida. Desta forma, prioriza a capacidade de compartilhar conhecimento entre os
grupos, de dar e receber, de se entregar, de ter participação comunitária, com
compromisso e solidariedade em sala de aula (CAVALCANTE, 2015a).
Os Círculos de Aprendizagem
Jurídica Vivencial em Sala de Aula que aplicamos é fruto do Programa Ensino
Jurídico e Formação Continuada, que vem qualificando o processo de ensino e
aprendizagem, bem como observando as necessidades do cenário atual e o perfil
do egresso na área jurídica. Para tanto, todas as etapas das atividades foram
orientadas sob a perspectiva da Formação Biocêntrica, como uma corrente
pedagógica centrada na valorização da vida, que fomenta o fortalecimento de
vínculos saudáveis e prioriza a vivência nos processos de aprendizagem por meio
do diálogo reflexivo.
A atividade com círculos foi
compreendida, dialeticamente, pelos alunos, em que o lugar de fala de cada um
em sala de aula foi manifesto, sendo um potente instrumento de conscientização,
construindo grupos, com habilidades que os aproximam uns dos outros durante o
processo de aprendizagem, o que impacta na produção de novos saberes,
representando de forma concreta o acesso ao conhecimento jurídico e as
condições ambientais da sala de aula, para que seja um lugar de encontro de
sujeitos, em que se busca o conhecimento. Para tanto, a capacidade de
estabelecer diálogos na sala de aula é o que pode elevar o processo educacional
a uma esfera libertadora para os sujeitos que dela fazem parte (FREIRE, 1967).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os Círculos de Aprendizagem
Jurídica Vivencial em Sala de Aula trouxeram para os alunos a possiblidade de
aprender a conhecer uns aos outros e discutir a própria avaliação, realizada
por eles, na condição de alunos, sujeitos do processo de aprendizagem. Desta
forma, o alargamento dos saberes trabalhados em diferentes grupos, veio
ajudá-los a compreender melhor os assuntos temáticos sob os seus diversos
aspectos, favorecendo o despertar da curiosidade intelectual, que estimula a
consciência crítica e permite compreender o real, mediante a aquisição de
autonomia a capacidade de discernir.
Na etapa que os grupos começaram a
aprender a construir respostas e argumentos, as tarefas de produção mais
intelectuais ou mentais começaram a acontecer de forma natural, na medida que
foram percebendo o quanto são capazes de aprender juntos em sala, o que implica
em aprender a viver com os outros. Na última etapa da constituição dos grupos
de entrevistadores e entrevistados aprendem a ser: a preocupação em desenvolver
a imaginação e a criatividade em se posicionar na entrevista revaloriza a
cultura oral e os conhecimentos retirados da experiência dentro da disciplina
de Introdução ao Estudo do Direito (DELORS, 1996).
Nestas
fotos percebemos, empiricamente, como os alunos foram construindo os grupos e
formando novos grupos sempre em movimento na sala de aula. Toda a condução
levou em consideração os princípios da Educação Biocêntrica. A atividade em
sala se tornou algo dinâmico e prazeroso para os alunos como destacam os
registros fotográficos e depoimento docente e de representante do corpo
discente envolvido na atividade.
Na nossa visão, novos
espaços-tempos educacionais requerem novas práticas metodológicas. O direito de
aprender do aluno exige um processo de ensino-aprendizagem em que seja possível
ultrapassar a forma de ensino tradicional. Além do mais, o exercício da advocacia
na contemporaneidade demanda novas habilidades que podem ser adquiridas pela
experimentação prática de temática de um estudo, em que o aluno passa por
alguns grupos, aprendendo no diálogo uns com os outros, sentindo, pensando e
realizando de forma participativa o que acabou de entender.
Vale
ressaltar que a aprendizagem jurídica em círculos é um processo no qual o
conhecimento é construído a partir da experiência de aprendizagem plural. O
método de contínua formação de novos grupos dentro da sala de aula gera um
movimento significativo de aprendizagem e de produção de conhecimento.
"Eu
adorei a metodologia. Diferente do que é comum, que é aquela correção de
questão por questão em que há discussão e opinião sobre a questão, a senhora
trouxe de uma maneira mais dinâmica e interativa, que deixou os alunos mais
focados no objetivo. Através da discussão, além de conhecermos a opinião e
visão do colega. Pude entender mais sobre questões que ainda tinha dúvida, e
achei isso extremamente importante. Em suma, foi ótimo!” (Depoimento da Ana Carolina de
Paiva Sousa, 1° período/ manhã).
A partir do depoimento da aluna, podemos
perceber que os Círculos de Aprendizagem Jurídica Vivencial em Sala de Aula
apresentam instrumentos da educação do viver para o mundo da vida, o que eleva
o nível de formação dos participante. A metodologia vivencial aqui relatada levou
os alunos a perceberem o próprio ritmo de aprendizagem dentro da disciplina em
sincronização com o que outro também aprendeu durante as aulas. Assim, a
prática pedagógica apresentada demonstrou como o ensino-aprendizagem com
vivência de círculos geram conexões integradoras entre os alunos.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A partir da prática didático-pedagógica
com os Círculos de Aprendizagem Jurídica Vivencial em Sala de Aula, trabalhados
dentro da disciplina de Introdução ao Estudo do Direito, foi possível perceber
que a atividade foi favorável para o
desenvolvimento da aprendizagem significativa, da socialização de conhecimento,
da inclusão, comunicação ativa e interação entre os participantes. Durante a
atividade, os alunos passaram por um processo de descoberta, ao perceberem o
quanto sabiam sobre os conteúdos temáticos, sendo eles mesmos capazes construir
um feedback da avaliação parcial, realizada na semana anterior e trabalhada em
sala por meio dos Círculos de Aprendizagem Jurídica Vivencial. O relato desta
experiência é um convite, para que o ensino jurídico mergulhe no universo
metodológico da Educação Biocêntrica, em que se aprende com ação e movimento na
sala de aula. É uma possibilidade de despertar os diversos sentidos dos alunos
para um processo de aprendizagem, entregue às vivência dos círculos.
REFERÊNCIAS
SANTOS, B.
S. Introdução à ciência pós-moderna. Porto: Afrontamento, 1989.
DELORS,
Jacques (Coord.). Os quatro pilares da educação. In: Educação: um tesouro a
descobrir. São Paulo: Cortez, 1996.
CAVALCANTE,
Ruth (org.). Educação Biocêntrica – Ciência, Arte, Mística, Amor e Transformações.
Sobral: Edições: UVA, 2015a.
FREIRE,
Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro, Paz e Terra,
1967.
.jpg)
.jpg)




Nenhum comentário:
Postar um comentário