CNBB: “Sem medo, pois a esperança é a nossa coragem”. 29.04.23
Encerrou-se ontem, a 60ª Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, no Santuário Nacional de Nossa Sra. Aparecida, em São
Paulo, reunindo cerca de 450 Bispos, de 19 a 28 de Abril, como acontece todos
os anos após a Páscoa.
São 10 dias de revisão dos trabalhos empreendidos, de debates sobre temas atualizados da Igreja, da Política ou da Conjuntura Geral do Mundo, com muito espaço para orações, debates de 22 temas, com um dia de Retiro Espiritual, encerrado com a celebração penitencial do perdão dos pecados, como requer a renovação Pascal.
De
modo especial, na Assembleia, foi feito um balanço da gestão de D. Walmor,
desde 2019, e foi eleito D. Jaime, novo Presidente, para dirigir por 04 anos.
Foram também emitidas 03 Mensagens: uma ao Papa Francisco, outra ao
Representante dos Bispos no Vaticano e outra ao Povo de Deus do Brasil, que iremos
divulgar e comentar, oportunamente.
Este
tipo de Assembleia Geral dos Bispos do Brasil acontece desde o final do
Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma, já pela 60ª vez, todos os anos além
dos Sínodos, intercalados para revisão de metas, como está acontecendo agora,
com término previsto para Novembro. É todo um trabalho de avaliação e
interligação, feito pela Igreja em todo o mundo, e que tem o Papa no comando com
todo o suporte e estrutura do Estado Cidade do Vaticano.
A
Análise de Conjuntura da CNBB dentro do Brasil, da nossa realidade política e
do mundo, foi apresentada por um Bispo do Nordeste, D. Francisco Lima, de
Carolina – MA, mostrando a dificuldade em abordá-la “neste momento histórico em que as transformações, possivelmente, estão
mais velozes que a nossa própria percepção, embora queira ser um instrumento
que ajude na vivência dos próximos passos desta Conferência Nacional, com uma
ação concreta, responsável e ética que una a todos em torno de nosso futuro”.
E o Senhor Bispo de Carolina, concluía: “a
maior esperança é esperançar-nos todos os dias e em todas as circunstâncias. Sem medo, pois a esperança é a nossa coragem”.
Como
sou Padre, contemporâneo de Bispos ousados e corajosos (como D. Helder, D.
Francisco, D. Aloísio, D. Fragoso, D. José Maria, D. Casaldáliga) fico
feliz ao ler a análise conjuntural de um D. Francisco atual: esperançoso, coerente,
que, no nordeste do Brasil, levanta sua voz no meio de tantos bispos,
sacerdotes e leigos para dizer que “após
as eleições nacionais de outubro, o ano de 2023 entrou dando esperanças
concretas de resistência ante a mudança no poder executivo que estava agindo
fora da Constituição, o que foi, duramente, combatido pelo poder judiciário,
chegando a um ponto final que a Democracia foi vitoriosa”
Aqui, de longe, na
minha cidadezinha do interior do Ceará, Bela Cruz, vou acompanhando a
caminhada eclesial, nacional e até mundial, via internet, no acesso que me é
permitido ter. Vou me atualizando como posso. No alto dos meus 82 anos, sem
provisão canônica para fazer qualquer trabalho e mesmo sem poder mais realizá-lo,
vou escrevendo, lendo, rezando um pouco e aguardando o reencontro final. Mas
vibro ao ver algum belo exemplo de alguém e alguma mensagem de esperança que me
chega. Como não ficar feliz, vendo a CNBB galgando os pontos que ela sempre
conquistou, mesmo diante das dificuldades para desempenhar sua missão! Como não
a admirar ao enfrentar a Pandemia, como a Igreja em geral, e sair vitoriosa,
como saiu a Democracia, segundo o Senhor Bispo de Carolina, no Maranhão! E ele
concluiu: “Tudo isso repercutiu na realidade latino-americana e mesmo mundial,
que é analisada sob a luz do nosso processo eleitoral brasileiro de 2022, que
impactou no reordenamento geopolítico global e regional”.
No meio desta análise
conjuntural, que me deixou tão satisfeito com o enfoque dado pela minha Igreja,
através de sua Conferência Episcopal, senti um aumento da minha alegria, com a
“volta do Brasil” à Europa, ao mundo político, às negociações econômicas,
cheias de esperança, à busca de investimentos e de uma abertura para uma
situação econômica mais razoável, mais respeitada e de mais felicidade para
todos.
No reencontro do
governo brasileiro com Portugal e Espanha, depois de sua entrada pela Ásia, com
muitas esperanças, fiquei muito feliz vendo o Chico Buarque reconhecido,
homenageado e laureado com o Prêmio Camões de Literatura, a mais importante
distinção da língua portuguesa.
Qualquer brasileiro,
que se preza, sabe quem é Chico Buarque: nasceu aos 19 de Junho de 1944, no Rio
de Janeiro. Filho de Maria Amélia e Sérgio Buarque de Holanda. Cantor,
compositor, dramaturgo, escritor e ator.
Além da sua
notabilidade como músico e com composições, internacionalmente, conhecidas e
cantadas, desenvolveu ao longo dos anos uma fluente carreira literária recheada
de peças teatrais e romances, lançados e relançados dentro e fora do Brasil.
Em 1953 seu pai, Sérgio
Buarque, foi convidado a lecionar na Universidade de Roma, pra onde se transferiu
com a família e Chico falava inglês na Escola e Italiano nas ruas, enquanto se
inspirava, compondo suas primeiras marchinhas de carnaval, até voltar ao Brasil
na década de 1960, cada vez mais comprometido com a sua criatividade musical e literatura
escrita que sempre o caracterizaram.
Suas composições musicais
e suas inspirações literárias são tão cheias de conteúdo social que o
caracterizam em tudo o que faz. Foi este seu caráter marcante no que produz e
chega até seus admiradores, que o fez merecer o Prêmio Camões de Literatura, só dedicado aos mais prestigiados escritores,
artistas e compositores como o é Chico Buarque.
A distinção foi criada
em 1988 pelos Governos português e brasileiro para “consagrar um autor de língua portuguesa que, pelo conjunto da obra,
tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural de
nossa língua comum”. O agraciado é escolhido a cada ano por um júri formado
por representantes do Brasil e de Portugal e de nações africanas de língua
oficial portuguesa, no âmbito da CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa). Antes de Chico Buarque, outros brasileiros já foram agraciados: 1993:
Rachel de Queiroz; 1994: Jorge Amado; 2008: João Ubaldo Ribeiro e 2010:
Ferreira Gullar.
Chico Buarque foi
votado há 04 anos, mas o governo que começava em 2019 não deu valor algum à
comenda, porque discordava, ideologicamente, do homenageado. Com a mudança do
governo, no início de 2023, mais afinado com o pensamento de Chico e amigos de
longa data, a Cerimônia foi realizada, esta semana, dia 24, em Lisboa, diante
dos governos Português e Brasileiro.
Ao falar, o Presidente Lula, do Brasil disse: “hoje, para mim, é uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos... O ataque à cultura em todas as suas formas. Foi uma dimensão importante do projeto que a extrema direita tentou implantar no Brasil. Estamos aqui pra reparar a celebração da Obra de Chico”.
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