sábado, 13 de maio de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

FALSOS CATÓLICOS DISTORCEM MENSAGENS DA CNBB

Na minha “reflexão” de sábado passado, “divulguei e comentei” a 60ª Assembleia Geral da CNBB, em sua Mensagem ao Povo Brasileiro, depois de 10 dias de estudos, debates, celebrações e aprofundamentos, como já se tem feito nos últimos 60 anos, à luz do Concílio Ecumênico Vaticano II.

             Falei-lhes das interpretações maldosas, emanadas de falsos católicos que, desconhecendo a história judaico-cristã, arriscam-se a dar opinião sobre o que não entendem, confundindo a religião com negacionismos políticos.

            Negar que o Cristianismo tem base no Judaísmo, cheio de Profetas, de interferências de Deus, de apelos à Libertação, à comunhão de pensamentos e ações, é desconhecer a Doutrina Social da Igreja, permeando todo o Concílio.

            Quando falamos de renovação, de comunhão e participação, não é buscando o novo, por ser novo, ou o ‘modismo’, por estar na moda e agrada a muitos, mas é, sobretudo por reconhecer que, a Palavra de Deus - no Antigo ou no Novo Testamento – ‘nos impele à verdade e a verdade nos libertará’.

            Será que foi a Doutrina Social da Igreja ou o Concílio, que inventaram o texto que está em Êxodo 3,7-8? “Eu ouvi os clamores de meu povo. Eu tenho visto como ele está sendo maltratado no Egito. Tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa de seus feitores. Sei o que estão sofrendo. Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios e para levá-los do Egito para uma terra grande e boa”. É só um exemplo, entre tantos do A.T. que apresentamos.

            No N.T. destacamos também alguns: “venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu darei descanso a vocês” (Mt.11,28).

            “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Se o Filho vos libertar, sereis, de fato, livres” (Jo.8, 32 e 36).

            “O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade” (2ª Cor.3,17).

            O mesmo São Paulo, em Gal.5,13 acrescenta: “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade, mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrario, sirvam uns aos outros mediante o amor”.

            Eu encerrei o meu “comentário da semana” passada, dizendo que ‘a Igreja tem ainda muito o que fazer para converter este povo’ a quem Jesus se referiu com estas palavras: Pai, perdoai-lhes; eles não sabem o que fazem, e prometi voltar ao assunto: retomar o comentário da Mensagem dos Bispos ao nosso Povo, embora nossos críticos continuem a desfazer de nossa reta intenção e a nos querer ensinar o caminho.

            A mensagem aos brasileiros faz alusão à aproximação do 1º de Maio, saudando os trabalhadores e trabalhadoras de nosso país, com palavras do Papa Francisco: “o mundo do trabalho é prioridade humana, é prioridade cristã, a partir de Jesus trabalhador. Onde há um trabalhador, ali há o olhar do amor do Senhor e da Igreja. Lugares de trabalho são lugares do povo de Deus”; e os Senhores bispos acrescentam: diante das mudanças do mundo do trabalho, percebemos que promessas de crescimento econômico, geração de empregos, melhores condições de trabalho, aumento de renda, redução da carga horária, mais tempo de descanso e convivência social, enfim, condições mais saudáveis de vida, continuam sendo desafios sem soluções. A crescente informalidade das relações trabalhistas reduz a segurança social e impede o acesso ao mínimo para a sobrevivência. O trabalho análogo à escravidão, presente em todo o território nacional, é uma chaga social que precisa ser, energicamente, combatida pelos poderes constituídos e por toda a sociedade.

           É esta maneira clara de falar, por parte da Igreja, que incomoda a tantos católicos conservadores, que querem impedi-la de realizar sua brava missão conscientizadora e transformadora da sociedade. Muitos críticos da ação pastoral da Igreja ficam atordoados, taxando-a de comunista, de apelar para a sociologia, até para a filosofia marxista, esquecendo que quem nos impulsiona às transformações sociais, à valorização da pessoa humana, é o cristianismo 

            O nome cristão é usual na Igreja, já na primeira metade do 1º século, quando “em Antioquia, os discípulos foram, pela 1ª vez, chamados com o nome de cristãos (Atos 11, 26). Não foi a Doutrina Social da Igreja ou o Concílio quem nos deu o nome de cristãos. Foi a Igreja iniciante – com Pedro, Paulo, André, Barnabé etc. – que, ao expandirem o Cristianismo em suas atividades apostólicas deram origem ao nome de “cristãos”. É isto que a Igreja é: cristã, crismada, ungida com o poder e o compromisso, dados por Jesus Cristo a seus apóstolos e discípulos, ao passar-lhes, com tais palavras ou com semelhantes nos quatro Evangelhos: “como o Pai me enviou eu também vos envio. Ide e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo”.

            Aqueles Apóstolos e discípulos são continuados por João XXIII, Paulo VI ou João Paulo I e II, Francisco ou por qualquer dos Papas, desde Pedro que, durante a História do Cristianismo, realizaram esta Missão.  Não podemos pôr em dúvida esta verdade. Não são as opiniões anticristãs ou de negacionistas, que nos vão amedrontar ou impedir que façamos o nosso trabalho. Como disse Dom Francisco Lima, Bispo de Carolina – MA, na sua Análise de Conjuntura, “temos que esperançar-nos; sem medo, pois a esperança é a nossa coragem”.

            A Mensagem da CNBB ao povo brasileiro diante das incompreensões que surgiriam, vem nos garantir que “esses tempos difíceis não nos podem limitar, nem servir para que as soluções sejam adiadas. As estruturas do Estado, os poderes da República, as autoridades e lideranças sociais, os meios de comunicação, as organizações religiosas, as plataformas e as redes sociais, cada um e cada uma, com sua competência, devem apoiar-se, reciprocamente, para o bem do país. Como diz a Fratelli Tutti: precisamos criar um espaço de responsabilidade capaz de iniciar e gerar novos processos e transformações. Sejamos parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas”.

            A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) encerra seu Pronunciamento, reiterando o seu dever social: “não podemos deixar de cobrar dos governos, legitimamente eleitos, o protagonismo que lhes foi confiado, uma opção clara e radical pela vida, desde a concepção até à morte natural, passando, inevitavelmente, pelos direitos sociais e humanos. Chamamos a atenção para a importância da vacinação, especialmente, das crianças. No cuidado com a vida, nenhuma seletividade pode ser tolerada e será sempre, por nós, denunciada”.

            Depois de passar pelos Seminários de Sobral e de Olinda, aperfeiçoar-me um pouco pelas Universidades Pontifícias de Roma e de exercer por quase 55 anos a Missão Sacerdotal, incluindo cerca de 40 anos de Magistério e de uso dos Meios de Comunicação, críticas, incompreensões, mau entendimento das minhas escolhas e atitudes, sermões e demais pronunciamentos, pouco importa. Posso dizer como Jesus: “tenho pena desse povo” (Mt.9,36).

Como tenho lembrado, no alto dos meus 82 anos, estou no lucro e agradecendo a Deus por sua imensa bondade. Pra que, ou pra quem reclamar? 










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