CRISTÃOS UNIDOS OU DESUNIDOS? POR QUÊ?
Sábado passado, ao falar do 57º Dia
Mundial das Comunicações Sociais - celebrado na Festa da Ascensão do Senhor - eu
dizia que começamos a celebrar a data, logo que terminou o Concílio Ecumênico
Vaticano II, sempre com uma Mensagem do Papa reinante e que, nos 03 últimos
anos o Papa Francisco tinha sequenciado seus temas em “ir e ver”, “escutar”
e agora “falar com o coração”.
Como
nos anos anteriores, também daríamos início à ‘Semana da Unidade’ que iria até amanhã, o Domingo de
Pentecostes, para justificar a promessa de Jesus: “eu estou indo a fim de vos enviar o Espírito Santo”. Era uma
consequência: “a minha ida é que vai
garantir a vinda do Espírito Santo. Mantende-vos unidos”.
Era o desejo ou o conselho
ilimitado de Jesus que a Igreja
pós-conciliar criou e levou em consideração, instituindo a Semana da Unidade
dos Cristãos. Do retorno de Jesus ao céu – 21/05 - Domingo da Ascensão do
Senhor/, ao dia 28, Solenidade de Pentecostes, faz anos celebramos a Semana da
Unidade Cristã.
A Igreja
busca uma unidade, cada vez maior, com todas as pessoas de boa vontade,
levando-as a refletir sobre a sua realidade social, religiosa, econômica,
cultural, política, que é a realidade de todas as pessoas, independentemente,
de sua cor partidária, da pele, religiosa ou financeira. Não se trata, portanto, de uma realidade
somente dos católicos. É uma realidade humana e, por isso mesmo, interessa à
Igreja. Também por isso, ela estudou, em profundidade, o possível bom
relacionamento entre todas as pessoas, tendo em vista uma unidade. Como é
que nós somos cristãos e somos desunidos? Como é que nós pregamos uma mesma
mensagem e não nos entendemos? Como é que Jesus pede “para que sejamos um, como
Ele e o Pai o são” e nós nos posicionamos em lados opostos?
Foi a
partir destas interrogações e da constatação de que somos tão fragmentados – em
cristãos católicos, ortodoxos e evangélicos - que o Concílio estudou o
Ecumenismo, buscando unir-nos mais e nos respeitarmos uns aos outros, como se
habitássemos debaixo do mesmo teto, ou numa mesma casa.
Este
desejo está colocado na própria etimologia da palavra, de raiz grega: ecumenismo.
Vem de oikos, que significa casa, num desejo
expresso de que vivamos unidos, como se estivéssemos dentro de um mesmo prédio,
numa mesma casa, numa mesma família, sem intrigas, sem separações, sem
agressões, sem nos atirarmos pedras, mutuamente.
Será isso
impossível? É o que deseja a Semana da Unidade que temos celebrado, sobretudo
após o Concílio Ecumênico Vaticano II. É o que propõe a Pastoral da Comunicação,
de que estamos falando há anos e que vamos continuar abordando, por muito
tempo, visando unir todos os eventos, dentro e fora da comunidade, tendo em vista
a Unidade na única Igreja de Jesus.
Amanhã, dia 28 de Maio,
celebramos a solenidade do Pentecostes, isto é, 50 dias após a Festa da Páscoa.
Desde o Antigo Testamento, tais datas já eram comemoradas pelos judeus, o que
significa dizer que Páscoa e Pentecostes não são invenções ou criações do
Cristianismo.
No Novo
Testamento, 40 dias após a Ressurreição de Jesus Ele voltou para junto do Pai.
Foi a Festa da Ascensão que celebramos Domingo passado. No entanto, condicionou
a sua ida, ao envio do Espírito Santo. Não poderia haver ocasião melhor. Aproveitou
o grande momento da Festa Judaica do Pentecostes com a afluência de gente que
vinha de todos os recantos, a Jerusalém, para fundar a sua Igreja, enviando naquele
dia, o Comunicador: o Espírito Santo.
E por que aparecia tanta gente naquele dia? Porque era o
dia da grande feira, ou da grande troca de produtos, de mercadorias, de
artesanatos, de frutos da terra, enfim, era um dia de juntar pessoas de toda
parte: feirantes de toda espécie, agricultores, comerciantes, vendedores e
compradores. Portanto, era um dia muito apropriado para a vinda do Espírito
Santo, para que muita gente entendesse que, a partir daquele dia, alguma coisa
nova, diferente, iria mexer com a cabeça, com a mente e a maneira de pensar e
agir no mundo. Era a instalação da Igreja Católica.
E como
isso aconteceu? Conta-nos o Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2,
versículos de 1 a 12 que leremos amanhã na Missa: “naquele dia se achavam
todos em Jerusalém... Quando, de repente, veio do céu, um ruído, como se
soprasse um vento impetuoso e apareceu-lhes uma espécie de línguas de fogo, que
se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do
Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o espírito lhes
concedia que falassem... Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e
maravilhava-se de que cada um os ouvia falar em sua própria língua proclamando
as maravilhas de Deus”.
Será que dá para esquecer um
acontecimento fantástico como este? Por isso eu dizia que o mundo iria mudar a
partir da instituição da Igreja ou a partir da vinda do Espírito Santo. Muitos
que se tornaram cristãos e adeptos da doutrina de Cristo – do ano 33 em diante
- nesses 1990 anos, abandonaram a Igreja inicial. Em 1.054, houve um cisma ou
um racha entre os cristãos; no século XI, portanto, e há 969 anos apareceram as
Igrejas Ortodoxas.
Houve
um protesto muito forte ou um 2o racha, em 1517, século XVI, e
surgiram as várias Igrejas Protestantes. Faz, exatamente, 506 anos. Juntos,
somos cerca de 2,7 bilhões de cristãos no mundo: a metade católica e a outra
metade, dividida em cristãos ortodoxos e cristãos evangélicos ou protestantes.
Com a semana da unidade, que termina amanhã, nosso desejo é de que possamos, ao
menos, dialogar sobre os temas que ainda nos unem; possamo-nos comunicar, viver
em comunhão. Como ter uma única palavra de Deus, um único salvador, Jesus
Cristo, e sermos tão divididos entre nós?
Amanhã
– Pentecostes de 2023 - a Igreja Católica, que teve início com Jesus e recebeu
o Espírito Santo no ano 33, completa 1990 anos de fundada. Quem “cismou”
conosco no século onze e “protestou” contra nós no século dezessete não pensa,
ao menos, em agradecer à Igreja Católica por ter preservado a Palavra de Deus
ou tê-la conservado, ensinando-a e colocando-a nas mãos do povo, até o
aparecimento de “cismáticos” e “protestantes” bem depois? O que estavam fazendo
eles em todo o tempo anterior às suas aparições? Quem estava rodando pelo
mundo, enfrentando perseguições, sendo martirizados e dando a própria vida para
espalhar a “boa nova” por toda parte? Certamente foi muito bom pegar o “prato
feito” para saboreá-lo ou o “bonde andando” para conduzi-lo. Por isso é que
desejamos tanto espalhar o “ecumenismo” para nos unirmos na mesma “missão” que
o único Jesus nos mandou realizar. Daí o sentido verdadeiro da “semana da
unidade” que estamos celebrando desde 1968, todos os anos entre o Domingo da
Ascenção e o Domingo de Pentecostes. 
LANÇAMENTO DESTES LIVROS, EM 11 DE AGOSTO, NO PÁTIO INTERNO DA UVA PARA A AS COMUNIDADES DE SOBRAL E ZONA NORTE, EM BENEFICIO DA OBRA DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS. SINTA-SE CONVIDADO, DESDE JÁ. PRESENÇA DE COAUTORES.
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Que excelente aula do Monsenhor Assis Rocha , sempre de uma forma clara e didática convincente. Obrigado por compartilhar tanta informação
ResponderExcluirMuito interessante, Monsenhor Assis!
ResponderExcluirVou contar uma curiosidade.
Essa história de falar em línguas chama atenção. Existem uns crentes que, de forma extremamente invasiva, param a gente no meio da rua, no restaurante, no shopping e perguntam se a gente aceita Jesus, perguntam se podem orar pela gente. De repente, começam a falar umas coisas mais estranhas do mundo... Outro dia, pensei: será que essa criatura está possuída? Não. Segundo algumas "irmãs" que estavam lá, a criatura estava falando em línguas.
Infelizmente, algumas igrejas estão distorcendo o que está escrito na Bíblia e pensam que a gente é sem noção.
Sem mais delongas, passei a entender melhor sobre Pentecostes. Que o Espírito Santo esteja sempre sobre nós!