sábado, 17 de junho de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Fernando Martini Bulhões tornou-se Santo Antônio

Meus 04 últimos Comentários se detiveram mais sobre temas Litúrgicos, de certo modo, mais difíceis de compreensão, por envolverem mistérios da fé cristã, tais como, Solenidades: da Ascensão do Senhor, do Pentecostes, da SS Trindade e do Corpo de Deus. Para aqueles leitores que põem em dúvida meu modo social de pensar ou minha ideologia política, podem até descobrir na expressão da minha fé, algum ponto de contato com a sua, pelo que, agradeço.

             Hoje eu quero trazer assuntos mais amenos, na esperança de podermos encontrar mais pontos de união entre nós, do que divergentes. Vou falar de santos da nossa Igreja, que nos deram testemunhos com suas vidas e com seus ensinamentos, até pela animação de nossas vidas e do nosso folclore.         

Aconteceu nestes dias, em muitas comunidades eclesiais - desde o 1º de Junho, encerrando-se na terça feira, 13 - o novenário ou trezenário, em honra de Santo Antônio, “insigne pregador” – como diz a oração de sua Missa -viandante do Evangelho, comunicador da Palavra, caminhante incansável ou missionário itinerante, só comparável a São Paulo, a São Francisco Xavier ou, aqui entre nós, ao Venerável, Pe. Ibiapina, pelas centenas de milhares de km. percorridos. É o 1º dos Santos Folclóricos Juninos, que festejamos no último dia 13, seguindo-se-lhe S. João, que celebraremos no próximo sábado, dia 24, mas o homenagearemos logo hoje, e a São Pedro, que este lembraremos sábado seguinte, 1º de Julho, véspera da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.  

            Santo Antônio comunicava, com tanta veemência, a Palavra de Deus, e se destacava tanto pela denúncia do erro e do pecado, que era chamado de “martelo dos hereges” como cantamos na Ladainha em sua homenagem.  Nada melhor do que um Santo desses, para dar fundamentação e base para quem quer fazer uma Pastoral voltada para a verdade e para a denúncia do pecado. Santo Antônio nos serve de guia e modelo para realizar também a nossa missão, sem nenhum medo de anunciar a verdade e denunciar a injustiça, como já nos mandava o Senhor Jesus.

Nasceu em Lisboa aos 15 de Agosto de 1.195 e foi registrado e batizado com o nome de Fernando Martini Bulhões. Pai rico, poderoso, chefe político – fora até Governador de Lisboa – criou o filho no luxo, nas regalias e mordomias que os melhores colégios portugueses podiam oferecer aos ‘filhinhos de papai’.

            Para completar sua requintada formação, foi interno no Convento dos Frades Agostinianos que, àquela época, era o que havia de melhor para quem pudesse pagar os estudos, concluindo tudo na famosa Universidade de Coimbra em 1219, com 24 anos de idade. Entrou na ordem de Sto. Agostinho, da qual participavam os nobres, os ricos ou os maiorais da época e se tornou sacerdote, recebendo o nome de Cônego Fernando, como são tratados até hoje, os frades e freiras Agostinianos. Como outras ordens religiosas similares são chamados de “frades maiores”.

            Contemporaneamente, na Itália, Francisco de Assis, que tinha tudo para ser um “frade maior”, porque era de família nobre e rica, funda uma ordem religiosa, voltada para os plebeus, os pobres ou os Menores, para dar exemplo de simplicidade e de pobreza no meio dos irmãos mais necessitados. Eram os “frades menores”. Viviam de esmolas e de muito sacrifício, usavam roupas surradas e velhas e se espalharam pela Europa, chegando também a Portugal.

    Pediam ajuda no rico Convento dos Padres Agostinianos, em Lisboa e impressionavam o porteiro, Côn. Fernando, pelo testemunho de fé que davam.  

Cônego Fernando começou a pensar na possibilidade de abandonar seu rico Convento e deixar de ser um Frade Maior, para viver o espírito de pobreza de São Francisco, tornando-se um Frade Menor. E assim o fez.

       Em 1220, deixou tudo e passou a ser um “irmãozinho” pobre franciscano, recebendo o nome de Frei Antônio de Lisboa. Apesar de querer catequizar a África, para onde foi enviado por primeiro, adoeceu e voltou para se curar e ficando na própria Europa, especialmente para a França e Itália, onde converteu inúmeros hereges e infiéis.

            Frei Antônio ficou tão famoso em Pádua, onde morreu aos 13 de Junho de 1231 que, além de ser chamado Santo Antônio de Lisboa, chama-se também Santo Antônio de Pádua, onde é venerado e invocado por todos.

            Para nós do Brasil, a Festa de Santo Antônio teria que se revestir da “roupagem” que dávamos a outras “festividades” que usávamos para lucrar: páscoa, dia das mães, mês das noivas, dia dos pais, natal... Porque não “um dia dos namorados”? Que teríamos nós com o Dia de São Valentim a 14 de fevereiro, lá pela Europa ou nos EEUU? Santo Antônio, não é para nós o Santo Casamenteiro? Por que não, no dia 12 de junho, véspera de sua Festa Litúrgica, não trocarmos uns “presentinhos” com nossas namoradas? Quem sabe, até os casais mais antigos se rejuvenesceriam e presenteavam-se?!

            Queremos juntar logo a esta reflexão sobre St. Antônio, a homenagem a São João, outro grande santo junino, festejado pelo nosso folclore sertanejo, no próximo sábado, dia 24 de junho.

Sua mensagem nos chegou pelo seu modo de ser, de falar, de vestir, de se apresentar ao público e, sobretudo de tomar posição ética e política diante do adultério do Rei Herodes.  

De sua infância, nada se sabe. Só aparece aos 30 anos, chamando muito, a atenção de todos, pela vestimenta de couro de camelo, pelo alimento de gafanhoto com mel, e por percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados.

Falava, comunicava ou transmitia uma mensagem, dizendo que depois dele viria alguém muito mais poderoso, de quem não era digno de lhe desatar a correia das sandálias. Era, realmente, a voz que clamava no deserto.

Pelas respostas que João dava a seus interlocutores, a vinda de Jesus traria também uma mensagem política, ética e justa, com fortes implicações sociais: quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo. Não exijais mais do que vos foi ordenado. Não pratiqueis a violência, nem roubeis a ninguém. Contentai-vos com o vosso salário. Raça de víboras. Fazei penitência, pois está próximo o reino de Deus. 

Assim como ele enfrentou o próprio Rei, reclamando de seu comportamento moral e foi levado à prisão, assim também devemos ter coragem de reclamar pelo erro de quem quer que seja, visando uma mudança na comunidade. Muitas pessoas têm medo de imitá-lo e até, metem medo em quem tem coragem de denunciar injustiças, falcatruas e outros erros. Ele saiu na frente. Era realmente “o precursor”. Perguntavam até se ele não era o Cristo. Ele dizia que não, mas queria que Cristo crescesse e ele diminuísse.

Jesus ouviu dizer que João fora preso devido sua ousadia em denunciar o adultério do Rei. Saiu então de Nazaré e foi pra Cafarnaum, onde começou a pregar, usando o mesmo linguajar de J. Batista: “fazei penitência, pois o reino de Deus está próximo”. E mais um elogio do maior comunicador do mundo: “entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista”.








Nenhum comentário:

Postar um comentário

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...