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Fernando Martini Bulhões tornou-se Santo Antônio |
Meus 04 últimos Comentários se detiveram mais sobre temas
Litúrgicos, de certo modo, mais difíceis de compreensão, por envolverem
mistérios da fé cristã, tais como, Solenidades: da Ascensão do Senhor, do
Pentecostes, da SS Trindade e do Corpo de Deus. Para aqueles leitores que põem
em dúvida meu modo social de pensar ou minha ideologia política, podem até descobrir
na expressão da minha fé, algum ponto de contato com a sua, pelo que, agradeço.
Hoje eu quero trazer assuntos mais amenos, na esperança de podermos encontrar mais pontos de união entre nós, do que divergentes. Vou falar de santos da nossa Igreja, que nos deram testemunhos com suas vidas e com seus ensinamentos, até pela animação de nossas vidas e do nosso folclore.
Aconteceu nestes dias, em muitas comunidades eclesiais - desde
o 1º de Junho, encerrando-se na terça feira, 13 - o novenário ou trezenário, em
honra de Santo Antônio, “insigne
pregador” – como diz a oração de sua Missa -viandante do Evangelho,
comunicador da Palavra, caminhante incansável ou missionário itinerante, só
comparável a São Paulo, a São Francisco Xavier ou, aqui entre nós, ao Venerável,
Pe. Ibiapina, pelas centenas de milhares de km. percorridos. É o 1º dos Santos
Folclóricos Juninos, que festejamos no último dia 13, seguindo-se-lhe S. João,
que celebraremos no próximo sábado, dia 24, mas o homenagearemos logo hoje, e a
São Pedro, que este lembraremos sábado seguinte, 1º de Julho, véspera da
Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.
Santo
Antônio comunicava, com tanta veemência, a Palavra de Deus, e se destacava
tanto pela denúncia do erro e do pecado, que era chamado de “martelo dos hereges” como cantamos na
Ladainha em sua homenagem. Nada melhor
do que um Santo desses, para dar fundamentação e base para quem quer fazer uma
Pastoral voltada para a verdade e para a denúncia do pecado. Santo Antônio nos
serve de guia e modelo para realizar também a nossa missão, sem nenhum medo de
anunciar a verdade e denunciar a injustiça, como já nos mandava o Senhor Jesus.
Nasceu em Lisboa aos 15 de Agosto de 1.195 e foi
registrado e batizado com o nome de Fernando Martini Bulhões. Pai rico,
poderoso, chefe político – fora até Governador de Lisboa – criou o filho no
luxo, nas regalias e mordomias que os melhores colégios portugueses podiam
oferecer aos ‘filhinhos de papai’.
Para
completar sua requintada formação, foi interno no Convento dos Frades
Agostinianos que, àquela época, era o que havia de melhor para quem pudesse
pagar os estudos, concluindo tudo na famosa Universidade de Coimbra em 1219,
com 24 anos de idade. Entrou na ordem de Sto. Agostinho, da qual participavam
os nobres, os ricos ou os maiorais da época e se tornou sacerdote, recebendo o
nome de Cônego Fernando, como são tratados até hoje, os frades e freiras
Agostinianos. Como outras ordens religiosas similares são chamados de “frades maiores”.
Contemporaneamente,
na Itália, Francisco de Assis, que tinha tudo para ser um “frade maior”, porque
era de família nobre e rica, funda uma ordem religiosa, voltada para os
plebeus, os pobres ou os Menores, para dar exemplo de simplicidade e de pobreza
no meio dos irmãos mais necessitados. Eram os “frades menores”. Viviam de esmolas e de muito sacrifício, usavam
roupas surradas e velhas e se espalharam pela Europa, chegando também a
Portugal.
Pediam
ajuda no rico Convento dos Padres Agostinianos, em Lisboa e impressionavam o
porteiro, Côn. Fernando, pelo testemunho de fé que davam.
Cônego Fernando começou a pensar na possibilidade de
abandonar seu rico Convento e deixar de ser um Frade Maior, para viver o
espírito de pobreza de São Francisco, tornando-se um Frade Menor. E assim o
fez.
Em 1220,
deixou tudo e passou a ser um “irmãozinho” pobre franciscano, recebendo o nome
de Frei Antônio de Lisboa. Apesar de querer catequizar a África, para onde foi
enviado por primeiro, adoeceu e voltou para se curar e ficando na própria
Europa, especialmente para a França e Itália, onde converteu inúmeros hereges e
infiéis.
Frei
Antônio ficou tão famoso em Pádua, onde morreu aos 13 de Junho de 1231 que,
além de ser chamado Santo Antônio de Lisboa, chama-se também Santo Antônio de
Pádua, onde é venerado e invocado por todos.
Para nós
do Brasil, a Festa de Santo Antônio teria que se revestir da “roupagem” que
dávamos a outras “festividades” que usávamos para lucrar: páscoa, dia das mães,
mês das noivas, dia dos pais, natal... Porque não “um dia dos namorados”? Que
teríamos nós com o Dia de São Valentim a 14 de fevereiro, lá pela Europa ou nos
EEUU? Santo Antônio, não é para nós o Santo Casamenteiro? Por que não, no dia
12 de junho, véspera de sua Festa Litúrgica, não trocarmos uns “presentinhos”
com nossas namoradas? Quem sabe, até os casais mais antigos se rejuvenesceriam
e presenteavam-se?!
Queremos
juntar logo a esta reflexão sobre St. Antônio, a homenagem a São João, outro
grande santo junino, festejado pelo nosso folclore sertanejo, no próximo sábado,
dia 24 de junho.
Sua mensagem nos chegou pelo seu modo de ser, de falar, de vestir, de se
apresentar ao público e, sobretudo de tomar posição ética e política diante do
adultério do Rei Herodes.
De sua infância, nada se sabe. Só aparece aos 30 anos, chamando muito, a
atenção de todos, pela vestimenta de couro de camelo, pelo alimento de
gafanhoto com mel, e por percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo
de arrependimento para remissão dos pecados.
Falava, comunicava ou transmitia uma mensagem, dizendo que depois
dele viria alguém muito mais poderoso, de quem não era digno de lhe desatar
a correia das sandálias. Era, realmente, a voz que clamava no deserto.
Pelas respostas que João dava a seus interlocutores, a vinda de Jesus
traria também uma mensagem política, ética e justa, com fortes implicações
sociais: quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que
comer, faça o mesmo. Não exijais mais do que vos foi ordenado. Não pratiqueis a
violência, nem roubeis a ninguém. Contentai-vos com o vosso salário. Raça de víboras.
Fazei penitência, pois está próximo o reino de Deus.
Assim como ele enfrentou o próprio Rei, reclamando de seu comportamento
moral e foi levado à prisão, assim também devemos ter coragem de reclamar pelo
erro de quem quer que seja, visando uma mudança na comunidade. Muitas pessoas
têm medo de imitá-lo e até, metem medo em quem tem coragem de denunciar
injustiças, falcatruas e outros erros. Ele saiu na frente. Era realmente “o
precursor”. Perguntavam até se ele não era o Cristo. Ele dizia que não, mas
queria que Cristo crescesse e ele diminuísse.
Jesus ouviu dizer que João fora preso devido sua ousadia em denunciar o
adultério do Rei. Saiu então de Nazaré e foi pra Cafarnaum, onde começou a
pregar, usando o mesmo linguajar de J. Batista: “fazei penitência, pois o reino
de Deus está próximo”. E mais um elogio do maior comunicador do mundo: “entre
os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista”.
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