A VONTADE DE DEUS: AMAR-NOS E PERDOAR-NOS, MUTUAMENTE!
Depois do Pentecostes - celebrado no Domingo passado, dia
28/05 - retomamos o TEMPO COMUM, em sua 8ª semana, interrompido no
início da Quaresma, com a Quarta Feira de Cinzas, celebrada este ano, no dia 22
de Fevereiro.
No Domingo, imediatamente, após o Domingo de Pentecostes (amanhã, dia 04/06) e antes da Festa do Corpo de Deus (neste 08/06), a Igreja celebra uma Solenidade em honra da Santíssima Trindade e a Semana que se segue, já é a 9ª do Tempo Comum. Amanhã, portanto, na festa deste Domingo, aprofundamos a grande verdade de nossa fé num Deus único, mas família: Pai, Filho e Espírito Santo. Fazemos parte desta Família de Deus: a Comunhão de 03 Pessoas, em nome das quais nós somos batizados. Isso constitui a razão de ser da nossa Fé e da nossa vida cristã. Isto significa que: quem tem a virtude da fé, só a tem em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. É claro que não professamos 03 deuses. Esta Trindade é Una. Não divide entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro, isto é, o Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho. É difícil de entender? Vamos fazer um esforço e buscar a compreensão! Estamos celebrando a Festa da Santíssima Trindade.
Segundo a tradição da Igreja,
ensinada em seu Catecismo, a fé católica é esta: que adoremos o único Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade, não
confundindo as pessoas: uma é o Pai; outra é o Filho; outra é o Espírito Santo.
As três são unidas por uma única divindade. São inseparáveis naquilo que são e
inseparáveis naquilo que fazem.
Aqui na terra, nós vamos vivendo na “obscuridade”
da fé. Depois da morte nós vivemos “na luz eterna”. Nas duas situações nós
vamos compreender o Pai que cria e dá a vida; o Filho que perdoa
e salva e o Espírito Santo que ilumina e santifica. Em cada uma das
funções de uma das pessoas, as outras duas estão presentes, porque, como
dissemos acima, pela divindade, elas estão unidas: na criação, na encarnação e
na santificação. Ficou mais confuso? Tente entender melhor.
Deus Pai criou o mundo para manifestar
e comunicar a Sua glória. Em compensação, as Suas criaturas devem participar da
Sua verdade, da Sua bondade, da Sua beleza e da Sua unidade para corresponderem
à glória para a qual Deus as criou. A tradição e sabedoria católicas nos
ensinam que “Deus, a verdade, a bondade, a beleza e a unidade são sinônimos”
isto é, em ‘uma coisa só se convertem’.
Para manter, esclarecer e revelar esta obra do Pai criador e concretizar sua
Palavra veio o Filho de Deus ao mundo, tornando-se um de nós: “e o verbo se fez carne e habitou entre nós”.
Foi a maneira que Deus encontrou de manter a existência do universo: a
encarnação do Filho. Trouxe um recado ao mundo, mandou-nos amar-nos e
perdoar-nos, mutuamente e garantiu a salvação a todos os que seguissem sua
norma. Para completar, voltou para junto do Pai, garantindo o envio do Espírito
Santo para dar início, oficialmente, à existência de sua Igreja. E ainda mais:
tudo aquilo que não tivéssemos entendido do que Ele nos ensinou, o
entenderíamos com a iluminação e com a presença do Espírito de Deus entre nós.
Não é mesmo fantástica esta Santíssima Trindade? Estes mistérios foram
vivenciados, ultimamente, dentro da Semana Santa, do tempo pascal, onde
lembramos a morte e a ressurreição de Jesus, sua Ascensão ao Céu e a promessa do
envio do Espírito Santo para dar início à instituição da Igreja, responsável
primeira pelo ensinamento a respeito da SS Trindade. A promessa do envio do
Espírito Santo tornou-se realidade na celebração do Pentecostes domingo
passado.
É
à Santíssima Trindade que nós homenageamos amanhã, de um modo especial. Já o fazemos em
tudo que celebramos, em todos os inícios e finais de orações. Em cada
festividade que fizermos somente ao Pai, ou somente ao Filho ou somente ao Espírito
Santo, as outras duas Pessoas também estão presentes. Nisso está a Unidade da
Trindade. Nisso está o conteúdo principal da celebração de amanhã. Vivamo-la,
intensamente e abandonemos a ideia de que é um Mistério e Mistério não é pra
gente entender.
Vem à minha mente aquela historinha de
Santo Agostinho, que todo pregador conta, articulista ou escritor de crônica
como estou fazendo agora: “S. Agostinho,
o menino na praia e o Mistério da Santíssima Trindade” (Lembram)?
(“Andando
pela areia da praia, pensava ele: como é
que pode haver 03 pessoas distintas em um mesmo e único Deus? De repente,
ele avistou um menino com um baldinho, que ia até a água do mar, enchia o seu
pequeno balde e voltava, despejando a água em um buraco na areia. Então, perguntou:
‘o que estás fazendo’? O menino olhou para S. Agostinho, com simplicidade e
respondeu: ‘vou colocar toda a água do mar neste buraco’. E o grande filósofo
concluiu ser mais fácil colocar toda a água do oceano naquele buraquinho, do
que a inteligência humana compreender os mistérios de Deus)”.
Na minha pouca sabedoria, eu
gostaria de fazer uma comparação, na tentativa de entender e levar todos a
entenderem um mistério. Para mim, a eletricidade é algo misterioso, isto é,
difícil de ser entendido. Como é possível que várias conexões enfiadas numa
mesma tomada elétrica produzam calor, frio, ventilação, luz, imagem, som, gelo
e outros efeitos tão diferenciados? Não é mesmo um milagre ou um Mistério?
Alguém deve saber explicar.
Vejam ou discutam outra comparação mais
simples. Hoje, no seu desjejum da manhã, você colocou na mesma xícara: café,
leite e açúcar. Os 03 se tornaram um saboroso e substancioso alimento, incapaz
de ser separado. Por mais que a gente queira ingerir, separadamente, um dos
produtos, ou retirar um deles que eu não goste ou que não me faz bem,
tornar-se-á impossível. Se eu for “intolerante” à lactose ou ao doce, e quiser
me livrar do leite ou do açúcar, depois da mistura, não será mais possível a
separação. Os 03 juntos, formam uma só coisa. Inseparáveis. Assim é a Santíssima Trindade. As 03 pessoas
juntas formam um só Deus. Distintas, mas unidas.
A Solenidade que celebramos de hoje
para amanhã, à Santíssima Trindade, nos quer provar que Deus é Amor e que Ela
vive numa eterna comunhão de Amor. Jesus nos revela o Amor do Pai, que nos foi
comunicado, interiormente, pelo Espírito Santo. Nessa relação de amor
aprendemos a amar do jeito de Deus e cada ser humano é depositário desse amor.
Esta realidade da vida íntima de
Deus foge à nossa capacidade de compreensão. Somente levados pelo dom da fé é
que podemos acreditar que Deus é uma Comunidade de Amor, não uma solidão
fechada em si mesmo. É nessa Comunidade de Amor que Deus nos faz participantes
de sua vida divina.
Fiquem por hoje com esta reflexão. Não pensem que por ser um grande mistério, não se possa entendê-lo. Estou dividindo com vocês a minha maneira de abordar alguma coisa misteriosa, sem medo de alcançá-la. Todo esforço que eu fizer para entendê-la, melhor. Tenho que ir atrás de uma explicação ou de um maior entendimento da questão. Não aceito, gratuitamente, aquela ideia de que “é um mistério e mistério não se pode entender”.
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