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LEMBRAMOS DE
AGRADECER? |
No último
16/06 - sexta feira, imediatamente após a Oitava da Festa do Corpo de Deus, - a
Igreja celebrou uma Solenidade em honra do Sagrado Coração de Jesus que é
festejada desde 1675, com base no mais profundo AMOR, como princípio, meio e
fim. É a devoção mais do que tricentenária em que somos convidados a renovar
nossos sentimentos e respeito por Jesus, manifestados, concretamente, na
vivência do seu amor na família, na Igreja Doméstica, na partilha do pão, na
alegria de celebrar a Eucaristia e vivenciá-la na Comunidade. Estamos
acomodando ainda ao calendário do Mês de Junho, para não deixar tão importante
data em branco, já que preenchemos todos os fins de semana com reflexões
apropriadas e inesquecíveis, mesmo acumulando dois assuntos num mesmo dia.
Antes mesmo de Jesus aparecer a Santa Margarida Maria de Alacoque, em 1675, já tínhamos nos Evangelhos, fortes motivos e profundas razões que justificassem tal devoção, por exemplo, o gesto de São João, o discípulo amado de Jesus, encostando a cabeça no lado do Seu Coração na última ceia (Jo.13, 23); e na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (Jo.19, 34).
São exemplos
e argumentos dados pelo Evangelho que nos ajudam a entender o apelo de Jesus,
feito mais tarde a Santa Margarida Maria:
“eis este
Coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte, senão
ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças... Eis que te
peço: ‘que a primeira sexta feira depois da Oitava do SS Sacramento’ (o
Corpus Christi – foi no dia 08/06) seja dedicada a uma Festa Especial para
honrar o Meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por
meio de um Ato de Desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o
tempo em que esteve exposto sobre os altares. Prometo-te que o Meu Coração se
dilatará para derramar com abundância as influências de Seu Divino Amor sobre
os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”.
Diante disso, Santa Margarida Maria, uma jovem religiosa da Ordem da Visitação – a contragosto de alguns - se sentiu na obrigação de espalhar pelo mundo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ofendido pela ingratidão dos homens. Ela não temeu a incompreensão ou o descrédito de ninguém. Sua campanha foi coroada pela aceitação da Igreja que a canonizou em 1920 e que tem seu dia litúrgico festejado no dia 16 de outubro.
Depois de
quase 210 anos do Aparecimento da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus, em 1884
surgiu um novo movimento de restauração e divulgação dos pedidos de Jesus a
Santa Margarida. Padres de um Colégio Jesuíta, na França estimularam seus
alunos de filosofia e teologia a fazerem algum apostolado. Já que eles não
podiam celebrar sacramentos, pregar a palavra, ou algum apostolado direto no
meio do povo, que fizessem um trabalho apostólico pelo exemplo, pela oração, a
começarem pela divulgação de um livro de autoria de um dos Padres, chamado de Apostolado da Oração.
O livro recebeu logo a aprovação do superior
geral da Ordem dos Jesuítas, que conseguiu a bênção do Papa Pio IX, que
autorizou se espalhasse logo, todo o embasamento teológico da obra que renovava
os princípios e a continuidade da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, agora
acrescentada do trabalho do Apostolado da Oração. Para divulgar tudo,
começou a circular no mundo a revista Mensageiro do Coração de Jesus editada
em toda língua.
Começou-se a
espalhar também aqui, o que já se ensinava por todo o mundo. Conforme os Estatutos Gerais, o Apostolado da
Oração seria “a união dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de
si mesmos, se juntam ao Sacrifício Eucarístico, no qual se exerce,
continuamente, a obra de nossa redenção e, desta forma, pela união vital de
Cristo – da qual depende a fecundidade apostólica – colaboram na salvação do
mundo”.
Divulgavam-se
também as Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria, com as
próprias palavras de Jesus:
a)
Eu lhes darei todas as graças necessárias para o seu ministério.
b)
Eu darei paz à sua família.
c)
Eu as consolarei em todas as suas aflições.
d)
Eu lhes serei um refúgio seguro durante a vida e sobretudo na
morte.
e)
Lançarei inúmeras bênçãos sobre todos os seus empreendimentos.
f)
Pecadores terão em meu coração: fonte e oceano de misericórdia.
g)
As almas tíbias, mornas, frias na fé, tornar-se-ão fervorosas.
h)
As almas fervorosas se elevarão a uma grande perfeição.
i)
Abençoarei as casas onde for fixada a imagem do meu Coração.
Com tais orientações provenientes da vontade do próprio Coração de Jesus, o Apostolado da Oração se propõe a ser no mundo todo:
“um caminho para a santidade, a partir do
oferecimento diário, que transforma nossa vida e nos coloca em comunhão
universal de preces pela força do Espírito Santo que habita em nossos corações
e nos impele a vivenciar os mesmos sentimentos do Coração de Jesus, para que,
alimentados e modelados por Ele na Eucaristia e reconciliados por Ele pelo
sacramento da Penitencia ou Confissão possamos colocar-nos, plenamente, de
coração inteiro, a seu serviço e a serviço da Igreja, a exemplo de Maria, para
que seu reino venha a nós, hoje, amanhã e sempre”.
O Evangelho da Missa do Coração de Jesus, do dia 16 p.p. foi tirado de Mt 11,25-30, que me sugeriu a seguinte reflexão: depois das Solenidades de Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi, nada mais natural do que celebrar uma Festa ao Sagrado Coração de Jesus para conectar todas elas.
Giram em torno do Mistério
Trinitário e de Sua infinita misericórdia. Se os textos das celebrações
anteriores se fecharam nas revelações das Festas do Reino, agora o Coração de
Jesus se abre em louvores: os pobres, simples e humildes, são capazes de
compreender e acolher a vontade de Deus. Os pretensamente, sábios e justos se
fecham a Ele. Conhecer e amar o Pai é o grande dom oferecido pelo Filho.
Jesus, então, percebe que só os
pequeninos são capazes disso e quer acolhê-los e refazê-los de seu cansaço. O
fardo é símbolo dos sofrimentos e das labutas da vida. O jugo fala das
prescrições infindáveis da lei. Os entendidos colocam fardos sobre os outros,
mas não se dispõem a carregá-los, nem mesmo com o dedo mínimo. O jugo de Jesus
é suave e seu fardo é leve. Ele é o Mestre da mansidão e da misericórdia. É
isso que brota do seu Coração, símbolo da inteireza do seu ser. Como não dar espaço pr’uma reflexão desta?
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