sábado, 22 de julho de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

É IMPORTANTE COMPREENDER OS GESTOS DO PAPA FRANCISCO

     

Celebramos aos 29 de Junho, o Dia do Pescador, em homenagem à tradicional Festa Folclórica de São Pedro/ e no 1º Domingo após o 29 de Junho, o Dia do Papa, aos 02 de Julho, Solenidade Litúrgica dos Apóstolos Pedro e Paulo, a que já nos referimos no início deste mês.

            É sempre uma ocasião de se falar no Papa, em sua Missão Universal e no comando que ele tem sobre a Igreja Católica, deixado pelo fundador Jesus: “tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19), como lemos no Evangelho do dia 02/07.

            O Papado é uma das instituições mais duradouras do mundo e, ainda hoje tem uma participação ativa e proeminente na história. A Igreja Católica acredita e divulga que a doutrina sobre o Papado é bíblica e decorre do primado de São Pedro entre os Apóstolos de Jesus. Como todas as doutrinas cristãs, desenvolveu-se ao longo dos séculos sem se afastar de seus elementos essenciais, presentes na liderança do Apóstolo Pedro.

            Desde a antiguidade, os Papas vêm atuando na propagação da fé cristã e a resolver diversas disputas doutrinárias. Na Idade Média eles exerceram um papel secular importante na Europa Ocidental, muitas vezes, servindo de árbitro entre os monarcas e evitando diversas guerras no mundo europeu.

            Todos os 266 Papas, sobretudo os últimos, de Pio XI para cá, com a instituição do Estado Cidade do Vaticano, onde eles se fixaram, além da expansão e doutrina da fé cristã, os Papas se têm dedicado ao diálogo inter-religioso, a trabalhos de caridade e à defesa dos Direitos Humanos.

            A diversidade da origem, da cultura, da ordem religiosa a que pertencia, fazia de cada Papa, alguém diferenciado daquele modelo, deixado por Jesus, em Pedro. Daí, espalharem-se opiniões, achismos, discussões acaloradas - prós ou contras – dos mais variados matizes, até nossos dias. Deixava-se de lado, a crença de que a eleição de um Papa era por inspiração do Espírito Santo e fruto da Oração, para polemizar ou polarizar entre candidatos conservadores e avançados. Mais ou menos como se quis instalar no Brasil, “a polarização política”. A Palavra de Deus diz claramente em Isaias 55,8-9: “meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos”.

            Durante o Pontificado de Pio IX – 1846-1878 - a Igreja já descobria os seus caminhos, organizava seus Estados Papais ou Pontifícios, promovia o Patrimônio de São Pedro, já se apresentava como um Estado Teocrático na Península Itálica e se mantinha como um Estado Independente, sob a direta autoridade civil dos Papas, cuja Capital era Roma. Assim foi agindo e tomando espaço, já que, muitos Papas provinham das classes dominantes romanas e exerciam, simultaneamente, o cargo episcopal e de mandatário civil. O Estado tinha de “abrir o olho” e assim o fez. Pelas mãos de um ditador, sim, mas o fez.

            Em 1929, o Papa já era Pio XI, e o chefe político italiano era o ditador Benito Mussolini. Os dois se entenderam, colocaram fim à Questão Romana e ao desentendimento que existia entre o Governo Italiano e a Igreja Católica desde a 2ª metade do século XIX, como já disse acima, ao falar de Pio IX. Com a assinatura desse tratado, surgiu o Estado da Cidade do Vaticano.

            Era a única saída para Mussolini. As relações entre o Reino da Itália e a Santa Sé estavam tão tensas, que Pio IX excomungara católicos-candidatos.

            Ninguém podia concorrer a cargos públicos no Governo Italiano. Que ninguém teimasse. Por conta disso, Benito Mussolini – líder do fascismo e 1º Ministro da Itália, desde 1922 – sabia a importância de reatar as relações com a Igreja Católica.  Além disso, um acordo com a Santa Sé também seria interessante porque traria renome e prestígio para seu governo. Qualquer semelhança com o nazifascismo reinante há pouco tempo, aqui no Brasil, não é mera coincidência. É coincidência demais, meu Deus!

            A postura de Mussolini fez com que o Papa Pio XI demonstrasse abertura para negociar com o governo italiano, mas, para isso, exigiu que as negociações acontecessem, diretamente entre as duas partes. A receptividade do Papa animou Mussolini, e, em agosto de 1926, os dois lados iniciaram os acordos que duraram cerca de dois anos. Aos 11 de fevereiro de 1929, na Sala dos Papas, localizada no Palácio de Latrão, Benito Mussolini e Pietro Gaspari, secretário da Santa Sé, assinaram o documento, ratificando o acordo entre as partes. Toda a Itália e o Mundo tomaram conhecimento do Tratado de Latrão e a consequente instituição do Estado da Cidade do Vaticano, onde mora o Papa e de onde reina sobre toda a Igreja e é reconhecido por todos, como o menor país do Mundo, de onde emanam: Encíclicas, Exortações Apostólicas, Manuais de Espiritualidade, Concílio e Sínodos para atualização constante da Igreja a fim de que o Anúncio da Boa Nova ou o Evangelho se vá atualizando.

            Muitas críticas, incompreensões e mal-entendidos têm surgido e a Igreja vai vencendo, sobretudo quando partem de cristãos católicos desunidos e desatualizados. Aí, sim, que o sofrimento é grande. Cabe ao Papa e a toda a hierarquia, falar como Jesus, em Lc 23,34: “pai, perdoai-lhes! Eles não sabem o que fazem”.

            Dissemos acima, no 3º parágrafo, que ‘o Papado é uma das instituições mais duradouras do mundo e lembrávamos a sua real participação na história’. 

Com a chegada do Papa Francisco ao trono de Pedro houve um susto geral: 1º Jesuíta a ser eleito; 1º latino-americano a assumir o sólio pontifício; o 1º a querer ser chamado de Francisco para viver os ensinamentos do “pobrezinho de Assis”; o 1º a evitar cores tristes ou berrantes nos paramentos quaresmais, para vestir-se de branco, na noite da sua eleição, para demonstrar alegria, paz, luzes e muita felicidade e respeito em saudar seu antecessor, o emérito Papa Bento XVI, para, imediatamente, dirigir-se aos seus diocesanos, a quem pedia que o abençoassem e foi logo reclinando a cabeça para que seus diocesanos e o povo de Deus, representando todas as Igrejas do Mundo, ali presentes, lhe dessem a 1ª bênção e, em seguida, os abençoaria a todos. Foram inesquecíveis os 1ºs gestos papais de Francisco, que permanecem ao longo de todos estes últimos anos.

            Desde o início, ele disse a que veio: “sonhava com uma Igreja pobre e para os pobres”. Divulgou em pouco tempo, a Exortação Evangelii Gaudium, um verdadeiro roteiro do seu pontificado, pedindo aos cristãos testemunharem com a própria vida a ‘Alegria do Evangelho’. Espalhou a Fraternidade Humana, a Atenção à Família, a Ecologia Integral, o combate aos abusos na Igreja, a presença na sociedade e uma nova perspectiva para os cristãos leigos.

            Pelo menos, na realização de 02 Sínodos - como prioridades no reinado de Francisco - a Igreja foi revisada em suas pastorais, atualizou o Concílio Ecumênico e fundamentou novos passos a serem dados na “encarnação da Igreja, isto é, tocando a carne de Cristo na carne dos que sofrem”. O sínodo atual, que vai até outubro, revolucionará a Igreja. Francisco está de parabéns.




 




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