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É IMPORTANTE COMPREENDER OS GESTOS DO PAPA
FRANCISCO |
Celebramos aos 29 de Junho, o Dia do Pescador,
em homenagem à tradicional Festa Folclórica de São Pedro/ e no 1º Domingo após
o 29 de Junho, o Dia do Papa, aos 02 de Julho, Solenidade Litúrgica dos
Apóstolos Pedro e Paulo, a que já nos referimos no início deste mês.
É sempre
uma ocasião de se falar no Papa, em sua Missão Universal e no comando que ele
tem sobre a Igreja Católica, deixado pelo fundador Jesus: “tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e o poder
do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo
o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na
terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19), como lemos no Evangelho do
dia 02/07.
O Papado
é uma das instituições mais duradouras do mundo e, ainda hoje tem uma
participação ativa e proeminente na história. A Igreja Católica acredita e divulga que a doutrina sobre o
Papado é bíblica e decorre do primado de São Pedro entre os Apóstolos de Jesus.
Como todas as doutrinas cristãs, desenvolveu-se ao longo dos séculos sem se
afastar de seus elementos essenciais, presentes na liderança do Apóstolo Pedro.
Desde a
antiguidade, os Papas vêm atuando na propagação da fé cristã e a resolver
diversas disputas doutrinárias. Na Idade Média eles exerceram um papel secular
importante na Europa Ocidental, muitas vezes, servindo de árbitro entre os
monarcas e evitando diversas guerras no mundo europeu.
Todos os
266 Papas, sobretudo os últimos, de Pio XI para cá, com a instituição do Estado
Cidade do Vaticano, onde eles se fixaram, além da expansão e doutrina da fé cristã,
os Papas se têm dedicado ao diálogo inter-religioso, a trabalhos de caridade e
à defesa dos Direitos Humanos.
A
diversidade da origem, da cultura, da ordem religiosa a que pertencia, fazia de
cada Papa, alguém diferenciado daquele modelo, deixado por Jesus, em Pedro.
Daí, espalharem-se opiniões, achismos, discussões acaloradas - prós ou contras
– dos mais variados matizes, até nossos dias. Deixava-se de lado, a crença de
que a eleição de um Papa era por inspiração do Espírito Santo e fruto da Oração,
para polemizar ou polarizar entre candidatos conservadores e avançados. Mais ou
menos como se quis instalar no Brasil, “a polarização política”. A Palavra de
Deus diz claramente em Isaias 55,8-9: “meus
pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus
caminhos”.
Durante
o Pontificado de Pio IX – 1846-1878 - a Igreja já descobria os seus caminhos,
organizava seus Estados Papais ou Pontifícios, promovia o Patrimônio de São
Pedro, já se apresentava como um Estado Teocrático na Península Itálica e se
mantinha como um Estado Independente, sob a direta autoridade civil dos Papas,
cuja Capital era Roma. Assim foi agindo e tomando espaço, já que, muitos Papas
provinham das classes dominantes romanas e exerciam, simultaneamente, o cargo episcopal
e de mandatário civil. O Estado tinha de “abrir o olho” e assim o fez. Pelas
mãos de um ditador, sim, mas o fez.
Em 1929,
o Papa já era Pio XI, e o chefe político italiano era o ditador Benito
Mussolini. Os dois se entenderam, colocaram fim à Questão Romana e ao
desentendimento que existia entre o Governo Italiano e a Igreja Católica desde
a 2ª metade do século XIX, como já disse acima, ao falar de Pio IX. Com a
assinatura desse tratado, surgiu o Estado da Cidade do Vaticano.
Era a
única saída para Mussolini. As relações entre o Reino da Itália e a Santa Sé
estavam tão tensas, que Pio IX excomungara católicos-candidatos.
Ninguém
podia concorrer a cargos públicos no Governo Italiano. Que ninguém teimasse.
Por conta disso, Benito Mussolini – líder do fascismo e 1º Ministro da Itália,
desde 1922 – sabia a importância de reatar as relações com a Igreja
Católica. Além disso, um acordo com a
Santa Sé também seria interessante porque traria renome e prestígio para seu
governo. Qualquer semelhança com o nazifascismo reinante há pouco tempo, aqui
no Brasil, não é mera coincidência. É coincidência demais, meu Deus!
A
postura de Mussolini fez com que o Papa Pio XI demonstrasse abertura para
negociar com o governo italiano, mas, para isso, exigiu que as negociações
acontecessem, diretamente entre as duas partes. A receptividade do Papa animou
Mussolini, e, em agosto de 1926, os dois lados iniciaram os acordos que duraram
cerca de dois anos. Aos 11 de fevereiro de 1929, na Sala dos Papas, localizada
no Palácio de Latrão, Benito Mussolini e Pietro Gaspari, secretário da Santa
Sé, assinaram o documento, ratificando o acordo entre as partes. Toda a Itália e
o Mundo tomaram conhecimento do Tratado de Latrão e a consequente instituição
do Estado
da Cidade do Vaticano, onde mora o Papa e de onde reina sobre toda a
Igreja e é reconhecido por todos, como o menor país do Mundo, de onde emanam:
Encíclicas, Exortações Apostólicas, Manuais de Espiritualidade, Concílio e
Sínodos para atualização constante da Igreja a fim de que o Anúncio da Boa Nova
ou o Evangelho se vá atualizando.
Muitas
críticas, incompreensões e mal-entendidos têm surgido e a Igreja vai vencendo,
sobretudo quando partem de cristãos católicos desunidos e desatualizados. Aí,
sim, que o sofrimento é grande. Cabe ao Papa e a toda a hierarquia, falar como
Jesus, em Lc 23,34: “pai, perdoai-lhes!
Eles não sabem o que fazem”.
Dissemos
acima, no 3º parágrafo, que ‘o Papado é
uma das instituições mais duradouras do mundo e lembrávamos a sua real
participação na história’.
Com a chegada do Papa Francisco ao trono de Pedro
houve um susto geral: 1º Jesuíta a ser eleito; 1º latino-americano a assumir o
sólio pontifício; o 1º a querer ser chamado de Francisco para viver os
ensinamentos do “pobrezinho de Assis”; o
1º a evitar cores tristes ou berrantes nos paramentos quaresmais, para
vestir-se de branco, na noite da sua eleição, para demonstrar alegria, paz,
luzes e muita felicidade e respeito em saudar seu antecessor, o emérito Papa
Bento XVI, para, imediatamente, dirigir-se aos seus diocesanos, a quem pedia
que o abençoassem e foi logo reclinando a cabeça para que seus diocesanos e o
povo de Deus, representando todas as Igrejas do Mundo, ali presentes, lhe
dessem a 1ª bênção e, em seguida, os abençoaria a todos. Foram inesquecíveis os
1ºs gestos papais de Francisco, que permanecem ao longo de todos estes últimos
anos.
Desde o
início, ele disse a que veio: “sonhava
com uma Igreja pobre e para os pobres”. Divulgou em pouco tempo, a
Exortação Evangelii Gaudium,
um verdadeiro roteiro do seu pontificado, pedindo aos cristãos testemunharem
com a própria vida a ‘Alegria do
Evangelho’. Espalhou a Fraternidade Humana, a Atenção à Família, a
Ecologia Integral, o combate aos abusos na Igreja, a presença na sociedade e
uma nova perspectiva para os cristãos leigos.
Pelo menos, na realização de 02 Sínodos - como prioridades no reinado de Francisco - a Igreja foi revisada em suas pastorais, atualizou o Concílio Ecumênico e fundamentou novos passos a serem dados na “encarnação da Igreja, isto é, tocando a carne de Cristo na carne dos que sofrem”. O sínodo atual, que vai até outubro, revolucionará a Igreja. Francisco está de parabéns.
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