|
É FESTA NA FAZENDA SANTA MARIA, EM BELA CRUZ! |
Desde a 4ª feira, 26 de julho, grande parte das
Famílias Magalhães Rocha e Araújo, estamo-nos encontrando na Fazenda Santa
Maria, no Município de Bela Cruz. É uma tradição, a partir do início
da década de 1940, após a chegada do Pe. Odécio à Paróquia de Bela Cruz, aos 11
de Janeiro de 1942.
Seu
Doca Rocha e Dona Benedita – que já eram amigos do Pe. Sabino, Pároco de
Acaraú – foram recomendados por este, ao novo Pároco de Bela Cruz, com quem ele
poderia contar em alguma necessidade, até sob o aspecto material.
Com aquele aval e com as devidas apresentações, começou a amizade entre o novo Pároco e a Família Rocha, iniciando pelo convite a aparecer na Fazenda, já no aniversário de Seu Doca, no dia 26 de Julho de 1942. Foi uma ação de graças pela aquisição da nova Fazenda e a promessa de repetir o “encontro” a cada ano. E assim foi acontecendo.
Todos os anos, nas férias de julho, 26, dia dos avós de Jesus, Joaquim e Ana, também se celebrava o aniversário do chefe da família. Era o encerramento das férias e a comemoração da data natalícia com Missa, Vaquejada, Cantoria, Sanfoneiro, muita gente convidada e muita alegria. A animadora de tudo era Dona Benedita que se sentia muito feliz em homenagear o Marido aniversariante.O Pároco, que se tornou amigo da família,
se interessou também em trazê-la para Bela Cruz. “Estes meninos têm que estudar”, dizia o Padre. E assim se fez: em
1947 viemos morar em Bela Cruz, sem abandonar a Fazenda. As idas para lá eram
mais do que esperadas. Não só íamos como família, mas ainda levávamos amigos. A
Fazenda Santa Maria era o local mais agradável, onde se tinha o maior lazer e
os nossos melhores momentos. Depois de 1952, a presença do filho, seminarista,
era outro motivo de muita alegria.
Para os demais filhos, foram aparecendo
namorados, namoradas, genros e noras, até netos e a animação ia só aumentando.
Outros aniversários se uniam ao principal aniversariante e as festividades eram
dobradas e redobradas, levando a aumentar a programação: Missa festiva – antes
presidida pelo Pe. Odécio – e de 55 anos pra cá, pelo filho Padre; e muita
saudade, animação, brincadeiras e doces recordações do passado. Além de
lembrarmos os aniversários de nascimento, vêm-nos à mente, as lembranças dos
que já se foram. Tudo faz parte do conjunto da nossa vida, com a certeza de que
ela continua.
Dona Benedita, se foi há 58 anos. Seu
Doca Rocha casou de novo, com Dona Tereza Araújo, com quem tem mais 03 filhos,
acrescentados aos 18 do 1º Casamento e a gente vai se unindo nas boas
lembranças. Neste ano:
>os 43 anos de casado de um de seus
filhos, o Dr. Pio com Marlene;
>os 09 anos do nascimento da 1ª
Netinha deste casal, Maria Eduarda;
>os 59 anos de idade de Hermínia, uma
das netas do avô que completou nesta semana, 110 anos do seu nascimento, e
>os 55 anos da ordenação sacerdotal de um outro filho: o nosso Padre Assis,
a comemorar neste dia 04 de Agosto.
>Faz 33 anos, morreu Seu Doca Rocha e
há quase 02 anos se foi também dona Tereza.
Já
nos habituamos a tirar da morte, muitas lições de vida, sobretudo lendo o capítulo
21 do Livro do Apocalipse.
Este Livro Sagrado fala da “morada de Deus entre os homens. Eles serão
o seu povo e o próprio Deus vai morar no meio deles. Deus enxugará toda lágrima
dos seus olhos. A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro,
nem dor, porque passou o que havia antes... Eis que faço novas todas as
coisas”.
Esta mensagem de esperança e de vida
eterna foi lembrada em todas as mortes: dos nossos antepassados, da Nair, do
Carlos e seu filho Chiquinho.
Também do Pedro, do Mauro, do Zé Pinto, da Kaká. Agora, da D. Tetê. Zé Francisco e do Meu Júnior, também do Márcio, do Manoel Cordeiro que até já deu pra se entender que a morte é um fato natural. Não podemos fugir dela. Faz-nos compreender cada vez mais, a chegada da Catarina e da Isabel, da Sofia e do Miguel, da Maria que se batiza hoje e tantas crianças – Rafael, Júlio Cézar, Stela, Jasiel, Douglas, Carlos Emanuel, Ana Cecília, Saul, Axa, Kairós, Benício, Maria Júlia, Tiago, Augusto, Elisa - que nos garantirão a continuidade da vida.
Serão necessários motivos maiores para uma
celebração ou para externar mais alegria? Graças a Deus, a pandemia passou; não
estamos impedidos de nos encontrar. Podemos preencher, com nossas presenças, a
Casa Grande da Fazenda. O Fabinho, a Patrícia, o Rafael e a Celina, ao adotarem
o Professor Renato e Manuel Cordeiro na família estão aqui, fazendo melhorias
na terra, no criatório, na casa e aguardando-nos com a mesma alegria de antigamente.
De qualquer modo, aqui estamos, celebrando
na intenção do Patriarca da Família e nas demais intenções. Usaremos das redes
sociais disponíveis para que, onde estiverem os familiares e amigos que não
puderam vir, se unam conosco na oração. O importante é que a tradição da
família não desapareça.
Seu Doca Rocha continua sendo nosso
principal homenageado. Ele merece pela sua historia: era um homem do campo,
reconhecido como um cidadão de bem e de bens, com uma vida familiar respeitada
e até uma curta e invejável passagem pela vida pública.
Seus descendentes – os Rocha e Araújo - não têm do que reclamar de Bela Cruz, com relação ao valor que este município tem dado a ele.
>Aos 23 de fevereiro de 1998 concedeu-lhe a Medalha “Município de Bela Cruz”, como uma “comenda” reservada aos homens mais ilustres que por aqui passaram, em sessão solene na Câmara de Vereadores, contando com a presença de familiares e amigos.
>No dia 30 de dezembro de 2006, no
final de mais um período legislativo da Câmara Municipal e abrindo as
comemorações das Bodas de Ouro de fundação do município - que seriam celebradas
por todo o ano de 2007 - Doca Rocha foi homenageado mais uma vez, dando seu
nome às novas instalações da Casa do Povo, num gesto de gratidão e de
reconhecimento pelo seu trabalho como 1º Presidente da Câmara de Vereadores.
>Em
fevereiro de 2007 - por ocasião do cinquentenário da emancipação política do
Município de Bela Cruz - mais uma vez, Doca Rocha foi homenageado na solenidade
de abertura do Horto Florestal de Bela Cruz, que recebe o nome de um
ilustre filho da terra, o Dr. João Ambrósio de Araújo. Dentre as várias funções
da obra inaugurada, há uma Sala Verde
Raimundo Magalhães Rocha em que ele será lembrado como agricultor corajoso,
cultivador de cajueiro e colhedor de caju, de castanha e até, pequeno fabricante
artesanal de cajuína, doces e sucos, além de plantador de mandioca, produtor de
farinha e goma para o próprio consumo e para comercializar e ajudar na manutenção
da grande família – 21 filhos - que ia constituindo ao longo de dois
casamentos: com D. Benedita e D. Tereza Araújo.
>Como se não bastassem tantas
homenagens, em 23 de fevereiro de 2019, por ocasião dos 62 anos de emancipação
política de Bela Cruz, o então presidente da Câmara Municipal, Carlos Alexandre
de Paulo, destinou o Troféu Raimundo Magalhães Rocha – 1º
Presidente da Câmara - a todos os ex-presidentes que, durante esses 62
anos de Município presidiram a “Casa do Povo”. Além disso, no mesmo Horto há um
Parque Infantil, dedicado à KK, junto à Sala Verde, que homenageia seu Avô, para
sempre aumentar nossa saudade.
Justificam-se tantas homenagens a Seu
Doca Rocha por ter sido também criador constante de animais, tornando-se um dos
referenciais no trato com a natureza e no bom uso da terra, tirando dela a
sustentação de sua família. Seu exemplo de vida levou dois de seus filhos a
serem médico veterinário e engenheiro agrônomo (o Pio e o Fábio) a fim
de que, aquilo que Seu Pai exerceu na prática, esses seus herdeiros o façam
dentro da técnica e do conhecimento.
Sempre que seu aniversário era celebrado
e caia em dia de semana, a gente unia à data, a reflexão sobre os avós de Jesus
– Joaquim e Ana - e comentava sobre a Família.
Hoje é sábado, véspera do 17º Domingo
Comum, e o Evangelho lido na Missa agora – sem querer forçar nada – é o texto
de Mateus (13,44-52) que apresenta 03 comparações feitas por Jesus: (de um tesouro escondido, de um comprador de
pedras preciosas e de uma rede lançada ao mar) que Ele mesmo concluiu, dizendo:
‘compreendestes tudo isso? Pois todo
mestre da lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de
família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas’.
São Joaquim e Sant’Ana foram pais de família
numa situação de quase impossibilidade: ambos tinham idade avançada e eram
estéreis. Isso causava um grande sofrimento para os dois, já que para os
judeus, “não ter filhos” era um sinal de maldição de Deus. Eles nunca
desistiram de sua fé e após muitas orações, Ana engravidou. Foi um grande
milagre para o casal, pois tinha uma vida de santidade.
Maria, ao nascer, não só tirou dos
ombros dos pais, o peso de uma vida de medo de uma maldição, mas ainda os
compensou pela fé, ao ser escolhida, mais tarde, para ser a Mãe do Filho de
Deus.
O próprio nome de “Ana” já era
abençoado: significa, em hebraico, “graça”. O nome de Joaquim, outro belo
significado: “Javé prepara” ou “Javé fortalece”.
Não temos informações bíblicas sobre o casal: sua vida, seu testemunho, mas temos informações “apócrifas”, isto é, “escritos a respeito deles” na literatura da época, narrada pelos Santos Padres e pela Tradição. Todos testemunham terem sido eles, os pais de Nossa Senhora. Sant’Ana teria nascido em Belém e São Joaquim na Galileia. Maria recebeu no lar deste casal bem fundamentado na fé, todo o tesouro das tradições da Casa de Davi, que ia passando de geração em geração. Foi no lar que aprendeu a dirigir-se a Deus com imensa piedade. Foi em seu lar que Maria conheceu as profecias relativas à chegada do Messias.
S. Joaquim e Sant’Ana não somente foram
pais responsáveis e carinhosos para com sua filha, mas são para todos nós/,
avós exemplares, como deve ser todo avô: duas vezes pai, duas vezes mãe,
merecedores de todo o respeito por parte dos netos. Eu tenho o privilégio de
ser “avô” sem ter tido um filho, e pelo bem que quero ao João Murilo, posso
imaginar o tanto que são felizes os avós por terem uma data tão importante e
bem fundamentada em história tão linda.
O Evangelho de hoje foi tão rico em ensinamentos
que, além da 1ª parte da reflexão, me inspirou mais esta que lhes repasso agora.
Como Jesus, eu vos pergunto: “compreendestes
tudo isso”? E acrescento: “para se
tornarem discípulos de Jesus e entrarem no Reino dos Céus, sejam como um pai
de família ou como um avô que usem de toda a sabedoria, sejam
criativos para tirarem de dentro de si tudo o que for possível, com muita fé,
do mais profundo de seus corações, coisas velhas e novas para dedicar aos
filhos e netos, o merecido amor.
.jpg)
.jpg)

.jpg)

Nenhum comentário:
Postar um comentário