QUAL É A
SUA MISSÃO NA SUA COMUNIDADE?
O mês
de agosto se está caracterizando pela comunicação ou convocação, que a
Igreja faz todos os anos, aos seus fiéis, para refletirem sobre suas vocações:
os chamados que Deus vai fazendo a cada um de nós, para bem exercer a nossa
missão no mundo.
Já pensamos na vocação do padre (05.08),
na dos pais (12.08), e agora, neste 3o Domingo (19.08), sobre a vocação
à vida religiosa, ou o chamado feito aos frades e às freiras para melhor
servirem a Deus, por uma missão especial, à semelhança de Maria, nesta sua
Festa da Assunção.
Por que à semelhança de Maria?
Porque ela deu seu sim ao Anjo que lhe anunciou que ela seria a
Mãe de Deus. Resistiu um pouco, mas aceitou: ‘faça-se em mim, segundo a tua
palavra’. Os religiosos, homens ou mulheres, dão seu sim a
Deus, todos os dias, na realização de suas funções: nos hospitais, nas creches,
nas escolas, nas pastorais, na vida comunitária, em qualquer parte; o frade -
ordenado ou não - e a freira devem estar sempre dispostos a fazer a vontade de
Deus, a dizer sim, como Maria: ‘eis aqui a serva do Senhor’.
Há pessoas que não veem muito sentido na vida
religiosa. Como é que alguém se tranca num convento, às vezes, sem ter mais
nenhum contato com o mundo? Será que foi algum desengano amoroso que os fez
parar ali?
Santa Terezinha do Menino Jesus explicava muito bem o significado de sua vida no Carmelo. ‘A Igreja tem dois grandes grupos de missionários: os que vivem no mundo, se arriscando, enfrentando toda sorte de barreiras ou dificuldades e os que vivem nos conventos’. E comparava-os com uma árvore. Aqueles são o tronco, as folhas, os frutos, os galhos que ficam sujeitos à depredação de vândalos ou ao alcance de pessoas que os estragam, maltratam ou destroem. Os que vivem nas casas religiosas ou nos conventos são as raízes, que ficam escondidas, sem serem alcançadas pela destruição, pela maldade humana ou por estragos causados pela própria natureza. No entanto, dizia ela: ‘uma parte não vive sem a outra’. Será que a copa da árvore pode viver sem as raízes? Será que nasceriam flores e frutos, sem a seiva que entra pelas raízes ou a força que vem do solo? E pra que essas raízes escondidas, subterrâneas, se não houvesse a copa ou as partes externas da árvore? Perfeita a comparação.
A Igreja tem seus missionários externos,
pregando a palavra de Deus, distribuindo os sacramentos, presidindo
celebrações, usando de todos os recursos para chegarem mais perto do povo, por
exemplo, o rádio, o jornal, a televisão; presentes na escola, na creche, nas
comunidades eclesiais, dentro e fora das cidades, na zona rural e na urbana. É
a parte externa, arriscada de que fala Santa Terezinha. Tem que haver a outra
parte: a da oração, da contemplação, da intercessão a Deus; os que se escondem
ou se anulam para darem força aos que se arriscam, aos que levam pedradas,
incompreensão ou sofrem calúnias por causa do reino de Deus ou do trabalho
comprometido que fazem.
Que bela, a comparação de Santa
Terezinha! Não é sem razão que ela foi canonizada pelo Papa Pio XI no dia 17 de
Maio de 1925 que, dois anos depois, em 1927, a declarou Patrona Universal das
Missões Católicas. Sem nunca ter feito um sermão, sem ter sido criticada pela
catequese feita, tornou-se a Padroeira dos Missionários. Como disse
Jesus – e já citamos na reflexão do dia do padre – “a Messe é grande, mas os operários são poucos”.
Santa Terezinha levou a sério o
caminho da perfeição. Ela revelou ao mundo que a santidade e a perfeição podem
estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que
fizermos com amor. E ainda afirmava, taxativamente: “sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso
ser, ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O zelo pela salvação
das pessoas devore nosso coração”.
Depois de uma tuberculose de quase
três anos – àquela época, sem cura – faleceu no dia 30 de setembro de 1897, aos
24 anos de idade, dizendo sua última frase: “não
me arrependo de haver-me entregue ao amor”. E com o olhar fixo no
Crucificado, exclamou: “meu Deus, eu te
amo”. E assim, morreu aquela jovem que é considerada a maior Santa dos
tempos modernos.
No centenário de sua morte, em 1997,
o Papa João Paulo II escreveu uma Carta Apostólica, Divinis Amoris Scientia, declarando-a Doutora da Igreja.
Já lhes disse, na reflexão do 1º
Domingo, Dia do Padre, porque escolhi a solenidade do Cura d’Ars, para a
minha ordenação sacerdotal. Adianto-lhes hoje, Dia dos Religiosos, que a
prática missionária de São João Vianey, na “copa
da árvore”, unida à interpretação de Santa Terezinha, dada às “raízes” me motivaram a ser Missionário,
por cerca de 10 anos, por quase toda a região nordestina.
Depois
de me especializar em Roma na Religiosidade Popular do Nordeste Brasileiro,
descobri em Frei Damião, o viandante nordestino. No Pe. Cícero, o
Profeta de Juazeiro e São Francisco de Canindé, o santo dos pobres. Três
grandes inspirações para me dedicar às Santas Missões Populares: um santo vivo,
reconhecido pelo povo nordestino, na pessoa de Frei Damião. Um santo morto, mas
de uma aceitação popular, impressionante, agora com o aval oficial da Igreja,
rumo à Canonização: o Padre Cícero. E um Santo canonizado, respeitadíssimo em
todo o mundo, mantido, divulgado e avalizado pelos frades franciscanos: São
Francisco de Assis no Santuário de Canindé. Apesar de diferentes na avaliação
de todos, têm, em comum, a credibilidade de que eram santos e realizavam fatos
extraordinários: para o povo, os três fazem milagres.
Para aprofundar tais estudos,
pesquisas e catequese, girando por todo o Nordeste, no início dos anos 70, foi
fundada a AMMINE (Associação de Missionários e Missionárias do Nordeste),
envolvendo cerca de 60 Missionários (Padres Regulares e Diocesanos, Religiosas
e Leigos de Vida Consagrada ou comprometidos com a Missão). Tínhamos uma sede
em Recife, e depois, em João Pessoa para a coordenação geral. Havia assembleias anuais pelas Dioceses
onde aconteciam Missões para revisar as atividades do ano findo e planejar as
do ano vindouro.
Cada Missionário tinha que dispor de
um tempo em sua atividade pastoral para dedicar-se à ação missionária: na
pré-missão; na realização das Santas Missões e no acompanhamento na pós-Missão.
Esse trabalho tem que ser bem-feito. É da responsabilidade da equipe
missionária “de fora”. Cabe a ela, preparar a “equipe de dentro”: a que deixa
grupos organizados, as equipes de trabalho, de recepção e hospedagem, de
refeições, de liturgia e animação, de mutirão, de som e divulgação, de saúde,
de rezadeiras, da Fogueira, do Santo Cruzeiro etc.
Quando a “equipe de fora” vem
visitar a “equipe de dentro” vai revisando as atividades e as
responsabilidades, de tal modo que, á época das Missões, tudo corra bem, sem
atropelos. Como eu disse “a equipe de fora” éramos uns 60; “as equipes de
dentro” já eram umas dez mil pessoas. Crescia muito. Era a mística do trabalho:
“ser eficaz, renovada e numa linha
evangelizadora”.
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