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SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA EM TODO O BRASIL. |
Ontem, demos
início ao mês de setembro - há 52 anos – dedicado, de modo especial, à Bíblia.
Em 1971, a Arquidiocese de Belo Horizonte, estava celebrando suas Bodas de
Ouro, de instalação, e programou para festejar o Jubileu, um Mês da Bíblia,
que se estendeu por toda a Arquidiocese.
Foi tão positiva a organização do evento e sua realização em todas as Paróquias, que os Estados de Minas e do Espírito Santo, que formam o Regional Leste II da CNBB, assumiram como uma promoção regional até 1976, instituindo na área, o Mês da Bíblia: um mês inteiro de evangelização, todos os anos, em Setembro, para uma maior motivação e divulgação da Palavra de Deus em todo o Regional.
A
divulgação foi tão intensa pelo uso dos meios de comunicação e a motivação
surtiu tanto efeito, que teve a simpatia e a aceitação dos estados vizinhos, também
organizados em Regionais, levando a própria CNBB a comparecer, bem como os
regionais mais próximos a participarem das celebrações bíblicas, que, em pouco
tempo, o povo já aguardava, com entusiasmo, a participação no ano seguinte. De
modo que, a CNBB achou conveniente tornar o Mês da Bíblia, um acontecimento
Nacional.
Com
o incentivo, a divulgação e o interesse maior da Igreja Católica do Brasil, começamos
a fazer parte mais ativa da divulgação da Palavra, conhecendo melhor a sua
história, sobretudo a respeito do Deus Encarnado, testemunhando o Reino de
Jesus entre nós, descobrindo na Bíblia, suas memórias, seus desafios e
perspectivas. Nestes últimos 50 anos – 1971 a 2021 – fomos motivados a ter a
Bíblia em casa, a conhecer o seu conteúdo e a usá-la como “livro de cabeceira”,
como lâmpada para iluminar os fatos da vida com a luz de Deus. Nossa
experiência que se foi firmando em 50 anos, nacionalmente, reconhecida, teve no
Papa Francisco um apoio e um reconhecimento extraordinários: Sua
Santidade instituiu no 3º Domingo do Tempo Comum, 26 de Janeiro de 2020, o Domingo
da Palavra de Deus. Era antes de nossa Celebração do Mês da Bíblia que, em
2021, completaria 50 anos. Seria uma celebração anual nas comunidades católicas,
pra promover uma familiaridade maior com a Bíblia. A grande referência, aludida
pelo Papa Francisco, seria a Festa Litúrgica de São Jerônimo no dia 30 de
Setembro, no final do Mês da Bíblia, já que o celebrávamos como um Jubileu de
Ouro aqui no Brasil.
O Papa acrescentava: a Bíblia não pode ser patrimônio só de
alguns e, menos ainda, uma coletânea para poucos privilegiados. Disse isto
em uma carta apostólica ‘Aperuit illis’ (Abriu-lhes o entendimento),
completando: “o dia dedicado à Bíblia pretende ser, não uma vez por ano, mas uma vez
por todo o ano, porque temos urgente necessidade de nos tornar familiares e
íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a
Palavra e o Pão na comunidade dos crentes”.
Quando a promoção
deixou de ser local: só em Belo Horizonte; regional: só no Leste
II; nacional: em toda a CNBB e foi abençoada pela Carta Apostólica do
Papa, “urbi et orbi”, escolhendo o 3º
Domingo do Tempo Comum e a Festa Litúrgica de São Jerônimo como grandes
referencias para “refletir”, “divulgar” e
“celebrar” a Palavra de Deus, “fundava
não sobre um livro, mas sobre a Palavra Viva que fazia crescer no povo de Deus,
uma religiosa e assídua familiaridade com as sagradas escrituras”. Eu tinha
03 anos de Padre, quando surgiram os primeiros passos em Belo Horizonte e, em
seguida, no Regional Leste II e em todo o Brasil, o já maduro Mês da Bíblia.
Por toda parte, começamos a participar dos estudos para reconhecer temas dentro da Bíblia que fundamentassem a nossa realidade. Acercávamo-nos de assessores como Padre Luís Gonzaga Sena, Padre Nércio, Carlos Mesters, Sebastião Armando, os irmãos Zildo e Zeferino Rocha, Padres Albani e Sadoc e outros que nos pudessem ajudar a entender alguns profetas do Antigo Testamento ou Livros do Êxodo ou da Sabedoria. Sobretudo do Novo Testamento: Evangelhos e Cartas Apostólicas, dirigidas às primeiras comunidades cristãs, por João, Pedro, Paulo ou Tiago, enfim, éramos todos, “livres atiradores”, sempre em busca de acertar o passo e espalhar o máximo que se pudesse, a Palavra de Deus por todos os recantos do país.
Estávamos alinhados: Papa, Bispos, Padres, Religiosos e Leigos; muitos leigos. Essa foi sempre a estrutura da Igreja. Com relação ao Mês da Bíblia, tínhamos que nos organizar melhor. Afinal, fomos enviados a pregar o Evangelho a toda criatura. Sobre nós, havia o peso da responsabilidade e da História. O Império Romano continuava massacrando o cristianismo. A Igreja tinha que tomar posição, não como um Império, mas como mãe e mestra. Isto não se impõe. Faz-se por amor. É a nova maneira de ser Igreja, sobretudo após o Concílio Ecumênico, que temos revisado de vez em quando.
Neste ano – além do triênio sinodal que está em
curso - estamos sendo convidados, neste Mês da Bíblia, a refletir sobre o Tema
proposto pela Carta aos Efésios 2,5: “é pela graça que fostes salvos”, sob
o Lema: “vestir-se da nova humanidade”. É como que uma continuidade ao
Tema do Jubileu, em 2021, quando refletimos sobre a Carta aos Gálatas 3,28: “todos vós, sois um só, em Cristo Jesus” e
“os pobres não sejam esquecidos e que
sejamos livres”.
Como
nos anos anteriores, o Mês da Bíblia aprofunda o conhecimento de um determinado
livro da Bíblia e faz referência a São Jerônimo que, durante 35 anos, entre o
4º e 5º séculos traduziu a Bíblia, dos textos originais: hebraico, aramaico e
grego para uma língua vulgar ou a mais popular que existia, o Latim e, por isso
mesmo, foi chamada de Bíblia Vulgata, que a tenho comigo.
Por
causa da criação do Mês da Bíblia, aqui no Brasil, com esta bela história que
lhes estou narrando, a Comissão Bíblico-Catequética da CNBB e outras
Instituições Bíblicas assumiram os roteiros e divulgações de estudos, que, a
cada ano, já são esperados e que aprofundaremos até o fim deste mês.
Com
a mente voltada para o Tema e Lema sugeridos pela Carta aos Efésios 2,5 e que
discorreremos por todo este mês, somos chamados a assumir uma vida nova, aderindo
a Cristo, pelo Batismo recebido e pela sua Confirmação, testemunhando-O em
realidades tão diversificadas.
Não
é fácil dar esse testemunho, sobretudo sem ser biblista ou exegeta profundo,
analista da Palavra de Deus. Mas a gente se arrisca. Vai atalhando com a
Doutrina Social da Igreja, com o reto uso das Comunicações Sociais ou da vida em
Comunidades Eclesiais de Base, com a Teologia da Libertação, contanto que não
nos omitamos e façamos a nossa parte. Não podemos cruzar os braços. Desistir da
fé. Aqui, sim! Deus nos entenderá e ajudará.
São
Paulo, um dos escritores de tantas Cartas Apostólicas, nos ensinava em II
Tim.4,7: “combater o bom combate,
terminar a carreira”, mas “guardar a
fé”. Ir com ela até o fim. Não foi o que Jesus dissera a Pedro ao afundar? ‘Homem de pouca fé! Porque duvidaste’!
(Mt.14,31). Ou em Jo.3,15: “para que
todos os que crerem nele tenham a vida eterna”. Ou mais um texto pra
encerrar: “tem confiança, filha, a tua fé
te salvou” (Mt 9,22). Até sábado!
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