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SAINDO DO MÊS DA BÍBLIA, E DE DOM JOSÉ, PARA OUTUBRO DAS MISSÕES! |
Até a 50ª vez de celebrações do Mês de
Setembro como Mês da Bíblia e da Comemoração do Dia da Bíblia, no último
domingo do mês - próximo à Festa de São Jerônimo, dia 30 – que o Papa
Francisco, através da Carta Apostólica “Aperuit
illis” instituiu no dia 26 de
Janeiro de 2020, 3º Domingo do Tempo Comum, como o Domingo da Palavra de Deus,
ou o Dia da Bíblia, fazendo
parte dos festejos jubilares.
Tanto as festividades celebradas pelo jubileu de ouro do Mês da Bíblia, quanto o dia especial dedicado a ela pelo Papa, se justificavam. Mas, uma sessão especial do Senado Brasileiro - requerimento 2.364/2021, pela Lei de Nº 10.335/2021 - justificando a instituição do Dia da Bíblia em todo o território nacional, no 2º Domingo de dezembro (este ano, dia 10), não tem sentido. Não há uma justificativa plausível ou lógica, como a sugerida pelo Papa. Segundo o Senador, autor do requerimento, “pelo 2º Domingo de dezembro já ser um dia de celebrações para agradecer a Deus pelo acesso à Sua Palavra”. Nem é tempo de celebração. É tempo ‘penitencial’. É tempo do “Advento”.
Neste
meu último Comentário sobre o Mês da Bíblia, gostaria de unir o Dia da
Bíblia à Festa de S. Jerônimo, último dia do mês, ao menos para buscar uma
lógica ou uma motivação que justifique todas as reflexões aqui feitas.
Setembro,
já tem a cara de Mês da Bíblia; como Agosto tem a do Mês Vocacional; Outubro,
do Mês Missionário; Novembro, do Mês das Almas e Maio, do Mês de Maria. Estes momentos,
como outros mais característicos das mais variadas comemorações, já nos colocam
em uma roda tão viva, que se torna impossível freá-la.
Com
a dúvida criada para o Dia da Bíblia, sugerido pelo Senado para o 2º Domingo do
Advento, em Dezembro, e a sugestão do Papa, para o 3º Domingo do Tempo Comum,
em Janeiro (cerca de um mês entre uma e outra), a gente vai lembrando o que se
fez, durante 50 anos: o Dia da Bíblia, no último Domingo de Setembro,
amanhã, portanto (24) e o Dia do Tradutor, na Festa Litúrgica de São Jerônimo,
dia 30, já que ele traduziu a Palavra de Deus dos originais – hebraico,
aramaico e grego – para o Latim, a língua mais “vulgar”, mais popular, falada
no Império Romano. Daí chamar-se Bíblia Vulgata.
O
clima entre uma data e outra, contando com a motivação de São Jerônimo,
tradutor da Bíblia, que deu origem a todas as traduções do mundo, é muito mais
natural. O paralelo é perfeito, como o próprio Papa insinuou. Uma intervenção
política como fez o senado, legislando para ser simpático ao povo, mesmo num
Estado laico, como o nosso, é, realmente mais, um oportunismo.
Retornando ao meu Ceará e colaborando com a UVA e a Diocese, por 12 anos, exerci funções no setor de comunicação na Rádio Universitária e na Rádio Educadora, bem como no Jornal Correio da Semana, ocasião em que integrei a equipe de promoção do Setembro Dom José que reunia UVA, Diocese e Município para sempre recordar o grande sobralense que fora Dom José Tupinambá da Frota, descobrindo nele uma vivencia completa da Palavra de Deus ao unir oração e ação, teoria e prática, fé e obra, sempre colocando seus “bens pessoais” a serviço do “bem comum”.
Por que o Setembro Dom José? Por que ele nascera em
Sobral aos 10 de setembro de 1882 e morrera aos 25 de Setembro de 1959. Devido
celebrarmos as duas datas em Setembro e termos São Jerônimo com a sua tradução
da Bíblia, a serviço da Igreja, 16 séculos atrás, porque não tirarmos lições
dos dois, durante todo o Mês da Bíblia e justificar, na prática, o que
celebrávamos?
No Rádio, no Jornal, nos
Colégios, no Teatro S. João estávamos divulgando: o mês da Bíblia, a fé e a
obra de D. José, o paralelo entre sua sabedoria e a de São Jerônimo e
repassando a história dos dois. Querem ver?
São
Jerônimo foi presbítero e Doutor da Igreja. Nasceu na Dalmácia na 1ª metade do
século 4º (em 342) e faleceu a 30 de setembro de 420, mesmo mês de D. José. Por
ser muito inteligente e preparado, recebeu do Papa Dâmaso, a missão de traduzir
a Bíblia das línguas originais para o Latim popular, falado no império romano.
Neste trabalho ele dedicou 35 anos do final de sua vida à oração, à penitência
e ao estudo da Bíblia, já que ele era um homem dinâmico e profundamente
piedoso.
Nada
melhor do que encerrar o Mês da Bíblia com uma festividade litúrgica em
homenagem a este homem. Pelo seu imenso, demorado, profundo e sério trabalho de
tradução da Bíblia, o seu dia litúrgico é também reconhecido como o Dia do
Tradutor.
-
O que tem ele, em comum com Dom José, 16 séculos depois?
-
D. José foi também, presbítero. Mais de uma vez, Doutor, senão da Igreja, mas
das Pontifícias Universidades Romanas. Bispo, Conde da Santa Sé, Poliglota,
humanisticamente bem-preparado, tentou unir sabedoria e ação, ensinando a
Palavra de Deus e construindo uma estrutura material que a levasse à prática,
através da educação, da saúde, dos meios de comunicação e do bem-estar social,
que era a sua opção preferencial. Enfim, Dom José deu sua vida por Sobral e,
141 anos depois do seu nascimento, e 64 anos após sua morte, ainda nos dá
lições de vida e causa muita admiração em todos.
Também,
pudera! Criou muitas associações religiosas, irmandades, catequeses, ordens
terceiras para vivenciarem as festas de padroeiros, as procissões e demais
práticas religiosas. Imprimiu no povo as tradições essenciais da vida cristã,
dando ênfase à Santa Missa, aos sacramentos, à ação missionária de tal modo que
plantou muitas raízes e boas tradições no coração da família sobralense que
perduram até hoje. Juntou oração e ação.
A
instituição do Mês da Bíblia só apareceu 12 anos depois da sua morte, mas o
compromisso com a Palavra, com a celebração dos sacramentos em suas desobrigas e
visitas pastorais, por toda a Diocese, o tornaram precursor e pioneiro do
trabalho de evangelização que ainda se faz até hoje. Como Pároco de N. Sra. da
Conceição em Sobral e como seu 1º Bispo fez o alicerce da obra.
Depois de 52 anos de
celebração do mês da Bíblia, de tantos estudos feitos a cada ano, de temas
tirados dos vários livros do Antigo ou do Novo Testamentos, com Lemas extraídos
de versículos pinçados desses mesmos livros, talvez valesse à pena, uma
avaliação de trabalhos já feitos, uma revisão da caminhada, até dessa
intromissão política feita por gente que nem tem fé, mas se utiliza da “boa fé”
do povo, para garantir sua eleição e reeleição.
Temos
acompanhado, sobretudo, nestes últimos anos, o mau uso da religião, da palavra
de Deus, citada por qualquer cafajeste que não tem escrúpulo em fazê-lo, sempre
usando o nome de Deus em vão.
No
comentário do próximo sábado - Festa de São Jerônimo, lembrada hoje - daremos
início ao Mês Missionário, que inicia Domingo, 1º de outubro, pondo em prática,
a Palavra de Deus, sob o Tema: “Ide! Da
Igreja local aos confins do mundo” e o Lema: “Corações ardentes, pés a caminho”.
Para
o 4º Domingo de outubro, 22, Dia Mundial das Missões, comentaremos a Mensagem
do Papa Francisco, tirada de Lucas 24,13-15: “corações ardentes, pés ao caminho”, inspirada nos discípulos de
Emaús. Aguardem!
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