sábado, 7 de outubro de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

TEREZA E TEREZINHA:  DUAS HISTÓRIAS PARECIDAS

      

No próximo Domingo, dia 15, celebraremos o Dia do Professor, decretado pelo Imperador D. Pedro I, aos 15 de Outubro de 1827, em homenagem à grande educadora, literata e doutora da Igreja, Santa Tereza d’Ávila, cuja festa litúrgica se celebra no dia 15 de Outubro. Não haverá sua celebração litúrgica, por ser Domingo, ‘dia de preceito’, mas não deixa de ser o Dia do Professor.

Igualmente no domingo passado, 1º de Outubro, era dia litúrgico de Santa Terezinha do Menino Jesus, mas era também ‘dia de preceito’; pelo mesmo motivo, não houve a Festa Litúrgica da Santa, mas a data pode ser respeitada onde as duas são padroeiras.

Neste Comentário de hoje, além de falar sobre este Mês Missionário e continuar com a promessa da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões - no penúltimo Domingo do Mês de Outubro, 22, - ainda quero falar sobre as duas grandes Missionárias lembradas acima: Santa Tereza D’Ávila (15.10) e Santa Terezinha do Menino Jesus (1º/10), tão marcantes do Mês Missionário, para que distingamos uma da outra e tenhamos um maior conhecimento das duas.

A primeira história

Pela ordem cronológica, primeiro veio Tereza de Cepeda e Ahumada, nascida em ÁVILA, na Espanha, no ano de 1515. Daí o nome: Tereza d’Ávila. Teve esmerada educação, tanto em casa como na escola e, desde cedo, já queria evangelizar. Com apenas 14 anos, perdeu a mãe, e seu pai a internou no Convento das Agostinianas de Ávila, embora não quisesse que sua filha seguisse a Vida Religiosa. No contato com a vida conventual e na leitura constante das “Cartas de São Jerônimo”, Tereza se sentiu chamada e ingressou, com 20 anos, no Convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, a contragosto do próprio pai. Infelizmente, adoeceu e teve que ser levada pra casa, pelo pai, para tratar da saúde, retornando ao Carmelo após a cura. Aí, a dedicação foi total. Separou-se do grande convento de mais de 200 freiras (carmelitas calçadas) e fundou Mosteiros Masculinos (15) e Femininos (17) de carmelitas descalços com uma rígida forma de vida, trabalho e silêncio e um testemunho de pobreza pelo uso de roupas rasgadas e alpercatas. Foi uma verdadeira revolução na vida religiosa dos carmelitas. Santa Tereza d’Àvila morreu aos 04 de Outubro de 1582, com 67 anos de idade e foi canonizada no dia 27 de setembro de 1970 pelo Papa Paulo VI.

A segunda história

Trezentos e cinquenta e oito (358) anos depois, nasceu em Alançon, na França, Maria Francisca Tereza Martim que, como sua xará espanhola, perdeu a mãe mais cedo ainda: com apenas 04 anos. E começou a ser cuidada por sua irmã mais velha, Paulina, a quem se afeiçoou como sua 2ª mãe. Mas, Paulina entrou para o Carmelo, permanecendo Terezinha em casa e doente, causando grande preocupação a seu pai e irmãos, até que um dia, contemplando a imagem da Imaculada Conceição, de quem era devota, Nossa Senhora sorriu para ela e ela ficou curada, decidindo também entrar no Carmelo, onde suas irmãs: Maria, Paulina, Leônia e Celina também entraram.

Três dos irmãos haviam morrido cedo e Terezinha ingressou e permaneceu na Abadia das Monjas Beneditinas em Lisieux, por 05 anos. Com 14 anos quis entrar para a Ordem das Carmelitas Descalças, mas não lhe foi permitido por causa da idade. Ela, porém, não desistiu. Foi a Roma e forçou uma audiência com o Papa Leão XIII de quem conseguiu a autorização. E assim, em Abril de 1888, ela entra para o Carmelo e recebe o nome de Tereza do Menino Jesus, fazendo sua profissão religiosa, 10 anos depois, acrescentando ao seu nome: Tereza do Menino Jesus e Sagrada Face.

Ela levou a sério o caminho da perfeição, escrito por sua fundadora Sta. Tereza d’Ávila, porém Santa Terezinha revelou ao mundo que a perfeição e a santidade podem estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que fizermos com amor. Ela dizia: “Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso ser, ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração”. Depois de uma tuberculose de quase 03 anos – àquele tempo, sem cura – faleceu no dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos de idade, dizendo sua última frase: “não me arrependo de haver-me entregue ao amor”. E com o olhar fixo no crucificado, exclamou: “meu Deus, eu te amo” e assim morreu aquela jovem que é considerada a maior santa dos tempos modernos.

Santa Terezinha do Menino Jesus foi beatificada em Abril de 1923; canonizada pelo Papa Pio XI no dia 17 de Maio de 1925 e em 1927 foi declarada Patrona Universal das Missões Católicas. No centenário de sua morte, em 1997, o Papa João Paulo II escreveu uma Carta Apostólica – Divinis Amoris Scientia – declarando-a Doutora da Igreja.

Qual a conclusão?

Apesar de Santa Terezinha ser 358 anos mais nova do que Santa Tereza d’Ávila, esta foi canonizada só em 1970, enquanto aquela recebeu esse privilégio, reconhecido pela Igreja, bem antes: em 1925. O que é que as duas têm em comum? – Além do nome, perderam as mães e adoeceram muito cedo, entraram na ordem das carmelitas e se tornaram “carmelitas descalças”, ambas foram escritoras, doutoras da Igreja, dedicaram-se à Missão pela vida conventual de oração e são veneradas e tidas no mundo inteiro, como verdadeiras missionárias, celebradas, no Mês de Outubro, o mês das Missões.

No penúltimo Domingo de Outubro, dia 22, celebraremos o Dia Mundial das Missões. O Papa Francisco nos enviou uma bela mensagem – que comentaremos dia 21 - baseada no lema e tema deste Mês Missionário, tirados do diálogo de Jesus com os dois discípulos de Emaús, no Evangelho de Lucas, cap.24, sobre a Ressurreição. Eles O reconheceram na partilha da Palavra e do Pão e foram a Jerusalém contar aos Irmãos. Façamos o mesmo.

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