TEREZA
E TEREZINHA: DUAS HISTÓRIAS PARECIDAS
No próximo Domingo, dia 15,
celebraremos o Dia do Professor, decretado pelo Imperador D. Pedro I,
aos 15 de Outubro de 1827, em homenagem à grande educadora, literata e doutora
da Igreja, Santa Tereza d’Ávila, cuja festa litúrgica se celebra no dia 15 de Outubro.
Não haverá sua celebração litúrgica, por ser Domingo, ‘dia de preceito’, mas
não deixa de ser o Dia do Professor.
Igualmente no domingo passado, 1º
de Outubro, era dia litúrgico de Santa Terezinha do Menino Jesus, mas era
também ‘dia de preceito’; pelo mesmo motivo, não houve a Festa Litúrgica da
Santa, mas a data pode ser respeitada onde as duas são padroeiras.
Neste Comentário de hoje, além de
falar sobre este Mês Missionário e continuar com a promessa da Mensagem do Papa
Francisco para o Dia Mundial das Missões - no penúltimo Domingo do Mês de
Outubro, 22, - ainda quero falar sobre as duas grandes Missionárias lembradas
acima: Santa Tereza D’Ávila (15.10) e Santa Terezinha do Menino Jesus (1º/10),
tão marcantes do Mês Missionário, para que distingamos uma da outra e tenhamos
um maior conhecimento das duas.
A primeira história
Pela
ordem cronológica, primeiro veio Tereza de Cepeda e Ahumada, nascida em ÁVILA,
na Espanha, no ano de 1515. Daí o nome: Tereza d’Ávila. Teve esmerada
educação, tanto em casa como na escola e, desde cedo, já queria evangelizar.
Com apenas 14 anos, perdeu a mãe, e seu pai a internou no Convento das
Agostinianas de Ávila, embora não quisesse que sua filha seguisse a Vida
Religiosa. No contato com a vida conventual e na leitura constante das “Cartas
de São Jerônimo”, Tereza se sentiu chamada e ingressou, com 20 anos, no
Convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, a contragosto do próprio pai.
Infelizmente, adoeceu e teve que ser levada pra casa, pelo pai, para tratar da
saúde, retornando ao Carmelo após a cura. Aí, a dedicação foi total. Separou-se
do grande convento de mais de 200 freiras (carmelitas calçadas) e fundou
Mosteiros Masculinos (15) e Femininos (17) de carmelitas descalços com uma
rígida forma de vida, trabalho e silêncio e um testemunho de pobreza pelo uso
de roupas rasgadas e alpercatas. Foi uma verdadeira revolução na vida religiosa
dos carmelitas. Santa Tereza d’Àvila morreu aos 04 de Outubro de 1582, com 67
anos de idade e foi canonizada no dia 27 de setembro de 1970 pelo Papa Paulo
VI.
A segunda história
Trezentos e
cinquenta e oito (358) anos depois, nasceu em Alançon, na França, Maria
Francisca Tereza Martim que, como sua xará espanhola, perdeu a mãe mais cedo
ainda: com apenas 04 anos. E começou a ser cuidada por sua irmã mais velha,
Paulina, a quem se afeiçoou como sua 2ª mãe. Mas, Paulina entrou para o
Carmelo, permanecendo Terezinha em casa e doente, causando grande preocupação a
seu pai e irmãos, até que um dia, contemplando a imagem da Imaculada Conceição,
de quem era devota, Nossa Senhora sorriu para ela e ela ficou curada, decidindo
também entrar no Carmelo, onde suas irmãs: Maria, Paulina, Leônia e Celina
também entraram.
Três dos irmãos haviam morrido cedo e Terezinha ingressou e
permaneceu na Abadia das Monjas Beneditinas em Lisieux, por 05 anos. Com 14
anos quis entrar para a Ordem das Carmelitas Descalças, mas não lhe foi
permitido por causa da idade. Ela, porém, não desistiu. Foi a Roma e forçou uma
audiência com o Papa Leão XIII de quem conseguiu a autorização. E assim, em
Abril de 1888, ela entra para o Carmelo e recebe o nome de Tereza do Menino
Jesus, fazendo sua profissão religiosa, 10 anos depois, acrescentando ao seu
nome: Tereza do Menino Jesus e Sagrada Face.
Ela levou a
sério o caminho da perfeição, escrito por sua fundadora Sta. Tereza d’Ávila,
porém Santa Terezinha revelou ao mundo que a perfeição e a santidade podem
estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que
fizermos com amor. Ela dizia: “Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos
com todo o nosso ser, ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O
zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração”. Depois de uma tuberculose
de quase 03 anos – àquele tempo, sem cura – faleceu no dia 30 de setembro de
1897, aos 24 anos de idade, dizendo sua última frase: “não me arrependo de
haver-me entregue ao amor”. E com o olhar fixo no crucificado, exclamou: “meu
Deus, eu te amo” e assim morreu aquela jovem que é considerada a maior santa
dos tempos modernos.
Santa
Terezinha do Menino Jesus foi beatificada em Abril de 1923; canonizada pelo
Papa Pio XI no dia 17 de Maio de 1925 e em 1927 foi declarada Patrona Universal
das Missões Católicas. No centenário de sua morte, em 1997, o Papa João Paulo
II escreveu uma Carta Apostólica – Divinis Amoris Scientia – declarando-a
Doutora da Igreja.
Qual a conclusão?
Apesar de Santa Terezinha ser 358
anos mais nova do que Santa Tereza d’Ávila, esta foi canonizada só em 1970,
enquanto aquela recebeu esse privilégio, reconhecido pela Igreja, bem antes: em
1925. O que é que as duas têm em comum? – Além do nome, perderam as mães e
adoeceram muito cedo, entraram na ordem das carmelitas e se tornaram
“carmelitas descalças”, ambas foram escritoras, doutoras da Igreja,
dedicaram-se à Missão pela vida conventual de oração e são veneradas e tidas no
mundo inteiro, como verdadeiras missionárias, celebradas, no Mês de Outubro, o
mês das Missões.
No penúltimo Domingo de Outubro,
dia 22, celebraremos o Dia Mundial das Missões. O Papa Francisco nos enviou uma
bela mensagem – que comentaremos dia 21 - baseada no lema e tema deste Mês
Missionário, tirados do diálogo de Jesus com os dois discípulos de Emaús, no
Evangelho de Lucas, cap.24, sobre a Ressurreição. Eles O reconheceram na
partilha da Palavra e do Pão e foram a Jerusalém contar aos Irmãos. Façamos o
mesmo.
.jpg)

Nenhum comentário:
Postar um comentário