sábado, 14 de outubro de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O DIA DO PROFESSOR: Decretado em 1827 e comemorado em 1947!

Sábado passado, dia 07, demos continuidade à nossa reflexão sobre o iniciante Mês das Missões, comentando sobre as duas Missionárias, doutoras da Igreja, Irmãs Carmelitas Descalças – Terezinha de Jesus e Tereza d’Ávila – celebradas, respectivamente, nos dias 1º e 15 de Outubro, como duas fortes missionárias a fundamentarem o Mês Missionário.

Dissemos até que Tereza d’Ávila por ser educadora, literata, doutora da Igreja e, celebrada liturgicamente, no dia 15 de outubro, levou o Imperador D. Pedro I, a decretar no dia15/10/1827, para todo o Brasil, o Dia do Professor, em homenagem à grande educadora e santa.

O decreto imperial dizia, textualmente: “todas as cidades, vilas e lugarejos deveriam ter suas escolas de primeiras letras, descentralizar o ensino, contratar professores competentes e capazes, com salários justos e que dessem um ensinamento de matérias básicas para todos os alunos”. Foi algo inovador e revolucionário, se não tivesse ficado só no papel.

Somente 120 anos depois, em 1947, tomou-se consciência do decreto e se comemorou, pela 1ª vez, o Dia do Professor. Quatro professores do Ginásio Caetano de Campos da Rua Augusta, 1520, em São Paulo tiveram a ideia de organizar, nesse dia, uma “parada” ou um “feriado” para “evitar a estafa e fazer uma avaliação dos trabalhos para o restante do ano”. Professores e alunos levaram doces e bolos de casa para uma “confraternização” e a ideia ficou lançada para se espalhar por todo o Brasil. E assim se foi repetindo por toda parte, até que em 14 de outubro de 1963 foi oficializado, nacionalmente, como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682 com a seguinte justificativa: “para comemorar, condignamente, o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

Claro que, historicamente, tudo isso é muito bonito, como eu disse acima: “se não tivesse ficado só no papel”. Em 2013, completamos “Bodas de Ouro” da oficialização do Dia do Professor e o Brasil inteiro – nestes quase 70 anos – tem-se movimentado, por toda parte, com greves, paralisações, escaramuças militares, agressões e desrespeito aos “profissionais da educação” que têm sido impedidos de “educar” e de “serem educados”, pela ação brutal, até de policiais, como, infelizmente, têm sido tratados.

Há paralisações intermináveis, com alunos em casa, professores resistindo, usando a técnica do “salve-se quem puder” ou da “melhor defesa é o ataque” e quando voltam ao trabalho têm que seguir um calendário louco, com semestre entrando pelo ano seguinte, um verdadeiro descalabro, sobretudo nos cursos universitários. Até bem pouco tempo, culpavam a pandemia e o que de melhor fizeram, foi mandarem para casa todos os alunos para estudarem virtualmente. Houve paralisações – antes, durante e depois da pandemia - cheias de debates, medição de forças entre Sindicato, Governo, PM, partidos de esquerda e de conservadores, querendo aparecer, gente em cima do muro, confusão pra todo lado, ideologização acima de tudo, e os alunos nesse “fogo cruzado”, afastados da escola, sem aprenderem o que é bom para o seu futuro e esperando a decisão dos chefes que tentavam fazê-los ‘massa de manobra’.

A palavra “aluno”, etimologicamente, significa “sem luz”. Será que nós estamos dando alguma “luz” a eles, no sentido de “esclarecimento” ou de “orientação” para suas vidas? O posicionamento do Governo, usando a sua força policial, ou dos legisladores, fechando as portas da casa do povo, com cassetetes e barricadas, ou mesmo o “sangramento” de alguns professores estão ajudando à nossa juventude a um discernimento de sua própria vocação? Será que vale a pena ser político assim? E ser professor sem voz, sem vez, sem estímulo, sem dignidade e sem salário? Como pode um “sem luz”, isto é, um aluno tornar-se “iluminado”, consciente e colaborar com a sociedade futura se o seu presente é tão obscuro? Como esperar que uma aula virtual surta o mesmo efeito de uma aula presencial? Como trocar a convivência escolar pela Homeschooling individualista, doméstica com a maioria dos pais, despreparada para acompanhar o estudo dos filhos?

Tais perguntas me vêm à mente nessa reflexão que faço agora pela passagem do dia do Professor, ao homenageá-lo nessa sua data. Agradeço aos meus heróis do Seminário de Sobral: além de Dom José Tupinambá, aos Padres: Osvaldo Chaves, Francisco Austregésilo, José Gerardo Ferreira Gomes, Marconi Montezuma, Moésia Nogueira, Sabino Loyola, Francisco Sadoc, Albani e Zé Linhares pelo muito que me deram na consecução dos meus ideais. E aos meus mestres do Seminário de Olinda: Padres Marcelo Carvalheira e Marcelo Santos, Arnaldo Cabral, Zildo e Zeferino Rocha, Almery Bezerra, Luís Sena, Nilton Sucupira, Ariano Suassuna e Vamireh Chacon entre outros, que muito contribuíram na minha formação.

Muitos ex-alunos - dessa valorosa equipe de sacerdotes e professores, nos Seminários de Sobral e Olinda - escrevemos em 2015, nossas reminiscências, num livro intitulado “AD VITAM” para comemorarmos os 100 anos de fundação da Diocese de Sobral e os 90 anos do seu Seminário São José, na Betânia. Ficamos muito felizes por essa prestação de serviço aos nossos demais colegas e irmãos ao lembrar nossas histórias. Aqueles que são “betanistas” como nós, certamente se viram em nossas narrativas, aumentaram sua saudade, lacrimejaram em algumas delas, sentiram-se retratados, em algumas ocasiões, e até com vontade de terem sido convidados a participar.

Fizemos uma reedição “AD LABOREM”. Lançamo-la nos dias 11 a 13 de Novembro de 2022 num reencontro de “betanistas”, com os mesmos autores e outros que foram acrescentados, na Capital Cearense.

Esse Encontro de Betanistas se deu no Hotel Amuarama, situado à Av. Dep. Osvaldo Studart, 888 – Bairro de Fátima, defronte à Rodoviária Central de Fortaleza. Sentimo-nos, verdadeiramente, em casa, já que o proprietário – José Armando Ponte Dias - betanista como nós - tudo fez para que nos sentíssemos bem. Ocupamos um dos Centros de Convenções do Hotel para nossos encontros maiores, lançamento de livros, palestras, debates e alimentarmos o corpo e a saudade uns dos outros, porque ‘saudade não se mata. Aumenta-se’.

Também tivemos tempo pra uma oração em comum, como antigamente, celebrações e até, algum canto em latim, para a saudade ser maior. Nosso encontro foi tão inesquecível, que a gente já saiu dele, pensando no próximo. Como professores que, quase todos o fomos, acrescentamo-nos aos nossos professores, lembrados acima, na certeza de que, o bem que eles nos fizeram, nós nos esforçamos para dar continuidade com nossos alunos.

A maioria dos nossos Professores já se foi. Quase todos nós estamos aposentados e nos sentimos felizes, recordando nossos antigos Mestres. Mais contentes ainda por lhes termos trilhado os caminhos e continuado a missão deles. Lamentamos pelos passos em falso, dados em nossa história, mas agradecemos a Sta. Tereza por ter feito o Imperador criar o Dia do Professor.

Dizíamos acima que ‘nosso encontro (no Amuarama) foi tão inesquecível que a gente já saiu dele, pensando no próximo’ e ele já aconteceu, em Agosto de 2023, na UVA, em Sobral, na mesma estrutura do Seminário onde estudamos. Éramos menos em quantidade de colegas, mas com uma qualidade e finalidade de objetivos que muito nos enobreceram.

Unimo-nos aos atuais: Bispo, Diretores e Seminaristas e lançamos os dois livros de nossa autoria, com uma centena de volumes de cada edição, para serem vendidos e aplicarem o resultado financeiro na Obra das Vocações Sacerdotais, tradicionalmente conhecida como mantenedora dos Seminários.

Foi um gesto concreto de gratidão a quem tanto nos preparou outrora para a vida e para o trabalho, tornando-nos os homens que somos.

Certamente, depois do Mês Vocacional, depois do Mês da Bíblia e agora no Mês Missionário, o que vimos, ouvimos e aprendemos como Seminaristas, tudo nos levou a um símbolo concreto de vida prática.

ADQUIRA O SEU EXEMPLAR E AJUDE A OBRA DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS DA DIOCESE DE SOBRAL








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