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O DIA DO PROFESSOR:
Decretado em 1827 e comemorado em 1947! |
Sábado passado, dia
07, demos continuidade à nossa reflexão sobre o iniciante Mês das Missões,
comentando sobre as duas Missionárias, doutoras da Igreja, Irmãs Carmelitas
Descalças – Terezinha de Jesus e Tereza d’Ávila – celebradas, respectivamente,
nos dias 1º e 15 de Outubro, como duas fortes missionárias a fundamentarem o
Mês Missionário.
Dissemos até que Tereza
d’Ávila por ser educadora, literata, doutora da Igreja e, celebrada
liturgicamente, no dia 15 de outubro, levou o Imperador D. Pedro I, a decretar
no dia15/10/1827, para todo o Brasil, o Dia do Professor, em homenagem à grande
educadora e santa.
O decreto imperial
dizia, textualmente: “todas as cidades, vilas e lugarejos deveriam ter suas
escolas de primeiras letras, descentralizar o ensino, contratar professores
competentes e capazes, com salários justos e que dessem um ensinamento de
matérias básicas para todos os alunos”. Foi algo inovador e revolucionário,
se não tivesse ficado só no papel.
Somente 120 anos
depois, em 1947, tomou-se consciência do decreto e se comemorou, pela 1ª vez, o
Dia do Professor. Quatro professores do Ginásio Caetano de Campos da Rua
Augusta, 1520, em São Paulo tiveram a ideia de organizar, nesse dia, uma
“parada” ou um “feriado” para “evitar a estafa e fazer uma avaliação dos
trabalhos para o restante do ano”. Professores e alunos levaram doces e bolos
de casa para uma “confraternização” e a ideia ficou lançada para se espalhar
por todo o Brasil. E assim se foi repetindo por toda parte, até que em 14 de
outubro de 1963 foi oficializado, nacionalmente, como feriado escolar pelo
Decreto Federal 52.682 com a seguinte justificativa: “para comemorar,
condignamente, o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover
solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna,
fazendo participar os alunos e as famílias”.
Claro que,
historicamente, tudo isso é muito bonito, como eu disse acima: “se não tivesse
ficado só no papel”. Em 2013, completamos “Bodas de Ouro” da oficialização do
Dia do Professor e o Brasil inteiro – nestes quase 70 anos – tem-se
movimentado, por toda parte, com greves, paralisações, escaramuças militares,
agressões e desrespeito aos “profissionais da educação” que têm sido impedidos
de “educar” e de “serem educados”, pela ação brutal, até de policiais, como,
infelizmente, têm sido tratados.
Há paralisações
intermináveis, com alunos em casa, professores resistindo, usando a técnica do
“salve-se quem puder” ou da “melhor defesa é o ataque” e quando voltam ao
trabalho têm que seguir um calendário louco, com semestre entrando pelo ano
seguinte, um verdadeiro descalabro, sobretudo nos cursos universitários. Até
bem pouco tempo, culpavam a pandemia e o que de melhor fizeram, foi mandarem
para casa todos os alunos para estudarem virtualmente. Houve paralisações –
antes, durante e depois da pandemia - cheias de debates, medição de forças
entre Sindicato, Governo, PM, partidos de esquerda e de conservadores, querendo
aparecer, gente em cima do muro, confusão pra todo lado, ideologização acima de
tudo, e os alunos nesse “fogo cruzado”, afastados da escola, sem aprenderem o
que é bom para o seu futuro e esperando a decisão dos chefes que tentavam
fazê-los ‘massa de manobra’.
A palavra “aluno”,
etimologicamente, significa “sem luz”. Será que nós estamos dando alguma “luz”
a eles, no sentido de “esclarecimento” ou de “orientação” para suas vidas? O
posicionamento do Governo, usando a sua força policial, ou dos legisladores,
fechando as portas da casa do povo, com cassetetes e barricadas, ou mesmo o
“sangramento” de alguns professores estão ajudando à nossa juventude a um
discernimento de sua própria vocação? Será que vale a pena ser político assim?
E ser professor sem voz, sem vez, sem estímulo, sem dignidade e sem salário?
Como pode um “sem luz”, isto é, um aluno tornar-se “iluminado”, consciente e
colaborar com a sociedade futura se o seu presente é tão obscuro? Como esperar
que uma aula virtual surta o mesmo efeito de uma aula presencial? Como trocar a
convivência escolar pela Homeschooling individualista, doméstica com a maioria
dos pais, despreparada para acompanhar o estudo dos filhos?
Muitos ex-alunos - dessa valorosa equipe de
sacerdotes e professores, nos Seminários de Sobral e Olinda - escrevemos em
2015, nossas reminiscências, num livro intitulado “AD VITAM” para
comemorarmos os 100 anos de fundação da Diocese de Sobral e os 90 anos do seu
Seminário São José, na Betânia. Ficamos muito felizes por essa prestação de
serviço aos nossos demais colegas e irmãos ao lembrar nossas histórias. Aqueles
que são “betanistas” como nós, certamente se viram em nossas narrativas,
aumentaram sua saudade, lacrimejaram em algumas delas, sentiram-se retratados,
em algumas ocasiões, e até com vontade de terem sido convidados a participar.
Fizemos uma reedição “AD LABOREM”.
Lançamo-la nos dias 11 a 13 de Novembro de 2022 num reencontro de “betanistas”,
com os mesmos autores e outros que foram acrescentados, na Capital Cearense.
Esse Encontro de Betanistas se deu no Hotel
Amuarama, situado à Av. Dep. Osvaldo Studart, 888 – Bairro de Fátima, defronte
à Rodoviária Central de Fortaleza. Sentimo-nos, verdadeiramente, em casa, já
que o proprietário – José Armando Ponte Dias - betanista como nós - tudo fez
para que nos sentíssemos bem. Ocupamos um dos Centros de Convenções do Hotel
para nossos encontros maiores, lançamento de livros, palestras, debates e
alimentarmos o corpo e a saudade uns dos outros, porque ‘saudade não se mata.
Aumenta-se’.
Também tivemos tempo pra uma oração em comum, como
antigamente, celebrações e até, algum canto em latim, para a saudade ser maior.
Nosso encontro foi tão inesquecível, que a gente já saiu dele, pensando no
próximo. Como professores que, quase todos o fomos, acrescentamo-nos aos nossos
professores, lembrados acima, na certeza de que, o bem que eles nos fizeram,
nós nos esforçamos para dar continuidade com nossos alunos.
A maioria dos nossos Professores já se foi. Quase
todos nós estamos aposentados e nos sentimos felizes, recordando nossos antigos
Mestres. Mais contentes ainda por lhes termos trilhado os caminhos e continuado
a missão deles. Lamentamos pelos passos em falso, dados em nossa história, mas
agradecemos a Sta. Tereza por ter feito o Imperador criar o Dia do Professor.
Dizíamos acima que ‘nosso encontro (no Amuarama) foi tão inesquecível que a gente já saiu dele, pensando no próximo’ e ele já aconteceu, em Agosto de 2023, na UVA, em Sobral, na mesma estrutura do Seminário onde estudamos. Éramos menos em quantidade de colegas, mas com uma qualidade e finalidade de objetivos que muito nos enobreceram.
Unimo-nos aos atuais: Bispo, Diretores e
Seminaristas e lançamos os dois livros de nossa autoria, com uma centena de
volumes de cada edição, para serem vendidos e aplicarem o resultado financeiro
na Obra das Vocações Sacerdotais, tradicionalmente conhecida como mantenedora
dos Seminários.
Foi um gesto concreto de gratidão a quem tanto nos
preparou outrora para a vida e para o trabalho, tornando-nos os homens que
somos.
Certamente, depois do Mês Vocacional, depois do
Mês da Bíblia e agora no Mês Missionário, o que vimos, ouvimos e aprendemos como
Seminaristas, tudo nos levou a um símbolo concreto de vida prática.
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