sábado, 21 de outubro de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

ORAÇÃO E AÇÃO ANDAM JUNTAS

Desde o meu Comentário de sábado, dia 30/09, ainda no fim do Mês da Bíblia, que eu falei sobre o Domingo, 1º de Outubro, que daria início ao Mês Missionário, e já adiantava o tema e o lema escolhidos, que o próprio Papa Francisco aprofundaria, no 4º Domingo do Mês, 22, Dia Mundial das Missões.

Fui lembrando nos comentários subsequentes, até chegarmos ao de hoje, véspera do penúltimo Domingo de outubro, instituído pelo Papa Pio XI, em 1926, através de sua Encíclica Rerum Eclesiae.

De lá para cá, os sucessores de Pio XI – Pio XII, João XXIII, João Paulo II, Bento XVI e Francisco - mantiveram o Dia Mundial das Missões, sempre no penúltimo Domingo de Outubro, com uma mensagem pra Cidade de Roma e para o Mundo (a famosa Urbi et Orbi), da Praça de S. Pedro.

João Paulo I não está na lista porque seu Pontificado foi de 26/08 a 28/09/1978 e a Mensagem para o Dia Mundial das Missões seria no penúltimo Domingo de Outubro e ele já havia falecido.

O Papa Francisco, na mensagem de amanhã, diz ‘ter-se inspirado na história dos discípulos de Emaús, narrada por Lucas em seu Evangelho 24,13-35’: corações ardentes, pés ao caminho.

Continua o Papa: ‘aqueles 2 discípulos estavam confusos e desiludidos, mas o encontro com Cristo na Palavra e no Pão partido, acendeu neles o entusiasmo para pôr os pés ao caminho rumo a Jerusalém e anunciar que o Senhor tinha verdadeiramente ressuscitado. Tal decisão partia de algumas sugestivas imagens: corações ardentes pelas Escrituras explicadas por Jesus, olhos abertos para O reconhecer e, como ponto culminante, pés ao caminho’. E conclui o Papa: ‘meditando sobre estes 03 aspectos, que traçam o itinerário dos discípulos missionários, podemos renovar o nosso zelo pela evangelização no mundo de hoje’.

Pensemos com o Papa: “no caminho de Jerusalém para Emaús, os corações dos dois discípulos estavam tristes – como transparecia dos seus rostos – por causa da morte de Jesus, em quem haviam acreditado. Perante o fracasso do Mestre crucificado, a esperança de que fosse Ele o Messias, desmoronou-se neles. E eis que enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-Se com eles a caminho”.

Na conversa, entre incertezas e dúvidas, fraquezas e pessimismo, muita tristeza e infidelidade, Jesus entra na casa deles mostrando a sua decepção: “homens sem inteligência e lentos de espírito; pessoas de pouca fé, desanimadas, temerosas, porque duvidais?”. E desapareceu do meio deles.

Eles voltaram para Jerusalém, comentando entre si o que ocorrera: “não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras”? Lá chegando, encontraram-se com os demais colegas, tão decepcionados quanto eles, mas esperançosos, porque O tinham reconhecido “ao partir o pão” da Palavra que Jesus lhes pregou e recordou, e o do corpo que os alimentou e então, os olhos se lhes abriram.

‘Essa dupla lição nos leva à Eucaristia, ápice e fonte da Missão e da vida da Igreja’, conclui o Papa. A união entre nós é o maior fruto da Comunhão e da Participação que o Concílio Ecumênico tanto nos ensinou e cobra de nós.

Quando os discípulos de Emaús puseram “os pés a caminho” eles nos deram a maior lição de entrega, despojamento e meio mais concreto de realização da Missão. Eles já tinham todo o conteúdo dado por Jesus que lhes dissera: “ide pelo mundo, de aldeia em aldeia; às ovelhas perdidas de Israel”.

Os discípulos de Emaús, agora com os demais discípulos, entenderam que a partilha do pão material com os famintos, em nome de Cristo e sob a Sua palavra, já é um ato cristão missionário, tanto quanto será o repartir o pão Eucarístico, que é o próprio Cristo. E para fundamentar mais essa sua reflexão, o Papa Francisco invoca o ensinamento de seu antecessor, Bento XVI, em sua Exortação pós-sinodal Sacramentum caritatis, número 84: “não podemos reservar para nós o amor que celebramos no Sacramento da Eucaristia; por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar n’Ele. Por isso, a Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua Missão: uma Igreja, autenticamente eucarística é uma Igreja missionária”.

Francisco cita o “magistério da Igreja”, mas não esquece de recorrer ao ensinamento do próprio Jesus que está em Jo. 15,4-9: “assim como o ramo só dá uvas quando está unido com a planta, assim também vocês só podem dar fruto se ficarem unidos comigo. Eu sou a videira e vocês são os ramos”...

Francisco ainda arremata tudo, afirmando: “esta união realiza-se através da oração quotidiana, particularmente na adoração, no permanecer em silencio diante do Senhor, que está conosco na Eucaristia. Cultivando, amorosamente esta comunhão com Cristo, o discípulo missionário pode tornar-se um místico em ação. Que o nosso coração anele sempre pela companhia de Jesus, suspirando conforme o ardente pedido dos dois de Emaús, sobretudo ao entardecer: fica conosco, Senhor” (Lc. 24,29).

O Papa conclui sua reflexão para este Dia Mundial das Missões, evocando o apóstolo Paulo que diz em 2Cor 5,14: “o amor de Cristo conquista-nos e impele-nos”, mostrando a reciprocidade amorosa: da parte de Cristo em nos conquistar e de nossa parte, impelindo-nos a corresponder ao amor. É a “mão dupla” tão famosa de que tanto se fala. É amor de ida e de volta que se espera.

Neste jogo de palavras e de atitudes, Francisco ainda apela para o nosso sentimento missionário, ou a nossa generosidade cristã, na troca de oração e ação, que envolve fé e doação, ajuda espiritual e material que tanto podem impulsionar a caminhada missionária. Nossas “santas missões” não se dão em “sacos vazios”. Precisam das “duas mãos” para se realizarem. Daí, a necessidade também, da ajuda material. Sem ela, as Pontifícias Obras Missionárias não se sustentam. Oração e Ação andam juntas. Há quase cem anos “esta mão dupla funciona” e não podemos prescindir dela.

São duas: universalidade, isto é, muitas obras (cerca de 120 no mundo) e pontifícias (do Papa para toda a Igreja). Constituem uma rede universal, em 120 países, apoiada pelo Papa, com orações e doações, despertando a consciência missionária de todos os povos.

As POMs mantêm vivo e circulante, nas Comunidades Eclesiais, o espírito de solidariedade e de universalismo missionários. Lembram-se do Barco Hospital Papa Francisco na Providência de Deus que circula, sem parar, desde 2019, na Bacia Amazônica? Ele mede 32 metros de extensão, conta com 20 tripulantes fixos e mais 10 voluntários que se revezam em expedições que duram de 07 a 10 dias. É uma das 120 obras mantidas pela Igreja Católica, que vale à pena ser conhecida, divulgada, defendida e acompanhada com orações e doações para que continue a fazer tanto bem aos nossos irmãos ribeirinhos do norte, ainda tão abandonados. Vale mais uma reflexão, por certo.

Procurem ler e informar-se um pouco mais sobre as Missões, a fim de que possamos opinar sobre tão belo trabalho com mais propriedade e respeito.









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