ORAÇÃO E AÇÃO ANDAM
JUNTAS
Desde
o meu Comentário de sábado, dia 30/09, ainda no fim do Mês da Bíblia, que eu
falei sobre o Domingo, 1º de Outubro, que daria início ao Mês Missionário, e já
adiantava o tema e o lema escolhidos, que o próprio Papa Francisco aprofundaria,
no 4º Domingo do Mês, 22, Dia Mundial das Missões.
Fui
lembrando nos comentários subsequentes, até chegarmos ao de hoje, véspera do
penúltimo Domingo de outubro, instituído pelo Papa Pio XI, em 1926, através de
sua Encíclica Rerum Eclesiae.
De lá
para cá, os sucessores de Pio XI – Pio XII, João XXIII, João Paulo II, Bento
XVI e Francisco - mantiveram o Dia Mundial das Missões, sempre no penúltimo
Domingo de Outubro, com uma mensagem pra Cidade de Roma e para o Mundo (a
famosa Urbi et Orbi), da Praça de S. Pedro.
João Paulo
I não está na lista porque seu Pontificado foi de 26/08 a 28/09/1978 e a
Mensagem para o Dia Mundial das Missões seria no penúltimo Domingo de Outubro e
ele já havia falecido.
O Papa Francisco, na mensagem de
amanhã, diz ‘ter-se inspirado na história dos discípulos de Emaús, narrada
por Lucas em seu Evangelho 24,13-35’: corações ardentes, pés ao caminho.
Continua
o Papa: ‘aqueles 2 discípulos estavam confusos e desiludidos, mas o encontro
com Cristo na Palavra e no Pão partido, acendeu neles o entusiasmo para pôr os
pés ao caminho rumo a Jerusalém e anunciar que o Senhor tinha verdadeiramente
ressuscitado. Tal decisão partia de algumas sugestivas imagens: corações
ardentes pelas Escrituras explicadas por Jesus, olhos abertos para O reconhecer
e, como ponto culminante, pés ao caminho’. E conclui o Papa: ‘meditando
sobre estes 03 aspectos, que traçam o itinerário dos discípulos missionários,
podemos renovar o nosso zelo pela evangelização no mundo de hoje’.
Pensemos
com o Papa: “no caminho de Jerusalém para Emaús, os corações dos dois
discípulos estavam tristes – como transparecia dos seus rostos – por causa da
morte de Jesus, em quem haviam acreditado. Perante o fracasso do Mestre
crucificado, a esperança de que fosse Ele o Messias, desmoronou-se neles. E eis
que enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e
pôs-Se com eles a caminho”.
Na
conversa, entre incertezas e dúvidas, fraquezas e pessimismo, muita tristeza e
infidelidade, Jesus entra na casa deles mostrando a sua decepção: “homens
sem inteligência e lentos de espírito; pessoas de pouca fé, desanimadas,
temerosas, porque duvidais?”. E desapareceu do meio deles.
Eles
voltaram para Jerusalém, comentando entre si o que ocorrera: “não nos ardia
o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras”?
Lá chegando, encontraram-se com os demais colegas, tão decepcionados quanto
eles, mas esperançosos, porque O tinham reconhecido “ao partir o pão” da
Palavra que Jesus lhes pregou e recordou, e o do corpo que os alimentou e
então, os olhos se lhes abriram.
‘Essa dupla lição nos leva à
Eucaristia, ápice e fonte da Missão e da vida da Igreja’, conclui o Papa. A
união entre nós é o maior fruto da Comunhão e da Participação que o Concílio
Ecumênico tanto nos ensinou e cobra de nós.
Quando os discípulos de Emaús
puseram “os pés a caminho” eles nos deram a maior lição de entrega,
despojamento e meio mais concreto de realização da Missão. Eles já tinham todo
o conteúdo dado por Jesus que lhes dissera: “ide pelo mundo, de aldeia em
aldeia; às ovelhas perdidas de Israel”.
Os
discípulos de Emaús, agora com os demais discípulos, entenderam que a partilha
do pão material com os famintos, em nome de Cristo e sob a Sua palavra, já é um
ato cristão missionário, tanto quanto será o repartir o pão Eucarístico, que é
o próprio Cristo. E para fundamentar mais essa sua reflexão, o Papa Francisco
invoca o ensinamento de seu antecessor, Bento XVI, em sua Exortação pós-sinodal
Sacramentum caritatis, número 84: “não podemos reservar para nós o
amor que celebramos no Sacramento da Eucaristia; por sua natureza, pede para
ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de
Deus, é de encontrar Cristo e acreditar n’Ele. Por isso, a Eucaristia é fonte e
ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua Missão: uma Igreja,
autenticamente eucarística é uma Igreja missionária”.
Francisco
cita o “magistério da Igreja”, mas não esquece de recorrer ao ensinamento do próprio
Jesus que está em Jo. 15,4-9: “assim como o ramo só dá uvas quando está
unido com a planta, assim também vocês só podem dar fruto se ficarem unidos
comigo. Eu sou a videira e vocês são os ramos”...
Francisco
ainda arremata tudo, afirmando: “esta união realiza-se através da oração
quotidiana, particularmente na adoração, no permanecer em silencio diante do
Senhor, que está conosco na Eucaristia. Cultivando, amorosamente esta comunhão
com Cristo, o discípulo missionário pode tornar-se um místico em ação. Que o
nosso coração anele sempre pela companhia de Jesus, suspirando conforme o
ardente pedido dos dois de Emaús, sobretudo ao entardecer: fica conosco,
Senhor” (Lc. 24,29).
O Papa
conclui sua reflexão para este Dia Mundial das Missões, evocando o apóstolo
Paulo que diz em 2Cor 5,14: “o amor de Cristo conquista-nos e impele-nos”,
mostrando a reciprocidade amorosa: da parte de Cristo em nos conquistar e de
nossa parte, impelindo-nos a corresponder ao amor. É a “mão dupla” tão
famosa de que tanto se fala. É amor de ida e de volta que se espera.
Neste
jogo de palavras e de atitudes, Francisco ainda apela para o nosso sentimento
missionário, ou a nossa generosidade cristã, na troca de oração e ação, que
envolve fé e doação, ajuda espiritual e material que tanto podem impulsionar a
caminhada missionária. Nossas “santas missões” não se dão em “sacos
vazios”. Precisam das “duas mãos” para se realizarem. Daí, a
necessidade também, da ajuda material. Sem ela, as Pontifícias Obras Missionárias
não se sustentam. Oração e Ação andam juntas. Há
quase cem anos “esta mão dupla funciona” e não podemos prescindir dela.
São
duas: universalidade, isto é, muitas obras (cerca de 120 no mundo) e
pontifícias (do Papa para toda a Igreja). Constituem uma rede universal, em 120
países, apoiada pelo Papa, com orações e doações, despertando a consciência
missionária de todos os povos.
As
POMs mantêm vivo e circulante, nas Comunidades Eclesiais, o espírito de
solidariedade e de universalismo missionários. Lembram-se do Barco Hospital
Papa Francisco na Providência de Deus que circula, sem parar, desde 2019,
na Bacia Amazônica? Ele mede 32 metros de extensão, conta com 20 tripulantes
fixos e mais 10 voluntários que se revezam em expedições que duram de 07 a 10
dias. É uma das 120 obras mantidas pela Igreja Católica, que vale à pena ser conhecida,
divulgada, defendida e acompanhada com orações e doações para que continue a
fazer tanto bem aos nossos irmãos ribeirinhos do norte, ainda tão abandonados.
Vale mais uma reflexão, por certo.
Procurem ler e informar-se um pouco mais sobre as Missões, a fim de que possamos opinar sobre tão belo trabalho com mais propriedade e respeito.
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