sábado, 18 de novembro de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Como é que somos seres humanos,   capazes de tanta barbárie?

Depois de um mês e meio de guerra em Israel e de ouvir tantas informações desconexas entre católicos, imprensa, comunicadores, políticos – sobretudo analfabetos políticos – arrisco-me a fazer meu Comentário semanal, despretensiosamente, sem querer impor nada, muito menos convencer alguém das minhas intenções ou maneira de refletir. Vou dizer o que me vem à mente, embora tenha ouvido e lido pessoas mais sábias e entendidas do que eu. Como já afirmei, vou arriscar-me.

                 Parto da história ‘penta milenar’, tratada no 1º Livro da Bíblia, o Gênesis, em seu capítulo 32, versículos 23 em diante, sobre a origem de ISRAEL. Tinha que dar no que sempre deu, ou no que está dando agora. Sei que a Bíblia usa da linguagem “parabólica”, como o próprio Jesus também usou. Ela não dá data precisa, momento histórico, mas dá um recado, ou mensagem. É o caso.

                A figura central aqui é Abraão. Idoso, casado com idosa e sem filhos. Àquela época, não ter filho era uma maldição. Deus havia prometido a Abraão que ele teria uma grande descendência. Como, se já eram idosos? Pensava Abraão: “por acaso, um homem de cem anos pode ser pai? Será que Sara, com os seus noventa anos poderá ter um filho?” Apesar da promessa de Deus, o velho casal tinha suas dúvidas. Sara quis colaborar.

                Como não tinha dado um filho a Abraão, permitiu que ele se deitasse com sua serva egípcia, Agar, e assim tiveram um filho, a quem chamaram de Ismael (= o Deus que vê). Mesmo com o filho da escrava, Deus não desistiu de sua promessa e falou para Abraão: “Sara, sua mulher, lhe dará um filho e você o chamará de Isaque. Eu os abençoarei e darei a eles muitos filhos e descendentes”. (Confira tudo, lendo cuidadosamente, sobretudo Gn. 16).

                 De fato, Isaque teve dois filhos: Esaú e Jacó. Esaú se desgarrou de casa e ficou Jacó que casou com as duas filhas de Labão, das quais teve 12 filhos.    

                Diz o Gênesis 32,23, na referência citada acima, que, uma noite, Jacó, com suas duas mulheres e seus filhos, atravessaram o rio Jaboque, conduzindo presentes para Esaú, seu irmão. Mandou-os na frente, levando os presentes, enquanto ele ficou para trás, sozinho.

“Aí veio um homem que lutou com ele até o dia amanhecer. Quando o homem viu que não podia vencer, deu um golpe na junta da coxa de Jacó, de modo que ela ficou fora do lugar. Então o homem disse: ‘solte-me, pois já está amanhecendo’. ‘Não solto enquanto o senhor não me abençoar” – respondeu Jacó. Aí o homem perguntou: ‘como você se chama’? ‘Jacó’ – respondeu ele. Então o homem disse: ‘o seu nome não será mais Jacó. Você lutou com Deus e com os homens e venceu; por isso o seu nome será ISRAEL’. ‘Agora me diga o seu nome’ – pediu Jacó. O homem respondeu: ‘porque você quer saber o meu nome’? E ali ele abençoou Jacó, então Jacó disse: ‘eu vi Deus face a face, mas ainda estou vivo’.

                 Por isso ele pôs naquele lugar o nome de Peniel (= face de Deus) e ele ia mancando por causa do golpe que havia levado na coxa. Até hoje os descendentes de Israel não comem o músculo que fica na junta da coxa, pois foi nessa parte do corpo que ele recebeu o golpe”.

                 Estes irmãos – Ismael e Isaque - não nasceram à mesma época. Há, pelo menos, 13 anos entre si. Mas Deus disse a Abraão:

“Eu sou Deus, o Senhor. Eu o tirei da Babilônia, da cidade de UR, a fim de lhe dar Canaã para ser sua propriedade. Esta aliança eu manterei com seus filhos. Olhe para o céu e conte as estrelas se puder. Pois bem, será esse o número de seus descendentes. Farei também que eles sejam tantos como o pó da terra”.  

                 E Deus prossegue: “assim como ninguém pode contar os grãozinhos do pó, assim também não será possível contar os seus descendentes” (Gn 13).

                 Será que precisa de mais fundamentação bíblica para provar a história, a tenacidade e antiguidade de Israel? Quantas vezes foi atacado e quantas vezes atacou no A.T.: amonitas, filisteus, edomitas e amalecitas!? Quanta feiti-çaria reprovada por Deus!? Ainda bem que somos Monoteístas: acreditamos num único e verdadeiro Deus, embora as nossas diferenças sejam imensas.

                Cristãos (católicos, ortodoxos ou evangélicos), Judeus (ortodoxos, refor-mistas e conservadores) e Islamitas ou Muçulmanos (xiitas e sunitas) vivemos, palpavelmente desunidos, embora tenhamos a mesma origem: Abraão, em Ur, na Caldeia. Somos muitos; muitos os descendentes de Abraão, como ele disse: incontáveis como os grãos de areia da terra ou as estrelas do firmamento.

                Já pensaram? O Oriente Médio tem 15 países diferentes: Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Iêmen, Irã, Iraque, ISRAEL, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.

                O Extremo Oriente tem mais 06: Parte da China, Japão, Coréia do Norte, Mongólia, Coréia do Sul e Taiwan. Noventa por cento deles são Muçulmanos.

                Em um desses países, ISRAEL, nasceu Jesus, o Príncipe da Paz. Está em guerra, mantendo uma tradição anterior à sua instalação como país livre, em 1948: no Egito, Síria, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita. Depois da emancipação piorou: Arábia Israelense, Guerra de Suez, Guerra dos seis dias, Guerra de Yom Kippur em 1973: Israel contra o Egito e a Síria, no canal de Suez, pelo petróleo; e agora, contra os próprios palestino-islâmicos: o Hamas.

O Papa Francisco tem-se posicionado quanto ao conflito, em busca da paz, como o fez há dois anos, indo ao Iraque, unindo-se à espiritualidade do Pai Abraão entre os irmãos muçulmanos, em contatos com autoridades políticas, sobretudo na visita ao Sítio Arqueológico de Ur, onde se acredita ter nascido Abraão. Diante de uma praça, repleta de muçulmanos e de poucos cristãos, o Papa disse: “este lugar sagrado nos traz de volta às nossas origens. A hostilidade, o extremismo e a violência não nascem de um coração religioso. São a traição da religião. Nós crentes, não podemos nos silenciar quando o terrorismo abusa da religião”.

Com o Papa no Iraque e agora diante dos conflitos de Israel ele mantém a linha de raciocínio: “o cristão deve ser o primeiro a dar o exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico”. Será que o chefe de estado Islamita ir-se-ia encontrar com o Papa por sua própria iniciativa?

Do texto bíblico (Lc. 10,29) do Bom Samaritano, tiramos uma lição: se não fosse sua iniciativa, o coitado que caíra nas mãos dos ladrões, nunca teria sido acudido. Infelizmente, muitos têm até medo da palavra “ecumenismo”, evocada pelo papa. Não sabem o seu significado, confundem-na com comunismo e adeus diálogo. Se houvesse um mínimo de boa vontade, de diálogo, de entendimento entre todos, certamente se chegaria a acordos pra solução dos problemas. A guerra destrói. Torna os homens, irracionais. Estamos agora acompanhando mais de uma. Cada qual a mais destruidora.

Dada a violência empregada, vitimando milhares de pessoas de cada lado, com o uso de foguetes, mísseis, drones, bombas, tanques, soldados, caças, alarme ecológico, chegamos mesmo a perguntar angustiados: como é possível alcançarmos tais patamares de destruição? Ou, como é que somos seres humanos, capazes de tanta barbárie? E o pior: as guerras estão-se tornando cada vez mais guerras totais: destroem civis e combatentes. Lástima

 Estes livros, escritos por Betanistas, contam a História do Seminário de Sobral nos anos 50 e 60. Vale a pena conhecer. Podem ser adquiridos em Sobral no Seminário Propedêutico, com o Padre Bruno - Telefone: 88-998140877. A renda será para apoiar a Obra das Vocações Sacerdotais da Diocese.



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