sábado, 30 de dezembro de 2023

 

Mas quando ele começou a denunciar injustiças...

Conforme prometi no sábado passado, eu voltaria hoje a continuar a Reflexão iniciada sobre o Natal de Jesus, em que eu dizia não ser um aniversário qualquer, mas é o único nascimento do Verbo de Deus que se fez Homem. Toda a Palavra dita por Deus no A.T. era eficaz. Ele dizia e acontecia: “faça-se a luz”; “apareça a água”; “que esta se separe e apareça a terra seca”; “que a terra produza vegetais”; “que o dia e a noite se separem no céu”; “que surjam o homem e a mulher como minha imagem e semelhança para dominar o universo”. E assim se fez. É nisto que está a eficácia da Palavra de Deus: até se tornar gente e habitar entre nós: Jesus Cristo.

 João Batista O anunciou e Ele, que já era conhecido e frequentava a Sinagoga de Nazaré, leu o texto de Isaías, 61, 1ss, dizendo que naquele dia, aquela profecia estava se realizando. A partir dali, ele iniciava sua Missão. Houve incompreensão, quiseram colocá-lo em um precipício de ladeira abaixo e ele mostrou firme a que veio. Aproveitemos até 08/01 este Natal.

         O tempo de Jesus era limitado. Ele o aproveitou bem. Começou logo, formando sua equipe de trabalho: os 12 apóstolos, os 72 discípulos, as santas mulheres (algumas convertidas) e a todos ia dando funções e os enviava em missão. Muitos milagres iam acontecendo, muitas parábolas eram contadas e os que eram curados – cegos, aleijados, surdos, endemoniados, leprosos, ressuscitados – mesmo proibidos de divulgarem, espalhavam a notícia por toda parte, pelo prazer de se sentirem livres de seus males.

         Enquanto Jesus fazia os milagres, beneficiava o povo, multiplicava-lhe o pão, fazia pescas milagrosas, tudo parecia ir muito bem. Mas quando ele começou a denunciar injustiças, a falar na defesa dos mais pobres, a pedir aos ricos a partilha dos seus bens com os mais necessitados, a dizer-lhes ser mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que eles se salvarem, a pagarem o justo salário a quem trabalhasse e a desafiar as autoridades pelo seu mau comportamento, aí a coisa piorou e o levante contra Ele se espalhou por toda parte, até proporem a sua troca por Barrabás - um conhecido bandido que estava preso - e a crucificá-lo.

         Em apenas 03 anos ele deu o seu recado, formou uma Assembleia de fiéis, deixou um chefe para comandá-la, mandou que os seus seguidores – apóstolos ou discípulos – organizassem Comunidades, dessem a elas as graças e os Sacramentos instituídos por Ele e disse, pelo menos, em 18 ocasiões: não tenhais medo: “procurem as ovelhas perdidas da casa de Israel. Vão e anunciem isto; ‘o Reino do Céu está perto’. Cuidem dos leprosos e de outros doentes, expulsem os demônios, dêem assistência aos mortos, não levem nem ouro, nem prata. Vocês receberam sem pagar, portanto dêem sem cobrar”. Crucificado, morto, sepultado e ressuscitado, subiu ao céu, enviou o Espírito Santo para fixar bem a Igreja e deixou-nos com a Missão.

         Mateus encerra seu livro, dizendo a última recomendação de Jesus; “Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que ordenei a vocês. Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”.

         A Igreja começou sua missão. Tinha que seguir a ordem do fundador. O livro dos Atos dos Apóstolos dá continuidade à história iniciada por Jesus em Jerusalém, na Judéia e na Samaria, chegando aos lugares mais distantes, como Roma, a Capital do Império Romano. Dois apóstolos chegam primeiro: o Papa, Pedro e um cidadão romano, judeu convertido ao cristianismo: Paulo. Duas pilastras da Igreja iniciante. Pedro começou visitando Jerusalém, Samaria, Lida, Jope e Cesaréia. Paulo, com suas muitas viagens pelo Império Romano. Ambos, enfrentando distancias, mares e travessias, sofrendo até naufrágios. A eles se foram associando outros líderes, como: Estêvão, Filipe, Barnabé, Timóteo e Silas. Foi um trabalho muito difícil, sobretudo por causa do paganismo reinante, oficial, do Império e as perseguições desferidas contra os simpatizantes dos que iam aceitando o cristianismo.

         O papel mais importante, acreditado por todos, era do Espírito Santo que guiava, sugeria, sustentava, encorajava e fortalecia os seguidores de Jesus nos trabalhos das Igrejas e no serviço de anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro. Esta base sólida, inicial tem que comandar a Igreja até o fim.

         Para chegar até nossos dias, muitas dificuldades foram enfrentadas, mas muitas vitórias foram conquistadas. Nunca se deveria perder o foco, a iluminação inicial de Jesus e o calor ou o fogo dado pelo Espírito de Deus. É que nós, às vezes, esquecemos disto. Os Concílios, os Sínodos, as Encíclicas e Cartas Apostólicas nos incentivam à Ação Missionária. Qualquer oposição ao nosso trabalho, desistimos, temos medo; recordamos nomes de Bispos e Padres do passado, mas não nos espelhamos neles. Se uma autoridade política nos critica, a gente esquece aqueles sacerdotes e bispos que lutaram e venceram com a verdade. E a Palavra de Deus nos diz que “a verdade nos libertará”. Nós temos medo e nossos inimigos ficam respaldando suas mentiras, usando a Palavra de Deus ou usando o nome de Deus em vão. Será que dá pra esquecer a coragem e influência de D. Francisco, D. Helder, D. Fragoso, D. José Maria Pires, D. Paulo Evaristo, D. Pedro Casaldáliga, D. Aloísio Lorscheider, D. Angélico Sândalo, D. Adriano Hipólito, D. Tomás Balduíno, D. Valdir Calheiros, D. Luciano Mendes, D. Ivo Lorscheiter, D. Marcelo Carvalheira, D. Paulo Ponte, D. Leonardo Steiner, D. Erwin Kastler, D. Edmilson da Cruz e o Padre Júlio Lancelotti pelo muito que fizeram e alguns ainda fazem para que os bons desejos de Jesus e as bases lançadas por ele de sustentação de sua Igreja permaneçam até o fim?

Quem tem um ‘aniversariante assim’, não pode ter sentimentos superficiais. 

A mensagem e a arte da Professora NAZARÉ ANTERO








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