Mas
quando ele começou a denunciar injustiças...
Conforme
prometi no sábado passado, eu voltaria hoje a continuar a Reflexão iniciada
sobre o Natal de Jesus, em que eu dizia não ser um aniversário qualquer, mas é
o único nascimento do Verbo de Deus que se fez Homem. Toda a Palavra dita por
Deus no A.T. era eficaz. Ele dizia e acontecia: “faça-se a luz”; “apareça a
água”; “que esta se separe e apareça a terra seca”; “que a terra produza
vegetais”; “que o dia e a noite se separem no céu”; “que surjam o homem e a
mulher como minha imagem e semelhança para dominar o universo”. E assim se fez.
É nisto que está a eficácia da Palavra de Deus: até se tornar gente e habitar
entre nós:
Jesus Cristo.
João Batista O anunciou e Ele, que já era conhecido e frequentava a Sinagoga de Nazaré, leu o texto de Isaías, 61, 1ss, dizendo que naquele dia, aquela profecia estava se realizando. A partir dali, ele iniciava sua Missão. Houve incompreensão, quiseram colocá-lo em um precipício de ladeira abaixo e ele mostrou firme a que veio. Aproveitemos até 08/01 este Natal.
O
tempo de Jesus era limitado. Ele o aproveitou bem. Começou logo, formando sua
equipe de trabalho: os 12 apóstolos, os 72 discípulos, as santas mulheres
(algumas convertidas) e a todos ia dando funções e os enviava em missão. Muitos
milagres iam acontecendo, muitas parábolas eram contadas e os que eram curados
– cegos, aleijados, surdos, endemoniados, leprosos, ressuscitados – mesmo
proibidos de divulgarem, espalhavam a notícia por toda parte, pelo prazer de se
sentirem livres de seus males.
Enquanto
Jesus fazia os milagres, beneficiava o povo, multiplicava-lhe o pão, fazia
pescas milagrosas, tudo parecia ir muito bem. Mas quando ele começou a
denunciar injustiças, a falar na defesa dos mais pobres, a pedir aos ricos
a partilha dos seus bens com os mais necessitados, a dizer-lhes ser mais fácil
um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que eles se salvarem, a pagarem o
justo salário a quem trabalhasse e a desafiar as autoridades pelo seu mau
comportamento, aí a coisa piorou e o levante contra Ele se espalhou por toda
parte, até proporem a sua troca por Barrabás - um conhecido bandido que estava
preso - e a crucificá-lo.
Em
apenas 03 anos ele deu o seu recado, formou uma Assembleia de fiéis, deixou um
chefe para comandá-la, mandou que os seus seguidores – apóstolos ou discípulos
– organizassem Comunidades, dessem a elas as graças e os Sacramentos
instituídos por Ele e disse, pelo menos, em 18 ocasiões: não tenhais medo: “procurem as ovelhas perdidas da casa de
Israel. Vão e anunciem isto; ‘o Reino do Céu está perto’. Cuidem dos leprosos e
de outros doentes, expulsem os demônios, dêem assistência aos mortos, não levem
nem ouro, nem prata. Vocês receberam sem pagar, portanto dêem sem cobrar”. Crucificado,
morto, sepultado e ressuscitado, subiu ao céu, enviou o Espírito Santo para
fixar bem a Igreja e deixou-nos com a Missão.
Mateus
encerra seu livro, dizendo a última recomendação de Jesus; “Deus me deu todo o poder no céu e na terra.
Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores,
batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a
obedecer a tudo o que ordenei a vocês. Eu estou com vocês todos os dias, até o
fim dos tempos”.
A
Igreja começou sua missão. Tinha que seguir a ordem do fundador. O livro dos
Atos dos Apóstolos dá continuidade à história iniciada por Jesus em Jerusalém,
na Judéia e na Samaria, chegando aos lugares mais distantes, como Roma, a
Capital do Império Romano. Dois apóstolos chegam primeiro: o Papa, Pedro
e um cidadão romano, judeu convertido ao cristianismo: Paulo. Duas
pilastras da Igreja iniciante. Pedro começou visitando Jerusalém, Samaria,
Lida, Jope e Cesaréia. Paulo, com suas muitas viagens pelo Império Romano.
Ambos, enfrentando distancias, mares e travessias, sofrendo até naufrágios. A
eles se foram associando outros líderes, como: Estêvão, Filipe, Barnabé,
Timóteo e Silas. Foi um trabalho muito difícil, sobretudo por causa do
paganismo reinante, oficial, do Império e as perseguições desferidas contra os
simpatizantes dos que iam aceitando o cristianismo.
O
papel mais importante, acreditado por todos, era do Espírito Santo que guiava,
sugeria, sustentava, encorajava e fortalecia os seguidores de Jesus nos
trabalhos das Igrejas e no serviço de anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro.
Esta base sólida, inicial tem que comandar a Igreja até o fim.
Para
chegar até nossos dias, muitas dificuldades foram enfrentadas, mas muitas
vitórias foram conquistadas. Nunca se deveria perder o foco, a iluminação
inicial de Jesus e o calor ou o fogo dado pelo Espírito de Deus. É que nós, às
vezes, esquecemos disto. Os Concílios, os Sínodos, as Encíclicas e Cartas
Apostólicas nos incentivam à Ação Missionária. Qualquer oposição ao nosso
trabalho, desistimos, temos medo; recordamos nomes de Bispos e Padres do
passado, mas não nos espelhamos neles. Se uma autoridade política nos critica,
a gente esquece aqueles sacerdotes e bispos que lutaram e venceram com a
verdade. E a Palavra de Deus nos diz que “a verdade nos libertará”. Nós temos
medo e nossos inimigos ficam respaldando suas mentiras, usando a Palavra de
Deus ou usando o nome de Deus em vão. Será que dá pra esquecer a coragem e influência
de D. Francisco, D. Helder, D. Fragoso, D. José Maria Pires, D. Paulo
Evaristo, D. Pedro Casaldáliga, D. Aloísio Lorscheider, D. Angélico Sândalo, D.
Adriano Hipólito, D. Tomás Balduíno, D. Valdir Calheiros, D. Luciano Mendes, D.
Ivo Lorscheiter, D. Marcelo Carvalheira, D. Paulo Ponte, D. Leonardo Steiner,
D. Erwin Kastler, D. Edmilson da Cruz e o Padre Júlio Lancelotti pelo
muito que fizeram e alguns ainda fazem para que os bons desejos de Jesus e as
bases lançadas por ele de sustentação de sua Igreja permaneçam até o fim?
Quem tem um ‘aniversariante assim’, não
pode ter sentimentos superficiais.
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