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RETORNANDO A PERNAMBUCO PARA REVER AMIGOS EM CELEBRAÇÕES |
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Como se não bastassem
tantas alegrias, vividas na última semana do mês de outubro, lembradas e
refletidas em meus comentários semanais, à época e no início de novembro,
recebendo pessoas e “mensagens” de gente amiga de Pernambuco, repeti a dose na
2ª metade do mês de novembro, indo, pessoalmente, encontrar-me com mais gente
pernambucana.
O
objetivo maior era comemorar um “sesquicentenário
em família”: 90 anos do Patriarca, Manoel Jerônimo e os 60
anos de um dos seus 14 filhos, o Eliodoro Daltino, aos 18.11.2023. Os dois
aniversariavam no mesmo dia e a grande família, pelo menos, 05 vezes
multiplicada, quis celebrar, todos juntos.
Estive
também por lá: para a celebração eucarística e para a festividade familiar, já
que, Goretti - filha e irmã dos dois aniversariantes – mora e trabalha comigo
há 40 anos. Faz mais de 60 que conheço a todos: os mais antigos e os que vieram
depois, inclusive, batizando-os e abençoando-os pelo matrimônio.
Além
da riqueza acumulada por Manoel Jerônimo e Dona Iranete, pelo número de
filhos, netos e bisnetos, ele acumulou também experiência, luta e muita conscientização
política e sindical à frente dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco, quer em
Iguaracy, no interior, quer na Federação, na Capital.
Acrescente-se
a essas duas riquezas de Manoel Jerônimo, seu cabedal de conhecimentos.
Pelas poucas letras em que fora iniciado, era Poeta Popular do mais alto nível,
como são tantos trovadores do Vale do Pajeú, a exemplo dos irmãos Batista,
Marinho, Filó, ou Marcolino, Pinto, Dantas ou Dias tão conhecidos em toda a
região.
Seu
compromisso com a cultura e a sabedoria o fez estimular e orientar os filhos
para o estudo, tanto que todos são formados e, profissionalmente, realizados
nas funções que exercem. Sua filha Goretti, a primeira de todos os
filhos, pronunciou-se nas comemorações festivas celebradas em Escada – PE,
dizendo que
“todos já vivíamos nossas vidas, escolhêramos nossas
companhias e morávamos distante, geograficamente, embora muito unidos pelo amor
que aprendêramos em nossa casa”.
E concluiu a oradora, ressaltando texto do Livro do Eclesiástico, ouvido na 1ª leitura da Missa, intitulado Pais e Filhos:
“o Senhor quer que os filhos honrem os pais e respeitem a autoridade das mães. Aquele que respeita o seu pai recebe o perdão de seus pecados; aquele que honra a sua mãe é como a pessoa que ajunta muitas riquezas... Respeite o seu pai, tanto no que você faz como no que diz e assim ele lhe dará a sua bênção. A bênção do pai dá firmeza ao lar dos filhos e a maldição da mãe destrói o seu alicerce...Meu filho, ajude a seu pai quando ele ficar velho e, enquanto ele viver, não faça nada que o possa contrariar” (Livro do Eclesiástico, 3, 1 e seguintes)
Quero também concluir este meu comentário nos 90 anos de Manuel Jerônimo, remetendo o meu possível leitor para conhecer uma pequena mostra de suas poesias e do seu talento no livro Cúmplice da Natureza de sua autoria, editado pela Conhecimento Editora de Fortaleza – CE, 2010. Tenho, pessoalmente, outras poesias de sua autoria, que conservo em meus arquivos e muito me envaidecem em possuí-las. Mais uma vez, parabéns, grande poeta.
Aproveitei
a minha ida a Pernambuco para aumentar ou alimentar minha saudade, já que a ela
não se deve matar. Encontrei outras pessoas amigas que me fizeram tanto bem e me
deram tantas alegrias, quanto as que tive nas “celebrações sesquicentenárias”, aludidas
acima. Para ter a mobilidade que tive, viajei de Bela Cruz a Fortaleza e de lá
pra Recife, de carro, todo o dia 17.
Cansativo,
sem dúvida, pra minha idade, mas com paradas estratégicas e repousantes, bem
distribuídas nos cerca de 2.700 km, ida e volta: Bela Cruz - Recife – Bela Cruz.
Como companheiros de viagem, nada melhor do que os sobrinhos Pedrinho e
Jaqueline, proprietários do carro – uma TORO de Luxo - além de meu Neto, João
Murilo e sua mãe do coração, Goretti.
De
Fortaleza a João Pessoa, algumas paradas para atividades rápidas, com uma, bem
demorada na bela capital paraibana, com um velho amigo, Dr. Luciano Bezerra e
esposa, que nos esperavam para o almoço. Foi maravilhoso o reencontro, como
sempre tem sido ao longo dos últimos 60 anos. Almoçados e descansados, pé na
estrada para Recife. Pelas 20 horas, lá estávamos: João e Goretti, com os
familiares, em Escada. O resto da tripulação, tio e sobrinhos, num Hotel, em
Boa Viagem, área nobre do Recife, para o merecido descanso.
O
dia 18 - exatamente o da festa sesquicentenária, descrita acima - nós o
ocupamos, toda a manhã, com outro amigo, mulher, filhos e netos, visitando a
antiga Oficina Mecânica, do meu amigo Luís Gomes da Rocha, que toda vida disse
ser meu irmão, por causa do Rocha no nome. Foi uma alegria
imensa, que somente o meu “irmão” Boneco (era o seu apelido), me poderia dar.
Com o seu estímulo, fui
a outro endereço, conhecer uma indústria – Macarrons – de doces e
petiscos, os mais variados, sob a direção da filha Alessandra, associada à mãe,
Inalda, netos e funcionários, que formam uma excelente empresa familiar. Têm
duas lojas, tipo Showroom, na própria Fábrica e em Boa Viagem, para degustarem
e comercializarem seus produtos.
Tivemos um almoço em
restaurante, com uma convidada, estudante de medicina, Joana, filha de
Bela Cruz, seguindo para as celebrações festivas, em Escada, na tarde e noite
desse mesmo sábado, na Festa Sesquicentenária.
No domingo, 19, ficamos
a manhã toda no Hotel, aguardando ligação da parte de um grande amigo, Marcus
Ramos, que fixou nosso encontro, para as 17 horas. Tivemos tempo para
almoçar na residência de meu afilhado, Marcos Sampaio e sua esposa Silvana,
seus dois filhos e namoradas, Dra. Tereza Alves, psicóloga, em plena atividade,
minha madrinha de Ordenação Sacerdotal e mãe do Dr. Marcos, a Acadêmica de
Medicina, Joana, que conquistou a simpatia de Dona Tereza,
Pedrinho e Jaqueline, meus sobrinhos que me acompanharam em toda a viagem e
durante as visitas, além de outras pessoas do convívio da casa. A interação foi
sensacional, todos recordavam fatos e brincadeiras de outrora, mas já deveríamos
sair, pois tínhamos um reencontro, inadiável, com Marcus Ramos, que já
nos aguardava às 05 horas.
Somente o Pedrinho
entrou comigo. O reencontro era com amigos de 50 anos. Até dois anos atrás, nós
nos víamos com a felicidade de sempre. Seus filhos me chamavam de tio. Sua
esposa me tinha como cunhado. Seu pai, Sr. Pedro Ramos, gostaria que eu fosse
seu hóspede, sempre que viesse a Recife, pois se achava meu devedor de muitos
favores, impagáveis. Eu o havia acompanhado em Hospital, em Roma, com todos os
cuidados que se deve ter, para com uma pessoa muito familiar, muito cara e
muito amiga. E eu achava que se deve fazer o bem, a qualquer um que esteja
necessitando de ajuda e de solidariedade. Seu Pedro e filhos achavam que
ninguém faz algo por alguém, sem interesse. E eu só podia estar enganando.
Foram 50 anos para provar que amor e caridade devem ser feitos sem visar lucro
material. A visita feita a este meu amigo era para lhe dar a certeza disto. Não
sei se o verei mais. Minha viagem a Recife poderá ter sido a última. Encerrei-a
com mais um jantar com os sobrinhos Lígia e Bruno e retornamos dia 20, cedinho,
ao nosso aconchego.

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