Desde Domingo passado, 03
de dezembro, estamos celebrando o Tempo do Advento, em seu 1º dia, que também
deu início a um novo ciclo litúrgico ou a um novo ano no calendário da Igreja
Católica.
É uma série de 04 domingos que nos prepara para celebrar
o Natal de Jesus, sendo amanhã, o 2º da série. Pela catequese tradicional da
Igreja, Advento é uma palavra originada do latim (do verbo advenire) que quer dizer chegar;
vir e não significa outra
coisa, senão, preparar a chegada de Jesus; a esperança de que a sua vinda
nos traz.
Todos os anos a Igreja abre e fecha o seu ciclo litúrgico, seguindo um roteiro pré-determinado e vivido, tradicionalmente, em todo o mundo. Passa a sua vivência para seus fiéis cristãos, a fim de que todos nós o entendamos e o vivenciemos de acordo com o seu significado.
O ano
litúrgico começa com o Tempo do Advento,
que nos prepara para viver o Natal, que não é somente o dia 25 de dezembro, mas
vai da oração das Vésperas que nós sacerdotes rezamos na Liturgia das Horas, na
tardinha do dia 24, até a festa do Batismo de Jesus, que este ano será
celebrada no dia 08/01/2024. Todos esses 13 dias serão comemorativos do
nascimento de Jesus. É como se fosse um dia só, ou um único dia bem grande. Daí
em diante, passamos a viver uma 1ª parte do Tempo Comum - umas 08 semanas - e
iniciamos o Tempo da Quaresma que, como o próprio nome diz, é um período de 40
dias, agora preparatório para a semana santa (de 24 a 31/03) para viver o Tempo
Pascal.
Os Tempos do Advento e da Quaresma são parecidos,
nos sentimentos e nas celebrações. Dão, ao cristão, um espírito penitencial,
convidativo à conversão, pois nos preparam para dois grandes momentos de nossa
fé: o nascimento de Jesus (25/12) e a sua Ressurreição (31/03/2024).
Com a
festa da Ressurreição, inicia-se o Tempo da
Páscoa, que são 50 dias festivos, alegres, comemorativos da vitória
de Jesus sobre a morte, encerrando no Pentecostes (19/05/24) É a certeza da
salvação que Ele nos veio trazer. É o maior acontecimento para a humanidade.
Nada é mais importante do que alguém ter morrido, ressuscitado e garantido a
ressurreição para todos.
Depois
desse Tempo Pascal, recomeça-se da 9ª Semana do Tempo Comum, interrompido lá no
início da Quaresma, e se veio até a Festa de Cristo Rei (26/11), no último
Domingo do ano litúrgico, com mais uma semana - a 34ª do Tempo Comum (27/11
a 02/12)) – para podermos iniciar tudo de novo, como estamos fazendo a partir das
Vésperas da tarde do sábado passado.
Ficou confuso? Entenda bem o que
estou dizendo. Às vezes nós nos dizemos católicos, mas não sabemos coisas tão
rudimentares da nossa fé cristã que, vividas no calendário de nossa Igreja, nos
recordam os principais mistérios, ensinamentos e práticas religiosas que todos
deveríamos vivenciar e aperfeiçoar a cada dia. Nem sempre nós nos interessamos
por isto.
Jesus,
além de nos trazer uma mensagem de esperança, nos deu também um roteiro, uma
estratégia, uma política, uma ideologia ou um caminho a serem seguidos. Estes,
sim, nos salvam e é preciso estarmos sempre alertas, lembrados e motivados para
não fugir da orientação que Ele nos deixou, e o ano litúrgico nos vai
relembrando o esquema, vai-nos avivando a norma e nos vai religando com Deus. É este o sentido da “religião” em
nossa vida.
Será
correto a gente viver sem uma norma, um roteiro de vida? Será que nós não
precisamos da ajuda de ninguém, de algum lembrete, de alguma chamada de
atenção? Será que podemos viver numa sociedade sem governo, amorfa, anárquica, no sentido original da palavra?
Às vezes,
setores não católicos, embora cristãos, dizem que adoramos a Maria e nos
criticam por isso. Nós temos repetido que não a adoramos, mas nós a
respeitamos, veneramos e a aceitamos como mãe, já que Jesus no-la deu, aos pés
da cruz, na pessoa de João, o Evangelista, quando disse: “eis aí o teu filho; eis aí a tua mãe”.
Maria é
mãe de Deus e tornou-se nossa mãe, não é somente porque teve Jesus gerado em
seu ventre; é também e, sobretudo, pelo que Ele mesmo disse: porque ela fez a vontade do Pai. Quem
é minha mãe e quem são meus irmãos? Disse Jesus: Minha mãe, minha irmã e meu irmão é todo aquele que faz a vontade do
meu Pai que está no céu.
Por toda
parte, onde se celebram as Festas de N. Senhora da Conceição, sempre ligamos á
Missão: de Maria, aceitando ser a mãe de Jesus: “faça-se em mim, segundo a tua palavra”; e à nossa missão: de ir pelo mundo, pregando o evangelho a
toda criatura. Não só os sacerdotes, como também os leigos, fomos enviados
em Missão, semelhante à de Maria, ao dizer: “faça-se
em mim. Eis-me aqui”.
Maria colocou-se
nas mãos do Senhor. Porque nós, não?
Sempre
lembramos que ela, no Canto do Magnificat, denuncia os poderosos, nada
solidários com os mais pobres; os ricos, cada vez mais ricos, à custa da
miséria de muitos, os perseguidos por causa da justiça e na busca da paz,
sempre dizendo que todos serão chamados “filhos de Deus”.
Peçamos
a Maria, padroeira de toda a Diocese e de várias Paróquias como a nossa, para
que ela continue a interceder por nós, assim como fez nas bodas de Caná, da
Galiléia: “meu filho, eles não têm
vinho...” Que ela continue a dizer: eles
não têm salário... Eles estão com fome, sem justiça; sem saúde, a morte ronda a
sua casa... A insegurança impera, enfim, a mãe é a mesma, Jesus é o mesmo;
os problemas têm variado: do vinho à água, da insegurança às políticas
públicas; do analfabetismo aos postos de trabalho; do desemprego à fome, etc.
Seja qual for a nossa necessidade, Maria está alerta na busca de solução; pra
resolver mesmo. É só recorrer ao seu Divino Filho. É Ele quem faz o milagre.

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