sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

   PADRE NICODEMOS,            40 ANOS DE SACERDÓCIO.             UM VENCEDOR,  DE ARANAÚ

Na 5ª feira desta semana, dia 25, concelebrei com alguns irmãos no sacerdócio, os 40 anos de ordenação presbiteral de nosso colega, Padre Francisco Nicodemos de Souza, na Matriz de São João Batista de Aranaú, (Acaraú) sua terra natal. Além dos sacerdotes que lá estivemos, havia muitos familiares, amigos, convidados e conterrâneos, todos felizes e unidos na gratidão e na homenagem prestada ao ilustre aniversariante.

  

Todo padre recebe um “chamado especial”. Cada um tem sua “história vocacional”. Deus tem suas multiformes maneiras de chamar, a Seu modo, que a gente que recebe o convite, só vai entender depois. Deus é quem prepara a ocasião, é quem planeja o convite, encontra os intermediários e, quando o “candidato” menos espera, já está “laçado” pelo amor de Deus. Cada um de nós tem sua história pra contar e cada uma é diferente da outra. Deus o sabe.

            O Padre Nicodemos também teve a sua para nos lembrar nessa 5ª feira.

            Dentre os 12 irmãos da casa de seu Alexandre e Dona Leonor é o 6º filho. Nasceu no Distrito de Aranaú, Município de Acaraú, aos 05/02/1943, mesma comunidade que originou Dom Edmilson Cruz, ainda vivo, “lúcido”, atualmente com seus 99 anos, a comemorar o centenário do seu nascimento, no dia 03 de outubro deste ano. Ambos, de origem cristã, católica.

Nicodemos seguiu todos os passos do bom cristão, recebendo o batismo, a crisma, a 1ª Eucaristia, enquanto ia frequentando a escola, até a 4ª série que Aranaú possibilitava. A situação de seus pais não permitiria a ele e aos irmãos, de saírem para uma escola mais graduada na sede do município. Tínham que trabalhar na roça para ajudar na criação da grande família. Não podíam pensar “grande”, crescer, intelectualmente. Acreditavam que um “chamado” maior, só dependia de Deus. Era a “vocação” que ouviam falar, através de Padres que os visitavam: Arakén, Sabino, Zé Edson, Valderi, Albani e outros que apareciam, citando a Palavra de Deus, como o Profeta Jeremias 1,5-7: “Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga de sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações”... Como entender isso se não dependia da gente, mas de Deus? Não era uma busca da profissão que a gente quer. Era um desejo que dependia de Deus.

            Nós não teimamos em ser padre. Não nos tornamos padre, porque a nossa família queria. Às vezes, até se opunha. Deus dá seus arrodeios. Com relação ao Padre Nicodemos, seu chamado inicial foi para “um movimento de evangelização na catequese de jovens e adultos chamado ‘Dia do Senhorsob a coordenação do Padre Albani Linhares e de uma leiga: Valnê”. O jovem Nicodemos já estava com seus 23 anos. Não era uma criança que queria entrar num Seminário, mas já sentia o chamado missionário. Deus já estava na área.

O Pe. Arnóbio, eterno guia espiritual, fundara o Instituto dos Oblatos Diocesanos, que lhe parecia viável, mas fora extinto pelo 2º Bispo de Sobral, D. João Mota. Ficara só a Congregação de Irmãs do Sagrado Coração de Jesus.

            Segundo a mística do fundador, os Oblatos eram “ofertados” a Deus para prestarem vários serviços: na catequese, nas secretarias paroquiais, em missões nas capelas, na zona rural. Eram de grande ajuda aos párocos, em serviços, os mais variados. Eram como os irmãos, em ordens religiosas, que não eram padres. Não celebravam a santa missa, mas eram irmãos leigos competentes e preparados para exercerem várias funções nas comunidades.

            Nicodemos era um rapazinho bom, do interior, catequista por lá, amava a Igreja que estava vivendo o Concílio Vaticano II, entusiasmado com o convite à comunhão e à participação em sua comunidade eclesial e era encantado com o “Dia do Senhor” que já praticava. Estivera com o Padre José Furtado, em Meruoca, pelo Seminário em Sobral, até em Fortaleza e tudo lhe ia servindo de experiência; a idade aumentando, mas a vocação, flutuando. Viu até um de seus confrades-oblatos tornar-se sacerdote: o Padre Martins de Medeiros. Era uma esperança. Mas Nicodemos ficava no aguardo de Deus: que Ele fizesse a Sua parte. E Deus deu o seu jeito: fê-lo ser recebido, lá longe, em Belém do Pará, pelo Arcebispo Dom Alberto Ramos. Lá se foi o nosso “candidato”. Puro ou “cândido” ele era. Sem maldade, limpo, como todo “candidato” deveria ser.

            Filho de agricultores e já trabalhando no campo, buscava realizar-se em um trabalho, parecido com a sua origem ou com suas raízes. Dom Alberto o recebeu, observou seu procedimento, suas virtudes e opções, ordenando-o diácono em 1982, tornando-o Sacerdote aos 25 de Janeiro de 1984. São os 40 anos que celebramos nessa 5ª feira: 25/01/2024. Bem antes de ser, oficialmente “consagrado” pela ordenação diaconal e presbiteral, ele já era, naturalmente “consagrado” pela sua dedicação, vivência e disposição pessoal. Já tinha o “carisma”, a predisposição, a vocação pelo seu próprio modo de ser.

Em Manaus e pela Amazônia passou 25 anos do seu sacerdócio, totalmente dedicados à Missão, fazendo o que já lhe era “inato”. Iniciou dentro da simplicidade e da vida interiorana, mais parecida com suas raízes.

Sem ter sido “um Oblato de carteirinha”, praticante das regras comunitárias por obrigação, já o fazia por vocação, pela prática de suas ações, que até se parecia com aqueles internos no Instituto e que viviam na comunidade: Juvenal, Vilemar, Martins. Este mesmo se tornou Padre. Todos, provenientes do interior, como ele, encontravam no Instituto dos Oblatos Diocesanos, uma boa maneira de viver o sacerdócio dos leigos, recebido no Batismo. Alguns poderiam alcançar até o Presbiterato, como foi o seu próprio caso e o do Pe. Martins. Certamente, outros também.

            Dom Mota, imediatamente sucessor de Dom José Tupinambá, extinguiu o Instituto dos Oblatos Diocesanos e a Casa foi fechada. Com isso, alguns se sentiram atraídos para a vida religiosa, ingressando em seminário ou convento e até se tornando padre. Foi o caso do nosso Padre Nicodemos. Já não era mais criança ou adolescente. Mesmo mais tarde, ingressou no Seminário para um aperfeiçoamento de estudos. E conseguiu. Deus estava em seu caminho. Dom Alberto Gaudêncio Ramos foi o instrumento de Deus a acolhê-lo.

Depois da sua ordenação, veio à sua terrinha, Aranaú, celebrar sua 1ª Missa e outros Padres que o ajudaram, acompanharam e torceram pela sua vitória, marcaram presença em Aranaú no dia 28/01/1984 (amanhã faz 40 anos). Ao redor do altar concelebraram com ele, os Padres: Manoel Valderi, Edson Magalhaes, Waldir Lopes, José Furtado e Leonardo, representando a Arquidiocese de Manaus. Foi uma grande alegria para todos, principalmente para a família do néo-sacerdote e para seus conterrâneos.

Os dois padres voltaram para a missão na região amazônica, por 25 anos, como já disse, cabendo ao nosso conterrâneo inúmeras atividades, quer em Paróquias, quer no Tribunal Eclesiástico. Tanto em cidades, como no interior. Muitas vezes entre o céu e as águas amazônicas, durante o dia ou durante a noite. Quem teve o preparo que o Padre Nicodemos teve e enfrentou as dificuldades experimentadas por ele, para sobreviver e se tornar um vencedor, a região amazônica foi um prêmio para a conquista da vida eterna.

Parabéns, Padre Nicodemos!

Eu o admiro muito. Você é um vencedor!

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