PADRE NICODEMOS, 40 ANOS DE SACERDÓCIO. UM VENCEDOR, DE ARANAÚ
Na 5ª feira desta semana, dia 25, concelebrei com alguns irmãos no sacerdócio, os 40 anos de ordenação presbiteral de nosso colega, Padre Francisco Nicodemos de Souza, na Matriz de São João Batista de Aranaú, (Acaraú) sua terra natal. Além dos sacerdotes que lá estivemos, havia muitos familiares, amigos, convidados e conterrâneos, todos felizes e unidos na gratidão e na homenagem prestada ao ilustre aniversariante.
Todo padre recebe um “chamado especial”. Cada
um tem sua “história vocacional”. Deus tem suas multiformes maneiras de chamar,
a Seu modo, que a gente que recebe o convite, só vai entender depois. Deus é
quem prepara a ocasião, é quem planeja o convite, encontra os intermediários e,
quando o “candidato” menos espera, já está “laçado” pelo amor de Deus. Cada um
de nós tem sua história pra contar e cada uma é diferente da outra. Deus o
sabe.
O
Padre Nicodemos também teve a sua para nos lembrar nessa 5ª feira.
Dentre
os 12 irmãos da casa de seu Alexandre e Dona Leonor é o 6º filho. Nasceu no
Distrito de Aranaú, Município de Acaraú, aos 05/02/1943, mesma comunidade que
originou Dom Edmilson Cruz, ainda vivo, “lúcido”, atualmente com seus 99 anos, a comemorar o
centenário do seu nascimento, no dia 03 de outubro deste ano. Ambos, de origem
cristã, católica.
Nicodemos seguiu todos
os passos do bom cristão, recebendo o batismo, a crisma, a 1ª Eucaristia,
enquanto ia frequentando a escola, até a 4ª série que Aranaú possibilitava. A
situação de seus pais não permitiria a ele e aos irmãos, de saírem para uma
escola mais graduada na sede do município. Tínham que trabalhar na roça para
ajudar na criação da grande família. Não podíam pensar “grande”, crescer,
intelectualmente. Acreditavam que um “chamado” maior, só dependia de Deus. Era
a “vocação” que ouviam falar, através de Padres que os visitavam: Arakén,
Sabino, Zé Edson, Valderi, Albani e outros que apareciam, citando a Palavra
de Deus, como o Profeta Jeremias 1,5-7: “Antes
do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga de sua mãe, eu o escolhi
e separei para que você fosse um profeta para as nações”... Como entender
isso se não dependia da gente, mas de Deus? Não era uma busca da profissão que
a gente quer. Era um desejo que dependia de Deus.
Nós
não teimamos em ser padre. Não nos tornamos padre, porque a nossa família queria.
Às vezes, até se opunha. Deus dá seus arrodeios. Com relação ao Padre Nicodemos,
seu chamado inicial foi para “um
movimento de evangelização na catequese de jovens e adultos chamado ‘Dia do
Senhor’ sob a coordenação do
Padre Albani Linhares e de uma leiga: Valnê”. O jovem Nicodemos já estava
com seus 23 anos. Não era uma criança que queria entrar num Seminário, mas já
sentia o chamado missionário.
Deus já estava na área.
O Pe. Arnóbio, eterno guia espiritual, fundara o
Instituto dos Oblatos Diocesanos, que lhe parecia viável, mas fora extinto pelo
2º Bispo de Sobral, D. João Mota. Ficara só a Congregação de Irmãs do Sagrado
Coração de Jesus.
Segundo
a mística do fundador, os Oblatos eram “ofertados”
a Deus para prestarem vários serviços: na catequese, nas secretarias paroquiais,
em missões nas capelas, na zona rural. Eram de grande ajuda aos párocos, em
serviços, os mais variados. Eram como os irmãos, em ordens religiosas, que não
eram padres. Não celebravam a santa missa, mas eram irmãos leigos competentes e
preparados para exercerem várias funções nas comunidades.
Nicodemos
era um rapazinho bom, do interior, catequista por lá, amava a Igreja que estava
vivendo o Concílio Vaticano II, entusiasmado com o convite à comunhão e à participação em sua comunidade eclesial e era
encantado com o “Dia do Senhor” que já praticava. Estivera com o Padre José
Furtado, em Meruoca, pelo Seminário em Sobral, até em Fortaleza e tudo lhe ia
servindo de experiência; a idade aumentando, mas a vocação, flutuando. Viu até
um de seus confrades-oblatos tornar-se sacerdote: o Padre Martins de Medeiros. Era
uma esperança. Mas Nicodemos ficava no aguardo de Deus: que Ele fizesse a Sua
parte. E Deus deu o seu jeito: fê-lo ser recebido, lá longe, em Belém do Pará,
pelo Arcebispo Dom Alberto Ramos. Lá se foi o nosso “candidato”. Puro ou
“cândido” ele era. Sem maldade, limpo, como todo “candidato” deveria ser.
Filho
de agricultores e já trabalhando no campo, buscava realizar-se em um trabalho, parecido
com a sua origem ou com suas raízes. Dom Alberto o recebeu, observou seu
procedimento, suas virtudes e opções, ordenando-o diácono em 1982, tornando-o
Sacerdote aos 25 de Janeiro de 1984. São os 40 anos que celebramos nessa 5ª
feira: 25/01/2024. Bem antes de ser, oficialmente “consagrado” pela ordenação
diaconal e presbiteral, ele já era, naturalmente “consagrado” pela sua
dedicação, vivência e disposição pessoal. Já tinha o “carisma”, a predisposição,
a vocação pelo seu próprio modo de ser.
Em Manaus e pela
Amazônia passou 25 anos do seu sacerdócio, totalmente dedicados à Missão,
fazendo o que já lhe era “inato”. Iniciou dentro da simplicidade e da vida
interiorana, mais parecida com suas raízes.
Sem ter sido “um Oblato
de carteirinha”, praticante das regras comunitárias por obrigação, já o fazia
por vocação, pela prática de suas ações, que até se parecia com aqueles
internos no Instituto e que viviam na comunidade: Juvenal, Vilemar, Martins.
Este mesmo se tornou Padre. Todos, provenientes do interior, como ele, encontravam
no Instituto dos Oblatos Diocesanos, uma boa maneira de viver o sacerdócio dos
leigos, recebido no Batismo. Alguns poderiam alcançar até o Presbiterato, como
foi o seu próprio caso e o do Pe. Martins. Certamente, outros também.
Dom Mota, imediatamente sucessor de Dom José Tupinambá, extinguiu o Instituto dos Oblatos Diocesanos e a Casa foi fechada. Com isso, alguns se sentiram atraídos para a vida religiosa, ingressando em seminário ou convento e até se tornando padre. Foi o caso do nosso Padre Nicodemos. Já não era mais criança ou adolescente. Mesmo mais tarde, ingressou no Seminário para um aperfeiçoamento de estudos. E conseguiu. Deus estava em seu caminho. Dom Alberto Gaudêncio Ramos foi o instrumento de Deus a acolhê-lo.
Depois da sua
ordenação, veio à sua terrinha, Aranaú, celebrar sua 1ª Missa e outros Padres
que o ajudaram, acompanharam e torceram pela sua vitória, marcaram presença em
Aranaú no dia
Os dois padres voltaram
para a missão na região amazônica, por 25 anos, como já disse, cabendo ao nosso
conterrâneo inúmeras atividades, quer em Paróquias, quer no Tribunal
Eclesiástico. Tanto em cidades, como no interior. Muitas vezes entre o céu e as
águas amazônicas, durante o dia ou durante a noite. Quem teve o preparo que o
Padre Nicodemos teve e enfrentou as dificuldades experimentadas por ele, para
sobreviver e se tornar um vencedor, a região amazônica foi um prêmio para a
conquista da vida eterna.
Parabéns, Padre
Nicodemos!
Eu o admiro muito. Você
é um vencedor!
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