sábado, 16 de março de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

    AÇÃO CATÓLICA:              VER, JULGAR E AGIR!

Com a 4ª Feira de Cinzas e o 1º Dom. da Quaresma - iniciávamos também, a 60ª Campanha da Fraternidade, que se celebra no calendário litúrgico da Igreja, como preparação próxima à vitória de Jesus sobre a morte, na Festa da Páscoa. Temos contado e recontado essa história, sempre lembrando a reflexão feita, nos últimos 60 anos, sobre temas atuais, nem sempre bem entendidos e aceitos por expressiva parte da população, embora a Igreja permaneça com eles, como está fazendo agora. Não podemos parar ou desistir.

             Já dissemos o Tema e Lema deste ano – Fraternidade e Amizade Social e Vós sois todos irmãos e irmãs – que queremos aprofundá-los melhor neste Comentário do 5º Domingo da Quaresma, já que, no próximo dia 24, já é o Domingo de Ramos, início da Semana Santa. O dia 31, já é a Festa da Páscoa.

           A Campanha da Fraternidade continua sendo o nosso “modo brasileiro” de celebrar a quaresma. É uma campanha de evangelização. Quer alcançar o coração dos cristãos, fazendo-lhes retornar ao coração do Evangelho.

 Este ano de 2024 está marcando os 60 anos da instituição oficial da C.F. em todo o Brasil, com o Tema “amizade social”, fundamentado na Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, publicada em Outubro de 2020, onde ele apresenta “seu projeto de fraternidade baseado na amizade social e no amor político, tendo o diálogo como caminho necessário para a cultura do encontro”.

 Ao escrever a Encíclica Fratelli Tutti, o Papa se inspirou em S. Francisco de Assis que, como um ‘irmão universal’ e ‘sem fronteiras’ contribuiu com a Igreja e a sociedade do seu tempo a entender a fraternidade e a amizade social tão bem sentidas e vividas por São Francisco, que se considerava, “irmão do sol, do mar e do vento, unindo-se aos que eram de sua própria carne. Semeou paz por toda parte e andou junto dos pobres, abandonados, descartados e doentes, enfim, dos últimos”.

Com esta inspiração e com a reflexão a partir de numerosas cartas e documentos recebidos de pessoas e grupos de todo o mundo, o Papa nos diz que

“amizade social é AMOR: amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; uma fraternidade aberta que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas. Um amor desejoso de abraçar a todos; disposto a comunicar com a vida, o amor de Deus e viver livre de todo o desejo de domínio sobre os outros... que se estende para além das fronteiras para todo ser vivo. É o amor que rompe as cadeias que nos isolam e separam, lançando pontes que permitem construir a grande família que entende de compaixão e dignidade".

 Graças a Deus eu sou um dos sobreviventes que conheci a C.F. quando ela nascia na Província do Rio Grande do Norte, iniciando pela Arquidiocese de Natal e se estendendo pelas duas outras Dioceses sufragâneas: Mossoró e Caicó. Espalhou-se depois por mais 16 Dioceses do Nordeste e invadiu o País.

 Não entendemos por que, depois de 60 anos, ainda há pessoas da Igreja hierárquica e grupos de leigos “mais católicos do que o Papa”, que se opõem, radicalmente, contra a C.F., ou contrárias à Doutrina Social da Igreja e tentam desfazer os trabalhos pastorais, os documentos pontifícios, que parecem não ter recebido a menor orientação para levarem adiante aquele trabalho.

 Há poucos dias, um sobrinho meu me enviou uma mensagem de um sacerdote, presidindo uma Missa e pregando, abertamente, contra a catequese do Papa e de “certos padres que o seguem”. Eu me incluo no meio. Como não seguir a minha Igreja? Não foi ela quem me formou e me fez seu discípulo? As C.F. não são para serem levadas a sério? Temas e Lemas são facultativos?

 Francisco continua a dizer que “amizade social é uma Vocação instituída para nos tornar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem e se cuidam, mutuamente”. O que tem de errado nisso? Não é amor?

 Certa vez, em Pernambuco, alguém me indagava: “porque você fala tanto em amor, se Padre nem casa”? Pela “bobagem” da pergunta, entendi bem o que ela tinha na cabeça. É que o amor nos coloca em tensão com a comunhão universal. O amor exige uma progressiva abertura, uma maior capacidade de acolher os outros em uma aventura sem fim, que faz convergir todas as periferias rumo a um sentido pleno de mútua pertença. Não é sem razão que Jesus disse em Mateus 23,8: ‘todos vós sois irmãos’. Por acaso é mentira?

 Não seria hipocrisia da Igreja, em quase dois mil anos, nos enganando? Ela, que nos diz ser “verdade, a Palavra de Deus”? Que, nas Quaresmas anteriores às Campanhas da Fraternidade, já nos preparava para a Páscoa, até encontrar “um modo brasileiro de celebrar a quaresma”, como disse acima?

           Não seria mais difícil abandonar preconceitos, reformular conceitos e lavar a alma, a mente e o coração, isto é, “converter-se”, do que mortificar o corpo, mudar a maneira de se alimentar, sacrificar-se fisicamente, para, depois da Quaresma, continuar tudo como era antes? Aceitar uma nova maneira de viver a Quaresma é muito mais difícil do que vivenciá-la à moda antiga. O que mudava em nós, com as quaresmas de antigamente? Que conversão existia?

           Tinha-se muito mais vontade que o tempo quaresmal findasse, para que a gente continuasse tudo como era antes. Nada mudava. Isso é conversão?

           Graças à Ação Católica, no Brasil, instituída pelo Cardeal Sebastião Leme, em 1935, começamos a seguir o esquema, sempre adotado no mundo, do Ver, Julgar e Agir, que se foi adaptando a todos os trabalhos pastorais, inclusive nas iniciantes CNBB e Campanha da Fraternidade. Em qualquer setor de Igreja, aprendemos a revisar:

  VENDO a realidade, como insinua Gn 4,9: “onde está teu irmão”?                                                          JULGANDO ou iluminando a vida fraterna: “vós sois todos irmãos ou irmãs” Mt 23,8 e                        AGINDO na busca de soluções conjuntas (Is. 54,2) “alarga o espaço de tua tenda”.

 Para seguir estes passos, requer-se espírito de conversão pessoal, comunitária e social, acolhendo a proposta de construir a cultura do encontro, no caminho da amizade social, que só acontece no diálogo e na escuta.

       Sem este entendimento, sem ter acompanhado assim, a catequese feita nas C.F., sem se ter ligado nestes últimos 60 anos “à maneira brasileira de celebrar a quaresma” e sem nunca se ter tocado para viver os passos da Ação Católica para revisar seu trabalho pastoral, é difícil entender tudo de uma vez e começar a participar de outro modo. E para quem está nessa situação, é exigir mais do que alguém absorveu. Significa dizer que o nosso trabalho, o serviço que fizemos nos últimos anos não “converteu” a maioria. Daí, as críticas feitas.

 A solução é ‘fechar pra balanço’? ‘não tem mais jeito’? ‘É tarde demais’?

A Igreja, como Deus, é paciente. Espera. Ainda apela para a “Amizade”, como dom de Deus. Para o “Diálogo”, a construção do bem comum. A “escuta” na acolha do outro e ainda lembra São Francisco, lá no século XII, “escutando a voz de Deus, dos pobres, do enfermo, da natureza”, transformando tudo isso em um estilo de vida, que o Papa ainda deseja, “cresça em todos os corações”.

 Há 15 dias, comentando estes Tema e Lema, citei o Hino da C.F. – cujo refrão resume toda esta reflexão, que lhe repito agora:

                                                                  Vós sois todos irmãos e irmãs/

 É palavra de Cristo, o Senhor/

Pois a fraternidade humana/

Deve ser conversão e valor/

Seja este um tempo propício/

Para abrir-nos enfim, ao amor.

BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO

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