Deus Pai criou o mundo para
manifestar e comunicar a Sua glória
Depois do Pentecostes
- celebrado no Domingo, dia 19/05 - retomamos o TEMPO COMUM, em sua 7ª
semana, interrompido no início da Quaresma, com a Quarta Feira de Cinzas,
celebrada este ano, no dia 14 de Fevereiro. No Domingo, imediatamente, após o
Domingo de Pentecostes - (dia 26/05) e antes da Festa do Corpo de Deus (30/05)
- a Igreja celebra uma Solenidade em honra da Santíssima Trindade e a Semana
que se segue, já é a 8ª do Tempo Comum.
Na festa do Domingo da SS Trindade aprofundamos a grande verdade de nossa fé num Deus único, mas família: Pai, Filho e Espírito Santo. Fazemos parte dessa Família de Deus: a Comunhão de 03 Pessoas, em nome das quais nós somos batizados. Isso constitui a razão de ser da nossa Fé e da nossa vida cristã. Isso significa que: quem tem a virtude da fé, só a tem em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. É claro que não professamos 03 deuses. Esta Trindade é Una. Não divide entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro, isto é, o Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho. É difícil de entender? Vamos fazer um esforço e buscar essa compreensão, pois, o próximo Domingo (2/6) já é o 9º do Tempo Comum.
Segundo a tradição da Igreja,
ensinada em seu Catecismo, a fé católica é esta: que adoremos o único Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade, não
confundindo as pessoas: uma é o Pai; outra é o Filho; outra é o Espírito Santo.
As três são unidas por uma única divindade. São inseparáveis naquilo que são e
inseparáveis naquilo que fazem.
Aqui na terra, nós vamos vivendo na
“obscuridade” da fé. Depois da morte nós vivemos “na luz eterna”. Nas duas
situações nós vamos compreender o Pai que cria e dá a vida; o Filho que perdoa
e salva e o Espírito Santo que ilumina e santifica. Em cada uma das funções de
uma das pessoas, as outras duas estão presentes, porque, como dissemos acima,
pela divindade, elas estão unidas: na criação, na encarnação e na santificação.
Ficou mais confuso? Tente entender melhor.
Deus Pai criou o mundo para
manifestar e comunicar a Sua glória. Em compensação, as Suas criaturas devem
participar da Sua verdade, da Sua bondade, da Sua beleza e da Sua unidade para
corresponderem à glória para a qual Deus as criou. A tradição e sabedoria
católicas nos ensinam que “Deus, a verdade, a bondade, a beleza e a unidade são
sinônimos” isto é, em ‘uma coisa só se
convertem’. Para manter, esclarecer e revelar essa obra do Pai criador e
concretizar sua Palavra veio o Filho de Deus ao mundo, tornando-se um de nós: “e o verbo se fez carne e habitou entre nós”.
Foi a maneira que Deus encontrou de manter a existência do universo: a encarnação do Filho. Trouxe um
recado ao mundo, mandou-nos amar-nos e perdoar-nos, mutuamente e garantiu a
salvação a todos os que seguissem sua norma. Para completar, voltou para junto
do Pai, garantindo o envio do Espírito Santo para dar início, oficialmente, à
existência de sua Igreja. E ainda mais: tudo aquilo que não tivéssemos
entendido do que Ele nos ensinou, o entenderíamos com a iluminação e com a
presença do Espírito de Deus entre nós. Não é mesmo fantástica esta Santíssima
Trindade? Estes mistérios foram vivenciados, ultimamente, dentro da Semana
Santa, do tempo pascal, onde lembramos a morte e a ressurreição de Jesus, sua
Ascensão ao Céu e a promessa do envio do Espírito Santo para dar início à
instituição da Igreja, responsável primeira pelo ensinamento a respeito da SS
Trindade. A promessa do envio do Espírito Santo tornou-se realidade na
celebração do Pentecostes domingo passado.
É à Santíssima Trindade que nós
homenageamos no Domingo, 25, de um modo especial. Já o fazemos em tudo que
celebramos, em todos os inícios e finais de orações. Em cada festividade que
fizermos somente ao Pai, ou somente ao Filho ou somente ao Espírito Santo, as
outras duas Pessoas também estão presentes. Nisso está a Unidade da Trindade.
Nisso está o conteúdo principal da celebração de amanhã. Vivamo-la,
intensamente e abandonemos a ideia de que é um Mistério e Mistério não é pra
gente entender.
Vem à minha mente aquela historinha
de Santo Agostinho, que todo pregador conta, articulista ou escritor de crônica
como estou fazendo agora: “S. Agostinho,
o menino na praia e o Mistério da Santíssima Trindade” (Lembram)?
(“Andando pela areia da praia, pensava ele: como é que pode haver 03 pessoas distintas em um mesmo e único Deus? De repente, ele avistou um menino com um baldinho, que ia até a água do mar, enchia o seu pequeno balde e voltava, despejando a água em um buraco na areia. Então, perguntou: ‘o que estás fazendo’? O menino olhou para S. Agostinho, com simplicidade e respondeu: ‘vou colocar toda a água do mar neste buraco’. E o grande filósofo concluiu ser mais fácil colocar toda a água do oceano naquele buraquinho, do que a inteligência humana compreender os mistérios de Deus)”.
Na minha pouca sabedoria, eu gostaria de fazer uma comparação, na tentativa de entender e levar todos a entenderem um mistério. Para mim, a eletricidade é algo misterioso, isto é, difícil de ser entendido. Como é possível que várias conexões enfiadas numa mesma tomada elétrica produzam calor, frio, ventilação, luz, imagem, som, gelo e outros efeitos tão diferenciados? Não é mesmo um milagre ou um Mistério? Alguém deve saber explicar.
Vejam ou discutam outra comparação
mais simples. Hoje, no seu desjejum da manhã, você colocou na mesma xícara:
café, leite e açúcar. Os 03 se tornaram um saboroso e substancioso alimento,
incapaz de ser separado. Por mais que a gente queira ingerir, separadamente, um
dos produtos, ou retirar um deles que eu não goste ou que não me faz bem,
tornar-se-á impossível. Se eu for “intolerante” à lactose ou ao doce, e quiser
me livrar do leite ou do açúcar, depois da mistura, não será mais possível a
separação. Os 03 juntos, formam uma só coisa. Inseparáveis. Assim é a Santíssima Trindade. As 03 pessoas
juntas formam um só Deus. Distintas, mas unidas.
A Solenidade em que celebramos, à
Santíssima Trindade, nos quer provar que Deus é Amor e que Ela vive numa eterna
comunhão de Amor. Jesus nos revela o Amor do Pai, que nos foi comunicado,
interiormente, pelo Espírito Santo. Nessa relação de amor aprendemos a amar do
jeito de Deus e cada ser humano é depositário desse amor.
Esta realidade da vida íntima de
Deus foge à nossa capacidade de compreensão. Somente levados pelo dom da fé é
que podemos acreditar que Deus é uma Comunidade de Amor, não uma solidão
fechada em si mesmo. É na Comunidade de Amor que Deus nos faz participantes de
sua vida divina.
Fiquem por hoje com esta reflexão.
Não pensem que por ser um grande mistério, não se possa entendê-lo. Estou
dividindo com vocês a minha maneira de abordar alguma coisa misteriosa, sem
medo de alcançá-la. Todo esforço que eu fizer para entendê-la, melhor. Tenho
que ir atrás de uma explicação ou de um maior entendimento da questão. Não
aceito, gratuitamente, aquela ideia de que “é
um mistério e mistério não se pode entender”.
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