Adorar o Corpo de Deus não é,
simplesmente, uma devoção
Nestes
últimos 10 dias - celebrou-se em todo o Mundo Católico - o Novenário do SS. Corpo
e Sangue de Cristo, encerrado 5ª Feira, dia 30/05, como um Dia Santo de Guarda.
Não foi a data da Instituição da Eucaristia. Esta se celebra anualmente, na quinta-feira
santa, em todas as Semanas Santas do calendário
litúrgico, juntamente com a Instituição do Sacerdócio.
No entanto, faz parte de uma bela história, que divido agora com
meus leitores, repetindo - embora um pouco mais tarde - o que já fiz, na Matriz
de Bela Cruz, na Missa Matinal que presidi no encerramento da Solenidade de
Corpus Christi.
Quem me acompanha, semanalmente, em meus
Comentários ou segue minhas homilias observa como tento fazer uma sequência
lógica em minhas reflexões para dar um recado não muito confuso para meus
seguidores. É o caso agora ao falar sobre o Corpo de Deus ou sobre a SS Eucaristia.
É mais uma ocasião de se debater, esclarecer e dividir tão importante catequese,
que não vou deixar de comentá-la com meus assíduos leitores.
O que eu disse ao presidir a Santa Missa e
o que quero repetir agora se justifica pelo desejo constante de todas as
pessoas de boa vontade, na busca do conhecimento de sua realidade social,
religiosa, econômica, cultural, política, que é a realidade de todas as
pessoas, independentemente de sua cor partidária, da pele ou familiar.
Acrescentava que, apesar deste desejo de Jesus, ainda somos muito desunidos.
Longe de sermos uniformes, devemos ser unidos, e isto não é fácil. Sobretudo,
quando nos posicionamos, sob o ponto de vista político, social e filosófico.
Até os temas religiosos, catequéticos,
bíblicos que o sacerdote expõe em suas homilias são criticados por vários que
se acham muito entendidos.
Domingo passado, 26/05, celebrando a Festa
à SS Trindade, já preanunciávamos a reflexão sobre a Quinta Feira, dia 30, Solenidade
do Corpo de Deus, motivando todos a adorarem, publicamente, o Corpo e o
Sangue de Cristo, nesse Dia Santo de Guarda, em homenagem ao
Milagre da Transubstanciação.
Feito por Jesus, uma única vez, na última
ceia e repetido pelos seus presbíteros, para sempre, “até a consumação dos séculos”.
“Tomai e comei. Isto é o meu
corpo. Tomai e bebei. Este é o cálice do meu sangue. Fazei isso em memória de
mim”. Aí estava instaurado “o milagre da transubstanciação”, isto é, o pão
e o vinho perderiam a própria força, a própria substância, para receber em si,
a “substância de Jesus”. “Isso é impossível aos homens? A Deus não o é”. Está
fechada a questão.
Isso aconteceu no ano 33 da era cristã,
antes de Sua morte. Mesmo ano em que ressuscitou, subiu ao céu, enviou o
Espírito Santo e fundou a Igreja. Faz 1991 anos que tudo isso se deu. Somadas
as datas, dá o ano em que nos encontramos: 2024. Não se pode duvidar. É uma
conta simples de matemática. O que dificulta para entender isso, é a nossa
falta de fé.
Já havia um belo costume feito pelos
Párocos e seus Vigários Paroquiais, ao conduzirem o Santo Viático, diretamente
para uma Casa de Família, ou a um Hospital, ou mesmo em tempo de guerra para
darem a Unção dos Enfermos, o Sacramento do Perdão e a Sagrada Comunhão, mas
num atendimento um tanto privado. Não era uma ação pública em que a Comunidade
participava.
Jesus, como que “viajava com o Sacerdote” para aquele atendimento pessoal ou naquela
“desobriga paroquial”. Era um chamado particular que o Padre não se poderia
negar a fazer, nem poderia delegar a outrem tal missão. Muito menos, cobrar
qualquer espórtula pelo serviço prestado. Afinal,
só quem pode “celebrar o sacramento da Confissão” ou da “Unção dos Enfermos” é
o Padre. Só a ele também era permitido conduzir o Santo Viático.
Como eu disse, “Jesus viajava com o sacerdote”. “Viático” é aquele que anda na “via”, caminha
na estrada ou passa pela “via pública”. Já havia um precedente, portanto. Só
não era em multidão.
Até o século XIII a Igreja celebrava a
Eucaristia, “recordava a memória de Jesus”, levava ao povo a mensagem da
“comunhão”, da vida comunitária, mantinha Jesus, preso ao Sacrário, o povo O
via na celebração da Santa Missa, nas exposições do Santíssimo, mas não O
encontrava nas vias públicas, não manifestava sua alegria em vê-Lo, não
enfeitava as ruas para que Ele passasse. Jesus havia ficado conosco pela
instituição da Eucaristia, mas era conservado tão “oculto” quanto lá longe,
junto ao Pai e ao Espírito Santo, antes da Encarnação e depois de Sua Ascensão
ao Céu.
O próprio Jesus quis fazer-se presente
através de inúmeras ocasiões, além das celebrações eucarísticas, sobretudo nos
constantes, famosos e históricos “milagres eucarísticos”, tão divulgados pelo
mundo e reconhecidos como verdadeiros, que levou o Papa Urbano IV a criar a
Solenidade do Corpo de Deus, a ser celebrada na 5ª Feira após a Festa da SS.
Trindade, todos os anos, “para
testemunhar, publicamente, a adoração e veneração da Santíssima Eucaristia”.
Isto se deu através da Bula “Transiturus de hoc mundo” de 11 de
agosto de 1264. Faz, portanto, 760 anos que se celebra, publicamente, o “tão sublime sacramento” de uma maneira
mais próxima do povo, caminhando pelas nossas ruas, avenidas, praças,
logradouros e de passagem pelas portas de nossas casas, como o fizemos na tarde
de 5ª feira em B. Cruz. É claro: todos merecíamos vê-Lo de perto, falar com
Ele, pedir-Lhe uma graça e amá-Lo como Quem veio para nos unir em Comunhão.
. É
tão importante esta Festa que o Código de Direito Canônico, em seu Cânon 395
recomenda – extensivamente aos Párocos - que “o Bispo não se ausente da Diocese neste dia, dada a extraordinária
solenidade em honra do Corpo do Senhor” e o Concílio de Trento, no século
XVI, “oficializou as Procissões
Eucarísticas como Ação de Graças pelo dom supremo da Eucaristia e como
manifestação pública de fé na presença real de Cristo na Hóstia Consagrada”.
Certamente, todos acompanharam o Novenário e, por ter sido, 5ª feira, Dia
Santo de Guarda, tenham ‘feriado’ em atividades.
O que se espera é que, embora sem a
participação presencial, todos tenham celebrado, mesmo virtualmente, com muita
fé e entusiasmo, a Festa do Corpo de Deus – no Novenário e no dia 30 de Maio -
de suas casas, seguindo a orientação da Paróquia, com todo o respeito que a
Eucaristia merece e lembrando-nos que a Comunhão só deverá ser recebida, embora
espiritualmente, quando a gente está, verdadeiramente, na graça de Deus: sem
pecado. No mínimo, que se tenha rezado o Ato de Contrição, com um propósito
firme de não voltar a pecar, até aparecer uma oportunidade favorável à recepção
do Sacramento da Reconciliação com um Sacerdote. É o nosso reconhecimento ao
Senhor pela sua doação generosa e completa a favor de nossa salvação. A
Solenidade dos Santíssimos “Corpo e Sangue de Cristo” é a demonstração pública
de nossa fé e a nossa gratidão pela dádiva da Eucaristia. É nossa
correspondência ao Convite do Senhor que nos chama a tomar parte na Refeição
Maior ou no Banquete do Reino: de sua vida e de sua misericórdia.
Diz a sabedoria popular que “há males que nos trazem um bem” ou que “Deus escreve certo por linhas tortas”. A
Pandemia, as enchentes no Rio Grande do Sul, as “polarizações políticas”, os
desrespeitos à Democracia, as guerras, as “fake
News” e tantos outros males que se espalham pelo mundo nos devem levar
a refletir nas máximas populares que nos façam descobrir o ‘bem’ e ‘acertar o
passo correto na vida’.
Adorar o Corpo de Deus não é simplesmente uma devoção.
É a busca, a aceitação, a certeza, a prova da verdadeira fé no sacramento do
amor que acabamos de celebrar, há pouco e em todas as Missas, por toda a
nossa vida. Nunca esqueçamos a bondade de Deus para conosco. Ele só nos quer
salvar.
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