SANTO ANTÔNIO
CONDENAVA: AVAREZA, USURA, INVEJA, EGOÍSMO, FALTA DE ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
Meus 05 últimos Comentários se detiveram
mais sobre temas Litúrgicos, de certo modo, mais difíceis de compreensão, por
envolverem mistérios da fé cristã, tais como, Solenidades: da Ascensão do
Senhor, do Pentecostes, da SS Trindade, do Corpo de Deus e na última semana,
sobre o Coração de Jesus. Para aqueles leitores que põem em dúvida meu modo
social de pensar ou minha ideologia religiosa, podem até descobrir na expressão
da minha fé, algum ponto de contato com a sua, pelo que, agradeço.
Hoje eu quero trazer assuntos mais amenos, na esperança de podermos encontrar mais pontos de união entre nós, do que divergentes. Vou falar de santos da nossa Igreja, que nos deram testemunhos com suas vidas e com seus ensinamentos, até pela animação de nossas vidas e do nosso folclore.
Aconteceu nestes dias,
em muitas comunidades eclesiais - desde o 1º de Junho, encerrando-se na quinta
feira, 13 - o novenário ou trezenário, em honra de Santo Antônio, “insigne pregador” – como diz a oração
de sua Missa -viandante do Evangelho, comunicador da Palavra, caminhante
incansável ou missionário itinerante, só comparável a São Paulo, a São
Francisco Xavier ou, aqui entre nós, ao Venerável, Pe. Ibiapina, pelas centenas
de milhares de km. percorridos. É o 1º dos Santos Folclóricos Juninos, que
festejamos neste último dia 13, seguindo-se-lhe S. João, que celebraremos na 2ª
Feira, dia 24, antecipando-lhe o Comentário, no Sábado, 22. Santos Pedro e Paulo
ficam pra 28.
Santo Antônio
comunicava, com tanta veemência, a Palavra de Deus, e se destacava tanto pela denúncia
do erro e do pecado, que era chamado de “martelo
dos hereges” como cantamos na Ladainha em sua homenagem. Nada melhor do que um Santo desses, para dar
fundamentação e base para quem quer fazer uma Pastoral voltada para a verdade e
para a denúncia do pecado. Santo Antônio nos serve de guia e modelo para
realizar também a nossa missão, sem nenhum medo de anunciar a verdade e
denunciar a injustiça, como já nos mandava o Senhor Jesus.
Nasceu
em Lisboa aos 15 de Agosto de 1.195 e foi registrado e batizado com o nome
de Fernando Martini Bulhões. Pai rico, poderoso, chefe político – fora até
Governador de Lisboa – criou o filho no luxo, nas regalias e mordomias que os
melhores colégios portugueses podiam oferecer aos ‘filhinhos de papai’.
Para
completar sua requintada formação, foi interno no Convento dos Frades
Agostinianos que, àquela época, era o que havia de melhor para quem pudesse
pagar os estudos, concluindo tudo na famosa Universidade de Coimbra em 1219,
com 24 anos de idade. Entrou na ordem de Sto. Agostinho, da qual participavam
os nobres, os ricos ou os maiorais da época e se tornou sacerdote, recebendo o
nome de Cônego Fernando, como são tratados até hoje, os frades e freiras
Agostinianos. Como outras ordens religiosas similares são chamados de “frades maiores”.
Contemporaneamente,
na Itália, Francisco de Assis, que tinha tudo para ser um “frade maior”, porque
era de família nobre e rica, funda uma ordem religiosa, voltada para os
plebeus, os pobres ou os Menores, para dar exemplo de simplicidade e de pobreza
no meio dos irmãos mais necessitados. Eram os “frades menores”. Viviam de esmolas e de muito sacrifício, usavam
roupas surradas e velhas e se espalharam pela Europa, chegando também a
Portugal.
Pediam
ajuda no rico Convento dos Padres Agostinianos, em Lisboa e impressionavam o
porteiro, Côn. Fernando, pelo testemunho de fé que davam.
Cônego Fernando começou
a pensar na possibilidade de abandonar seu rico Convento e deixar de ser um
Frade Maior, para viver o espírito de pobreza de São Francisco, tornando-se um
Frade Menor. E assim o fez.
Em
1220, deixou tudo e passou a ser um “irmãozinho” pobre franciscano, recebendo o
nome de Frei Antônio de Lisboa. Apesar de querer catequizar a África, para onde
foi enviado por primeiro, adoeceu e voltou para se curar e ficando na própria
Europa, especialmente para a França e Itália, onde converteu inúmeros hereges e
infiéis.
Frei
Antônio ficou tão famoso em Pádua, onde morreu aos 13 de Junho de 1231 que,
além de ser chamado Santo Antônio de Lisboa, chama-se também Santo Antônio de
Pádua, onde é venerado e invocado por todos.
Para
nós do Brasil, a Festa de Santo Antônio teria que se revestir da “roupagem” que
dávamos a outras “festividades” que usávamos para lucrar: páscoa, dia das mães,
mês das noivas, dia dos pais, natal... Porque não “um dia dos namorados”? Que
teríamos nós com o Dia de São Valentim a 14 de fevereiro, lá pela Europa ou nos
EEUU? Santo Antônio, não é para nós o Santo Casamenteiro? Por que não, no dia
12 de junho, véspera de sua Festa Litúrgica, não trocarmos uns “presentinhos”
com nossas namoradas? Quem sabe, até os casais mais antigos se rejuvenesceriam
e presenteavam-se?!
O
importante é termos por Santo Antônio, o maior respeito por aquilo que o
caracterizou e ainda pode representar para nós. Sua função de “insigne pregador” como já dissemos e
tanto o caracteriza, se une à de “martelo
dos hereges”, também lembrada, e que mostram o fascínio que a sua fala
exercia sobre as multidões de pessoas simples e sobre clérigos, filósofos e
pensadores doutos. Embora já não se possa recuperar a oratória feita, a viva
voz, ou seu estilo e conteúdo que abordava, encantando a todos, ao menos
podemos encontrar nos seus 77 sermões que sobreviveram e constam em sua Obra
publicada em edição crítica e que são considerados autênticos.
Seus
textos eloquentes, persuasivos, cheios de zelo messiânico onde se sobressaiam a
defesa do pobre, a reprimenda do rico e o combate às heresias eram reconhecidos
como de inspiração divina, dado o seu desempenho de formação erudita em sua
vida e obra e da sua preparação intelectual ampla e profunda. Seus sermões,
ainda hoje são preciosos documentos de época, muitas vezes, aludindo às
transformações sociais e econômicas do momento, atestando o crescimento das
cidades, o florescimento das atividades artesanais e comerciais e o surgimento
das corporações de ofícios de diferentes classes.
Com
relação aos conteúdos sacros, sua verdadeira fonte inspiradora, eram de
verdadeira inspiração social, comprometida com a realidade, com a condenação da
avareza, da usura, da inveja, do egoísmo, da falta de ética na administração
pública, dos falsos moralistas e hipócritas, dos maus pastores de almas, do
orgulho dos eruditos, dos ricos ensimesmados em sua opulência, que oprimem e
excluem os pobres do tecido social.
A
bem da verdade há quase 830 anos que Santo Antônio nasceu e fez de sua vida,
uma consagração consciente, denunciando o pecado, a injustiça, comprometido com
a verdade, não deixando nada que o pudesse reprovar pela falta de compromisso
com a Sociedade, defendida por qualquer filósofo, pastor ou teólogo da
libertação da atualidade. Pode até alguém não gostar de ler meu Comentário de
hoje, mas não retiro uma letra do que escrevi. Paciência! Até breve! São João
vem aí!
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