sábado, 22 de junho de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

“A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado.

Assim que iniciamos o Mês de Junho, vêm-nos logo á mente, reflexões sobre o folclore, as festas animadas com fogueira, milho assado, forró e as famosas e tradicionais Festas Juninas. As famosas Cidades Sertanejas se candidatam logo ao troféu de Capital do Forró e a disputa é aguerrida na conquista do título: Campina Grande, na Paraíba; Caruaru, em Pernambuco, Mossoró, no Rio Grande do Norte; São Luís, no Maranhão e por aí vão as competições que se prolongam para aquém e além do mês junino.

 O que dissemos sobre Santo Antônio, queremos repetir sobre São João e, mais tarde sobre São Pedro porque, tais santos comandam todas as festividades folclóricas por todo o Nordeste e pelo Brasil afora.

Festa de São João já é sinônimo de Festa Junina. E o folclore, a sabedoria popular, as danças populares e folguedos do povo e sua criatividade funcionam até amanhecer o dia. Mesmo que São João ou São Pedro não nos tenham deixado tradição folclórica, ou Santo Antônio nada tenha a ver com casamento, a criatividade popular e a animação própria do povo, criaram o mito que não se apaga de nossas mentes.

 Quisemos juntar logo à reflexão sobre Santo Antônio, a homenagem – neste sábado, 22 - a São João, outro grande santo junino, festejado pelo nosso folclore sertanejo, nesta segunda feira, 24 de junho, dia do seu nascimento.

Sua mensagem nos chegou pelo seu modo de ser, de falar, de vestir, de se apresentar ao público e, sobretudo de tomar posição ética e política diante do adultério do Rei Herodes.  

De sua infância, nada se sabe. Só aparece aos 30 anos, chamando muito, a atenção de todos, pela vestimenta de couro de camelo, pelo alimento de gafanhoto com mel, e por percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados.

Falava, comunicava ou transmitia uma mensagem, dizendo que depois dele viria alguém muito mais poderoso, de quem não era digno de lhe desatar a correia das sandálias. Era, realmente, a voz que clamava no deserto.

Pelas respostas que João dava a seus interlocutores, a vinda de Jesus traria também uma mensagem política, ética e justa, com fortes implicações sociais: quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo. Não exijais mais do que vos foi ordenado. Não pratiqueis a violência, nem roubeis a ninguém. Contentai-vos com o vosso salário. Raça de víboras. Fazei penitência, pois está próximo o reino de Deus. 

Assim como ele enfrentou o próprio Rei, reclamando de seu comportamento moral e foi levado à prisão, assim também devemos ter coragem de reclamar pelo erro de quem quer que seja, visando uma mudança na comunidade. Muitas pessoas têm medo de imitá-lo e até, metem medo em quem tem coragem de denunciar injustiças, falcatruas e outros erros. Ele saiu na frente. Era realmente “o precursor”. Perguntavam até se ele não era o Cristo. Ele dizia que não, mas queria que Cristo crescesse e ele diminuísse.

Jesus ouviu dizer que João fora preso devido sua ousadia em denunciar o adultério do Rei. Saiu então de Nazaré e foi pra Cafarnaum, onde começou a pregar, usando o mesmo linguajar de J. Batista: “fazei penitência, pois o reino de Deus está próximo”. E mais um elogio do maior comunicador do mundo: “entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista”.

Ao falarmos sobre Sto. Antônio, 12 séculos depois de João. Batista relevamos a sua coragem ao denunciar o pecado, defender o pobre e punir o rico.

Com João, muito antes, o esquema já era o mesmo. Releiam as citações acima. Desde o começo, foi “este” o modelo deixado por Jesus. Foi Jesus quem mudou, ou fomos nós, seus seguidores, que perdemos o foco?

São João é tão único em seu modo litúrgico de celebrar, que temos uma data para o seu nascimento (24/06) e uma data para a sua morte (29/08).

Por que se dá tanto valor ao folclore, inventado por nós, e não valorizamos o significado divino que têm essas festas e outras de nosso ritual?

A festa de São João Batista deveria ser uma preparação para o advento de Jesus, pois até as circunstancias relatadas no Novo Testamento são também milagrosas. Senão, vejamos: o único relato bíblico sobre o nascimento do Profeta está no Evangelho de Lucas. Os pais de João, Zacarias, sacerdote judeu, e Isabel não tinham filhos e já haviam passado da idade de tê-los.

Durante uma jornada de trabalho, servindo no templo de Jerusalém, ele foi escolhido por sorteio para oferecer incenso no Altar Dourado no Santo dos Santos. O Anjo Gabriel apareceu-lhe e anunciou que sua esposa daria à luz uma criança e que ele deveria chamá-lo João. Porém, por não ter acreditado na mensagem de Gabriel, Zacarias perdeu a voz. Com o nascimento de seu filho, seus parentes quiseram então dar-lhe o nome do pai, Zacarias, que sem poder falar, escreveu: “seu nome é João”. Sua voz lhe foi devolvida.

A importância desse nome: JOÃO está no seu significado: Deus é propício. Tanto que, depois de ter obedecido o comando de Deus, Zacarias recebeu o dom da profecia e previu o futuro de João, entoando o Benedictus, rezado ou cantado (quando em comunidade), todos os dias, nas Completas, ou na Oração da Noite dos sacerdotes:

 

“Deixai, agora, vosso servo ir em paz,

Conforme prometestes, ó Senhor.

          Pois meus olhos viram vossa salvação

          Que preparastes ante a face das nações:

Uma luz que brilhará para os gentios

E para a glória de Israel, o vosso povo.

          Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

          Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

E para encerrar, tal Comentário, reporto-me a Santo Agostinho, em um de seus sermões, intitulado ‘Voz do que clama no deserto’ bem apropriado para a nossa reflexão:

 “A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril. Cristo nasce de uma jovem virgem.

O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo. Maria acredita e Cristo é concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de alcançar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor. Nele pensais com amor filial, a ele recebestes no coração, dele vos tornastes templo.

João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: a lei e os Profetas até João Batista (Lc. 16, 16).


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