“A
política é uma sublime vocação”, diz o Papa Francisco
De hoje, exatamente, a 3
meses, ocorrerão eleições municipais
em todo o Brasil. Como nas vezes anteriores, a CNBB (nacional ou regionais)
emite Mensagens, antecipadamente, às eleições - sem tomar partido ou
indicar candidatos – no sentido de
orientar o povo de Deus ou os eleitores, para escolherem o melhor representante
para governar ou servir ao povo.
Os
Senhores Bispos do Regional III, da CNBB, (Bahia e Sergipe) na semana passada,
antes de iniciarmos estes próximos 90 dias, que antecedem as eleições, já
encaminharam ao seu respectivo Regional, extensivo a todo o país, a sua
Mensagem sobre as eleições municipais 2024.
Fundamentaram-na
em uma frase do Papa Francisco, em sua Carta Encíclica, Fratelli Tutti, Nº 180, que diz: “a política é uma sublime vocação; é uma
das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”. Em
seguida, voltaram-se para todos os seus diocesanos, habitantes dos dois Estados
Nordestinos, com suas respectivas Dioceses, dirigindo-lhes a seguinte Mensagem,
que retransmito, na íntegra, por entendê-la aplicar-se a todos os meus leitores,
com a possibilidade de repassá-la adiante, por todo o Brasil.
Se
outros Regionais da CNBB fizerem pronunciamentos semelhantes e eu tomar
conhecimento deles, certamente os repetirei para proveito de muitos. Como esta
Mensagem, por certo, outras semelhantes, serão bem melhores e fundamentadas do
que aquela que eu fizesse de minha própria criatividade.
Mas,
vamos ao que nos interessa. Eis o texto dos Srs. Bispos do NE III:
“Neste ano, temos diante de nós, uma grande e nobre tarefa de escolha de vereadores e prefeitos de nossos municípios. As eleições municipais têm importância fundamental: sanar problemas que tocam, diretamente, a vida de nossas comunidades e a promoção da vida para todos, com a superação do escândalo das desigualdades sociais e das múltiplas formas de violência.
Mesmo experimentando
frustração e desânimo por soluções que não vemos chegar, isso não é motivo para
desistirmos da responsabilidade pelo voto consciente. Dele dependem, por
exemplo, a defesa e a promoção da vida, desde a concepção até a morte natural,
a valorização da família, o acesso à educação básica de qualidade, garantir o
acesso de todas as pessoas à saúde integral, o cuidado com a casa comum,
moradias dignas em lugares seguros e o olhar humano para a população em
situação de rua, além da crescente onda de violência que assola os nossos
municípios e a defesa clara ao meio ambiente e à casa comum, o nosso planeta. Essas
são algumas das questões importantes que deverão ser administradas por aqueles
que elegeremos. Antes de votar, devemos verificar se os candidatos que
escolheremos têm condições de favorecer e promover esses urgentes desafios.
A Igreja no
Brasil não indica candidatos, mas oferece critérios cristãos e humanos,
respeitando a consciência de cada cristão católico, para que façam uma escolha
serena e consciente. Além do mais, a
Igreja se opõe ao uso político da religião.
O
equilíbrio entre os poderes legislativo e executivo é indispensável para a
consolidação da democracia e o avanço da justiça social. Daí, o igual atendimento
à escolha do prefeito e dos vereadores.
Não é fácil
escolher um candidato pelas informações dos meios de comunicação e das redes
sociais. Procure informar-se através de fontes seguras sobre os candidatos nos
quais você pretende votar e sobre as suas propostas. Sempre que possível,
reúna-se com familiares, amigos e vizinhos.
Quanto mais
você conhecer o seu candidato, até, pessoalmente, ou saber dele por informações
seguras, que o levem a conhecê-lo, quando lhe pede o voto, melhor. Não se deixe
enganar. Temos que mudar essa história.
Por tudo
isso, é muito importante que você participe e motive outras pessoas a
participarem nessa escolha da qual ninguém pode isentar-se. Não desperdice seu
voto. Não o venda. ‘Voto não tem preço;
tem consequência’. Compra e venda de
voto, no Brasil, é crime.
Os membros
de nossas comunidades, que têm vocação para a atuação político-partidária são
encorajados a se candidatarem, mantendo ainda mais a sua relação de proximidade
a Jesus Cristo e à comunidade eclesial. Os valores cristãos são inspiração para
a atuação a serviço do bem comum.
Além de
escolher os candidatos, é também nossa tarefa acompanhar seus mandatos e
perceber se há empenho deles em realizar aquilo que propuseram no período de
campanha. Tão importante quanto eleger é acompanhar a atuação política do
eleito de maneira cidadã.
As eleições
municipais de 2024 oferecem a todos nós a possibilidade de contribuirmos para a
construção da democracia participativa. Das eleições não devem ficar legados de
divisão e inimizade. Nossa fraternidade precisa ser reforçada, pois ‘em Cristo
somos todos irmãos e irmãs’ (Mt.23,8)”.
Assinam os Srs. Arcebispos e Bispos do Regional Nordeste III (inclui as duas Capitais – Salvador/Aracaju – mais 26 Dioceses Sufragâneas, no interior), aos 25 de Junho de 2024.
Do dia de hoje, 06 de Julho, ao dia 06 de Outubro, dia das eleições, são 03 meses, e a Igreja do Brasil, como das vezes anteriores, já começou a ajudar com suas orientações, para que votemos bem. A tal polarização tão destrutiva da Democracia, não foi inventada pela Igreja. No texto acima colocado, eu mesmo grifei, em negrito, que a Igreja se opõe ao uso político da religião e mais à frente, grifei uma outra máxima da mesma Igreja, em pronunciamento anterior e repetido agora, pelo Regional III, “voto não tem preço; tem consequências”.
Infelizmente,
nós deixamos de lado aquilo de bom e positivo que nos ensinam, para ouvir,
gostar e praticar aquilo que os maus políticos, as redes sociais reacionárias e
a imprensa cheia de ‘fake news’ vai
difundindo. Até a Inteligência Artificial, que é uma belíssima invenção humana
e que só funciona bem, em harmonia com o Homem, entra em descrédito, devido as
caricaturas que dela fazem para deformar a sabedoria humana. É uma tristeza!
A
democracia, que se deveria valer desses recursos para desempenhar melhor o seu
significado “de governo do povo, com o
povo e pelo povo” está tão desfigurada e já faz muito tempo que se procura
reencaminhá-la para o seu significado original. Faz mais de 50 anos – em 1974 –
eu estava em Atenas, a Capital da Grécia, Mãe da Democracia, assistindo a um
debate com vários estadistas, em várias línguas, com tradução simultânea e eles
respondiam à indagação: há possibilidade de democracia hoje?
Lá no meio daqueles peritos e debatedores estava D. Helder Câmara. Foi ele quem
me atraiu para o evento. Transmitiu a todos, sua Mensagem de Esperança num
mundo “sem fronteiras, mais unido, mais saudável e mais democrático onde todos
pudéssemos viver como irmãos”. Você sonhou muito alto, Dom Helder!
Se
aparecerem mais Mensagens, como esta, eu voltarei. Até breve!
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