sábado, 6 de julho de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

“A política é uma sublime vocação”,       diz o Papa Francisco

De hoje, exatamente, a 3 meses, ocorrerão eleições municipais em todo o Brasil. Como nas vezes anteriores, a CNBB (nacional ou regionais) emite Mensagens, antecipadamente, às eleições - sem tomar partido ou indicar  candidatos – no sentido de orientar o povo de Deus ou os eleitores, para escolherem o melhor representante para governar ou servir ao povo.

            Os Senhores Bispos do Regional III, da CNBB, (Bahia e Sergipe) na semana passada, antes de iniciarmos estes próximos 90 dias, que antecedem as eleições, já encaminharam ao seu respectivo Regional, extensivo a todo o país, a sua Mensagem sobre as eleições municipais 2024.

            Fundamentaram-na em uma frase do Papa Francisco, em sua Carta Encíclica, Fratelli Tutti, Nº 180, que diz: a política é uma sublime vocação; é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”. Em seguida, voltaram-se para todos os seus diocesanos, habitantes dos dois Estados Nordestinos, com suas respectivas Dioceses, dirigindo-lhes a seguinte Mensagem, que retransmito, na íntegra, por entendê-la aplicar-se a todos os meus leitores, com a possibilidade de repassá-la adiante, por todo o Brasil.

            Se outros Regionais da CNBB fizerem pronunciamentos semelhantes e eu tomar conhecimento deles, certamente os repetirei para proveito de muitos. Como esta Mensagem, por certo, outras semelhantes, serão bem melhores e fundamentadas do que aquela que eu fizesse de minha própria criatividade.

            Mas, vamos ao que nos interessa. Eis o texto dos Srs. Bispos do NE III:

                    “Neste ano, temos diante de nós, uma grande e nobre tarefa de escolha de vereadores e prefeitos de nossos municípios. As eleições municipais têm importância fundamental: sanar problemas que tocam, diretamente, a vida de nossas comunidades e a promoção da vida para todos, com a superação do escândalo das desigualdades sociais e das múltiplas formas de violência.

                   Mesmo experimentando frustração e desânimo por soluções que não vemos chegar, isso não é motivo para desistirmos da responsabilidade pelo voto consciente. Dele dependem, por exemplo, a defesa e a promoção da vida, desde a concepção até a morte natural, a valorização da família, o acesso à educação básica de qualidade, garantir o acesso de todas as pessoas à saúde integral, o cuidado com a casa comum, moradias dignas em lugares seguros e o olhar humano para a população em situação de rua, além da crescente onda de violência que assola os nossos municípios e a defesa clara ao meio ambiente e à casa comum, o nosso planeta. Essas são algumas das questões importantes que deverão ser administradas por aqueles que elegeremos. Antes de votar, devemos verificar se os candidatos que escolheremos têm condições de favorecer e promover esses urgentes desafios.

                   A Igreja no Brasil não indica candidatos, mas oferece critérios cristãos e humanos, respeitando a consciência de cada cristão católico, para que façam uma escolha serena e consciente. Além do mais, a Igreja se opõe ao uso político da religião.

                   O equilíbrio entre os poderes legislativo e executivo é indispensável para a consolidação da democracia e o avanço da justiça social. Daí, o igual atendimento à escolha do prefeito e dos vereadores.

                   Não é fácil escolher um candidato pelas informações dos meios de comunicação e das redes sociais. Procure informar-se através de fontes seguras sobre os candidatos nos quais você pretende votar e sobre as suas propostas. Sempre que possível, reúna-se com familiares, amigos e vizinhos.

                   Quanto mais você conhecer o seu candidato, até, pessoalmente, ou saber dele por informações seguras, que o levem a conhecê-lo, quando lhe pede o voto, melhor. Não se deixe enganar. Temos que mudar essa história.

                   Por tudo isso, é muito importante que você participe e motive outras pessoas a participarem nessa escolha da qual ninguém pode isentar-se. Não desperdice seu voto. Não o venda. ‘Voto não tem preço; tem consequência’.  Compra e venda de voto, no Brasil, é crime.

                   Os membros de nossas comunidades, que têm vocação para a atuação político-partidária são encorajados a se candidatarem, mantendo ainda mais a sua relação de proximidade a Jesus Cristo e à comunidade eclesial. Os valores cristãos são inspiração para a atuação a serviço do bem comum.

                   Além de escolher os candidatos, é também nossa tarefa acompanhar seus mandatos e perceber se há empenho deles em realizar aquilo que propuseram no período de campanha. Tão importante quanto eleger é acompanhar a atuação política do eleito de maneira cidadã.

                   As eleições municipais de 2024 oferecem a todos nós a possibilidade de contribuirmos para a construção da democracia participativa. Das eleições não devem ficar legados de divisão e inimizade. Nossa fraternidade precisa ser reforçada, pois ‘em Cristo somos todos irmãos e irmãs’ (Mt.23,8)”.

             Assinam os Srs. Arcebispos e Bispos do Regional Nordeste III (inclui as duas Capitais – Salvador/Aracaju – mais 26 Dioceses Sufragâneas, no interior), aos 25 de Junho de 2024.

             Do dia de hoje, 06 de Julho, ao dia 06 de Outubro, dia das eleições, são 03 meses, e a Igreja do Brasil, como das vezes anteriores, já começou a ajudar com suas orientações, para que votemos bem. A tal polarização tão destrutiva da Democracia, não foi inventada pela Igreja. No texto acima colocado, eu mesmo grifei, em negrito, que a Igreja se opõe ao uso político da religião e mais à frente, grifei uma outra máxima da mesma Igreja, em pronunciamento anterior e repetido agora, pelo Regional III, “voto não tem preço; tem consequências”.

            Infelizmente, nós deixamos de lado aquilo de bom e positivo que nos ensinam, para ouvir, gostar e praticar aquilo que os maus políticos, as redes sociais reacionárias e a imprensa cheia de ‘fake news’ vai difundindo. Até a Inteligência Artificial, que é uma belíssima invenção humana e que só funciona bem, em harmonia com o Homem, entra em descrédito, devido as caricaturas que dela fazem para deformar a sabedoria humana. É uma tristeza!

            A democracia, que se deveria valer desses recursos para desempenhar melhor o seu significado “de governo do povo, com o povo e pelo povo” está tão desfigurada e já faz muito tempo que se procura reencaminhá-la para o seu significado original. Faz mais de 50 anos – em 1974 – eu estava em Atenas, a Capital da Grécia, Mãe da Democracia, assistindo a um debate com vários estadistas, em várias línguas, com tradução simultânea e eles respondiam à indagação: há possibilidade de democracia hoje? Lá no meio daqueles peritos e debatedores estava D. Helder Câmara. Foi ele quem me atraiu para o evento. Transmitiu a todos, sua Mensagem de Esperança num mundo “sem fronteiras, mais unido, mais saudável e mais democrático onde todos pudéssemos viver como irmãos”. Você sonhou muito alto, Dom Helder!

            Se aparecerem mais Mensagens, como esta, eu voltarei. Até breve!


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