A felicidade não se adquire
espezinhando os direitos e a dignidade dos outros
Sábado passado, comentei
sobre Documento do Regional III, da CNBB, orientando, antes mesmo dos 90 dias
para as eleições municipais, sobre o voto consciente dos eleitores, em seus 02
Estados e em todo o país. Disse que a preocupação daquele segmento da nossa Conferência
Episcopal se pronunciou com base na Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, §180, que diz: “a política é uma sublime vocação; é uma das
formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”.
(Prometi voltar ao assunto).
Mas hoje, estou voltando ao Papa Francisco, por outros motivos, que me parecem, muito conexos: uma intenção dele para a Pastoral dos Enfermos – durante todo o mês de Julho, e uma Oração pelos Pobres e dos Pobres pela paz – no 1º sábado, 06/07 e em todos os 1ºs sábados até o Jubileu de 2025.
Nestas
duas primeiras semanas e durante as duas semanas que se seguem, Francisco pede
uma atenção especial pelos nossos enfermos e pela distribuição do Óleo dos
Enfermos ou Sacramento dos Enfermos, conhecida, antes do Concílio, como
Extrema-Unção.
Até
então, “a celebração que se deveria fazer
como um sinal visível de esperança, tornou-se sinal de tristeza, pois, bastava
sair o sacerdote, entrava o coveiro” relembra o Papa, confirmando aquilo
que se pensava e até se dizia: “fulano
está tão doente que já chamaram até o Padre!” Era como se dissesse: “chamaram o Padre é morte na certa”. Foi
a maneira como Francisco traduziu.
É
bom que a gente saiba que o tradicional ensinamento da Igreja é o mesmo de
outrora. A interpretação é que era traduzida, erradamente.
A
Unção dos Enfermos, desde tempos mais remotos, mesmo quando se chamava
“extrema unção”, “não é um sacramento
apenas para aqueles que se encontram às portas da morte”. Isto significa
dizer, como o Can. 1004, § 1-6: “se alguém
começar a viver em perigo de morte, como uma doença grave, advinda de desastre ou
velhice, ou havendo declarado seu desejo, quando estava consciente, ou até, aparentemente
morto”... é-lhe permitida a Unção.
Não esqueçamos que
qualquer Sacramento da Igreja é um dom. É a forma como Jesus se faz presente
para abençoar, consolar, ajudar e, no caso do enfermo, receber uma força
especial que lhe diminua o sofrimento.
O Sacramento dos
Enfermos une o doente à família, à vizinhança, à comunidade cristã e o
sacerdote é o instrumento dessa união para alimentar-lhes a fé e a esperança,
apoiando-os com verdadeiro amor fraterno.
O Padre não pode deixar
de atender a um chamado desses. Ele é a única pessoa da comunidade cristã que
não pode dizer não, ou deixar pra depois ou se eximir de uma responsabilidade
que é somente dele. Afinal, o único habitante da Paróquia, responsável pela
distribuição de qualquer sacramento, é o Pároco, especialmente, dos Sacramentos
do Perdão e Unção, sem nenhuma espórtula. Estes Sacramentos asseguram a
proximidade de Jesus à dor de quem jaz enfermo ou idoso, através do Seu
Sacerdócio, vivido pelo Padre, que não está fazendo favor ao enfermo ou ao
idoso. Está muito mais para aliviar-lhe o sofrimento físico e dar-lhe o perdão
de seus pecados, isto é, alimenta-lhe o corpo e a alma, como os sacramentos da Reconciliação,
da Eucaristia e da Unção dos Enfermos o fazem, como ensina a nossa fé.
Concluindo esta 1ª
parte de meu Comentário desta Semana, reforço o desejo do Papa Francisco, por
todo este mês, que possamos redescobrir toda a profundidade e sentido da Unção
dos Enfermos, preparando-os para a morte, mas dando força e entusiasmo aos
Párocos e cuidadores dos necessitados.
Como eu disse acima, o
2º tema de Francisco, me parece conexo ao
1º: a celebração no 1º sábado de Julho, repetido em todos os 1ºs Sábados de
cada mês, até o XXXIII Domingo do Tempo Comum, 17 de Novembro de 2024, quando
celebraremos o VIII Dia Mundial dos Pobres. Estamo-nos preparando desde o VII Dia
Mundial dos Pobres, do ano passado, todos os meses, “dando voz aos pobres e excluídos e pela própria Paróquia da Basílica de
São Pedro”.
É claro que esse tema
tem incomodado muito a governantes da direita reacionária, negacionista,
conservadora, até mesmo a autoridades hierárquicas católicas, que, desde o
Concílio Ecumênico, nunca o aceitaram e têm causado tristeza e sofrimento ao
coração daqueles Papas mais comprometidos com a Missão de Jesus, que deu a vida
pela libertação do povo.
Os que entendemos o
trabalho de evangelização assim e fazemos uma catequese mais conscientizadora,
sofremos os horrores da incompreensão e da crítica que tanto nos escanteia e
discrimina na ação missionária. Temos que ‘ir
em frente com a corrida, sendo fiel à vocação, combatendo com coragem e
guardando a fé. É com ela que venceremos e cantamos a vitória. É esse entusiasmo
de São Paulo que nos dá força, embora muitos confiem mais em armas, em fake News, em outros artefatos e mentiras.
Não podemos descrer na
força da oração. Ela é a única maneira de nos rebelarmos contra a resignação
que se está difundindo, como se a guerra fosse um destino inevitável. Cada vez
menos se fala em diálogo, negociação e paz.
Muitos descrentes,
céticos, ou os “maiorais do mundo” a quem pouco interessa a voz do Papa, propõem
destinar dinheiro para as guerras, a compra de mais armas, mísseis, tanques de
guerra, aviões e outros gastos militares.
Por que se preocupar
com Paz? Isso é coisa lá do Papa. Isso é coisa de quem se preocupa com pobre.
Quem já viu pobre resolvendo nada?
E Francisco continua a
mostrar a sua preocupação:
“eles são os mais frágeis e os mais indefesos; as primeiras e principais
vítimas de todo conflito. São eles que são enviados para o matadouro ou
forçados a abandonar tudo na busca – muitas vezes decepcionante – de encontrar
abrigo em outro lugar. E são eles que são roubados pelos enormes recursos
investidos na compra de armas, que poderiam ser usados para promover e garantir
o direito à moradia, ao trabalho, à saúde gratuita, universal e eficiente, à
educação e acolhimento”.
Francisco, em sua
Mensagem, já pronta, para o VIII Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado aos 17
de Novembro de 2024, refere-se ao Livro do Eclesiástico (= Sirac) 21,5, onde se
lê: ‘a
oração do pobre eleva-se até Deus’.
Neste ano do Jubileu
Ordinário de 2025, o Tema é o mesmo do VIII
Dia Mundial dos Pobres: Oração. A esperança cristã
inclui também a certeza de que a nossa Oração chega à presença de Deus. Não uma
oração qualquer, mas a oração do pobre.
Vamos refletir sobre esta palavra. Leiamo-la no rosto e nas histórias dos
pobres que encontramos no nosso dia a dia, para que a oração se torne um modo
de comunhão com eles e de partilha com seu sofrer.
Como esse tema se vai
estender por algum tempo, nós vamos voltar a ele, sempre na visão ou na
perspectiva do autor do Livro de Sirac, como enfocamos anteriormente. Segundo a
sua visão, em 51,13ss, ele diz que, “desde a sua juventude, procurou a sabedoria:
quando eu era ainda jovem, antes de ter viajado, busquei, abertamente, a
sabedoria na oração... pois, sem Deus não seríamos nada. Nem sequer teríamos
vida se Deus no-la tivesse dado... A felicidade não se
adquire espezinhando os direitos e a dignidade dos outros”.
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