sábado, 13 de julho de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A felicidade não se adquire espezinhando os direitos e a dignidade dos outros

Sábado passado, comentei sobre Documento do Regional III, da CNBB, orientando, antes mesmo dos 90 dias para as eleições municipais, sobre o voto consciente dos eleitores, em seus 02 Estados e em todo o país. Disse que a preocupação daquele segmento da nossa Conferência Episcopal se pronunciou com base na Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, §180, que diz: “a política é uma sublime vocação; é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”. (Prometi voltar ao assunto).

             Mas hoje, estou voltando ao Papa Francisco, por outros motivos, que me parecem, muito conexos: uma intenção dele para a Pastoral dos Enfermos – durante todo o mês de Julho, e uma Oração pelos Pobres e dos Pobres pela paz – no 1º sábado, 06/07 e em todos os 1ºs sábados até o Jubileu de 2025.

            Nestas duas primeiras semanas e durante as duas semanas que se seguem, Francisco pede uma atenção especial pelos nossos enfermos e pela distribuição do Óleo dos Enfermos ou Sacramento dos Enfermos, conhecida, antes do Concílio, como Extrema-Unção.

            Até então, “a celebração que se deveria fazer como um sinal visível de esperança, tornou-se sinal de tristeza, pois, bastava sair o sacerdote, entrava o coveiro” relembra o Papa, confirmando aquilo que se pensava e até se dizia: “fulano está tão doente que já chamaram até o Padre!” Era como se dissesse: “chamaram o Padre é morte na certa”. Foi a maneira como Francisco traduziu.

            É bom que a gente saiba que o tradicional ensinamento da Igreja é o mesmo de outrora. A interpretação é que era traduzida, erradamente.

            A Unção dos Enfermos, desde tempos mais remotos, mesmo quando se chamava “extrema unção”, “não é um sacramento apenas para aqueles que se encontram às portas da morte”. Isto significa dizer, como o Can. 1004, § 1-6: “se alguém começar a viver em perigo de morte, como uma doença grave, advinda de desastre ou velhice, ou havendo declarado seu desejo, quando estava consciente, ou até, aparentemente morto”... é-lhe permitida a Unção.

Não esqueçamos que qualquer Sacramento da Igreja é um dom. É a forma como Jesus se faz presente para abençoar, consolar, ajudar e, no caso do enfermo, receber uma força especial que lhe diminua o sofrimento.

O Sacramento dos Enfermos une o doente à família, à vizinhança, à comunidade cristã e o sacerdote é o instrumento dessa união para alimentar-lhes a fé e a esperança, apoiando-os com verdadeiro amor fraterno.

O Padre não pode deixar de atender a um chamado desses. Ele é a única pessoa da comunidade cristã que não pode dizer não, ou deixar pra depois ou se eximir de uma responsabilidade que é somente dele. Afinal, o único habitante da Paróquia, responsável pela distribuição de qualquer sacramento, é o Pároco, especialmente, dos Sacramentos do Perdão e Unção, sem nenhuma espórtula. Estes Sacramentos asseguram a proximidade de Jesus à dor de quem jaz enfermo ou idoso, através do Seu Sacerdócio, vivido pelo Padre, que não está fazendo favor ao enfermo ou ao idoso. Está muito mais para aliviar-lhe o sofrimento físico e dar-lhe o perdão de seus pecados, isto é, alimenta-lhe o corpo e a alma, como os sacramentos da Reconciliação, da Eucaristia e da Unção dos Enfermos o fazem, como ensina a nossa fé.

Concluindo esta 1ª parte de meu Comentário desta Semana, reforço o desejo do Papa Francisco, por todo este mês, que possamos redescobrir toda a profundidade e sentido da Unção dos Enfermos, preparando-os para a morte, mas dando força e entusiasmo aos Párocos e cuidadores dos necessitados.

Como eu disse acima, o 2º tema de Francisco, me parece conexo ao 1º: a celebração no 1º sábado de Julho, repetido em todos os 1ºs Sábados de cada mês, até o XXXIII Domingo do Tempo Comum, 17 de Novembro de 2024, quando celebraremos o VIII Dia Mundial dos Pobres. Estamo-nos preparando desde o VII Dia Mundial dos Pobres, do ano passado, todos os meses, “dando voz aos pobres e excluídos e pela própria Paróquia da Basílica de São Pedro”.

É claro que esse tema tem incomodado muito a governantes da direita reacionária, negacionista, conservadora, até mesmo a autoridades hierárquicas católicas, que, desde o Concílio Ecumênico, nunca o aceitaram e têm causado tristeza e sofrimento ao coração daqueles Papas mais comprometidos com a Missão de Jesus, que deu a vida pela libertação do povo.

Os que entendemos o trabalho de evangelização assim e fazemos uma catequese mais conscientizadora, sofremos os horrores da incompreensão e da crítica que tanto nos escanteia e discrimina na ação missionária. Temos que ‘ir em frente com a corrida, sendo fiel à vocação, combatendo com coragem e guardando a fé. É com ela que venceremos e cantamos a vitória. É esse entusiasmo de São Paulo que nos dá força, embora muitos confiem mais em armas, em fake News, em outros artefatos e mentiras.

Não podemos descrer na força da oração. Ela é a única maneira de nos rebelarmos contra a resignação que se está difundindo, como se a guerra fosse um destino inevitável. Cada vez menos se fala em diálogo, negociação e paz.

Muitos descrentes, céticos, ou os “maiorais do mundo” a quem pouco interessa a voz do Papa, propõem destinar dinheiro para as guerras, a compra de mais armas, mísseis, tanques de guerra, aviões e outros gastos militares.

Por que se preocupar com Paz? Isso é coisa lá do Papa. Isso é coisa de quem se preocupa com pobre. Quem já viu pobre resolvendo nada?

E Francisco continua a mostrar a sua preocupação:

“eles são os mais frágeis e os mais indefesos; as primeiras e principais vítimas de todo conflito. São eles que são enviados para o matadouro ou forçados a abandonar tudo na busca – muitas vezes decepcionante – de encontrar abrigo em outro lugar. E são eles que são roubados pelos enormes recursos investidos na compra de armas, que poderiam ser usados para promover e garantir o direito à moradia, ao trabalho, à saúde gratuita, universal e eficiente, à educação e acolhimento”.

Francisco, em sua Mensagem, já pronta, para o VIII Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado aos 17 de Novembro de 2024, refere-se ao Livro do Eclesiástico (= Sirac) 21,5, onde se lê: ‘a oração do pobre eleva-se até Deus’.

Neste ano do Jubileu Ordinário de 2025, o Tema é o mesmo do VIII Dia Mundial dos Pobres: Oração. A esperança cristã inclui também a certeza de que a nossa Oração chega à presença de Deus. Não uma oração qualquer, mas a oração do pobre. Vamos refletir sobre esta palavra. Leiamo-la no rosto e nas histórias dos pobres que encontramos no nosso dia a dia, para que a oração se torne um modo de comunhão com eles e de partilha com seu sofrer.

Como esse tema se vai estender por algum tempo, nós vamos voltar a ele, sempre na visão ou na perspectiva do autor do Livro de Sirac, como enfocamos anteriormente. Segundo a sua visão, em 51,13ss, ele diz  que, “desde a sua juventude, procurou a sabedoria: quando eu era ainda jovem, antes de ter viajado, busquei, abertamente, a sabedoria na oração... pois, sem Deus não seríamos nada. Nem sequer teríamos vida se Deus no-la tivesse dado... A felicidade não se adquire espezinhando os direitos e a dignidade dos outros”.


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