sábado, 20 de julho de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A Igreja tem a missão de proteger e promover a vida humana

Faz 15 dias, exatamente, 06/07, 90 dias, antes das eleições municipais, refleti em meu Comentário Semanal, sobre Cartilhas de Orientação da CNBB ou de seus Regionais, que são lançadas em todo o País, a cada Eleição, desde 2006. Na ocasião, eu falei sobre o Documento emitido pelo Regional Nordeste III (Bahia e Sergipe) com suas 26 dioceses, naturalmente, válido para o Brasil.

            Abordei um novo tema no Comentário seguinte, do dia 13 - atendendo a uma preocupação do Papa – que pedia para todo o mês de julho, uma intenção pela Pastoral dos Enfermos e uma oração pelos pobres e dos pobres pela paz.

Prometi voltar ao assunto anterior – se aparecesse nova Orientação da CNBB - e apareceu. Aqui estou.

             O Regional Sul II, da CNBB, que compreende a Arquidiocese de Curitiba e suas sufragâneas: São José dos Pinhais, Paranaguá e União da Vitória, lançou também sua “Cartilha de Orientação Política 2024” com um Tema muito sugestivo, tirado de Rm. 5,5: “a esperança não decepciona” que é o mesmo tema que inspirará todo o Ano do Jubileu de 2025: o próximo Ano Santo.

            Na 3ª feira desta semana, dia 09, no Salão Nobre da Arquidiocese de Curitiba e com a presença de participantes da Arquidiocese e demais Dioceses que compõem o Regional Sul II, da CNBB, com transmissão da TV Evangelizar e de Redes Sociais, ligadas à PASCOM das Dioceses e Paróquias, foram estudados tema, estratégias de divulgação, propagação e outros tipos de trabalho que pudessem ser difundidos para atingir a todos os eleitores na escolha de seus candidatos. Apesar da Igreja nem apresentar partidos, nem candidatos, a gente percebe que muitas escolhas não recaem sobre os que poderiam fazer o melhor para o povo e para suas comunidades. Pelo menos, a Igreja não se omite de oferecer uma reflexão e apresentar uma melhor alternativa.

          As reflexões e debates contaram com as presenças dos senhores bispos das Dioceses, sob a presidência do Sr. Arcebispo Dom Jeremias e de seu Bispo Auxiliar Dom Reginei, assessorados pelo Prof. Rogério Carlos, Doutor e Mestre em Direitos Fundamentais e Democracia, além de fazer parte da Comissão de reflexão da Cartilha.

            A CNBB é a primeira Conferência de Bispos, criada no mundo, ainda dentro do Concílio Ecumênico, no início da década de 1960, que serviu depois como incentivo e modelo para que surgissem outras Conferências Episcopais.

            Os Senhores Bispos entenderam, durante o Concílio, que nada do que eles realizam em suas Dioceses, por toda parte do mundo, é feito, sem Pedro, isto é, sem o Papa. Daí, essa recorrência mais profunda ao Papa, quando se trata de partir dele, os encaminhamentos pastorais e doutrinais.

            Quando falei das diretrizes e orientações de Francisco, vindas da Fratelli Tutti, na Cartilha do Regional Nordeste III, quero reafirmar agora, com a “Cartilha de Orientação Política 2024” do Regional Sul II, com base na mesma Encíclica Fratelli Tutti em que o Papa reafirma que “a política melhor é vital para que todos possam viver com dignidade”.

            Estas duas Cartilhas, como outras que virão, são projetadas para abordar a política de forma simples e didática, ajudando os cidadãos a compreenderem a relevância da política na sociedade. O conteúdo é apartidário, ficando na essência da política sem qualquer viés partidário ou ideológico, refletindo a postura da Igreja Católica e da CNBB.

            Fiel ao Evangelho, a Igreja tem a missão de proteger e promover a vida humana desde a sua concepção até o seu fim natural. Porque não na política?

            É aqui que nos bifurcamos em ideologias antagônicas, embora tenhamos que conviver no mesmo espaço, e enfrentando a mesma realidade. Políticos adotam uma ideologia; grupos se alinham em pensamentos não muito cristãos. Muitos, mesmo batizados se encaminham para o ateísmo, até por ignorância ou para parecer diferente ou sem ideologia, enfim, é com este povo que devemos: conviver, educar, conscientizar sobre fé e política e ainda falar de salvação ou de vida eterna.

Agora, no meio desta mistura, além de Cartilhas, Orientações e preparo para eleições, a Igreja Católica, através do mesmo Francisco nos dá a fundamentação para o aprofundamento sobre a Pastoral dos Enfermos por todo este mês de julho, e para o VIII Dia Mundial dos Pobres a ser celebrado no dia 17 de Novembro, deste ano. Na Encíclica Fratelli Tutti está a base para nossas escolhas municipais, em Outubro. Ele ainda nos está convocando para participar do Ano Santo de 2025, que traz como tema, a oração, a ser refletido em todo o mundo, o que já aventamos ao falar ali acima sobre as orientações para nossas eleições: “a esperança não decepciona (Rm.5,5).

Enquanto os homens que têm poder pensam em armas, em guerras, em “balas” para tirarem a vida de outrem, a Igreja fala de “oração”, de “esperança” e nos convida à preparação para votar bem, com consciência, e a participar de mais um Ano Santo, agora em 2025, unindo oração e esperança. São temas, ideias e bons desejos concatenados, tendo em vista viver melhor o Ano Santo.

Você sabe o que é um Ano Santo? Vou lembrar-lhe agora.

A celebração de Anos Jubilares tem origem no Judaísmo, desde o Velho Testamento. Era um tipo de Ano Sabático com um significado muito particular. Era uma Festa realizada a cada 50 anos. No decorrer desse período, os escravos eram libertados, restituíam-se as propriedades às pessoas que as haviam perdido, perdoavam-se as dívidas, as terras não eram cultivadas e as pessoas descansavam. Era o tempo do descanso. Da alegria. Do júbilo. Daí o nome: Yobel em hebraico. Iubilum em latim. Deu “Jubileu” em português.

Com a vinda de Jesus ao mundo, cessou a História Antiga do Judaísmo. Começou a História do Novo Testamento. Tudo o que se referia à História passada, a gente conhecia pela literatura hebraica, aramaica, grega ou latina que os estudiosos e pesquisadores iam desvendando, traduzindo e procurando entender, decifrando papiros e se dedicando a pesquisas tão difíceis, que, um estudante paulista que encontrei em Londres, depois de estudar 06 meses, de uma língua das antigas, a língua COPTA, que ele havia traduzido uma única e pequena frase, me disse, ainda com uma piada: “isto é uma pesquisa de alto nível que nem todo mundo entende”. Que tal? É mole?

Em todo caso, só para completar a minha informação - que eu ainda posso retornar a ela - adianto-lhe que o Catolicismo adotou a ideia do Jubileu, dando-lhe uma nova roupagem: continua sendo pelo espaço de um ano, em que se concedem “indulgências” a fiéis que cumpram certas disposições eclesiásticas estabelecidas pelo Vaticano. Ele pode ser ordinário ou extraordinário. A celebração do Ano Santo Ordinário acontece em um intervalo de anos já estabelecido (a cada 25 anos, atualmente, sempre que algo extraordinário não impeça). Já o Ano Santo Extraordinário se proclama como celebração de um fato destacado, como se deu, faz pouco, em 2016, com o Ano Santo da Misericórdia. Muitos devem estar lembrados.

Dependendo do interesse, e se vivo eu for, por certo, voltarei ao tema, quando estiver mais perto do ano de 2025. Até breve!

             BORDADOS PEDAGÓGICOS                    da Professora NAZARÉ ANTERO







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