Na fazenda Santa
Maria, em Bela Cruz, uma celebração familiar especial
Do alto dos meus 83 anos –
“dentro dos 84” – único sobrevivente
das famílias Magalhães/Rocha a chegar a esta idade; graças à bondade de Deus,
ainda estou pelejando com a vida. Do meu conhecimento, nem minhas gerações
passadas, nem as atuais, superaram a barreira dos 80 anos.
Atribuo ‘à bondade
de Deus’, como disse e à vida de internato no Seminário, desde muito cedo,
à dedicação a estudos, tendo em vista a missão futura, a uma vida disciplinada
e à orientação para bem praticar o que aprendi.
Desde o início desta semana, estou com meus familiares – na tradicional fazenda Santa Maria, Município de Bela Cruz - em número mais reduzido, porque, dos 21 irmãos que éramos - de dois casamentos do meu pai - hoje somos nove. Os descendentes deles não constituíram, nem estão constituindo grandes famílias, e aquela Casa Grande, cheia de gente, durante as melhores férias do mundo, tem agora alguns idosos, poucos jovens e netinhos em número reduzido, para agradar e dar vida a todos.
Eu mesmo, com 56 anos de Padre, crio um sobrinho bisneto meu, como a melhor coisa que fiz na vida. João Murilo, já com 16 anos, me chama de “Vovô” e eu o trato, como meu “Neto” e descobri neste relacionamento, uma graça de Deus e uma motivação especial para minha longevidade.
A
motivação sempre presente em todos nós para passarmos o mês de julho na Fazenda
Santa Maria era porque, no dia 26, Seu Doca Rocha, nosso pai,
aniversariava e Dona Benedita, mãe de 18 dos irmãos, se esmerava em
promover Missa com o Pároco, alegria, diversão e encontro familiar e de amigos,
para comemorar a data. Dona Benedita morreu, Seu Doca casou de novo e teve mais
03 filhos com D. Tereza Araújo. Continuamos uma família de verdade e assim
estamos. Surgiram dificuldades, continuam surgindo, mas perseveramos andando em
frente.
Em
1966, eu estava pronto para ser Padre. Minha mãe morreu antes de celebrar a
felicidade dela, em ter um filho sacerdote: aos 19 de março de 1965. Como
estava previsto, concluí meus estudos, mas não me ordenei logo. Passei dois
anos de estágio em Afogados da Ingazeira - PE, para preparar-me melhor e
amadurecer mais para dar o passo seguro. Afinal, a morte da minha mãe me abalou
bastante. Graças a Deus, o Bispo que me acolheu e que eu o conhecia desde a
minha infância, em Sobral, era o Pe. Austregésilo, à época, eleito Bispo de
Afogados da Ingazeira, onde se apresentou como D. Francisco, dada a dificuldade
que o povo teria de tratá-lo como D. Austregésilo.
Fiquei,
da metade de 1966 à metade de 1968, estagiando: participando das liturgias, dando
aulas num ex colégio de freiras e num colégio do Estado, dirigindo uma Emissora
de Rádio, participando das reuniões do clero, dirigindo o carro do Bispo,
enfim, tudo o que eu fazia ou realizava era tendo em vista a observação do
Bispo, do clero e do povo, em geral, da Diocese, me avaliando e enfocando na
missão que eu deveria assumir e realizar quando Padre.
Em
julho de 1965 – nos 04 meses após a morte de minha mãe – vim de férias, como sempre,
para ficar com minha família na Fazenda. Na passagem por Bela Cruz, visitei meu
Pároco – Padre Odécio – já convidado, como nos anos anteriores, para a Missa do
dia 26, que me disse: “meu caro, a cumeeira da sua casa caiu. Ajude a sua
família a se reconstituir”. Era a advertência do experiente Pároco, àquele
que se aproximava do sacerdócio, para que já se fosse preocupando com a missão
que estava por vir, que começasse de casa. Valeu muito a advertência. Minha Ordenação
se deu a 04.08.68 em Bela Cruz.
Muita
festa, muita alegria, Missas na Matriz, na Capela do Cajueirinho - perto da
Fazenda - até Batizados, Casamento de uma prima legítima, felicidade era o que
não faltava. Até o conselho do Pároco veio logo à mente: é pra já.
Do
fim do Ano de 1968 para início do novo Ano de 1969, vim a Bela Cruz, ajudei ao
Pároco em 03 Missas de Natal: São Gonçalo, Carrasco (Matriz) e Cajueirinho,
respectivamente: 21 horas, Meia Noite e Cinco da Manhã e, no tempo que passava
em casa, planejava a vinda em Julho para a Missa das Férias e demais programações
familiares. Enfocamos, a partir do 1º Encontro, juntar à Missa do dia 26/07/1969,
a Festa Litúrgica de São Joaquim e Santana, Pais de Maria e Avós de Jesus para
dar ao nosso tão esperado Encontro, uma justificativa com uma mensagem dentro
de nossa fé cristã, que o Padre Odécio dava, sem dúvida, mas não era da família
de sangue da gente. Este fato vai além da missão sacerdotal. O Padre da Família
tem que ser uma referencia, um confidente, um exemplo. Não é uma “preocupação
qualquer”; é uma “preocupação direcionada, personalizada, confiante, sem
esconder nada”. Às vezes, a gente desconfia de outro Padre. Do Padre de Casa
é diferente.
Lembro-me
tanto de Heloísa, irmã de D. Francisco que, falando com ele, ou sobre ele,
sempre o tratava como o “Padre lá de
casa”.
Lembram-se
de nossa reflexão no ano passado? Dissemos no Blog do Leunam e na Missa do Aniversário de Seu Doca que
“São Joaquim e Santana foram pais de família numa situação
de quase impossibilidade: ambos tinham idade avançada e eram estéreis. Isso
causava um grande sofrimento para os dois, já que, para os judeus, ‘não ter
filhos’ era um sinal de maldição de Deus. Eles nunca desistiram de sua fé e após
muitas orações, Ana engravidou. Foi um grande milagre para o casal, pois tinha
uma vida de santidade.
Maria, ao nascer, não só tirou dos ombros dos pais, o peso de uma vida de medo de uma maldição, mas ainda os compensou pela fé, ao ser escolhida, mais tarde, para ser a Mae do Filho de Deus”.
Não acrescentamos nada de novo ao associar o aniversário de nosso pai ao Dia Litúrgico de São Joaquim e Santana, pois já funcionava desde o século VI, separadamente. Só no século XIV o Papa Urbano IV uniu, oficialmente, o culto aos dois, em uma só celebração.
Coube ao Papa Paulo VI a fixação da data: 26 de Julho, Dia dos Avós, por causa dos Avós de Jesus e ao Papa Francisco, de 04 anos pra cá, torná-la Dia Mundial dos Avós a ser celebrada no 17º Domingo do Tempo Comum, como é o Dia Litúrgico amanhã. Somente quando o dia 26 de Julho cai em Dia de Domingo coincidem as datas.
Por
ocasião deste Quarto Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo
Papa Francisco, a ser celebrado no 4º Domingo de Julho, e que terá como Tema “na velhice não me abandones” a
Santa Sé Apostólica está concedendo “uma
indulgência plenária nas costumeiras condições – confissão sacramental,
comunhão eucarística e orações nas intenções do Sumo Pontífice
– aos avós, aos idosos e a todos os fiéis que, motivados por um autêntico espírito de penitência e caridade, participarem no dia 28 de julho de 2024 (amanhã, portanto) nos vários serviços que se realizam em todo o mundo”.
Para
quem acredita, é uma grande oportunidade de dedicar tempo adequado para visitar
irmãos idosos, necessitados ou em dificuldade: doentes, pessoas solitárias, com
deficiência, abandonadas, morando na rua ou que se sintam limitadas no corpo ou
na alma. Será a melhor maneira de expressar a nossa solidariedade, o nosso
apoio, o nosso amor, nem sempre vividos por nós para alcançar as graças
divinas. Que nossos idosos se sintam amados.
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