sábado, 17 de agosto de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

COMO VOCÊ TEM ATENDIDO AO CHAMADO DE DEUS?

O mês de agosto se está caracterizando pela comunicação ou pela convocação, que a Igreja faz todos os anos, aos seus fiéis, para refletirem sobre as vocações: os chamados que Deus vai fazendo a cada um de nós, para bem exercermos a nossa missão no mundo.

            Já pensamos na Vocação do Padre (dia 04), na dos pais (dia 11) e agora, neste 3º Domingo (dia 18), sobre a Vocação à Vida Religiosa, ou o chamado feito aos frades e às freiras, para melhor servirem a Deus, por uma missão especial, à semelhança de Maria, nesta sua Festa da Assunção.

             De algum tempo para cá, envolvida pela renovação exigida pelo Concílio, a Solenidade da Assunção de Maria, que era celebrada, desde o século V, no dia 15 de Agosto, deixou de ser fixa, como dia de preceito, para celebrar-se no 3º Domingo, que já é o Dia do Senhor. Em algumas vezes, as motivações coincidem. Os feriados serão diminuídos, como em outras Festas.

            Por que eu disse: ‘à semelhança de Maria’? Porque ela deu seu sim ao Anjo que lhe anunciou que ela seria a Mãe de Deus. Resistiu um pouco, mas aceitou: “faça-se em mim, segundo a tua palavra”.

            Os religiosos, homens ou mulheres, dão seu “sim” a Deus, todos os dias, na realização de suas funções: nos hospitais, nas creches, nas escolas, nas pastorais, na vida comunitária, em qualquer parte. O frade – ordenado ou não -  e a freira devem estar sempre dispostos a fazer a vontade de Deus, a dizer sim como Maria: ‘eis aqui a serva do Senhor’.

            Há pessoas que não veem muito sentido na vida religiosa. Como é que alguém se tranca num convento, às vezes, sem ter mais nenhum contato com o mundo? Terá sido por algum desengano amoroso que ali foram parar?

            Santa Terezinha do Menino Jesus explicava muito bem o significado de sua vida no Carmelo.

“A Igreja tem dois grandes grupos de missionários: os que vivem no mundo, se arriscando, enfrentando toda sorte de barreiras ou dificuldades e os que vivem nos conventos”. E os comparava com uma árvore: “aqueles são o tronco, as folhas, os frutos, os galhos que ficam sujeitos à depredação de vândalos ou ao alcance de pessoas que os estragam, maltratam ou destroem. Os que vivem nas casas religiosas ou nos conventos são as raízes, que ficam escondidas, sem serem alcançadas pela destruição, pela maldade humana ou por estragos causados pela própria natureza. No entanto, uma parte não vive sem a outra. Será que a copa da árvore pode viver sem as raízes? Será que nasceriam flores e frutos, sem a seiva que entra pelas raízes ou a força que vem do solo? E para que essas raízes escondidas, subterrâneas, se não houvesse a copa ou as partes externas da árvore”?

 

Perfeita a comparação, Santa Terezinha! A Igreja tem seus missionários externos, pregando a palavra de Deus, distribuindo os sacramentos, presidindo celebrações, usando de todos os recursos para chegarem mais perto do povo, por exemplo, o rádio, o jornal, a televisão; presentes na escola, na creche, nas comunidades eclesiais, dentro e fora das cidades, na zona rural e na urbana. É a parte externa, arriscada de que fala Santa Terezinha.

            Tem que haver a outra parte: a da oração, contemplação e intercessão a Deus; os que se escondem ou se anulam para darem força aos que se arriscam, levam pedradas, sofrem incompreensão ou calúnias por causa do Reino de Deus ou do seu trabalho comprometido. Que bela comparação! É por isso que você é a Padroeira dos Missionários e que está regendo esta sinfonia vocacional que é o Tema da CNBB, insistindo no Lema: a messe é grande...

            Vamos continuar insistindo ao Senhor para que envie novos operários para a sua colheita, quer para serem sacerdotes Diocesanos e assumirem paróquias e desobrigas em capelas e comunidades rurais, quer para serem frades regulares ou freiras conventuais, seguidores de regras ou de normas – daí o nome regulares – através dos votos de obediência, castidade e pobreza.

            Em todos os anos, o Mês Vocacional obedeceu a este esquema: Vocação do Padre, Vocação dos Pais, Vocação dos Religiosos e Religiosas e - pra semana - Vocação dos Leigos e Catequistas, que ainda abordaremos.

            Para todos, Tema e Lema são os mesmos: “Igreja como uma sinfonia vocacional” e “pedi ao Senhor da Messe que mande mais operários”...

            Na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu - já justificamos – a reflexão é sobre a Vocação Religiosa: masculina ou feminina, popularmente conhecidas, como frades e freiras. Muitos daqueles são Sacerdotes e também exercem missões pastorais em paróquias, na celebração dos sacramentos do Perdão e da Eucaristia. Todos, ordenados ou não, dão vida à Igreja, ajudando-a em inúmeras pastorais pelas várias instituições eclesiais onde atuam.

            Exercem as mais variadas funções pelas Paróquias, comunidades, escolas, capelas, hospitais, sendo sempre um sinal concreto da vida que Deus quer que exista em cada pessoa. É a mesma disposição que a Mãe de Deus deu a entender, quando disse seu sim: eis aqui a serva do Senhor.

            Em geral, este ano, em todas as suas ações pastorais, preparou-nos para a celebração do Ano Jubilar, em 2025. É mais um Ano Santo, que ocorre na Igreja, de 25 em 25 anos. Faz menos de um mês (foi aos 20 de julho), eu lembrei aos meus leitores, o seu significado. Até prometi voltar ao assunto. Vou repeti-lo um pouco.

            Há quase um mês eu lhes dizia que a celebração de anos jubilares tem origem no judaísmo, desde o Velho Testamento. Era um tipo de ano sabático com um significado muito particular. Era uma festa realizada a cada 50 anos.

            No decorrer desse período, os escravos eram libertados, restituíam-se as propriedades às pessoas que as haviam perdido, perdoavam-se as dívidas, as terras não eram cultivadas e as pessoas descansavam. Era o tempo do descanso. Da alegria. Do júbilo. Daí, o nome: yobel, em hebraico. Iubilum em latim. Deu Jubileu em português.

            Acrescentei que, com a vinda de Jesus ao mundo, cessou a História do Antigo Judaísmo e começou a História do Novo Testamento e o Catolicismo adotou a ideia do Jubileu, dando-lhe uma nova roupagem.

            Manteve a duração de um ano, iniciou com o espaçamento de 100 em 100 anos, depois passou a ser de 50 em 50 anos e, por causa do grande período, entre suas realizações, nos últimos tempos, tem-se dado a cada 25 anos, com a possibilidade de acontecer, intercaladamente, por uma motivação extraordinária, desde que seja para o bem de todos e por uma catequese mais intensa. A caminhada da Igreja, sobretudo com o aparecimento de sua Doutrina Social, do Concílio Ecumênico Vaticano II e dos intensos momentos de evangelização, destacados por ela, são excelentes momentos de preparação para um Jubileu.

            Falei ali acima ‘por uma motivação extraordinária’. Lembram-se do Jubileu da Misericórdia, celebrado em 2016? Foi, extraordinariamente, convite do Papa Francisco. Até tivermos, várias “portas santas” por Catedrais e Igrejas, autorizadas pelo Papa, para que todos pudessem ganhar indulgencias. Quem sabe, S.S. não abrirá outras oportunidades para quem mora longe de Roma?!               

 


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