sábado, 3 de agosto de 2024

 

O EXEMPLO DO CURA D’ARS!

Em Agosto do ano passado, celebramos 40 anos da Instituição do Mês Vocacional - desde 1983 - sempre com um Tema e um Lema a ser refletido em cada ano.

Na 1ª semana de agosto – devido a Festa Litúrgica de São João Maria Vianey - celebrada no dia 04, coincidentemente, se reflete sobre a Vocação do Padre no 1º Domingo de Agosto.

Na 2ª semana, por causa do Dia dos Pais pensa-se na Vocação deles no 2º Domingo, dia 11.

Na 3ª semana, dia 18, na Festa da Assunção de Maria ao Céu, reflete-se sobre a Vocação á Vida Religiosa, a exemplo do “sim” dado por Maria, que deve ser sempre, modelo para a Vida Consagrada dos frades e das freiras na sua Missão.

No 4º Domingo de Agosto celebra-se o Dia do Leigo e do Catequista, se não houver mais um Domingo. Se houver um 5º Domingo, comemora-se, separadamente: o Dia do Leigo no 4º Domingo, e o Dia do Catequista no 5º. De antemão, os Leigos e Catequistas já sabem que o seu Dia, será 25 de Agosto, 4º e último Domingo do mês.

Para os quatro Domingos, deste mês, portanto, temos um Tema e um Lema apropriados, respectivamente escolhidos pela Comissão para os Ministérios Ordenados e da Vida Consagrada da CNBB: “Igreja, uma sinfonia vocacional” e extraído de Mt 9,38: “pedi, pois, ao Senhor da Messe”...

Quanto ao Tema para todo este mês, a Igreja do Brasil espera que, ‘como sinfonia’, a gente dê o tom ou a nota certa para gerar a grande harmonia que devemos executar em nosso trabalho pastoral numa verdadeira sinfonia.

Para que tudo funcione a contento, ainda teremos a Palavra de Deus, em forma de oração, “pedindo ao Senhor da Messe” que é o primeiro passo vo-cacional, para que ele envie novos operários para a sua colheita.

Eu, pessoalmente, sempre tive oportunidade, por onde andei, de cuidar das Vocações Sacerdotais. Fui acompanhante de seminaristas em Afogados da Ingazeira, em Recife, em João Pessoa e no interior da Paraíba, em Sobral e em Fortaleza, depois do meu retorno à Diocese onde iniciei meus estudos.

Sinto-me feliz em ter encaminhado vários jovens em estudos sacerdotais nos vários seminários por onde passei. Muitos se ordenaram e me estimulam e me renovam ainda na Missão. Falei-lhes, em muitas ocasiões, sobre o Padre que mais estimulou minha própria Vocação e que nem todo mundo acredita. Eu o tive sempre como referencia. Tenho dito isso em meus textos. Repetirei hoje.

Refiro-me ao Santo Cura d’Ars, o Padre São João Maria Vianey que, por 40 anos, no interior da França, na 1ª metade do século XIX, foi Pároco muito dedicado.  Doava-se de corpo e alma a celebrar o Sacramento da Penitencia e da SS. Eucaristia, na Santa Missa, com sermões cheios de fé e de Deus. Sua imensa caridade para com os mais pobres e sua vida missionária atraíram muitas pessoas de todas as condições sociais, para a cidadezinha de Ars, no sul da França, a fim de o escutarem e seguirem sua orientação e conselhos.

São João Vianey foi um Pároco, um guia ou “curador” tão dedicado e tão comprometido com a pregação e comunicação do Evangelho, que o dia litúrgico de sua festa é também, pelo próprio calendário civil, o Dia do Padre.

Com tais justificativas eu não poderia ter escolhido data melhor para a minha Ordenação Sacerdotal do que o dia 04 de Agosto. E a minha escolha se deu muito cedo. Em setembro de 1955 eu tinha 14 anos. Em outubro faria 15.

Na ocasião, celebrávamos o Jubileu Áureo de Dom José: 50 anos de sua Ordenação Sacerdotal. Adolescente como eu era, impressionou-me muito uma reflexão do Pe. Alexandrino Monteiro no Congresso Eucarístico de Sobral, comemorativo das Bodas de Ouro do Bispo, sobre a Vocação e a Missão de S. João Maria Vianey, o Cura d’Ars, que estava completando 30 anos de sua Canonização. A partir dali, eu me decidi: ‘se eu chegar a ser Padre, quero me ordenar na Festa Litúrgica de São João Maria Vianey’. E assim o fiz.

Tornei-me sacerdote no dia 04 de agosto de 1968 pelas mãos de meu querido amigo e saudoso Bispo de Afogados da Ingazeira – PE, Dom Francisco Austregésilo, na Matriz de Bela Cruz, a minha terra natal.

Para completar minha alegria, entusiasmo e devoção, quando estudava em Roma, fui a Ars, em 1975, participar do Jubileu de Ouro da Canonização de seu famoso e Santo Cura. Senti-me, plenamente realizado e privilegiado. Além de integrar uma imensidão de peregrinos, ainda tomei contato com toda a sua História e visitei seu “corpo incorrupto”, em perfeito estado de conservação como se vivo fosse.

Dado que eu estudava Sociologia e Comunicação Social, impressionei-me com o que entendi e aprendi com o Cura d’Ars e sua obra social. Por aqui, ao nosso redor, chamam de agitador e de comunista a quem se preocupa com o bem comum, com a vida comunitária e com trabalhos voltados para a libertação do povo, querendo até afastá-los da “Comunhão Eucarística”. Pode?

O Santo Cura d’Ars não dava apenas assistência espiritual. Oferecia a todos, o testemunho, a presença material e a assistência social. Os antigos prostíbulos foram transformados em hospedarias, escolas, hotéis e toda a Vila                                                                                                                  passou a ser uma cidade acolhedora, progressista, moralmente saneada com um povo muito feliz, graças à ação do Santo Cura d’Ars.

Certamente, toda essa bonita motivação, sugerida pelo Cura d’Ars e alimentada pela graça, bondade e misericórdia de Deus me fizeram sustentar o “chamado” e o compromisso sacerdotal até agora.

Rezemos pelos nossos Párocos e Vigários Paroquiais. Cumprimentemo-los pela passagem de seu Dia, amanhã, 04 de agosto e reflitamos sobre tão bela história de S. João Vianey, modelo e belo exemplo para todos os Padres.

O Evangelho deste 1º Domingo de Agosto - coincidente com o Dia do Padre, o único que nos pode trazer, pelo sacerdócio de Jesus Cristo, o Pão Eucarístico, ou o Pão do céu - levou os próprios discípulos a rogarem a Jesus: ‘Senhor, dá-nos sempre desse pão’.

O pão material é o ponto de partida, sem dúvida, embora o ponto de chegada seja a pessoa de Jesus, o verdadeiro pão que desceu do céu.

Diante da insistência dos discípulos sobre o que fazer para praticar as obras de Deus, Jesus encaminha a resposta: “não são as obras, mas a Obra. Não é fazer, mas crer. A obra é crer no Filho de Deus”.

O pão foi usado por Jesus como um sinal indicativo de uma realidade maior, ao dizer: “esforcem-se não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do Homem lhes dará”.

Na Missa de amanhã, ao ler ou ouvir o texto do Evangelho de Jo 6,24-35 entenderá o ensinamento de Jesus: “a obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou... É meu Pai que vos dará o verdadeiro pão do céu”.

Neste Dia do Padre, entenda melhor a sua função entre nós. Jesus o instituiu para uma Missão muito especial e o Santo Cura d’Ars O representou tão bem, que sua Solenidade Litúrgica é especial para festejar o Dia do Padre  


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