E o que é catequizar,
senão um desafio?
Estamos vivenciando o 53º ano da instituição do Mês da Bíblia – pela CNBB – durante o mês de setembro, numa homenagem ao Patrono das Sagradas Escrituras, São Jerônimo, festejado em 30 de Setembro – Dia da Bíblia Católica. Convencionou-se em celebrá-lo sempre no último Domingo de Setembro, quando não coincidirem as datas, como neste ano: o último domingo é dia 29 e S. Jerônimo é no seu dia próprio: 30/09. (Comentaremos sábado, 28.)
Por enquanto, estamos dando continuidade às reflexões já iniciadas, sobre o Tema e Lema escolhidos para 2024, respectivamente, o Livro do Profeta Ezequiel e o versículo 14 de seu capítulo 37: “porei em vós meu espírito e vivereis”.
Elencamos
também em nossos comentários, os temas e lemas, anteriormente, estudados, para
que todos entendam que o Mês da Bíblia é um dos meses temáticos, com objetivo
pastoral, isto é, propagar e aprofundar estudos sobre os escritos bíblicos,
junto às comunidades católicas brasileiras.
É
claro que esta animação bíblica das comunidades ocorre em todas as atividades
pastorais, máxime no Mês da Bíblia, com estudos alternados entre livros do
Antigo e do Novo Testamentos. Para este ano de 2024, o livro escolhido é o de
Ezequiel em que, até o nome “Ezequiel” (El = Deus, Supremo ‘é forte’) ou Deus
fortalece.
Dizem
os estudiosos, sobretudo os psicólogos, que “a repetição leva à aprendizagem”, que a sabedoria popular traduz,
simplesmente, por “água mole em pedra
dura, tanto bate até que fura”. Vale à pena repetir um pouco do que já foi
dito, voltando ao contexto histórico de Ezequiel: ele apareceu no século VI A.C.,
no exílio da Babilônia, período em que houve deslocamento da referencia social,
religiosa e nacional dos Israelitas por mais de meio século.
Além
de todas as implicações sociais e políticas, a deportação gerou uma crise
religiosa para o povo: a fé de Israel estava ligada à terra a ser recebida em
promessa e à aliança com um Deus guerreiro. Apareciam líderes ou mensageiros
oportunistas que confundiam o povo. Ezequiel chegou com um recado diferente.
Ele, além de Profeta era sacerdote. Trazia um recado semelhante ao do Profeta
Isaías, cerca de cem anos atrás, em que Deus era poderoso, glorioso e
transcendente.
No
estudo do Livro de Ezequiel e em sua ‘leitura
orante’ estamos convidando a todos os cristãos a tomarem consciência do
seu papel profético e de interesse em viver a vontade de Deus, denunciando as
injustiças e anunciando a novidade do amor de Deus. Todos também devem
despertar a esperança e o consolo daqueles que experimentam a perda, o
sofrimento, a aflição ou mesmo a saudade diante da ausência pela distância em
que se encontram, às vezes, até pela morte, longe ou trabalhando em busca de
melhores condições de vida.
Temos
que atualizar, em nós, o profeta Ezequiel, pelo que ele alertou e ‘esperançou’ seus contemporâneos. Ainda
hoje, sua palavra ressoa com força renovadora para uma Igreja servidora,
profética, em saída, sinodal e que nasce do vigor
batismal. Nós ainda cremos nisto ou são somente palavras ao léu?
Como
falei em vigor batismal, será
que os termos de Ezequiel 36,25ss não nos levam a entender melhor sua
fundamentação?:
“derramarei sobre vós
uma água pura e vocês ficarão purificados de todas as suas imundícies e
de todos os seus ídolos. Darei a vocês um coração novo e colocarei um espírito
novo dentro de vocês. Tirarei o coração de pedra e lhes darei um coração de
carne. Vocês serão o meu povo e eu serei o Deus de vocês”!
A Animação Bíblico-Catequética
da CNBB não só se empenhou em divulgar a escolha do Tema e Lema - como temos
lembrado - mas também ofereceu várias opções de estudos, reciclagem e
aperfeiçoamento de Padres, religiosos e leigos em suas sedes regionais ou
diocesanas e até, paroquiais, em todo o decorrer deste mês.
Os próprios Sacerdotes estiveram
alguns dias em Brasília, em ótima oportunidade de reencontrar-se, conviver e
até alimentar ou aumentar um pouco, a saudade (porque a ela ninguém mata). Lá
eles não só se encontraram na oração, no contato fraterno e no reestudo da
Iniciação à Vida Cristã para se atualizarem e desenferrujar da aprendizagem do
passado. Deve ter sido muito gratificante para quem deixou sua comodidade e
participou.
Por que eu falei nisso
ou dei este exemplo? Porque, ali acima eu falei da “água pura”, herdada do Profeta Ezequiel e assumida pela
Igreja servidora, profética, em saída e sinodal como “vigor batismal”, 1º sacramento da Iniciação Cristã, seguido
da Crisma e da Eucaristia. Devemos aprofundar isto todo dia.
Os colegas que lá estiveram,
certamente recordaram os estudos do Código de Direito Canônico, Parte
Primeira, do Cân. 840 ao 1.165, onde se encontra o conteúdo de todos os
sacramentos. Aprofundaram-se apenas nos 03 primeiros, chamados, os da Iniciação
à Vida Cristã. Foram relembrados e reaprofundados agora, neste Mês da
Bíblia, em forma de “Seminário” ou de “replantio” e de colheita numa sequência
de análise da conjuntura eclesial, olhando a realidade e os sinais dos tempos.
Debateram também como
tornarem comum, um vocabulário ou linguajar que pudesse dar uma unidade maior à
catequese, ao “kerigma”, isto é, ao
anuncio ou à proclamação da palavra a fim de que seja entendida melhor por
todos os catequizandos ou grupos a serem evangelizados.
Foi de muito proveito a reflexão sobre “a arte de presidir” ou a função de quem está à frente da comunidade ou do povo de Deus para orientá-lo ou dirigir-lhe uma mensagem “olho no olho” para ser apreendida e vivida num possível repasse que se possa fazer dentro de cada comunidade eclesial. Essa parte é sempre uma das mais difíceis, mas aquele que é batizado, confirmado e alimentado pela Eucaristia não deverá temer a nada no desempenho da sua Missão.
O Padre - como líder natural de comunicação e principal responsável pela transmissão da Palavra - é também aquele que preside, que está à frente. Todos os olhares se voltam pra ele. Ele tem que ser modelo em tudo o que faz.
Os padres que estiveram
em Brasília e participaram do Seminário de Iniciação à Vida Cristã –
apesar de não serem tão iniciantes – levaram para suas dioceses uma injeção
pastoral de amor ao trabalho eclesial, de iluminação e purificação pelas
reflexões que fizeram e pelo estímulo que lhes fora dado para a utilização mais
moderna e atualizada da Catequese que se faz pelas Mídias Digitais, tão em voga
nesses últimos tempos e que poderão dar um novo impulso às nossas pastorais.
Sempre se fala no mal
que a Internet nos faz. Ela é colocada entre os grandes males que viciam a
juventude: bebida, droga, prostituição, tráfico humano, embora estes vícios
apareçam mais, quando já se é quase maior de idade. O telefone, as redes
sociais e a Internet, em geral, já se começa a usar na mais tenra infância. É
muito mais difícil de ser abandonada, mas não deixa de ser para todos, um
grande desafio. E o que é catequizar,
senão um desafio?
Todo Padre sabe que a Catequese é uma das maiores alegrias da
sua Comunidade, mas deve sempre ter em mente como sua 1ª preocupação.
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