sábado, 21 de setembro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 


E o que é catequizar, senão um desafio?

Estamos vivenciando o 53º ano da instituição do Mês da Bíblia – pela CNBB – durante o mês de setembro, numa homenagem ao Patrono das Sagradas Escrituras, São Jerônimo, festejado em 30 de Setembro – Dia da Bíblia Católica. Convencionou-se em celebrá-lo sempre no último Domingo de Setembro, quando não coincidirem as datas, como neste ano: o último domingo é dia 29 e S. Jerônimo é no seu dia próprio: 30/09.           (Comentaremos sábado, 28.)

             Por enquanto, estamos dando continuidade às reflexões já iniciadas, sobre o Tema e Lema escolhidos para 2024, respectivamente, o Livro do Profeta Ezequiel e o versículo 14 de seu capítulo 37: “porei em vós meu espírito e vivereis”.

            Elencamos também em nossos comentários, os temas e lemas, anteriormente, estudados, para que todos entendam que o Mês da Bíblia é um dos meses temáticos, com objetivo pastoral, isto é, propagar e aprofundar estudos sobre os escritos bíblicos, junto às comunidades católicas brasileiras.

            É claro que esta animação bíblica das comunidades ocorre em todas as atividades pastorais, máxime no Mês da Bíblia, com estudos alternados entre livros do Antigo e do Novo Testamentos. Para este ano de 2024, o livro escolhido é o de Ezequiel em que, até o nome “Ezequiel” (El = Deus, Supremo ‘é forte’) ou Deus fortalece.

            Dizem os estudiosos, sobretudo os psicólogos, que “a repetição leva à aprendizagem”, que a sabedoria popular traduz, simplesmente, por “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Vale à pena repetir um pouco do que já foi dito, voltando ao contexto histórico de Ezequiel: ele apareceu no século VI A.C., no exílio da Babilônia, período em que houve deslocamento da referencia social, religiosa e nacional dos Israelitas por mais de meio século.

            Além de todas as implicações sociais e políticas, a deportação gerou uma crise religiosa para o povo: a fé de Israel estava ligada à terra a ser recebida em promessa e à aliança com um Deus guerreiro. Apareciam líderes ou mensageiros oportunistas que confundiam o povo. Ezequiel chegou com um recado diferente. Ele, além de Profeta era sacerdote. Trazia um recado semelhante ao do Profeta Isaías, cerca de cem anos atrás, em que Deus era poderoso, glorioso e transcendente.

            No estudo do Livro de Ezequiel e em sua ‘leitura orante’ estamos convidando a todos os cristãos a tomarem consciência do seu papel profético e de interesse em viver a vontade de Deus, denunciando as injustiças e anunciando a novidade do amor de Deus. Todos também devem despertar a esperança e o consolo daqueles que experimentam a perda, o sofrimento, a aflição ou mesmo a saudade diante da ausência pela distância em que se encontram, às vezes, até pela morte, longe ou trabalhando em busca de melhores condições de vida.

            Temos que atualizar, em nós, o profeta Ezequiel, pelo que ele alertou e ‘esperançou’ seus contemporâneos. Ainda hoje, sua palavra ressoa com força renovadora para uma Igreja servidora, profética, em saída, sinodal e que nasce do vigor batismal. Nós ainda cremos nisto ou são somente palavras ao léu?

            Como falei em vigor batismal, será que os termos de Ezequiel 36,25ss não nos levam a entender melhor sua fundamentação?:

 

“derramarei sobre vós uma água pura e vocês ficarão purificados de todas as suas imundícies e de todos os seus ídolos. Darei a vocês um coração novo e colocarei um espírito novo dentro de vocês. Tirarei o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Vocês serão o meu povo e eu serei o Deus de vocês”!

                                                                      

A Animação Bíblico-Catequética da CNBB não só se empenhou em divulgar a escolha do Tema e Lema - como temos lembrado - mas também ofereceu várias opções de estudos, reciclagem e aperfeiçoamento de Padres, religiosos e leigos em suas sedes regionais ou diocesanas e até, paroquiais, em todo o decorrer deste mês.

Os próprios Sacerdotes estiveram alguns dias em Brasília, em ótima oportunidade de reencontrar-se, conviver e até alimentar ou aumentar um pouco, a saudade (porque a ela ninguém mata). Lá eles não só se encontraram na oração, no contato fraterno e no reestudo da Iniciação à Vida Cristã para se atualizarem e desenferrujar da aprendizagem do passado. Deve ter sido muito gratificante para quem deixou sua comodidade e participou.

Por que eu falei nisso ou dei este exemplo? Porque, ali acima eu falei da água pura”, herdada do Profeta Ezequiel e assumida pela Igreja servidora, profética, em saída e sinodal como vigor batismal”, 1º sacramento da Iniciação Cristã, seguido da Crisma e da Eucaristia. Devemos aprofundar isto todo dia.

Os colegas que lá estiveram, certamente recordaram os estudos do Código de Direito Canônico, Parte Primeira, do Cân. 840 ao 1.165, onde se encontra o conteúdo de todos os sacramentos. Aprofundaram-se apenas nos 03 primeiros, chamados, os da Iniciação à Vida Cristã. Foram relembrados e reaprofundados agora, neste Mês da Bíblia, em forma de “Seminário” ou de “replantio” e de colheita numa sequência de análise da conjuntura eclesial, olhando a realidade e os sinais dos tempos.

Debateram também como tornarem comum, um vocabulário ou linguajar que pudesse dar uma unidade maior à catequese, ao “kerigma”, isto é, ao anuncio ou à proclamação da palavra a fim de que seja entendida melhor por todos os catequizandos ou grupos a serem evangelizados.

Foi de muito proveito a reflexão sobre “a arte de presidir” ou a função de quem está à frente da comunidade ou do povo de Deus para orientá-lo ou dirigir-lhe uma mensagem “olho no olho” para ser apreendida e vivida num possível repasse que se possa fazer dentro de cada comunidade eclesial. Essa parte é sempre uma das mais difíceis, mas aquele que é batizado, confirmado e alimentado pela Eucaristia não deverá temer a nada no desempenho da sua Missão.

O Padre - como líder natural de comunicação e principal responsável pela transmissão da Palavra - é também aquele que preside, que está à frente. Todos os olhares se voltam pra ele. Ele tem que ser modelo em tudo o que faz.

Os padres que estiveram em Brasília e participaram do Seminário de Iniciação à Vida Cristã – apesar de não serem tão iniciantes – levaram para suas dioceses uma injeção pastoral de amor ao trabalho eclesial, de iluminação e purificação pelas reflexões que fizeram e pelo estímulo que lhes fora dado para a utilização mais moderna e atualizada da Catequese que se faz pelas Mídias Digitais, tão em voga nesses últimos tempos e que poderão dar um novo impulso às nossas pastorais.

Sempre se fala no mal que a Internet nos faz. Ela é colocada entre os grandes males que viciam a juventude: bebida, droga, prostituição, tráfico humano, embora estes vícios apareçam mais, quando já se é quase maior de idade. O telefone, as redes sociais e a Internet, em geral, já se começa a usar na mais tenra infância. É muito mais difícil de ser abandonada, mas não deixa de ser para todos, um grande desafio. E o que é catequizar, senão um desafio?

Todo Padre sabe que a Catequese é uma das maiores alegrias da sua Comunidade, mas deve sempre ter em mente como sua 1ª preocupação.  






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