O Livro de Ezequiel e a História do Povo de Deus.
Depois de Comentar –
sábado, 31/08 - sobre o início do Mês da Bíblia, no Domingo, 1º de Setembro,
com seus Tema e Lema, retornamos no sábado – 07 de setembro – para falar de
duas importantes celebrações, já tradicionais, na 1ª semana de setembro,
concomitantemente, lembradas neste Mês: os 202 anos do Dia do Grito da Independência
Política do Reino Português e os 30 anos do Grito dos Excluídos, instituído
pela Igreja Católica, para nos conscientizar a respeito da tão propalada “independência”
trazida pelo 1º Grito.
Até frisamos que o curto hiato, com a reflexão do dia 07, não impediria a continuidade, desta semana em diante, devido a importância dos ‘gritos dados’.
Já
dissemos que a Comissão para a Animação Bíblico-catequética da CNBB nos está
convidando, este ano, a enfocar o Tema, com base no Livro de Ezequiel, 37,14, sob
o Lema: “porei em vós meu espírito e
vivereis”.
Situamos
o aparecimento do Profeta Ezequiel, pelo ano 586, A.C., pregando em Jerusalém,
para os nativos, para os babilônios invasores e para os Israelitas, seus
prisioneiros, que fugiam do Egito, rumo à terra prometida. Já lembramos, em
nosso 1º Comentário, que Deus enviou o Profeta Ezequiel, com estas palavras:
“oh! Homem mortal! Eu
o estou mandando ao povo de Israel, que se revoltou e se virou contra mim. Eles
ainda são rebeldes como os antepassados deles... Cada um deles é responsável
por seus próprios pecados... Se derem atenção a você ou se não derem, eles irão
saber que um profeta esteve no meio deles”.
Gostaria
de dar algum passo a mais, nesta continuação do comentário já iniciado, dizendo
que o Livro de Ezequiel nos coloca diante de uma das
etapas mais atribuladas e trágicas da História do Povo de Deus. O Reino de
Judá, fraco e indefeso, diante dos grandes impérios se via mergulhado numa
disputa, entre as nações, sem ter condição nenhuma de interferir em seu próprio
destino. De um lado, o Império Babilônio. Do outro, o Reino do Egito. No meio,
tentando se equilibrar entre poderosos, estavam os sucessivos Reis de Judá.
A
mensagem do Profeta Ezequiel vem completar este quadro histórico de dor e de
morte, mas também trazendo uma centelha de reconstrução e de mudança. Depois de
tantos anos, detendo-nos em Temas e Lemas, os mais variados, com base na Palavra
de Deus, a Comissão Bíblico-Catequética da CNBB escolheu para 2024, o Livro de
Ezequiel como Tema central do Mês da Bíblia e como Lema, o capítulo 37, em seu
versículo 14: “porei em vós meu espírito
e vivereis”, como estamos lembrando, desde nosso 1º comentário.
Ezequiel,
um profeta ativo durante o exílio babilônico, oferece uma mensagem de esperança
e renovação. Sua visão mais famosa, a
dos ossos secos, ilustra o poder de Deus de trazer vida nova em situações
de desolação e morte. A escolha desse Tema é, especialmente, relevante, em um
contexto em que muitas pessoas e comunidades enfrentam desafios espirituais,
sociais e até físicos. A mensagem de Ezequiel convida a nós, cristãos, a
confiar na promessa de Deus, de renovação, através da ação do Espírito Santo,
que é capaz de reviver o que parecia estar morto.
Mas,
o que vem a ser esta visão dos ossos secos? Onde encontrá-la
no Livro de Ezequiel? Já lhes disse, em nosso 1º contato, este mês:
‘Abra sua
Bíblia, no Livro do Profeta Ezequiel. Se não a possuir, peça emprestada. Nela,
busque o capítulo 37, em seus primeiros dez versículos. Se lhe interessarem, vá
em frente. Quem sabe! Você se tornará um leitor! Experimente’! Conselho dado. Dizem
que ‘se conselho fosse bom, ninguém dava.
Vendia’. Taí. É grátis.
Se
não buscarem, não me ouvirem, não se interessarem, num próximo comentário,
ainda neste Mês da Bíblia, transcreverei o texto e lá pelo versículo 12 em
diante, lereis:
“...
diga ao povo de Israel que eu, o Senhor Deus, abrirei as sepulturas deles e os
tirarei para fora, e os levarei de volta para a terra de Israel. Eu vou abrir
as sepulturas, onde o meu povo está enterrado e vou tirá-los para fora; aí
ficarão sabendo que Eu Sou o Senhor. Porei a minha respiração neles, e os farei
viver novamente, e os deixarei morar em sua terra”.
Estamos chegando à metade do Mês da Bíblia.
Temos ainda que refletir sobre o Dia da Bíblia, a Festa de São Jerônimo, o
tradutor dos originais (hebraico, aramaico e grego, para o latim) e já
entraremos no Mês Missionário. Por enquanto, ficam aí essas indicações.
Mas
eu dizia ali acima que ‘a mensagem de
Ezequiel nos convida, como cristãos, a confiar na promessa renovadora de Deus,
através da ação do Espírito Santo, que é capaz de reviver o que parecia estar
morto’.
De fato, a escolha do
Tema e Lema da CNBB, para 2024, é porque o Espírito Santo ocupa um papel
central na reflexão proposta. A promessa: ‘porei
em vós meu Espírito e vivereis’ não apenas aponta para a restauração
física e espiritual de Israel, mas também para a vida nova em Cristo, oferecida
a todos os que aceitam a ação do Espírito Santo em suas vidas.
A Igreja ensina que o
Espírito Santo é o Consolador prometido por Jesus que guia, fortalece e
santifica os fiéis. A leitura e a
meditação do Livro de Ezequiel durante o Mês da Bíblia devem levar os cristãos
a uma maior consci-ência da presença da ação do Espírito Santo, inspirando, profundamente,
a fé.
O Mês da Bíblia é
sempre um convite para as comunidades católicas se reunirem em torno da Palavra
de Deus, promovendo estudos bíblicos, orações comunitárias e reflexões que
levem à conversão e á renovação espiritual.
A ‘lícito divina’ é o método sugerido para essas práticas, sendo ‘um processo de leitura, meditação, oração e
contemplação das Escrituras’.
Além disso, a CNBB
sugere que as comunidades aproveitem este período para aprofundar o estudo do
Livro do Profeta Ezequiel em reuniões, refletindo sobre como a mensagem do
Profeta pode ser aplicada à vida atual. Tais reuniões ou Encontros Bíblicos
devem ser momentos de partilha, onde cada participante é chamado a contribuir
em suas reflexões e experiências, enriquecendo a vivência comunitária da fé.
O enfoque dado no Livro
de Ezequiel e na ação do Espírito Santo é uma oportunidade única para a Igreja
no Brasil aprofundar sua relação com a Palavra de Deus. Num mundo marcado por
desafios e incertezas, a mensagem de esperança e renovação de Ezequiel é um
chamado à confiança em Deus que sempre está disposto a infundir-nos vida nova e
em nossas comunidades.
O Papa Francisco, em
vídeo-mensagem dirigida ao mundo cristão para melhor viver o Mês de Setembro
sublinha:
“os que
mais sofrem - com as consequências de grandes desastres - são os pobres, os
idosos, os doentes, abandonados e mortos, sem esperança de sobreviverem.
Comprometamo-nos com o seu bem-estar, na luta contra a pobreza e pela proteção
da natureza. Afinal, Deus nos quer, a todos, felizes, até dando vida a ossos secos, como no envio do profeta Ezequiel”.
Nos sábados – 21 e
28/09 – ainda voltarei ao Mês da Bíblia. Como disse acima, falarei sobre o Dia
da Bíblia, S. Jerônimo para justificar mais o empenho da Igreja na celebração
deste mês. Em Agosto pensamos em nossa Vocação. Em setembro no conteúdo bíblico
e em outubro na Missão. Bom esquema! Né?
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