COMO ANDAM
AS CONFERÊNCIAS VICENTINAS EM NOSSAS PARÓQUIAS?
No final do meu Comentário da semana passada prometia iniciar hoje, o Mês
Missionário, já me referindo à Mensagem
do Papa para 20/10, dia Mundial das Missões. Apareceu-me excelente
chance de refletir, com exemplo concreto e eu o aproveitei. Ao Papa, voltarei
depois, sobretudo porque seu tema é bem sugestivo: “ide e convidai a todos para o banquete”: Mateus, 22,9.
Logo no início do mês de setembro, o Pároco de Bela Cruz,
Pe. Claudio, entrou em contato comigo, convidando-me a participar, ao menos por
uma noite, do Novenário de S. Vicente, fixando logo para 25 de setembro.
Aceitei com prazer. Quando os festejos começaram, a secretaria paroquial me
passou a programação: tema e subtemas, para que eu me preparasse. Lá estive.
Teria que provar para todas as pessoas ali presentes,
naquela noite, para os nossos ouvintes da Rádio Genoveva e para os tele
participantes das Redes Sociais de nossa Paróquia, através da PASCOM, que a
providência divina precisa de nós e do nosso empenho, para executar Sua missão
no mundo. E que, São Vicente de Paulo, com Santa Luiza de Marilac e o
Beato Frederico Ozanam são exemplos concretos de colaboradores com a Providência
Divina na realização de suas Missões, conforme sugeriam o Tema Geral de toda a
Festa e o subtema daquela noite. Os três, respectivamente, instituíram a
Congregação dos Padres Lazaristas, as Irmãs, Filhas da Caridade e a Sociedade
São Vicente de Paulo, vivendo no Mundo só fazendo o bem, colaborando com o
próprio Deus, através de Jesus Cristo, para a salvação do mundo.
Já participei desse Novenário, anteriormente, desde os
meus 10 anos de Sacerdócio e, mais efetivamente, nos últimos 20 anos, sempre
lembrando a necessidade que a Providência Divina teve de contar com São
Vicente, Santa Luíza de Marilac e do Bv. Frederico Ozanam em suas missões no
Mundo.
São Vicente de Paulo trabalhou em consonância com Santa
Luíza de Marilac e instituíram a Congregação dos Padres da Missão ou dos Padres
Lazaristas e a Congregação das Filhas da Caridade. Lançaram as bases sólidas
das duas congregações: uma masculina e outra feminina, que se espalham por todo
o mundo. Depois, surgiu um leigo famoso, o Beato Frederico Ozanam para
completar o sentido da missão da Igreja, deixada por Jesus Cristo: unir
sacerdotes, religiosos e leigos na Ação Missionária.
Queremos mostrar que Deus precisa não só de sacerdotes e
de freiras, para a Missão, como precisa de leigos também. Todos bem
comprometidos com o trabalho missionário e colaboradores com o plano de Deus no
alcance da salvação de todos. Foi o que lhes fiz: aprofundei mais, naquela noite, como já o fizeram, os
colegas que participaram das noites anteriores. Não era uma grande novidade o
que nos estava propondo a Paróquia. Era somente o desejo de lembrar que Jesus
fizera desde o início: chamou os 12
Apóstolos, representando os Sacerdotes, até o fim dos tempos. E aos 72
discípulos, que representavam a maioria da população, para se espalharem por
toda parte, ajudando-O na Missão, até o fim dos tempos. Não será isto, uma
prova concreta de que Deus precisa de todos nós, para tocar pra frente seu
trabalho?
Os Padres, Religiosos e Religiosas, e os Leigos,
motivados pelos Lazaristas, pelas Filhas da Caridade e pelo grupo inicial da
Sociedade Leiga de São Vicente, será que não nos estão mostrando, cada vez
mais, a necessidade da nossa participação no trabalho de evangelização,
iniciado por Jesus? Jesus, como Deus, poderia ter instituído um trabalho sem
nós. Ele não era Deus? Mas Ele quis contar conosco, desde o princípio. Nós é
que não O entendemos.
Daí, o chamado que a festa de S. Vicente, em Bela Cruz
nos lembrou.
Com as bases
sólidas de trabalhos feitos por padres, freiras e leigos vicentinos, na
catequese, tinha-se que pô-los em prática, organizando muitas obras de
caridade, doando-se inteiramente, aos mais necessitados. Nossos Santos eram
considerados “pais dos pobres” e os causadores de muitas mudanças na formação
de muitos religiosos.
Preparados
esses agentes – padres e freiras – tinha de haver uma organização mais
abrangente para os leigos, isto é, para a maioria da população. Nasceram as Conferencias
Vicentinas; cresceram e se espalharam por todo o mundo sob a inspiração
de São Vicente, tendo mais tarde, Frederico Ozanam e seis Companheiros,
como os mais ardorosos articuladores, estando hoje espalhadas pelo mundo
inteiro. As regras e condutas que norteiam tais Conferencias estão baseadas na
própria orientação original de São Vicente: de amor aos pobres, aos doentes e
aos marginalizados, sempre respeitando os mais necessitados, sem humilhá-los em
hipótese alguma, mas fazendo-se igual a eles. E quem foi Frederico Ozanam?
Alguém fácil de ser manipulado? Um pobre analfabeto que não teria como vencer
na vida? Um iluminado de Deus?
Dentre
tantas interrogações paro na última: +_um que é luz do mundo.
Nasceu
em Milão, na Itália, aos 23 de abril de 1813. Seus pais – o médico João
Antônio, e a assistente social Maria Ozanam – atendiam os doentes e indigentes,
com o mesmo cuidado e carinho reservados aos pacientes de alta condição social.
Frederico Ozanam, desde o nascimento, respirava o profundo espírito de
caridade, compartilhado pelos seus pais. Foi sempre um aluno brilhante, um
leitor insaciável e já aos 17 anos conhecia bem: grego, latim, francês,
italiano e estudava hebraico e sânscrito, apaixonado por seus estudos
filosóficos que o levaram a realizar grandes sonhos. Frequentava grandes
centros intelectuais e colaborava com jornais e revistas, sendo reconhecido por
todos não só pela sua profunda humanidade, como também pelo seu rigor moral,
sua imensa cultura, as suas opiniões atualizadas, seu catolicismo respeitoso e
consciente que o tornavam, rapidamente, uma personalidade respeitada e
relevante. Era excelente mediador em debates sobre religião e política onde
sempre se destacava pela defesa de sua fé católica. Tudo isso o levou à criação
de uma “Conferencia da Caridade” que seria “uma associação de beneficência
para a assistência dos pobres a fim de pôr em prática o nosso catolicismo”.
Com mais 06 companheiros, tornaram o embrião da “Conferencia da Caridade” em múltiplas Conferencias de São Vicente de
Paulo, usando toda a mística de São Vicente, justificando: “pela beleza
da formação acima de todos os sistemas políticos e filosóficos, de um grupo
compacto de homens decididos a usar todos os seus direitos como cidadãos, toda
a sua influência, todos os seus estudos profissionais, para honrar o
catolicismo em tempos de paz e defendê-lo em tempo de guerra”.
Em São
Vicente de Paulo, Santa Luíza, Frederico Ozanam e em seus sucessores,
encontramos o esquema completo para um trabalho de evangelização, segundo a
vontade de Deus: parte de uma Igreja composta de cerca de 4.000 Sacerdotes
Lazaristas, 22.000 Religiosas, Filhas da Caridade e de Trinta Milhões de
LEIGOS, quase 04 séculos depois da instituição vicentina.
Desde a
4ª feira, 18/09, até a 6ª feira, 27, celebramos a Festa de São Vicente de Paulo
– sem esquecer Santa Luíza e o Bem-aventurado Frederico Ozanam – numa capela
dedicada ao Santo, antes mesmo que tivesse sido instalada em Bela Cruz, a
Paróquia de N. Sra. da Conceição. A simplicidade do então Distrito, a pobreza
de seus habitantes e todas as dificuldades ali vividas pelo povo, fizeram com
que homens de bem, católicos praticantes, informados sobre as S.S.V.P., pelo mundo afora, se unissem
e organizassem, em Bela Cruz, a tão benfazeja instituição.
Nove
anos antes da instalação da Paróquia, o Padre Sabino de Lima Feijão, que era
Pároco de Acaraú e cuidava pastoralmente, da Capela de Bela Cruz, motivou um
grupo “de homens de bem, católicos
praticantes” para organizarem aqui, o que já existia, desde 20 de abril de
1833, espalhada por todo o mundo: a Sociedade São Vicente de Paulo.
Informava o zeloso Pároco: foi um grupo de 07 jovens universitários, em Paris,
na França, sob a coordenação de um deles: Antônio Frederico Ozanam, estudante
de Direito na Sorbone. Porque não nos organizarmos assim?
Todos se animaram e surgiu o grupo. Também de sete: Pe.
Sabino, o idealizador. Gabriel Florêncio, Emílio Fonteles, Nicodemos Araújo,
Vicente Lopes, Francisco das Chagas Silveira e Mário Louzada. No dia 08 de
setembro de 1932 fundaram uma Conferência Vicentina,
escolheram a Diretoria, registraram 71 sócios, que, em 04 anos já eram 186.
Motivados, organizados, imbuídos da espiritualidade de São Vicente e praticando
a orientação recebida de amor aos pobres, em 1938 iniciaram a
construção da Igreja de São Vicente de Paulo. Sua bênção se deu a 19 de julho
de 1941 pelo mesmo Pe. Sabino, entregando à Comunidade uma capelinha toda
aparelhada com tudo o que fosse necessário para celebrar a liturgia e com uma
alegria enorme estampada no rosto de todo mundo. Isto aconteceu, 5 meses antes
de criar-se a Paróquia.
A exemplo do que já se fazia pelo mundo, instalara-se em
Bela Cruz, a Sociedade São Vicente de
Paulo, seguindo o mesmo roteiro das irmãs, já existentes em toda parte:
uma
organização civil de leigos, homens e mulheres, dedicada ao trabalho cristão da
caridade. Foi incorporada à já existente Conferencia Vicentina Nacional
e Estadual, engrossando o número dos 153 mil confrades e consócias,
mantendo creches, escolas, projetos sociais, lares de idosos que ajudam a cerca
de 80 mil famílias necessitadas.
A nossa Conferência Vicentina começou logo enfrentando um
caso concreto. Unindo-se, rezando, reunindo-se e trabalhando.
Quando a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição nasceu
não encontrou dificuldades maiores, por não haver Matriz. A Capelinha de S.
Vicente cedeu seu espaço para as celebrações.
Ao recordar, tão superficialmente, esta história,
gostaria de encerrá-la com uma fundamentação bíblica que justificasse para
todos os que se encontravam na Missa, ouviam-nos pela Rádio Genoveva FM e para
os tele participantes que nos assistiam pelas Redes Sociais da Paróquia e até
pelos leitores deste Blog, o texto do Evangelho de Lucas, 9,1-6, lido na Missa,
que é um testemunho, inconteste, de que Deus precisa da nossa participação, ao
levar adiante, a sua mensagem:
“Jesus convocou os
12, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças, e
enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar enfermos. E disse-lhes: ‘não
leveis nada para o caminho: nem cajado nem sacola nem pão nem dinheiro nem mesmo
duas túnicas. Em qualquer casa onde entrardes, ficai aí e daí é que partireis
de novo. Todos aqueles que não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade, sacudi
a poeira dos vossos pés como protesto contra eles. Os discípulos partiram e
percorriam os povoados, anunciando a Boa Nova e curando o povo” ...
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