A PALAVRA DE DEUS É A MESMA. E POR QUE TANTOS PRECONCEITOS EM RELAÇÃO A OUTROS
CRISTÃOS?
De vez em quando o Papa Francisco surpreende o Mundo com seus
pronunciamentos, quase sempre, assustando a alas mais conservadoras da Igreja,
não muito acostumadas a refletir sobre a Palavra Libertadora de Deus.
No último
Comentário que eu fiz sobre a sua Carta Encíclica, Dilexit nos eu encerrava dizendo: “voltaremos”. Aqui já estamos “de
volta”, para comentar mais uma de suas mensagens que já está dando o que
falar. É na mesma linha de reflexão, feita entre o Natal do ano passado e o
início deste ano, na sua Declaração
Doutrinária de Bênçãos em que S.S. pedia aos sacerdotes que abençoassem pares ou duplas do mesmo sexo
que pedissem a bênção da Igreja. Não era pedir-lhe o sacramento do Matrimônio e
sim, uma bênção.
Naquela
ocasião, eu acrescentava: ‘eles não têm
direito de receber o sacramento do Matrimônio, mas Deus não os deixa de
abençoar. Um pai sério não abandona seu filho. No entender de Francisco e dos
bons sacerdotes da Igreja, as bênçãos fazem parte de nossa História Cristã, que
nunca foram postas em dúvida. Sempre se usou água, vela, óleo, cinza, saliva,
sal, fumaça que ninguém nunca pôs em dúvida. Sempre chamamos a isso de
“sacramentais”: aquilo que faz parte da celebração do sacramento e que não é ‘o
sacramento’. (Já me referi a isto no meu comentário do Natal passado).
Nessa
segunda feira, dia 11 de novembro, Francisco nos vem com uma nova mensagem,
dessas que deixam os conservadores, “atordoados”: ‘pede aos confessores da Basílica de São Pedro que abençoem todos os
que lhes pedirem, inclusive aos muçulmanos, islamitas, budistas ou de outras
religiões’.
(Como
informação, a Basílica de São Pedro tem uns 40 padres, que falam várias
línguas, só para confessarem peregrinos. Em cada confessionário está indicando
a língua ou as línguas que o confessor fala, para a escolha do povo. A eles o
Papa recomendou nessa semana, dia 11/11).
“Todos, realmente todos deveriam sentir-se
bem-vindos ‘na grande casa’ que é a Basílica
de São Pedro. Tanto quem tem fé como quem procura a fé, como quem vem
contemplar as muitas belezas artísticas de Roma. A Basílica é uma casa de
oração para todos os povos e foi-nos confiada por aqueles que nos têm precedido
na fé e no ministério apostólico”.
O
Papa se sente o “administrador” da arte, da técnica, da criatividade, da
responsabilidade e do aproveitamento correto e construtivo de um potencial,
certamente útil, mas ambivalente: depende de nós. Às vezes acontece, porém, que
“o instrumento prevalece sobre a
finalidade a que deve servir: é como se a moldura se tornasse mais importante
que a pintura. É necessário, portanto, governar a técnica, lembrando que os seus produtos são bons não só quando
funcionam bem, mas, sobretudo quando nos ajudam a crescer”.
Entendemos que a Basílica de São Pedro é a morada
hospitaleira para quem vem de todo o mundo. Ela deve ser para todos os
visitantes, um lugar vivo de fé e de história, uma habitação hospitaleira, um
templo de encontro com Deus e com os irmãos e irmãs.
O
nome de católico, católica já significa “universalidade”, fraternidade humana.
Nada deve afastar-nos dessa unidade. O “Ecumenismo” tão estudado e aprofundado
no Concílio Vaticano II é a grande herança que ficou entre nós. Porque temos
tanto preconceito com outros cristãos, pelo fato de serem ortodoxos,
evangélicos se temos a mesma Palavra de Deus? Porque somos tão divididos, se
originalmente, somos monoteístas, como os muçulmanos e fomos iniciados do mesmo
Pai, Abraão, tão numerosos quanto a areia
do mar?
Francisco
recorda que o núcleo original da Basílica é o túmulo de Pedro
como atestam as enormes inscrições em grego e latim que acompanham os fiéis
desde o alto até ao altar da Cátedra. As obras que se projetam devem ter a
mesma finalidade: acompanhar os homens e mulheres de hoje; apoiar o seu
caminho, como discípulos, seguindo o exemplo de Simão Pedro: os 03
critérios que todo Papa deve ter na orientação de seu trabalho: ‘A escuta da Oração, o olhar da fé e o toque
do peregrino’. O verdadeiro estilo missionário.
Longe
de nós adotar um estilo turístico, visando lucro ou qualquer vantagem material.
Temos que agir com um estilo missionário, investindo em novos meios de
comunicação para contar a história da fé da Igreja e da cultura que ela foi
moldando ao longo da história. Nossos antecessores trabalharam
maravilhosamente! Que cada novo projeto esteja em continuidade com a mesma
intenção pastoral.
Com
este olhar firme na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco se detém em “outra obra de arte” nela escondida: os
Confessores. Por favor, ‘que
os Confessores estejam sempre por perto’. “As pessoas vão, ouvem alguma coisa,
até os não cristãos vêm pedir uma bênção... Neste mundo artístico e belo,
existe também a arte da comunicação pessoal. Por favor, insiste o Papa, “diga aos confessores que perdoem tudo, tudo!”.
“Tudo deve ser perdoado”. O Senhor quer isso e não fazer discursos. Você tem que dizer algumas palavras, mas perdoe; não deixe alguém sair sem uma bênção. Mesmo aqueles que não são cristãos..
. Os confessores me dizem que, muitas vezes, são muçulmanos ou de outras religiões, sempre vêm pedir uma bênção. Pra todos e para aqueles que querem confessar, perdoe a todos.
Certamente, aqueles que ainda me seguem ou lêem este “Comentário a cada Semana”, gentilmente cedido a mim por meu colega de infância, Leunam, têm observado o tanto que eu admiro o Papa Francisco e como o tenho na fundamentação daquilo que escrevo e da atualização que faço, lendo-o.
Na semana passada, falei dos seus “87 anos de idade e, parecendo frágil, fisicamente, ainda nos dava lições de ousadia, coragem e otimismo” e que nos estava dando a Encíclica Dilexit nos, dirigindo-a “a um mundo que parecia ter perdido o coração”. Hoje retorno com o apelo aos confessores da Basílica de São Pedro a perdoarem sempre, até dando uma palavra de esperança aos muitos que lá aparecem, fazendo turismo, mas, agradecidos por uma mensagem ou por uma bênção.
Faz dez dias – a 06 de Novembro – S.S.
foi à Universidade Gregoriana, dirigida pelos Padres Jesuítas, para celebrar o Dies Academicus com uma longa Lectio Magistralis sobre o tema: Devolver
a esperança a um mundo em chamas, apesar de ser a educação, um
privilégio. Mesmo assim está viva e não aprisionada em um museu. Precisamos ter
consciência da Teologia da Esperança enquanto o mundo está em chamas, ciente
também dos riscos da Inteligência Artificial. A loucura da guerra cobre toda
esperança com a sombra da morte. Temos que dar um não absoluto às ideologias,
ao intelectualismo árido ou ao narcisismo perverso. Também não à cocacolização
da pesquisa e do ensino. São muitos, infelizmente, os discípulos da Coca-Cola
espiritual. E por aí foi o Papa em
suas elocubrações filosóficas e literárias.
Louvo
e agradeço a Deus pelos meus 84 anos de vida, 56 de sacerdócio sempre me
renovando com o que há de mais atual na Igreja de Deus e lúcido para repassar a
tanta gente que me estimula a viver e ainda sentir-me útil.
Obrigado
a todos.
.jpg)


Nenhum comentário:
Postar um comentário