O KARATÊ ENSINA: humildade, disciplina, sinceridade, autocontrole e integridade
moral.
Desde
ontem, deveria estar na bela Capital Paraibana, João Pessoa, com meu “neto”,
João Murilo, 16 anos: 20 medalhas de ouro; 17 de Prata e 23 de bronze,
conquistadas em competições internacionais, nacionais, estaduais e regionais. Mas,
tive que mudar o meu roteiro.
Acompanham-nos sua madrinha e mãe do
coração, Maria Goretti, seu primo Pedro Filho e esposa, Jackeline Nobre.
Compomos a sua “trupe de apoio”, além dos vários atletas cearenses que
engrossam a nossa torcida.
Sempre que me dirijo à redação deste
blog e comento para meus leitores, algum assunto muito pessoal, peço desculpas
por fazê-lo, porque penso que todos têm mais interesse naqueles temas mais
generalizados, do que tratarem de coisas mais íntimas. É o que a minha fraqueza
humana fará hoje. Desculpem-me!
Dizer que o João Murilo é “meu neto” e
que eu “sou seu avô” faz tempo que nós nos tratamos assim. Até aquela questão,
colocada por ‘coleguinhas de escola’: “como é que ele é teu avô, se Padre não
tem filho” a essas alturas, já está esclarecida. É bom que todos saibam: a
minha qualidade de vida, a minha lucidez, a capacidade que eu tenho de sempre
me atualizar, de acompanhar “meu neto” e fazê-lo crescer, intelectualmente, de
se atualizar com a internet e aproveitá-la em seus estudos e pesquisas, enfim,
tudo o que fazemos para que ele sempre aprenda mais e se atualize como bom
atleta que é no karatê e como excelente aluno na Escola faz-nos crescer,
reciprocamente, como deve acontecer com todo professor e todo aluno que
interajam, mutuamente. Afinal de contas, de acordo com a psicopedagoga, minha
irmã, Dona Tetê (in memoriam), “o melhor professor é a criança”.
Tenho provas disso.
Para esta nossa convivência tão
participativa, contamos com a mediação de Goretti, mãe dele, do coração, do
acompanhamento em viagens, a médicos e nas atividades escolares, nas reuniões
de pais e mestres, na cobrança das tarefas, tudo muito cheio de amor e de correspondência
dele no desempenho. Atribuo a minha longevidade na família Magalhães Rocha, sem
dúvida, à presença de João Murilo em minha casa. Meus pais, meus 12 irmãos que
já morreram, todos se foram com menos da idade que eu tenho hoje.
Nossa parceria e ajuda mútua, o fazem
imitar-me no que eu tenho de organizado, metódico, seguidor de horário,
pontualidade nos compromissos ou de alguma outra virtude que eu tenha. Só não o
quero, imitando meus erros.
Em seus 11 anos na prática do Karatê,
já subiu ao pódio mais de 60 vezes, recebeu “troféus melhor atleta” nos
Rankings de 2014, 2017, 2019, e 2022. Em 2023 foi melhor atleta em níveis
nacional e estadual, conquistando ouro nos dois. Com tão pouca idade, já é
faixa preta – 1º Dan e treina na Academia do Sensey Robson Régis, na cidade de
Acaraú – CE, três vezes por semana, 50 km de distância: ida e volta.
Como não se sentir feliz e até vaidoso,
tendo essa bênção de Deus em casa? No alto dos meus 84 anos, sem ter gerado um
filho, sou agraciado com um “neto”. Segundo meu amigo pernambucano, Dr.
Ubirajara Jucá, “o neto é um filho com açúcar”. Ou como se afirma por aí: “os
pais geram, alimentam, educam e os avós estragam tudo. São condescendentes
demais”. É verdade?
Ora, num mundo cheio de dificuldades,
de diversões perigosas, de uma marginalização sem limites, de droga espalhada
por toda parte e até dentro das melhores e tradicionais famílias, encontrar um
adolescente ou jovem que siga o melhor caminho é, como eu disse acima, uma
bênção de Deus. Por isso mesmo, nestes 15 anos de convivência, só nos temos
feito, mutuamente, o bem.
Mas por que o João Murilo faz Karatê?
Primeiro, por uma vocação inata: é filho de carateca, faixa preta: José Gerardo
Júnior, o famoso Júnior Testa.
Desde os 05 anos de idade ingressou na
mini academia Júnior Karatê Team sob a direção e o treinamento de seu pai.
Mudou para academias maiores, embora com a referência ao pai, que sempre era
lembrado e respeitado. Seu vovô Padre e sua Madrinha Goretti, a quem ele chama
de Mamá se debruçaram sobre o conhecimento do Karatê e entenderam bem sua
importância para a educação integral da criança. Queríamos formar nele, um
homem de verdade. Dar-lhe um perfil diferenciado das outras crianças comuns.
Juntamos à técnica do pai, a formação
integral que o bom esporte faria. Entendemos que o Karatê é uma arte marcial de
origem japonesa e uma das mais populares do mundo. É uma luta que utiliza todas
as partes do corpo com finalidades, prioritariamente, defensivas. O maior
objetivo do Karatê é o aperfeiçoamento comportamental dos seus praticantes,
contribuindo para uma formação integral do homem.
Além de ser também um excelente meio de
defesa pessoal, o Karatê constitui uma forma ideal de exercício físico.
Desenvolve a força, a velocidade, a coordenação motora e os reflexos, sendo,
por vezes, indicado como terapia de algumas patologias físicas.
Assim, o karatê, na escola, numa
prática correta, auxilia na formação e desenvolvimento físico e psicológico de
quem o pratica, pois, ao disciplinar o corpo e a mente através dos treinos,
seus praticantes aprendem valores universais, tais como: humildade,
disciplina, sinceridade, autocontrole e integridade moral. O João Murilo assimilou tanto essa mística do
Karatê, que, desde o começo deste ano tem ajudado os seus próprios colegas do
Instituto Imaculada Conceição da Paróquia de Bela Cruz, a viverem essa
disciplina no seu Curriculum Escolar.
O Karatê, diferentemente de outros
esportes, é considerado um treinamento físico aeróbico, plástico, artístico,
sem precisar o uso da força. Ao contrário do que muitos imaginam, por ser
praticado à distância, o contato físico é mínimo. Os exercícios utilizados
durante as aulas enfatizam também o desenvolvimento da flexibilidade,
prevenindo e reduzindo dores na coluna.
João Murilo
faz parte de um elenco de atletas, faixa preta, orientado pelo Sensey Robson
Regis, que treina a todos, como a seus próprios filhos, deixando-os prontos,
sem falta, para competirem no mesmo pé de igualdade. Dá-lhes a mesma atenção, o
mesmo espírito de concentração, disciplina, responsabilidade, alerta, práticas
esportivas, convívio com tanta gente, cheios de bondade, atenção, concentração
e tudo o que significa competência, acúmulo de experiências e sabedoria para
serem colocados a serviço de todos.
Desejo a toda a esquipe do Sensey
Robson Régis, aos seus filhos, colegas de Academia e integrantes da equipe de
“meu neto”, João Murilo, que todos sejam melhores a cada dia. Que armazenem
muito amor, bondade e fé para encherem o mundo de esperança, para que tudo
melhore para todos.
Sua energia, “meu neto”, sua vontade de
acertar me dá a certeza de que não lutamos em vão para que o mundo melhore.
Nossa vinda a João Pessoa, nosso apoio presencial, nossa companhia e torcida,
tudo faz parte da nossa crença na luta, na nossa busca de transformação e que
não lutamos em vão. O Poeta dos Escravos, Castro Alves, já bradava que “viver é
lutar”. A vitória é o troféu dos lutadores. Jamais repetiremos a frase de
Breno, ao derrotar Farnaces, Rei do Ponto: “VAE, VICTIS”. “Ai dos vencidos”!
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