O Mons. Assis Rocha
conta:
UM ROMANCE, IMAGINADO NO
BATISADO, TORNOU-SE UMA FELIZ REALIDADE!
Em meu
Comentário de 30.11.24 sobre a participação de “meu neto”, João Murilo, na
última etapa de Karatê, do “Brasileirão” deste ano – em João Pessoa na PB - eu
‘pedia desculpas por tratar de assunto muito pessoal, muito íntimo e deixava de
lado temas mais generalizados que a minha fraqueza humana me estava exigindo
que o fizesse”. Hoje me vai acontecer coisa semelhante. Mais uma vez,
desculpem-me. É por uma boa causa. Tenho como exemplo, meu Colega, Leunam,
deste blog, que tem sua família em 1º lugar.
No
último dia 16 de dezembro, 2ª feira, as famílias Magalhães Rocha e Aguiar
comemoraram a data do nascimento (16.12.1935) que ocorrera na manhã daquele
dia, há 89 anos, em diferentes lugares, separados por 18 km: na Fazenda Bom
Sucesso, de Acaraú, e na Vila Serrota, àquela época, do Município
de Massapê. Situavam-se em Zonas Rurais diferentes, em Municípios
diferentes, embora fossem cuidados, pelo mesmo Pároco de Acaraú ou de Massapê,
à época das “desobrigas paroquiais”.
Na
1ª oportunidade que um dos Padres visitou a Capela de Serrota, as famílias
foram avisadas e as duas crianças foram batizadas, colocadas no mesmo bercinho
e aquela algazarra se criou em torno do casamento de ambos, sem nem imaginarem
no que lhes poderia acontecer dali pra frente: a Dosreizinha iria para
Fortaleza e o Carlos (meu irmão) ia permanecer circulando pelas Fazendas
que eram administradas por nossos pais; afinal, o grande proprietário e criador
de animais, que morava na Capital, era tio do administrador local. As crianças,
nascidas e batizadas no mesmo dia, se separaram, até completarem 15 anos, sem
nunca se terem encontrado, embora soubessem do “romance” que os unia e da
“novela” que os aguardava.
Nos
15 anos da Dosreizinha, em Dezembro de 1950, recebeu como presente da
família dela, um passeio à Serrota para conhecer suas origens. Naturalmente, o
“romance” criado pelos adultos e esses primeiros capítulos da “Novela” que já
ia sendo contada, as coincidências dos fatos e datas, inclusive o reencontro do
“casal”, tudo aconteceu como se tivesse “escrito nas estrelas”.
O
papai cedeu-lhe a sua “Ferrari conversível” de dois lugares, “sela e garupa” e
lá se foi o meu irmão, rumo ao desconhecido, embora, lembrado, pra refazer sua
história. De repente, “estaciona” em frente à Casa da Fazenda, parecendo, de há
muito, acostumados. Foi uma visita rápida, mas, o suficiente para provar que o
amor cristão, segundo São Paulo, em 1º Coríntios, 13, só se dá quando suas
palavras não se assemelharem ao som de um gongo ou como o barulho de um sino. E
São Paulo acrescenta: “quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é
ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta: não
fica irritado nem guarda mágoa”.
Será
que algum de nós que aqui estamos, ou lemos esta mensagem ou conhecemos, de
perto, o Carlos e a Dosreizinha, discordamos do Hino ao amor cristão de que nos
fala São Paulo? Ele conclui seu belo Hino, dizendo existirem três coisas: a
fé, a esperança e o amor. Mas, a maior delas é o Amor.
Por
mais que estes exemplos pareçam brincadeira, há um fundo de verdade permeando
toda a história. A Ana Clara e seu esposo Ítalo, não são modelos de uma fé
autêntica? Por que não? Trago ainda um exemplo final.
Quando
eu tinha 05 anos de Padre, ganhei uma bolsa de estudos para estudar Sociologia
Religiosa em Roma. Fiz todos os cursos acadêmicos que me permitissem realizar
duas graduações: um mestrado e um doutorado, sempre dentro do tema da
Religiosidade Popular do Nordeste Brasileiro.
À
época, a Dosreizinha, minha cunhada, começou a peregrinar, a pé, de
Fortaleza a Canindé, integrando muitos Romeiros que caminhava mais de 130 km,
durante uma semana, com as devidas paradas de descanso e de alimentação.
Administravam o tempo, de tal maneira que, chegavam a Canindé, exatamente no
dia da Festa de São Francisco, 04 de Outubro, na parte da manhã para participarem
da Santa Missa e retornarem a Fortaleza com seus familiares que iriam
apanhá-los de volta.
Depois
de alguns anos, obtendo sucesso, à entrada de Canindé, após a semana de
caminhada, todos muito felizes, pelas novas amizades, pelas alegrias vividas e,
sobretudo, pela chegada ao destino traçado, um cidadão embriagado, saindo da
cidade, de carro, em alta velocidade, jogou-se por cima da multidão, deixando
17 feridos, entre eles, 05 mortos.
Minha
cunhada estava entre os feridos. Foi conduzida pra Fortaleza, passando mal, foi
operada, várias vezes, manteve-se numa cadeira de rodas, locomovia-se com ajuda
de muletas, como eu comentei à época, e dois anos depois do acidente, ainda
tinha fé de que iria ficar boa, e com esperança de voltar a pé ao reencontro de
São Francisco. Não é mesmo, edificante, uma religiosidade como essa?
Dediquei o meu
trabalho acadêmico a ela, nestes termos:
“dedico este trabalho à minha cunhada, Maria dos Reis,
romeira de São Francisco, atropelada em Canindé, testemunhando a sua crença.
Dedico também a milhares de Nordestinos que cruzam a região, dando-nos exemplo
de fé e de religiosidade cristãs”.
Neste
Natal de 2024 completam-se 89 anos desta bela História de Amor e mesmo com a
ausência do Carlos, meu irmão, temos a presença viva da Dosreizinha, cheia de
limites, mas rodeada dos descendentes, unidos a ela no Amor que os dois
construíram. Aqui estamos, no Dia Mesmo do Natal, bem dentro do tempo
preparatório, que chamamos Advento, que é o Tempo da expectativa, da chegada,
da vinda do Senhor, para vivenciar, na prática, aquilo que muitas vezes se
festeja da boca pra fora, com frases que, nem sempre correspondem à realidade
dos sentimentos. Poucos têm um exemplo concreto como este que estamos
apresentando para ser lembrado e vivido, como estamos pretendendo agora.
Gostaríamos
que todos os que lemos esta mensagem, os que a praticamos em nossas vidas, ou
que recordamos agora, aprofundando o Amor Cristão, ensinado por São Paulo em 1ª
Coríntios, 13 e que estamos, envolvidos com esta celebração concreta do Natal,
como o que estamos celebrando em 2024, tenhamos a alegria de tirar deste
momento, todas as lições que uma Festa como esta nos está querendo passar. No
próximo ano, nos 90 anos da contagem desta história, a maioria de nós, possa
estar aqui, até com os novos descendentes que ainda estão surgindo e que vão
engrossar nossas fileiras por bastante tempo. O sentimento do verdadeiro Natal
nunca deve findar.
Natal não é
“troca de presentes”, não é “papai Noel”, não é “carrinho
conduzindo trenó no meio do gelo”. Este tipo de Natal nada tem a ver conosco.
Ainda bem que Carlos Rocha e Dosreizinha Aguiar estão-se indo com suas belas e
santas lições que nos mostrarão, a tempo, que Jesus é o modelo.
Bordados pedagógicos da Professora Nazaré Antero
.jpg)


Nenhum comentário:
Postar um comentário