quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O Mons. Assis Rocha conta:

UM ROMANCE, IMAGINADO NO BATISADO, TORNOU-SE UMA FELIZ REALIDADE!

Em meu Comentário de 30.11.24 sobre a participação de “meu neto”, João Murilo, na última etapa de Karatê, do “Brasileirão” deste ano – em João Pessoa na PB - eu ‘pedia desculpas por tratar de assunto muito pessoal, muito íntimo e deixava de lado temas mais generalizados que a minha fraqueza humana me estava exigindo que o fizesse”. Hoje me vai acontecer coisa semelhante. Mais uma vez, desculpem-me. É por uma boa causa. Tenho como exemplo, meu Colega, Leunam, deste blog, que tem sua família em 1º lugar.

No último dia 16 de dezembro, 2ª feira, as famílias Magalhães Rocha e Aguiar comemoraram a data do nascimento (16.12.1935) que ocorrera na manhã daquele dia, há 89 anos, em diferentes lugares, separados por 18 km: na Fazenda Bom Sucesso, de Acaraú, e na Vila Serrota, àquela época, do Município de Massapê. Situavam-se em Zonas Rurais diferentes, em Municípios diferentes, embora fossem cuidados, pelo mesmo Pároco de Acaraú ou de Massapê, à época das “desobrigas paroquiais”.

Na 1ª oportunidade que um dos Padres visitou a Capela de Serrota, as famílias foram avisadas e as duas crianças foram batizadas, colocadas no mesmo bercinho e aquela algazarra se criou em torno do casamento de ambos, sem nem imaginarem no que lhes poderia acontecer dali pra frente: a Dosreizinha iria para Fortaleza e o Carlos (meu irmão) ia permanecer circulando pelas Fazendas que eram administradas por nossos pais; afinal, o grande proprietário e criador de animais, que morava na Capital, era tio do administrador local. As crianças, nascidas e batizadas no mesmo dia, se separaram, até completarem 15 anos, sem nunca se terem encontrado, embora soubessem do “romance” que os unia e da “novela” que os aguardava.

Nos 15 anos da Dosreizinha, em Dezembro de 1950, recebeu como presente da família dela, um passeio à Serrota para conhecer suas origens. Naturalmente, o “romance” criado pelos adultos e esses primeiros capítulos da “Novela” que já ia sendo contada, as coincidências dos fatos e datas, inclusive o reencontro do “casal”, tudo aconteceu como se tivesse “escrito nas estrelas”.

O papai cedeu-lhe a sua “Ferrari conversível” de dois lugares, “sela e garupa” e lá se foi o meu irmão, rumo ao desconhecido, embora, lembrado, pra refazer sua história. De repente, “estaciona” em frente à Casa da Fazenda, parecendo, de há muito, acostumados. Foi uma visita rápida, mas, o suficiente para provar que o amor cristão, segundo São Paulo, em 1º Coríntios, 13, só se dá quando suas palavras não se assemelharem ao som de um gongo ou como o barulho de um sino. E São Paulo acrescenta: “quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta: não fica irritado nem guarda mágoa”.

Será que algum de nós que aqui estamos, ou lemos esta mensagem ou conhecemos, de perto, o Carlos e a Dosreizinha, discordamos do Hino ao amor cristão de que nos fala São Paulo? Ele conclui seu belo Hino, dizendo existirem três coisas: a fé, a esperança e o amor. Mas, a maior delas é o Amor.

                                                Será que alguém desconhece esses valores da Família de Carlos e Dosreizinha? Seus filhos, compadre Xico e Comadre Regina? Seu neto, Diácono, Diego, a caminho do Presbiterato? E seu Bisneto, Emanuel que, aos 07 anos, já fez sua 1ª Comunhão, usa vestes sacerdotais e diz que será Papa?

Por mais que estes exemplos pareçam brincadeira, há um fundo de verdade permeando toda a história. A Ana Clara e seu esposo Ítalo, não são modelos de uma fé autêntica? Por que não? Trago ainda um exemplo final.

Quando eu tinha 05 anos de Padre, ganhei uma bolsa de estudos para estudar Sociologia Religiosa em Roma. Fiz todos os cursos acadêmicos que me permitissem realizar duas graduações: um mestrado e um doutorado, sempre dentro do tema da Religiosidade Popular do Nordeste Brasileiro.

À época, a Dosreizinha, minha cunhada, começou a peregrinar, a pé, de Fortaleza a Canindé, integrando muitos Romeiros que caminhava mais de 130 km, durante uma semana, com as devidas paradas de descanso e de alimentação. Administravam o tempo, de tal maneira que, chegavam a Canindé, exatamente no dia da Festa de São Francisco, 04 de Outubro, na parte da manhã para participarem da Santa Missa e retornarem a Fortaleza com seus familiares que iriam apanhá-los de volta.

Depois de alguns anos, obtendo sucesso, à entrada de Canindé, após a semana de caminhada, todos muito felizes, pelas novas amizades, pelas alegrias vividas e, sobretudo, pela chegada ao destino traçado, um cidadão embriagado, saindo da cidade, de carro, em alta velocidade, jogou-se por cima da multidão, deixando 17 feridos, entre eles, 05 mortos.

Minha cunhada estava entre os feridos. Foi conduzida pra Fortaleza, passando mal, foi operada, várias vezes, manteve-se numa cadeira de rodas, locomovia-se com ajuda de muletas, como eu comentei à época, e dois anos depois do acidente, ainda tinha fé de que iria ficar boa, e com esperança de voltar a pé ao reencontro de São Francisco. Não é mesmo, edificante, uma religiosidade como essa?

Dediquei o meu trabalho acadêmico a ela, nestes termos:

“dedico este trabalho à minha cunhada, Maria dos Reis, romeira de São Francisco, atropelada em Canindé, testemunhando a sua crença. Dedico também a milhares de Nordestinos que cruzam a região, dando-nos exemplo de fé e de religiosidade cristãs”.

Neste Natal de 2024 completam-se 89 anos desta bela História de Amor e mesmo com a ausência do Carlos, meu irmão, temos a presença viva da Dosreizinha, cheia de limites, mas rodeada dos descendentes, unidos a ela no Amor que os dois construíram. Aqui estamos, no Dia Mesmo do Natal, bem dentro do tempo preparatório, que chamamos Advento, que é o Tempo da expectativa, da chegada, da vinda do Senhor, para vivenciar, na prática, aquilo que muitas vezes se festeja da boca pra fora, com frases que, nem sempre correspondem à realidade dos sentimentos. Poucos têm um exemplo concreto como este que estamos apresentando para ser lembrado e vivido, como estamos pretendendo agora.

Gostaríamos que todos os que lemos esta mensagem, os que a praticamos em nossas vidas, ou que recordamos agora, aprofundando o Amor Cristão, ensinado por São Paulo em 1ª Coríntios, 13 e que estamos, envolvidos com esta celebração concreta do Natal, como o que estamos celebrando em 2024, tenhamos a alegria de tirar deste momento, todas as lições que uma Festa como esta nos está querendo passar. No próximo ano, nos 90 anos da contagem desta história, a maioria de nós, possa estar aqui, até com os novos descendentes que ainda estão surgindo e que vão engrossar nossas fileiras por bastante tempo. O sentimento do verdadeiro Natal nunca deve findar.

Natal não é “troca de presentes”, não é “papai Noel”, não é “carrinho conduzindo trenó no meio do gelo”. Este tipo de Natal nada tem a ver conosco. Ainda bem que Carlos Rocha e Dosreizinha Aguiar estão-se indo com suas belas e santas lições que nos mostrarão, a tempo, que Jesus é o modelo.

Bordados pedagógicos da Professora Nazaré Antero









Nenhum comentário:

Postar um comentário

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...